segunda-feira, 30 de junho de 2014

A presença feminina no jornalismo esportivo

0 comentários
Costumo dizer que o futebol é um ambiente bastante retrógrado quando comparado ao avanço da sociedade. Outro dia foi a questão da tecnologia que adentrou nele após alguns anos de presença em torneios importantes de outros esportes. Entretanto, o ponto mais preocupante é na mentalidade arcaica de cartolas e uma série de ofensas preconceituosas que ocorrem nos estádios que acabaram sendo neutralizados com o tempo. E dentro desta mentalidade está a participação feminina.

Até aqui, neste ano, tivemos: a contratação de uma técnica para um time de futebol da segunda divisão da França, o primeiro caso nas principais ligas europeias; uma assistente de arbitragem (bandeirinha) a subir também para a League 2, enquanto que no Brasil já tivemos até árbitras apitando em torneios nacionais e temos assistentes padrões FIFA, passando pelos mesmos testes dos homens; mas também dois casos de elogiar a beleza de uma assistente para contrapor a seu trabalho em campo aqui no Brasil, com interpretações distintas para estes, com certa culpabilização simplesmente por ser mulher.

Mas trago neste texto dois marcos para o jornalismo esportivo brasileiro em Copas do Mundo Fifa, o principal torneio esportivo para o telespectador deste país. Esta é a primeira Copa em que um jogo foi transmitido no Brasil por uma narradora de futebol. Além disso, é o primeiro mundial comentado por mulheres na TV.

Ex-jogadora é comentarista

A Rádio Globo do Rio de Janeiro criou o concurso “Garota da Voz”, que elegeria dentre as suas ouvintes uma mulher que pudesse narrar uma partida da Copa do Mundo. A escolhida, Renata Silveira, chegou até a participar do programa da Fátima Bernardes, na Rede Globo. Ela transmitiu Uruguai 1 x 3 Costa Rica pela web, partida realizada no dia 14 de junho, cujos gols estão disponíveis no site da rádio.

Até onde eu sei, Renata ficará apenas nesta partida. Vejam só o “cuidado”, que representa como é vista a participação da mulher no futebol. Ela só pode narrar este jogo e ainda assim pela web, por se tratar do principal evento esportivo do mundo e evitando possível repúdio do público...

Um fato a recordar deste processo é que outras mulheres já narraram partidas de futebol, inclusive na televisão. Nos anos 1980, Claudete Troiano narrava partidas e era repórter da Rádio Mulher e foi a primeira a narrar uma partida em TV. Nos anos 1990, sob comando de Luciano do Valle, a Band criou um concurso para escolher uma narradora para os torneios de futebol feminino estimulados pela emissora, que ficou alguns anos no canal, mas sem espaço para jogos de homens.

Depois disso, até vemos apresentadoras em programas esportivos, repórteres acompanhando partidas – especialmente no último caso a se contar nos dedos, ainda mais no rádio. Como comentaristas, o espaço é mínimo, com destaque para a ex-zagueira da Seleção Juliana Cabral, que comentava partidas da equipe nacional na Band desde que estivesse lesionada e quando se aposentou e hoje é comentarista da Rádio Globo São Paulo, independente de que jogo seja.

Barreira antiga

A Copa do Mundo Fifa Brasil 2014 marca também a estreia de Renata Fan nos comentários. A apresentadora, que começou como auxiliar de Milton Neves na Record, foi conquistando espaço próprio, especialmente por mostrar que era preparada (formada em Jornalismo e é apaixonada por futebol), independente de beleza (foi Miss Brasil em 1999), sendo a primeira mulher a comandar um programa de debate esportivo no país. Ainda assim, ela teve espaço apenas no Band Sports, começando seus trabalhos em México 1 x 0 Camarões, no dia 13 de junho – e o apenas para o canal da TV fechada do Grupo Bandeirantes também é por conta da audiência ser a menor dentre os quatro detentores dos direitos de transmissão do torneio na TV fechada.

Seguindo na TV fechada, só que num caso menos comentado, o Fox Sports 2 está apresentando equipes “alternativas” para os jogos da Copa do Mundo Fifa, apostando no tom informal. Mas, além disso, há uma inovação. Os comentários de Marília Ruiz, que chegou a fazer parte de mesas redondas em alguns programas de TV, e de Ana Paula Oliveira, ex-assistente de arbitragem que já fora comentarista de arbitragem da Record. Neste caso também podemos apontar certo cuidado, pois não se trata do canal principal dos grupos, ocorrendo justamente no canal “alternativo” da Fox aqui no Brasil.

Por fim, circulou a notícia na semana que passou que a repórter Fernanda Gentil poderia ser a aposta da Globo para as narrações em 2018. Dado o seu sucesso com o público, ela poderia passar pelo processo de Alex Escobar e ser a primeira narradora de uma partida de Copa do Mundo Fifa, justamente na líder de audiência da TV aberta no Brasil. Isso também poderia ser reflexo da audiência da Globo neste mundial, cuja maioria dos telespectadores é mulher (53%). O que seria algo surpreendente, vide os movimentos de concorrentes que teriam menos a perder com possível preconceito e optaram por fazer essa “aposta” aos poucos.

Resta agora torcer para que o processo siga, já que é uma barreira antiga e que exprime vários preconceitos com as mulheres, mas que demonstra o porquê, inclusive, das jogadoras da Seleção feminina sempre terem de reclamar da falta de apoio à modalidade no país. Por mais Martas, Claudetes, Renatas, Marílias e Anas Paulas com condições de mostrar seu trabalho neste país!

***
Texto publicado na edição 804 do Observatório da Imprensa.

domingo, 29 de junho de 2014

[Copa] Sufoco além do esperado?

0 comentários
"Prestatenção"

(14 minutos e nada...)

(Xiiii. Tem o Willian, ele já treinou assim)

"Olha o posicionamento!"

GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

"Foi contra! Foi contra!"

"Cala a boca, Galvão, foi contra! Nacionalismo chato..."

"Aproxima, aproxima!"

"Que adianta lateral jogar no Real Madrid e no Barcelona se não parte para a ponta para receber? Quer jogar no meio?"

"Levar gol desse jeito? Cadê a atenção?"

Intervalo. 1 a 1. (Tá difícil...)

(Todo jeito de 2006)

"Cala boca, Galvão!"

GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

"Pô juiz! Demora!"

"Para com os fogos e de gritar, não foi gol!"

"Xiiii..."

"Jô hahahahahahaha"

"Porque eu não tentei ser jogador de futebol?"

"Uh! Júlio César"

"Vâmo"

Fim de jogo

"Vai!"

"Chuta!"

(Parece o goleiro do México, a bola não vai entrar)

"Vâmo"

(Ficar em pé. Não é o Palmeiras, mas não tem  como ficar sentado)

"Aproxima"

"Uuhh!"

(Caramba!)

"Acabou!"

(Comemorar o primeiro da série? Ainda não)

(Isso! Mas nada de comemorar, só foi o primeiro)

(Xi. Tá vendo. Isso é o que dá chamar jogadores formados lá)

(Aê!)

(O Marcelo. Melhor nem pensar....) "GOOOLL"

...

(Xiii, Hulk. Vai lá Júlio. Tá difícil)

(Empatou)

(Não pensa na responsabilidade do Neymar, na idade do Neymar. Ele é muito novo) - (Ganhou Libertadores sozinho, em final contra o Peñarol, não ia tremer num pênalti de Copa ns)

"AAAAAAAÊÊÊÊÊÊ"

"HAAAAAAAAAAAA"


ANÁLISE
Só dormi na sexta-feira às 6h da manhã do sábado. Não por conta do jogo do Brasil, que sabia que seria muito mais difícil que os nacionalistas de plantão avistavam devido ao histórico em mata-matas da Copa. Tudo por conta de outras questões prestes a serem resolvidas, mas que por enquanto não dá para fazer nada. Meu nervosismo desde o início, como há muito tempo não ocorria em jogos do Brasil, eram por conta disso. Os gritos depois, idem.

Sampoli é um grande técnico, bem melhor que o Felipão. Certeza que armaria o time para parar o Brasil. O primeiro tempo foi razoável, mas pararam o Neymar numa pancada e em campo no segundo tempo. Sumiu e o time brasileiro foi junto. Até o Jô reclamou do lançamento direto, algo que se aproveitou bastante na Libertadores do ano passado.


Em 2006, ainda que no intervalo estivesse 0 a 0 com a França, fiquei todo o intervalo no banheiro, esperando o pior que viria, pois sabia que viria. Déjà vu. Lá, o Brasil jogava mal sob o quadrado mágico, com exceção de Kaká. Robinho colocou Adriano no banco contra a França e o time seguiu jogando mal. Não à toa que a defesa virara ponto forte, justo o contrário do que se imaginava.

A eliminação nas quartas de 2010 foi com um time jogando no contra-ataque. Funcionou até a primeira etapa contra a Holanda. Até hoje resta saber o que houve naquele intervalo. Tudo bem que o erro de Felipe Melo e Júlio César ajudou, mas o descontrole, claro em Robinho, faria perceber que nada dava certo, apesar do esforço isolado de Kaká.

Este ano, ao contrário daqueles, não há enganação. O Brasil não jogou bem em nenhuma das quatro partidas. A enganação de 2006 sumiu até da TV líder, defendendo o seu produto, mas com cuidado. O "título certo" que tanto me incomodou desde a preparação ao ver/ler nos meios de comunicação sumiu. A Colômbia é a mais regular da Copa, jogando bem em quase todos os momentos e isso sem o Falcao García.

Parece que, de novo, não passaremos das quartas. Dizem que é na dúvida que o Brasil ganha, quando todo mundo xinga. Mas até os mais místicos estão reclamando. Essa fase era para ter surgido após o jogo contra o México. Se Felipão está atrasado taticamente e o time é imaturo tecnicamente, só resta a mística, pois os treinamentos não estão apresentando resultados. Mas se quem ganhou um título com gol de Betinho em final num time cujo principal jogador teve de fazer cirurgia de apendicite no dia do primeiro jogo da final, com outro importante meia suspenso por expulsão, vai que...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

[Copa] Eliminados

0 comentários
Depois de 11 textos foi necessário dar uma parada, ainda que não tenha deixado de ver os jogos da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 e tenham aparecido vários temas sobre os quais poderia escrever. Dia de folga nas partidas do mundial também é a hora de avaliar a 1ª fase. Neste texto, trateremos de quem já foi embora - menos do Suárez.

Grupo A - Antes da Copa eu considerava o grupo brasileiro um dos mais difíceis que a Seleção já pegou na primeira fase. Provavelmente, se não fosse a atuação na Copa das Confederações, o nivelamento entre as seleções seria bem parecido. Com ela, além do peso da camisa, mostrava-se o Brasil à frente de três seleções que teriam chances parecidas. Duas caíram.

Croácia - o time croata tem nomes de destaque no cenário europeu, casos de Rakitic, campeão da Europa League com o Sevilla; Modric, campeão da Champions League com o Real Madrid; e Manduzkic, atacante (deprezado por Guardiola) do Bayern de Munique.

No primeiro jogo, contra o Brasil, aproveitou bem os corredores nas laterais para dar sustos. Mesmo considerando a marcação de pênalti para os brasileiros, não só o Pletikosa quase o defendeu, como Júlio César espalmou uma grande chance ao final do jogo, que ainda teve o gol de Oscar. Com Mandzukic, imaginava-se que o time daria trabalho às outras forças do grupo.

E foi isso que se viu no jogo seguinte, dois gols do centroavante e goleada por 4 a 0 contra Camarões. Porém, na decisão por uma vaga, os croatas padeceram para o México, numa aposta que deu errado de dar mais liberdade para criação de Modric no meio. 3 a 1 e volta para casa mais uma vez após estar num grupo com o Brasil. 3 pontos.

Camarões - um time com os destaques estando velhos - dizem até que mais do que consta na identidade - e que quase não veio à Copa por falta de acerto no que deveriam ganhar com a participação no torneio. Derrota por 1 a 0 no primeiro jogo contra o México graças a dois erros da arbitragem; goleada sofrida por 4 a 0 para a Croácia, com direito à expulsão de Song e briga entre dois jogadores no final; e a goleada por 4 a 1 para o Brasil.

Camarões fracassou na Copa do Mundo FIFA, também mais uma vez num grupo brasileiro. Curiosamente, só no jogo do Brasil é que marcou um gol e teve momentos de futebol razoável, já que não tinha responsabilidade alguma. 0 pontos.

Grupo B - Todo mundo contava com a força chilena, mas imaginava que o país disputaria com a Holanda a última vaga para as oitavas...

Espanha - uma maldição de Copas está sendo criada. Do campeão de 1998 até o de 2010 só o Brasil, em 2006, não caiu na primeira fase. A verdade é que o tiki-taka espanhol já havia sido neutralizado pelo Brasil (e pela Itália) na Copa das Confederações do ano passado. O modelo de campo vira sucumbir, ainda na temporada retrasada, com duas goleadas impostas pelo Bayern. Não à toa Diego Costa chegava como titular, era a chance de ter alguém com força caso fosse necessário. Mas ninguém pensava que seria como foi. O primeiro campeão eliminado já após duas partidas.

Contra a Holanda, gol perdido quando o jogo estava 1 a 0, falhas de Casillas e uma surpreendente goleada por 5 a 1. Críticas ao tiki-taka que permaneceu contra o Chile, que armou o time igual à Holanda. Outra derrota por 2 a 0 e coube à equipe se despedir com vitória por 3 a 0 contra a Austrália, com uma horrível camisa preta que só pode simbolizar o luto pela campanha.

O time espanhol conta com títulos europeus nas categorias de base. Resta saber se esse esquema será mantido. De fato, alternativas precisam ser criadas quando jogar apenas pela posse de bola não der certo. 3 pontos.

Austrália - Nos primeiros quinze minutos de Copa, contra o Chile, parecia que o time seria candidato a saco de pancadas da Copa, 2 a 0 sofridos. Depois, pressão e bom jogo de bola, com gol de Cahill e algumas chances de empatar, que não vieram. O que veio foi mais um gol do Chile.

Mas na partida seguinte, um espetáculo proporcionado com a Holanda, favoritíssima para o confronto. Gol lá, gol cá. Os Socceroos chegaram a ficar na frente, com 2 a 1, e desperdiçaram chance de ampliar pouco antes do gol de empate holandês. Na última partida, os 3 a 0 para a Espanha não mostraram a evolução apresentada pelos australianos, que foram eliminados nas oitavas de 2006 num lance duvidoso no final da partida contra a campeã Itália. 0 pontos.

Grupo C - O primeiro com um cabeça de chave "diferente", a Colômbia. Por sorte, Grécia, Costa do Marfim e Japão pareciam se equivaler, com a Colômbia um pouco à frente apesar da ausência de Falcão Garcia. O pouco virou muito e restou aos outros brigarem entre si.

Costa do Marfim - Por que o Drogba, ainda que com 36 anos, estava na reserva? Por que o Yaya Touré não jogou o que fez no City nesta temporada? Perguntas que passaram pelas cabeças de muitos de nós nas duas primeiras partidas. Na primeira, sufoco para ganhar do Japão de virada por 2 a 1, com os gols saindo após a entrada de Drogba que, na verdade, pouco fez. Na segunda, derrota por 2 a 1 para a Colômbia, com o gol de Gervinho só incendiando um pouco a partida.

Na decisão contra a Grécia, pênalti duvidoso no final da partida e fim ao sonho de passar para a segunda fase. Vi o compacto do jogo. Drogba foi titular e saiu após o empate marfinense. Touré chamou mais o jogo e até foi fominha em alguns lances. É uma das seleções que mais tem a lamentar pela saída precoce da Copa, pois teve chances de vencer contra a Grécia. 3 pontos.

Japão - Inocência, excesso de responsabilidade, seguem demais as ordens. Com jogadores atuando nas principais ligas europeias, imaginava-se que a surpresa japonesa ao se classificar para as oitavas há quatro anos fosse amplificada num grupo mais equilibrado. O jogo imposto à Costa do Marfim até quando estava um a zero dava essa ideia. Aí veio o gol de empate e o da virada e o time sumiu. Pior ainda contra a Grécia. Nem o jogador a mais deu jeito. 0 a 0 amargo, que teve acrescido a si a goleada para a Colômbia por 4 a 1, justamente quando o time pareceu jogar mais livre. 1 ponto.

Grupo D - O "grupo da morte" matou dois dos três campeões mundiais. A maior surpresa do torneio veio dele.

Itália - Pedido de demissão do técnico, que tinha contrato até 2016, e até do presidente da federação. Isso só basta para resumir a segunda eliminação seguida do país na primeira fase de Copas. Prandelli mudou o jeito italiano de jogar, com destaque para Balotelli no ataque e Pirlo cada vez mais preciso. Como resultados, a final da Eurocopa, passando pela Alemanha nas semifinais, e o terceiro lugar na Copa das Confederações no ano passado. Trabalho a médio prazo prejudicado pela Copa.

A vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra veio num bom jogo e mostrava que o caminho estava certo. Até que veio a surpreendente Costa Rica para vencer por 1 a 0. Na decisão pela última vaga, jogo brigado e a Itália não conseguiu ser ofensiva como Prandelli imaginava, mesmo com dois atacantes. Expulsão no início do segundo tempo e gol de Godín no final. Eliminação com 3 pontos.

Inglaterra - o time do Império Britânico veio com menos favoritismo que nas Copas anteriores, com seus destaques, Gerrard e Rooney, envelhecidos. Além disso, deu o azar de cair no grupo da morte, mas ter terminado apenas com um ponto foi inesperado.

As derrotas para Itália e Uruguai, ambas por 2 a 1, mostraram um time que sabe jogar, mas que falta amadurecimento. Ironia do destino que Suárez, melhor jogador da Premier League na temporada passada, tenha feito os dois gols mesmo sem estar 100%. Os ingleses precisam de um choque de gestão parecido com o que a Alemanha fez.

Na última partida, tiveram muitas chances, mas não conseguiram fazer gols contra uma Costa Rica já classificada e jogando nos contra-ataques. 1 ponto

Grupo E - Todos temeram a França, ainda que classificada no banho-maria, em seu grupo. Caiu no da Suíça. Honduras e Equador só fizeram figuração, não à toa os únicos das Américas a não passar para as oitavas de final.

Equador - Para o Equador, a decisão foi na primeira partida. 1 a 1 contra a Suíça e chance de gol aos 45 minutos. O atacante é travado na área e abre-se ao contra-ataque suíço. Tentativa de falta, seguiu o jogo e o gol apareceu. Era confronto direto por uma suposta segunda vaga e os equatorianos perderam. No segundo jogo, susto com gol de Honduras, mas virada graças a Enner Valencia. Se já era difícil vencer os franceses na última partida, a expulsão do experiente Antonio Valencia não ajudou. Uma seleção que andou para trás quando comparada a outras participações em mundiais. 4 pontos.

Honduras - Os hondurenhos até que jogaram melhor do que eu imaginava, tendo em vista o amistoso que fizeram contra o Brasil. Ainda assim, precisam evoluir bastante. Tudo bem, a derrota de 3 a 0 para a França engana. O primeiro gol francês só saiu no final do primeiro tempo e a expulsão de Palacios na jogada só piorou as coisas numa partida marcada pelo primeiro lance que a "Goal-Line Tecnology" funcionou bem.

Contra o Equador, voltaram a marcar gols em Copas após 32 anos, mas não conseguiram se manter à frente do placar. No final, 3 a 0 para a Suíça num jogo que eles até tentaram se arriscar, mas nada de gols. 0 pontos.

Grupo F - Todo mundo conhece a Argentina, especialmente o seu ataque, mas pouco conhecia do Irã. Grupo que parecia destinado a argentinos e bósnios, mas que viu a Nigéria se classificar.

Bósnia-Herzegovina - Esperava-se mais de Dzeko, eis a verdade, por mais que seja um centroavante mais tradicional, de ficar esperando a bola. De qualquer jeito, aproveitaram o apoio da torcida no Maracanã e deram trabalho ao futebol fraco da Argentina, chegando a diminuir no final na derrota por 2 a 1. Mas na decisão do grupo, perderam para a Nigéria por 1 a 0, cabendo vencer por 3 a 1, com gol de Dzeko, na última partida do seu primeiro mundial. 3 pontos.

Irã - O desconhecimento sobre seus jogadores só piorou com o insosso empate sem gols com a Nigéria na primeira partida. Até que veio o segundo jogo contra a Argentina, onde todos quase viram a maior zebra desta Copa. Time bem armado na defesa e que no segundo tempo teve duas grandes chances de gol serem interceptadas por Romero. No finzinho do jogo, gol de Messi. Na última partida, ao menos, saiu o único gol da equipe na Copa. 0 pontos.

Grupo G - Grupo parecido com o do Brasil, com a Alemanha à frente de Gana, EUA e Portugal, que se pegariam pela outra vaga.

Portugal - Foram sete jogadores a terminarem a campanha machucados, duas lesões musculares em cada uma das duas primeiras partidas. Isso porque todo mundo sabia que Cristiano Ronaldo veio no sacrifício. Avaliação precisa ser feita. Afinal, será que valia a pena trazer jogadores no limite?

O passeio da Alemanha no primeiro jogo tem a ver com um time descompassado, que até começou bem o jogo, mas parou após 2 gols alemães e a expulsão idiota do Pepe. Muitos passes errados vieram depois com mais 2 gols adversários. Ainda teve um pênalti que deveria ser marcado a favor, mas um desastre em campo.

No jogo seguinte, muita luta contra as adversidades frente aos Estados Unidos. 2 a 2 conquistados no final do jogo, que serviram apenas para prolongar o drama português nesta Copa. Na partida final, vitória num grande jogo contra Gana por 2 a 1 e mais gols perdidos. Ao menos, se é que importa, Cristiano Ronaldo marcou um gol. A estrela que menos brilhou dentre todas que chegaram a esta Copa. O esforço por La Décima pesou. 4 pontos

Gana - Eles ficaram por aqui, em Maceió, e fizeram três jogos disputados. A derrota para os Estados Unidos começou com um gol na primeira jogada da partida. Os ganeses brigaram o jogo inteiro para conseguir empatar aos 37 do segundo tempo e levaram a virada minutos depois. Na partida seguinte, impuseram um bom ritmo contra a Alemanha, chegando a estar vencendo por 2 a 1 num jogo que terminaria empatado.

Dependendo só deles no jogo final caso a Alemanha vencesse os Estados Unidos, quase não foram a campo por conta do pagamento de premiação, que chegou via avião diretamente do presidente do país, com direito a cheirar o dinheiro na concentração. Como se não bastasse, dois destaques da seleção foram afastados por indisciplina, com direito a agressão a diretor, Muntari e Boateng. Ao final, um jogo bem disputado contra Portugal e a lanterna do grupo. 1 ponto

Grupo H - Grupo equilibrado para baixo. Mesmo a tal da "geração belga" pouco mostrou para justificar o entusiasmo. Foram três vitórias no sufoco num grupo fácil, em que a surpresa foi ver que em vez de disputarem a vaga, Rússia e Coréia do Sul se abraçaram.

Rússia - Dinheiro não traz felicidade, nem futebol. Com todos os convocados atuando no país, a Rússia poderia ter mostrado mais. A sede da próxima Copa atendeu ao apelo da marcação de Fábio Capello e sucumbiu com falhas em dois jogos do goleiro Akinfeev. No primeiro deles, empate com a Coréia do Sul com ambos os goleiros falhando, mas com o russo em seguidas vezes até o gol rival. No segundo, derrota para a Bélgica nos poucos minutos que Hazard justificou as expectativas. No terceiro, o time jogava para frente e Capello resolveu recuar um pouco mesmo precisando da vitória. Castigo com empate e eliminação precoce. 2 pontos

Coréia do Sul - Os coreanos até me fizeram crer que eram os melhores asiáticos (mesmo, já que a Austrália é da Oceania) na primeira partida. Não deixaram de atacar mesmo com o gol sofrido, mas foram nocauteados pela Argélia nos primeiros 45 minutos em Porto Alegre. Só no segundo tempo, com Son, é que o time acordou, já tarde. No jogo final, nova derrota, mesmo com um a mais que a Bélgica. 1 ponto

domingo, 22 de junho de 2014

[Copa] Problema de áudio

0 comentários
30 minutos é uma eternidade para uma emissora de TV. Dá para fazer um programa inteiro, com vários quadros. Dá para fazer dois e até três telejornais, levando em conta a média oferecida pela Globo às emissoras afiliadas. Dá para um Globo Esporte, contando com o bloco local, e ainda sobram alguns minutos. Por que estou falando nisso? Esse foi o tempo que a equipe de transmissão de Bélgica X Rússia no estádio ficou sem áudio na Rede Globo.

Aos 11 minutos, aproximadamente, o áudio de Rogério Corrêa, Juninho Pernambucano e Marcio Rezende Freitas, direto do Maracanã, ficou sem chegar à Rede Globo e aos telespectadores. A solução foi adotar uma dupla reserva, com Rembrandt Júnior narrando e Bob Faria comentando dos estúdios da emissora. Parabéns ao narrador pernambucano, pois conseguiu desenvolver um bom trabalho, não trocando nomes de jogadores e se virando quando não os sabia.

Achei muito estranho. Tudo bem pensar que algumas vezes os repórteres demoram a dar resposta quando chamado - rolou até derrubada de celular da Fernanda Gentil hoje no intervalo da supracitada partida. Afinal, há a diferença dos 6s da transmissão digital para a analógica e sabe-se lá como o o sinal vem sendo trafegado, dependendo da sede. Mas cair áudio numa partida no Maracanã para uma emissora que é do Rio de Janeiro?

Quantas partidas não foram exibidas pela Rede Globo neste estádio ao longo de sua história? Mesmo com o "novo Maracanã", disponível desde o ano passado? Resta saber se o problema vai sobrar para a equipe técnica da emissora ou entra na conta dos problemas de telecomunicações no país...

[Comentários] O último do Palestra Itália, o primeiro do Palmeiras

0 comentários

Pude visitar o Palestra Itália em reforma, ainda mais Palestra que Allianz Parque, em 2011, encantei-me com a camisa azul com o PI no centro, réplica da que o Oberdan usava, mas infelizmente só tinha tamanhos maiores. Acabei comprando a do goleiro seguinte, Waldir Joaquim de Moraes, com um símbolo enorme do Palmeiras. Desde a década de 1990 eu sempre fui mais fã dos goleiros, desde Velloso até São Marcos e o atual Fernando Prass - trazido após quase duas décadas formando em casa. E essa tradição começou com o Oberdan, que viveu e participou das atividades do clube até os 95 anos, quase até sua morte, infelizmente sem ver o busto a ele dedicado. Não o vi jogar, mas o Palmeiras que eu tanto amo é graças a jogadores que nem Oberdan Cattani. Obrigado!

*Vale ler também o texto donde extraí a foto e que me fez escrever estas palavras no Facebook: http://esportefino.cartacapital.com.br/oberdan-cattani-morte-palmeiras/

[Copa] Vozes femininas

0 comentários
Costumo dizer que o futebol é um ambiente bastante retrógrado quando comparado ao avanço da sociedade. Outro dia foi a questão da tecnologia que adentrou nele após alguns anos de presença em torneios importantes de outros esportes. Entretanto, o ponto mais preocupante é na mentalidade arcaica de cartolas e uma série de ofensas preconceituosas que ocorrem nos estádios que acabaram sendo neutralizados com o tempo. E dentro desta mentalidade está a participação feminina.

Até aqui neste ano, tivemos: a contratação de uma técnica para um time de futebol da segunda divisão da França, o primeiro caso nas principais ligas europeias; uma assistente a subir para a mesma divisão, enquanto que no Brasil já tivemos até árbitras apintando em torneios nacionais e temos assistentes padrões FIFA, passando pelos mesmos testes dos homens; mas também dois casos de elogiar a beleza de uma assistente para contrapor seu trabalho em campo aqui no Brasil, com interpretações distintas para estes - com as quais discordo dos agentes envolvidos;...

Mas trago neste texto dois marcos para o jornalismo esportivo brasileiro que eu quase deixaria de passar batido nestes artigos que tentam ser alternativos às noticias diárias. Graças aos meus pais, relembrei que esta é a primeira Copa em que um jogo foi transmitido no Brasil por uma narradora de futebol. Aproveitando disso, minha memória resgatou também que é o primeiro mundial comentado por mulheres em TV.

RÁDIO
A Rádio Globo do Rio de Janeiro criou o concurso "Garota da Voz", que elegeria dentre as suas ouvintes uma mulher que pudesse narrar uma partida da Copa do Mundo. A escolhida, Renata Silveira, chegou até a participar do programa da Fátima Bernardes - que eu não vejo, mas meus pais viram e comentaram comigo hoje.

Eu acompanhei alguns momentos do concurso e estava interessado em ouvir a transmissão, que só ocorreria via web, mas até poucos dias antes da Copa não havia definição de qual jogo seria. Assim, resgato aqui a locução dos gols de Uruguai 1X3 Costa Rica, partida realizada no dia 14 de junho.



Até onde eu sei, Renata ficará apenas nesta partida. Vejam só o "cuidado", que representa o preconceito com a participação da mulher no futebol. Ela só pode narrar este jogo e ainda assim pela web, por se tratar do principal evento esportivo do mundo...

TV
Outro fato a recordar deste processo é que outras mulheres já narraram partidas de futebol, inclusive na televisão. Nos anos 1980, Claudete Troiano narrava partidas e era repórter da Rádio Mulher e foi a primeira a narrar uma partida em TV. Nos anos 1990, sob comando de Luciano do Valle, a Band criou um concurso para escolher uma narradora para os torneios de futebol feminino estimulados pela emissora, que ficou alguns anos no canal, mas sem espaço para jogos de homens.

Depois disso, até vemos apresentadoras em programas esportivos, repórteres acompanhando partidas - especialmente no último caso, ainda a se contar nos dedos, ainda mais no rádio. Como comentaristas, o espaço é mínimo, com destaque para a ex-zagueira da Seleção Juliana Cabral, que comentava partidas da equipe nacional na Band, desde que estivesse lesionada e quando se aposentou, e hoje é comentarista da Rádio Globo São Paulo, independente de que jogo seja.

A Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 marca a estreia de Renata Fan nos comentários. A apresentadora, que começou como auxiliar de Milton Neves na Record, foi conquistando espaço próprio, especialmente por mostrar que era preparada (formada em Jornalismo e é apaixonada por futebol), independente de beleza (foi Miss Brasil em 1999). Ainda assim, ela teve espaço apenas no Band Sports, começando seus trabalhos em México 1X0 Camarões, no dia 13 de junho - e o apenas para o canal da TV fechada do Grupo Bandeirantes também é por conta da audiência ser a menor dentre os 4 detentores dos direitos de transmissão do torneio na TV fechada.

Seguindo na TV fechada, só que um caso menos comentado, o Fox Sports 2 está apresentando equipes "alternativas" para os jogos da Copa do Mundo FIFA, apostando no tom informal. Mas, além disso, há uma inovação. Os comentários de Marília Ruiz, que chegou a fazer parte de mesas redondas, e de Ana Paula Oliveira, ex-assistente que já fora comentarista de arbitragem da Record. Neste caso também podemos apontar certo cuidado pois não se trata dos canais principais dos grupos, é justamente no canal "alternativo" da Fox aqui no Brasil.

Por fim, circulou a notícia esta semana que Fernanda Gentil poderia ser a aposta da Globo para 2018. Dado o seu sucesso com o público, ela poderia passar pelo processo de Alex Escobar e ser a primeira narradora de uma partida de Copa do Mundo, justamente na líder de audiência da TV aberta no Brasil. Isso também poderia ser reflexo da audiência da Globo neste mundial cuja maioria dos telespectadores é mulher (53%). O que seria algo surpreendente, vide os movimentos de concorrentes que teriam menos a perder com possível preconceito que há com a presença feminina no futebol.

Resta agora torcer para que o processo siga, já que é uma barreira estúpida, mas que demonstra o porquê, inclusive, das jogadoras da Seleção feminina sempre terem de reclamar da falta de apoio à modalidade no país. Por mais Martas, Claudetes, Renatas, Marílias e Anas Paulas com condições de mostrar seu trabalho neste país!

sábado, 21 de junho de 2014

‘Clima de crise’ às vésperas da Copa na TV francesa

0 comentários
A poucos dias da bertura da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014, as TVs francesas entraram em polvorosa por um simples motivo: sem os direitos de transmissão, não tinham a garantia sequer de poder exibir trechos do principal evento esportivo do mundo.

A notícia saiu no L’Express e foi difundida no L’Equipe, que, após a resposta de uma das emissoras envolvidas, tirou o link com a matéria, deixando a resposta. Segundo o L’Express, o BeIN Sports codetentor dos direitos de exibição do torneio, adquiridos juntos à TF1, teria se recusado a comercializar partes das partidas. A matéria segue contando que o direito de bloqueio exercido pela empresa catariana ia de encontro às práticas de mundiais anteriores, em que as demais TVs pagaram entre 5 mil e 10 mil euros por 30s cedidos.

Em 2005, a TF1 – que em 1985 foi privatizada, sinal do fim do monopólio estatal nas comunicações por toda a Europa com a prática do neoliberalismo – adquiriu por 130 milhões de euros a Copa de 2014. Em 2010, o grupo vendeu à France Televisions e ao Canal+ alguns dos jogos do mundial ocorrido na África do Sul. Mas já na Eurocopa 2012 optou por vender ao BeIN Sports; o mesmo foi para o mundial do Brasil, podendo transmitir todos os jogos da Copa, sendo 36 partidas de maneira exclusiva. Para ver estes jogos, o francês precisa pagar 11 euros por mês.

O direito à informação

No final de maio, o deputado Jean-Luc Laurent enviou um comunicado ao secretário de Estado de Esportes francês, Thierry Braillard, devido à possível privação ao grande público de importantes partidas da Copa do Mundo, pois, como já dissemos, o BeIN Sports é de acesso condicionado a pagamento. O deputado lembrou ainda que mesmo a Eurocopa de 2016, a ser sediada pela França e com investimentos públicos, não teria a garantia de ampla visibilidade em TV aberta, já que o canal catariano detém os direitos de transmissão.

A crise alardeada pelo L’Express é sinal da disputa que teve ápice no final de 2013 e que relatamos nesteObservatório, com participação e comentários por parte de agentes públicos. Por isso que os representantes da empresa catariana se apressaram em afirmar que o responsável pelo repasse de imagens era a TF1, quem deveria montar o contrato e definir os valores da cessão de parte das imagens. Logo em seguida, uma rápida reunião com a TV francesa definiu que seriam cedidos os extratos das partidas para as demais emissoras, apagando o fogo da nova crise no mercado.

Outro ponto comentado é o direito à informação, que define na França que todos os canais têm direito a exibir 90 segundos por partida porque o público necessita de determinada informação essencial. Em janeiro de 2013, após consulta pública, o Conselho Superior do Audiovisual do país publicou umadeliberação específica sobre a difusão de extratos de competições esportivas e de outros eventos que são de um grande interesse público no que tange ao audiovisual. Nesta, reafirma-se os 90 segundos por hora e por dia de competição ou evento, desde que este não dure menos que 6 minutos, já que há limite de 25% da duração total da competição. Além disso, 15s é o tempo mínimo de imagens a serem repassadas, resguardando ao menos 5s em que a marca de quem detém o direito deve aparecer na tela do concorrente.

A participação do capital estrangeiro

Isso é importante de ressaltar, já que em 2012 a Globo exibiu imagens dos Jogos Olímpicos de Londres noJornal Nacional sem qualquer referência à Record, detentora dos direitos de transmissão, corrigindo isso em seguida após certo debate nos bastidores. No Brasil, a Lei do Esporte (Lei Pelé – 9.615/1998) traz a regulamentação para estes casos, em que é garantido 3% do tempo previsto do espetáculo a ser repassado para “flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins, exclusivamente, jornalístico ou educativos”. No caso do futebol, isso daria um pouco menos de 3 minutos por partida.

O problema quanto a isso já gerou alguns processos na justiça, em que a Globo costuma reclamar da exposição de imagens e até a reprodução de formatos de sites de seus programas na internet. Ao contrário daqui, porém, o debate na França envolve todo o mercado e aumentou a relevância com a participação do capital estrangeiro praticamente exigindo posicionamento por parte dos órgãos responsáveis pelo audiovisual, inclusive de forma direta, seja por conta de parlamentares ou de agentes do mercado.

***
Texto publicado na edição 803 do Observatório da Imprensa

sexta-feira, 20 de junho de 2014

[Copa] Tempos de Fla-Flu para tudo

0 comentários
O que será do verde dos gramados num país em que muita gente só enxerga o azul e o vermelho? Esse é um questionamento em tom de irritação para o atual momento, algo que frequentemente me dá raiva, e que passo neste texto, apropriando-me do termo falado nesses dias por Juca Kfouri, a chamar de "Fla-Flu" político-partidário, logo uma versão piorada.

Tentarei ser pontual - até por conta de um resfriado que não me deixou em paz o dia inteiro. Trago o exemplo da "disputa" entre o pessoal da ESPN, com José Trajano à frente, contra certa mídia que alimentaria a tal "elite branca" que xingou a presidenta na abertura da Copa deste ano, com destaque para Reinaldo Azevedo e a Veja. Não vou falar sobre os xingamentos, até porque muitos já falaram (e bem) sobre isso, lembrando, inclusive, que a tal governabilidade não permite que o mundo político brasileiro se divida em duas cores e os dois lados sabem muito bem disso.

O problema é que há pessoas que esquecem totalmente disso. Usando os termos irônicos aplicados aos lados da estúpida batalha, há os "yellow blocks" de um lado e a "esquerda caviar" do outro. De um lado, quem vive num Brasil comunista; enquanto que do outro o partido que tem como parceiro inimigos de classe, apesar da sigla ter Trabalhadores no nome, mas que seria a única esquerda realmente existente no universo. Qualquer crítica a qualquer um dos temas e você se torna "comunistazinho" ou "neoliberal" num estalar dos dedos.

Trago o exemplo do pessoal da ESPN por um motivo simples. Meio historicamente combativo no jornalismo esportivo brasileiro, que elogia e critica quando necessário, foi desde 2007 um local contra a Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 e os Jogos Olímpicos de Verão Rio de Janeiro 2016. Por mais que, como todo mundo que ama futebol, esteja adorando o que vem sendo feito nos gramados brasileiros, permanece a crítica à falta de infraestrutura, aos aceites perante às exigências da FIFA, inclusive a isoneração fiscal para ela e seus parceiros, e demais problemas costumeiros - atraso na entrega das obras, fiscalização, inclusive trabalhista, frouxa e outras coisas.

Durante este tempo, acabei me encorajando a discutir com pessoas que apoiam a Copa porque "foi o PT que trouxe", sem entender nada da estrutura absurdamente retrógrada que demarca as instituições que comandam o esporte no mundo (clubes brasileiros, CBF, FIFA e COI entre elas). A resposta era que não havia nada provado ou que isso não cabia ao governo, que tinha de ser parceiro. Num caso, num blog alternativo famoso, tive de tentar algumas vezes para conseguir publicar o comentário.

Enfim, bastou os jornalistas da ESPN criticarem os xingamentos à presidenta Dilma, que teriam vindo dos setores vips da Arena Corinthians, para que se tornassem alvo dos porta-vozes da "super ultra direita", como diria um amigo meu. Ao mesmo tempo em que eram endeusados por representantes do mesmo grupo com quem eu tentava dialogar pacificamente sobre os problemas dos megaeventos e que seguem apontando para quem era contra, dado o resultado no ânimo gerado pelos gramados, como inimigos do país - como se as construtoras não tivessem ganhado tanto, os trabalhadores não tenham feito greves por más condições de trabalho (alguns morreram, inclusive) e milhares de pessoas tenham sido desalojadas (ver a "Copa Pública"). 

Lembro mais, para o caso dos segundos. Não à toa costumo dizer que o Juca Kfouri está para a CBF como o Andrew Jennings está para a FIFA. E o Juca sempre conta a história, quando pode, do quanto ficou frustrado com as políticas para o esporte do governo Lula, quando ele estava na primeira fila da promulgação do Estatuto do Torcedor em 2003 e veria o então presidente abraçado com os cartolas que prometera naquele evento que o jornalista não precisaria mais se preocupar.

No caso dos opinólogos de sempre, como Trajano respondeu à altura aos achincalhes costumeiros deste setor, até ameaças de processo surgiram. Mas como crer em gente que chega ao ponto de afirmar que o vermelho em 2014 da logomarca da Copa deste ano é exigência do PT? Ainda mais, que disse que a presença da bandeira de Cuba no videoclipe oficial é sinal da "Copa comunista"? Coisas de propriedade intelectual da bilionária FIFA, assim como o próprio football association. Logo não ser estranho que pessoas assim tenham virado piada até para jornalistas estrangeiros.

Confesso que não leio tais opinólogos e quando vejo coisas assim só me resta rir de tamanhos absurdos, de como eles costumam se posicionar como especialistas em tudo, de forma que têm total liberdade para dizer o que passa pela imaginação porque têm a opinião dos que lhes pagam mensalmente - e dão audiência, seja por alimentar pessoas que pensam do mesmo jeito ou de quem é contrário e perde tempo com eles. O problema aqui é que eles ocupam um espaço jornalístico, com a tal marca de "neutralidade" que as empresas de comunicação resolveram defender, de "mostrar o que está aí", como me disse outro dia um vendedor da Abril que queria me passar a revista semanal deles após eu responder que discordava da revista por questões político-ideológicas.

Para o outro lado, fico com o caso de um famoso perfil "fantasioso" do Twitter pró-Governo, que comentou outro dia que não assistia à Copa pela ESPN porque ela era da Disney e parece que sua versão brasileira tinha como um dos sócios o filho de José Serra. Vejam só, ele prefere ver pela Fox Sports - como se Rupert Murdoch fosse mais dócil e inocente no mercado internacional, os britânicos que o respondam.

Até mesmo nas teorias do jornalismo, para quem busca o avançar da reconstrução dos fatos, pensar que só existem dois lados é errado. Podem haver vários lados, principalmente cada qual conta a história de um jeito, visualiza um cenário de determinada maneira. Pensar o mundo cartesianamente, como cada vez mais se vê por aqui, a ponto de qualquer visão alternativa ser execrada como um nada - ou como de direita por ser contra o governo para uma lado, ou como ditadores e censores para o outro. Pluralidade de opiniões numa maior democratização dos meios de comunicação é dar espaço para qualquer um falar, mesmo que seja uma opinião contrária à nossa ou restrita a determinado grupo social.

Enquanto o tal "Fla-Flu" segue, os grandes empresários dividem as doações de campanha para os dois lados e colhem ao longo da gestão, independente de quem assuma; o capital financeiro segue sendo priorizado em detrimento às políticas sociais; e o país anda com a renovação de nomes a cada quatro anos no Congresso, que não significa renovação política - lembrando, há quanto tempo o PMDB é maioria faz parte dos governos?

Defendemos respeito ao debate, pois para mim não há isso de que há temas que não podem ser discutidos e que não possam ter gerado outras interpretações. Se futebol não pudesse, não haveria tantos programas pós-jogos, mesas redondas e tudo o mais. E uma raspinha de coerência nos argumentos, defendendo o lado de que se parte, também seria uma boa, por mais que eu ache que seja exigir demais.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

[Copa] Emoção

0 comentários
Esqueçamos a retranca da Grécia e a incapacidade do Japão em furá-la no terceiro 0 a 0 desta Copa. O dia foi de emoções na Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. Bem que poderia ir em direção ao coro e falar de Luisito Suárez, autor dos dois gols da vitória uruguaia sobre a Inglaterra. O artilheiro da Premier League da última temporada vem de uma artroscopia no joelho semanas antes do começo do mundial e já estava em campo hoje, ainda que com alguns limites, mas craque como sempre.

Mas não. Firmando pé em ser do contra, comento sobre Serey Die, da Costa do Marfim. Tudo bem que ele acabaria sendo figura importante do jogo ao errar e armar o contra-ataque do segundo gol colombiano, mas antes do jogo, em meio ao hino do seu país, muitas lágrimas percorriam o seu rosto, sem que ninguém soubesse o que ocorria.

Emoção pelo primeiro jogo numa competição deste nível não era. Já que Serey atuou na primeira partida, contra o Japão. Também não era pela participação da torcida marfinense, já que a Colômbia, mais uma vez, tinha torcida preponderante.

A primeira informação veio durante a partida, no tradicional boca-a-boca virtual. O pai dele teria morrido e a notícia veio duas horas antes do jogo. Minutos depois e a informação foi desmentida, afinal o paí dele morrera em 2004. Entretanto, entre a afirmação e a negação, a história seguiu. Pelo que se contou depois, o telefone sem fio começou com o jornal britânico Daily Mail e foi parar num companheiro de time, o volante Zokora, que lamentou a morte do pai do colega.

Esse é um risco sempre visível com as mídias sociais. A velocidade da informação acaba fazendo com que caiamos em notícias falsas, republicando mentiras, o que pode gerar sérios problemas de acordo com o que foi difundido. Percebam que neste caso a fonte inicial foi um jornal conhecido, mas não é algo só de inglês não, que o diga o jornalismo esportivo gaúcho, que já caiu em algumas pegadinhas de torcedores.

O cuidado na apuração, na verificação se tal história é verdadeira, deve ser ainda maior por parte de nós jornalistas, a quem ainda cabe a "aura" de informador com autoridade para isso. Hoje tivemos um caso disso em nível nacional e com um jornalista (re)conhecido. Mario Sergio Conti acabou entrevistando sósia de Felipão e publicou a exclusiva na Folha de S. Paulo e no O Globo. Como costumo dizer quando se trata de respostas, o tempo e espaço são diferentes, não há como excluir o que foi publicado, os efeitos de sentido já foram produzidos, ainda que a ironia para daqui tenha gerado neste caso um efeito maior.

Voltando ao Serey, ele disse depois que a emoção era pela oportunidade de classificar, pela primeira vez, seu país para as oitavas de final. Assim, termino este texto com a declaração do jogador, que dá sinais do quanto o futebol é algo para além dos bilhões que circulam em torno dele (tradução nossa):

"Eu sou alguém muito emotivo. Minha vida até aqui foi difícil, eu pensei em meu pai que faleceu em 2004, eu pensei também na minha vida de miséria. Eu não pensei que eu estaria aqui um dia, que eu jogaria um dia pelo meu país, esta emoção me invadiu. Eu lutei (contra as lágrimas) mas eu não pude. Eu não pensei que isto pudesse ocorrer comigo mas este estado foi mais forte que eu".

quarta-feira, 18 de junho de 2014

[Copa] O fim

0 comentários
Não, (ainda bem que) não é o final da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014. Chegamos só ao término da primeira semana e ainda tem mais três por vir. O título faz referência à capa do jornal esportivo madrileno Marca de amanhã, sobre a qual falarei hoje, mas com maior profundidade a seguir.

Antes disso, um retrato de como o futebol é excepcional. A Espanha vencia a Holanda por 1 a 0 na Fonte Nova com um pênalti cavado pelo vaiadíssimo Diego Costa. Num dos contra-ataques, Iniesta acha David Silva sozinho na área... A Espanha seguia jogando no tiki-taka, com maior posse de bola, enquanto a Holanda pouco conseguia fazer.

Se David Silva tivesse feito o gol, hoje não estaríamos comentando o fim da era tiki-taka, nem os zilhões de detratores do esquema com mais 1 a 0 como resultados teriam falado tão mal deste. Nem o Sampaoli, provavelmente, teria visto no acréscimo de um zagueiro na sua baixa defesa - com esquema semelhante ao holandês -, com a saída de Valdívia, como o ponto de desiquilíbrio desta Espanha.

Mas não foi o que aconteceu. Com certo preciosismo, Silva tentou encobrir o goleiro, que conseguiu desviar. No lance seguinte, Van Persie recebeu excelente lançamento de Blind e deixa Casillas só olhando com seu peixinho voador, o persieing que fez até o seu avô de 93 anos imitar em casa. No segundo tempo, degringolou para os espanhóis e os 5 a 1 espantaram a todo mundo, imagino que até aos detratores, que viram a chance de mostrar o que "sempre disseram", "desmascarar a farsa" com nome de posse de bola.

Entretanto, "a Inês é morta", "o leite derramou" pro lado espanhol. Teve entrevista de jogadores clamando por uma mudança no esquema para que o mal fosse evitado, mas as entradas de Javí Martínez no lugar de Piqué e de Pedro no lugar de Xavi não mudaram o que eles pediram. Os espanhóis seguiram com o seu tiki-taka, com uma ou outra jogada perdida pelo alto, aproveitando a grande mudança desse time para este ano, a presença da força física de Diego Costa na frente. No único lance dele, já com o Chile vencendo por 2 a 0, sua bicicleta até chegou em Busquets, mas este deu uma tosca canelada na bola.

Indo para la portada, o Marca lamenta o "final da era mais gloriosa da Roja". Foram duas Eurocopas e uma Copa do Mundo FIFA em seis anos. Nela podemos ter vários gestos de interpretação. Olha que, apesar da minha (re)aproximação recente, este não é o meu forte.

Lendo os comentários no Twitter, houve quem reclamasse ter escolhido justamente o Iniesta, o cara que mais brigou no time mesmo com as condições de campo impondo os resultados ruins que se avizinhavam, enquanto que jogadores de defesa, o goleiro incluso, e outros do meio (como Xabi Alonso), que foram bem pior não estampavam a capa.

Entendo a escolha. Iniesta é/foi o melhor jogador desta geração, que só não foi melhor do mundo porque este vem sendo habitado por dois seres de fora dele. Há também o fato de a camisa do meia ser a seis, que representa os anos de tal "era".

Outra reclamação foi a da utilização do "The End", segundo um dos comentários, escrever "El Fin", em espanhol, teria mais impacto, aproximaria. Daqui do Brasil, sem nunca ter ido à Espanha, imagino que seja uma referência aos filmes em inglês, que também devem ter "invadido" o país após a Segunda Guerra.

Enquanto os espanhóis concordavam com o fim, merecido, pessoas de outros países riam da situação, com chilenos, imagino, reafirmando que "La Roja" era o Chile e estava provado.

Por fim, o que "grita" na capa: a propaganda de vinho branco. A foto escolhida denota toda a solidão de Iniesta - repetindo, talvez o craque solitário no time então campeão -, num imenso gramado. Toda ela foi escolhida, com uma grossa borda branca. Eis que vem a oferta de vinho em baixo, destoando de tudo, ainda que a garrafa seja verde, assim como a letras. Uma capa simples, histórica, estragada pelos negócios.

terça-feira, 17 de junho de 2014

[Copa] Pode isso, Arnaldo?

0 comentários
Confesso estar um pouco irritado hoje - especialmente por ver o Jô fazendo o que ele sabe fazer na Copa enquanto eu assistia em casa -, mas não poderia deixar de comentar algo que aconteceu após a partida em que o Brasil jogou mal, mas conseguiu criar grandes chances de gols, só que todas pararam no Ochoa.

A cobertura da Globo já foi tema de texto anterior. Preocupava-me algo que via como uma mistura entre o grupo empresarial que compra os direitos de transmissão dos jogos do Brasil com a produção jornalística, a tal ponto que a própria Seleção pudesse vir a ser prejudicada com tanta informação sendo repassada gratuitamente na TV aberta brasileira.

Incomoda-me muito o extremo nacionalismo da cobertura da emissora sobre o time brasileiro. Tudo bem que poderia apontar isso, além do já dito anteriormente, como sinal do processo de evolução da separação do jornalismo esportivo do jornalismo da emissora, com direito a duas diretorias diferentes conformando a Central Globo de Jornalismo - que, se não me falha a memória, ocorreu em 2009. Entretanto, é algo que beira o absurdo quando certas críticas não são feitas ou quando se recorre a dados históricos, superstição pura, para acalmar o torcedor.

Óbvio que quanto mais a Seleção seguir em frente mais audiência terá a Globo, já que a maioria dos outros jogos vêm tendo dados parecidos com os do dia a dia em queda da emissora. E isso ao contrário de outros países, que estão quebraram recordes de audiência ao redor do mundo - casos de Japão, Alemanha e Estados Unidos. O momento do nosso mercado de radiodifusão, com a entrada de um novo medidor de audiência e o acesso a novas opções, caso da internet e dos canais fechados, indica a necessidade de preservar importantes produtos, e os jogos da Seleção se mostram como mais importantes que a novela das 8 e o Jornal Nacional neste momento.

Entretanto, é preciso ter cuidado com a exclusividade. A minha reclamação vem para as entrevistas realizadas ao final da partida, hoje por Mauro Naves. Uma delas foi com o Marcelo, que reclamou de pênalti numa jogada em que optou por não seguir a jogada porque o mexicano colocou a mão/puxou o seu ombro. Na transmissão, Arnaldo César Coelho, comentarista da emissora desde 1989, não titubeou em dizer que o lateral esquerdo cavou o pênalti.

Pois bem, resolveram colocar um fone de ouvido para que o Marcelo conversasse com o Arnaldo. Foi o único jogador em que isso foi possível. O lateral defendeu, até de forma ríspida, que sofreu o pênalti. O comentarista, visivelmente constrangido, não conseguia dar opinião. Primeiro porque Marcelo não deixava. "Realmente é difícil se manter em pé com qualquer toque naquela velocidade", tentava argumentar Arnaldo. "Não, não tive como, ele me puxou, foi pênalti", interrompia o lateral.

O constrangimento foi visível no sorriso amarelo e no silêncio de Arnaldo César Coelho, mas também dos demais envolvidos. Galvão Bueno, que costuma provocar o amigo, ficou quieto. Enquanto que coube a Mauro Naves se despedir de Marcelo desejando sorte contra Camarões, enquanto o lateral só queria entregar o fone de ouvido para alguém da produção.

Imagino que alguém tenha buzinado no ouvido dos globais para não provocar, para não discordar de forma clara. Por tudo o que eu disse, não pegaria bem à Globo, na grande aposta para elevar/manter a audiência em 2014, brigar com a Seleção. Mas se era para criar o que ocorreu era melhor não ter armado a lona de circo. Deixassem o Mauro fazer o trabalho dele como sempre o fez.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

[Copa] Para português ver

0 comentários
Juro que o título do texto de hoje não é piada com os torcedores portugueses, que viram a seleção capitaneada por Cristiano Ronaldo levar 4 a 0 da Alemanha, com três gols de Thomas Müller. Além desse jogo, tivemos Nigéria 0X0 Irã, que nos tirou do paraíso do futebol que vivemos nas 12 partidas anteriores; ainda que tenhamos retomado o percurso em EUA 2X1 Gana. Vamos à publicidade.

A primeira vez que apareceu publicidade em torno do gramado em Copas do Mundo FIFA foi em 1970, vejam só, antes de João Havelange assumir a presidência da entidade proprietária do football association (1974), período em que pesquisadores que nem eu apontam como início de uma nova etapa de futebolização do mundo. No México, os muros das arquibancadas foram pintados ou plotados com patrocínios diversos.

O tempo passou e já em 1974 tivemos as placas em volta do gramado. Hoje, temos placas eletrônicas, que mudam a cada determinado período de tempo as marcas que são publicizadas, possibilitando maior visualização, pois não é o espaço a ser negociado - por exemplo, ficar atrás dos gols pode ser prejuízo no modelo antigo -, mas, provavelmente, o tempo de exposição em torno de todo o campo.


Assistindo ao jogo entre alemães e portugueses, reparei um patrocinador diferente dos que apareceram até aqui: MEO. Diferente aqui no Brasil, já que a conheço por patrocinar há algum tempo os principais clubes portugueses, Porto, Benfica e Sporting. Ah, é uma empresa de telefonia móvel, literalmente uma espécie de Oi deles.

Por que literalmente? Explico. O Grupo MEO - Serviços de Comunicações e Multimédia é parte da fusão da Oi com a Portugal Telecom, seria o nome desta fusão, segundo o Máquina de Esporte - que confirma o que eu vi, mas fica no contrato renovado com a seleção portuguesa de Futebol. Como a Oi é a patrocinadora oficial para mídias móveis da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014, o que fez o grupo? Trocou a marca de telefonia no jogo de Portugal, provavelmente para demarcar a renovação de contrato - a ver nos próximos jogos dos lusos.

Tudo bem, se não era surpresa a ligação Brasil-Portugal neste negócio, por que a minha surpresa? Simples. Não sou especialista em marketing esportivo ou em publicidade, mas ainda que o Brasil tenha sido colonizado por portugueses e, consequentemente, termos muitos portugueses e descendentes destes por aqui, não é uma marca que atua no Brasil. Se eu a conhecia, milhões de brasileiros, dos que viam o jogo na Arena Fonte Nova aos que viam pela TV, sequer ouviram falar em MEO.

Alguém pode me dizer que os patrocínios de um evento deste porte são mundiais, dada a amplitude de uma Copa do Mundo FIFA, mas sigo achando estranho. Afinal, abre-se brecha para que novos casos assim voltem a ocorrer - quase que um marketing de ocasião -, num mundo de mercados transnacionalizados.

Por exemplo, a Budweiser é uma marca histórica dos Estados Unidos, mas foi comprada pela Inbev (associação de Brahma/Antarctica - Ambev - com um grupo belga). Ainda que nos últimos dois anos a publicidade referente à cerveja estadunidense tenha aumentado, com ela indo aos poucos para as prateleiras de supermercado e bares, podia-se pensar que nos jogos do Brasil passasse a publicidade da Brahma. Ah, além disso, a Inbev comprou a Quilmes, na Argentina. Então, coloca-se propaganda da Quilmes no jogo da Argentina. Entenderam o problema?

domingo, 15 de junho de 2014

[Copa] Tecnologia

0 comentários
Estava tentando escapar de temas que "todo mundo" escreve - eu escrevi há um ano -, mas hoje não há como. Mais que a volta de Messi aos gols em Copas do Mundo, o emocionante gol da Suíça no final do jogo contra o Equador e a atuação de Benzema e da França, especialmente após a expulsão do jogador hondurenho no final do primeiro tempo, finalmente a tecnologia do gol precisou ser utilizada. E como!

Benzema chutou bonito dentro da área, a bola foi na trave e percorreria a linha até sair se não encontrasse Valladares, fazendo com que a pelota retornasse em direção ao gol e com o goleiro hondurenho puxando a bola de volta. Entrou ou não?

Estávamos cansados de ver a tal da tecnologia sendo mostrada a cada primeiro gol de partida nesta Copa. Eis que o aviso ao relógio do árbitro indicou que a bola ultrapassara totalmente o campo de jogo. Justa numa partida em que o sistema do som não funcionou para os hinos e com um trio brasileiro no comando da arbitragem.

O erro foi que, acostumados a utilizar para "nada", o primeiro replay foi para a bola na trave, que todos tinham visto que a bola não havia entrado, o que causou revolta nos torcedores. Em seguida, novo replay, agora com a bola após tocar no goleiro, e vemos que entrou. Mas é aquilo, daí a todo mundo ter percebido que eram duas imagens diferentes, após a surpresa do "não gol" inicial, uma grande discussão percorreu o Beira-Rio e as mídias sociais. Se a tecnologia era para acabar com as discussões, não foi o que se viu.

O que mais me chama a atenção é a informação que são sete câmeras em cada trave. Até o ano passado (ver link acima) a ideia era que teria um chip na bola e com sensores na trave para verificar se a bola entrou ou não. Talvez até por conta da transmissão de TV, tenha sido mais interessante as câmeras, já que a reprodução digital fica mais explícita. O ponto negativo, ainda que sendo um primeiro caso, foi a demora para a partida voltar.

Por fim, é bom lembrar que não é algo que deverá ser usado para muitas competições, até pelos gastos, será para os principais torneios e/ou momentos destes. Há quem defenda algo parecido com impedimentos, mas acho que retira parte da decisão que cabe aos assistentes e pode demorar demais, já que pode ser bem mais frequente que dúvidas se foi ou não gol. Optar pelas alternativas de vôlei, tênis e beisebol pode ser complicado, já que técnicos podem utilizar as duas opções por tempo para parar o jogo - como vem acontecendo nos outros esportes -, o que tira a agilidade do jogo, tão querida nos dias de hoje.

Especificamente para o gol, é garantir a justiça, que não depende de erros para o ápice de uma partida de futebol e que não repita lances históricos, bizarramente validados e anulados. Na Copa de 2010, foi o gol da Inglaterra que entrou bastante contra a Alemanha, numa partida que os alemães venceriam por 4 a 0, mas que no momento estava apenas em 1 a 0. Teria sido o retorno de 1966, em que a Inglaterra virara na final contra os alemães na prorrogação, num lance que a bola quicou na linha.

Mas há coisas que a tecnologia não tira. Uma partida abaixo do esperado se transformou num espetáculo de provocações. Eis a história de Argentina 2X1 Bósnia Herzegovina conforme meus tuítes/retuítes de hoje:








[Copa] Preocupante

0 comentários
Passando rápido. Afinal, ontem foram 4 partidas em horários diferentes numa Copa do Mundo FIFA. E na edição deste ano, ao menos até por agora, só jogão! Mas o texto de hoje não é sobre o que ocorre dentro de campo, mas naquilo que há cada quatro anos os especialistas em TV, ou seus críticos, sempre vão falar: a participação da Rede Globo.

Li alguns textos em que as pessoas costumam diferenciar a cobertura da emissora em relação a de outros países porque as Organizações Globo têm interesse direto no negócio em que a Seleção da CBF está envolvida. Além de os jogos, exclusivos na maior parte dos 4 anos, serem importantes produtos em termos de publicidade e audiência, há outros negócios envolvidos. Falando no mundial deste ano, ocorrido aqui no Brasil, basta lembrar que foi a empresa de eventos do grupo que organizou o sorteio das chaves da Copa.

Outra reclamação é o tanto de privilégios que a emissora possui, com direito a entrevistas de madrugada na Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão. Houve quem dissesse que Felipão deixara Fátima Bernardes esperando pro jogador e teria ficado gripada por conta disso, causando "revolta" em Bonner e cia. Algo prontamente desmentido pelo técnico da seleção ao longo dos anos.

Bastou Dunga contrapor o excesso de liberdades da Copa de 2006 com o quartel de 2010 para que a emissora passasse a criticá-lo mais, só parando quando os resultados em campo eram indiscutíveis, especialmente após o título da Copa das Confederações em 2009. Ainda que com exageros por parte do treinador, todos os outros repórteres gostaram da postura, já que o ambiente foi fechado, ineditamente, para todo mundo. Curiosamente, Alex Escobar, que recebeu uma crítica/xingamento em entrevista coletiva é a aposta, impopular, da Globo como narrador aqui no Brasil.

Com um misto dos mundiais anteriores, a Globo voltou a ter as benesses de antes. Não à toa que no Roda Viva desta semana, cujo entrevistado era Juca Kfouri, o condutor dos debates do programa da TV Cultura, Augusto Nunes, disse que Felipão não topou participar deste por conta do "contrato com a Globo". Ainda que Felipão e Marín (!) tenham participado do Canal Livre na Band, sublicenciada da Copa.

O Esporte Espetacular, ao vivo da Granja Comari, especialmente, vem mostrando os treinos coletivos da Seleção. Já no primeiro dos programas, Glenda Koslowski comentou que o acordo era não mostrar o treino inteiro e isso eles estavam cumprindo. Porém, hoje, vi um escanteio - as bolas paradas preocupam bastante Felipão - em que as três tentativas foram mostradas ao vivo. Enquanto as demais seleções deixam só os 15 minutos iniciais à mostra, a nossa mostra (quase) tudo na principal emissora do país ao menos uma vez por semana.

Comentando isso nas mídias sociais, um amigo perguntou se estaria no contrato. Creio que sim. No final de 2012 vazou um e-mail do diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, que cobrava prioridades para o jornalismo da emissora com os clubes, justificando que o grupo pagava caro para ter os mesmos direitos que as demais - caso de entrevistar só quem as assessorias permitiam a todos os jornalistas.

Vai ver que é por conta disso, uma forma de represália sutil, que Felipão e os jogadores estejam assistindo à Copa pela Band, como as imagens disponibilizadas pela assessoria da CBF nos mostraram até aqui.


sábado, 14 de junho de 2014

[Copa] Dia de surpresas

0 comentários
não é mais surpresa. Após os questionamentos sobre o Fred, a arbitragem da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 prejudicou o México ao anular dois gols legais - o segundo mais fácil de ser identificado - e também teve erros no principal jogo do dia. Surpresa parece ser quando árbitros e assistentes não são destaques. Além disso, ver a reedição da final da Copa passada com um dos times goleando por 5 a 1 e de virada também foi algo muito inesperado, mesmo para os detratores da seleção espanhola, que tripudiaram aos montes nas mídias sociais logo após o massacre holandês. Mas não é de nada disso que quero falar.

A maior surpresa do dia foi a punição da FIFA a Franz Beckenbauer, impossibilitado de participar de qualquer coisa ligada ao football association por 90 dias. Decisão tomada em plena Copa do Mundo FIFA, torneio em que o Kaiser venceu como jogador e treinador, tornando-se o maior jogador da história da Alemanha e um dos principais do mundo. O que não é anormal, apesar de surpreendente.

Nem tinha como conhecê-lo pessoalmente, mas Beckenbauer nunca havia sido ligado a nada contra a ética, sendo o líder do Comitê Organizador da Copa de 2006 e estar entre os dirigentes do Bayern de Munique - ainda que, neste caso, Rummenigge, ex-CEO do clube e ex-jogador, esteja cumprindo pena de dois anos de prisão por questões fiscais no clube bávaro. Ainda que o estereótipo alemão pese, pode-se compará-lo a Michel Platini, atual presidente da UEFA, para ler opiniões diferentes sobre ambos.

A denúncia é que o Kaiser não aceitou responder a perguntas do comitê de ética (!) da FIFA sobre um suposto envolvimento na compra da Copa de 2022 pelo Catar. Membro do comitê executivo da entidade, ele teria sido contratado como consultor (algo que aqui no país me traz à memória o caso de Antonio Palocci antes do governo Dilma) de empresas de petróleo e gás do país cinco meses antes da eleição das sedes de 2018 e 2022 do mundial de futebol. Lá, teria se reunido com Mohamed Bin Hamman, porta-voz da candidatura e futuro quase candidato a presidente da FIFA. O resto, por enquanto, é especulação.

Michel Platini também teria se reunido com xeques árabes antes da decisão, com direito a jantar com a presença do então presidente francês Nicolas Sarkozy, que em seguida deu na compra do Paris Saint-Germain, tendo em vista a entrada do futebol local na disputa entre os melhores da Europa. Como sabemos disso? A imprensa britânica nos conta.

A Inglaterra perdeu a disputa pela Copa de 2018 para a Rússia e o país entrou em polvorosa, espantado por saber como isso seria possível, já que em 2012 sediaram em Londres, e muito bem, os Jogos Olímpicos de Verão, além de ter muitos estádios já prontos e ser um país de boa estrutura. Além do óbvio fato de ter sido lá que as regras do futebol foram criadas e eles serem campeões mundiais. Seria a volta às origens. Por isso, até espécie de CPI ocorreu no parlamento britânico e a caça foi aberta há tempos.

Na semana passada, mais importante que a Fernanda Lima foi a pressão das federações europeias sobre Joseph Blatter, presidente da FIFA desde 1998, com a Inglaterra como porta-voz dos insurgentes. Mesmo Platini deve estar interessado nisso, já que de provável sucessor, com direito a aproximação com Blatter, ele vê que o suíço vai se candidatar a reeleição, adiando a passagem do trono.

Blatter é esperto e conhece as estruturas internas muito bem, afinal foi secretário-geral de João Havelange na entidade e quase deu golpe de Estado para assumir a presidência, não se furtando ao chegar ao cargo em derrubar possíveis inimigos. Foi assim com Ricardo Teixeira e o próprio Havelange, quando soube que o primeiro apoiava Hamman - no perfil elaborado por Daniela Pinheiro para a revista piauí, a filha de Teixeira questionou o pai por ele ter afirmado que era da base de Blatter na FIFA. A investigação na justiça suíça sobre o caso ISL foi aberta e os nomes dos brasileiros surgiram como principais beneficiários do esquema, ambos tendo que pagar multas milionárias para a justiça do país sede (também fiscal) da entidade.

Hamman seria candidato às eleições da entidade em 2011 e saiu antes disso acusado de comprar votos nas eleições, com apoio de Jack Warner, então presidente da federação de Trinidad e Tobago e um dos principais nomes da Concacaf. Ambos caíram. O repensar da escolha de sede para 2022, ao vencer concorrência com países do naipe de EUA, Japão, Coreia do Sul e Austrália, mesmo sob um verão de 50ºC e tendo a pior proposta estrutural analisada, pode ser para tirar o evento das mãos de um inimigo.

Assim, as investigações e a transparência sempre prometidas quando escândalos aparecem só chegam a investigar adversários de Blatter. Andrew Jenning, "inimigo nº1 da FIFA", tuitou hoje sobre e concordo: "Beckenbauer é uma diversão para os crimes de Blatter e um ataque à UEFA". E é uma cartada pesada, pois se trata de um nome respeitadíssimo no mundo do futebol, tanto pelo que fez dentro quanto fora de campo, do país com uma liga em crescimento, só atrás da inglesa. Vamos ver se haverá resposta. Se for um passo exagerado, espera-se que um nome realmente alternativo apareça para o ano que vem, ainda que o tempo seja escasso.

Ah, eu ia esquecendo, a punição ao Kaiser expõe ainda algo que dói em nós, fascinados pelo futebol. A decisão de excluir um ídolo do esporte que ele ajudou a construir a imagem reflete que o football association tem dono e nós torcedores pouco podemos fazer contra isso.

Para não dizer que não falei dos jogos de hoje, óbvio que destaco abaixo os tuítes sobre Holanda 5X1 Espanha. Veja também as storify de Chile 3X1 Austrália e México 1X0 Camarões.