quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

2019.4 Valente para Sempre

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Morando num apartamento, com livros noutra casa, fui à livraria em Maceió buscando alguns livros de ficção. Sempre passo pela parte de quadrinhos - especialmente para buscar graphic novels da Turma da Mônica. Achei "Valente para Sempre", do Vitor Cafaggi, li a história e decidi comprar.

Basicamente, trata de como o cachorro Valente lida com uma paixão platônica e depois vai para outro relacionamento. Da Dama à Princesa, é uma aula para lidar com sentimentos. A única parte ruim é que os outros 4 volumes, de continuação, são difíceis de comprar, pois a última edição é de 2013.

CAFAGGI, Vitor. Valente para Sempre. Panini Livros: São Paulo, 2013.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

2019.2 A Samurai: primeira batalha/2019.3 O Diário de Anne Frank em Quadrinhos

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Gosto de ler quadrinhos/graphic novels. Apoio alguns de brasileirxs pelas plataformas colaborativas e compro outros em livrarias. Junto às leituras da Revista Placar, os quadrinhos da Turma da Mônica fizeram parte da minha introdução à leitura e seguem sendo muito importantes, ainda que tenha retomado a leitura deles nos últimos 3 anos.

"A Samurai: primeira batalha" faz parte de um projeto mais amplo da curitibana Mylle Silva. A proposta é interessante por diversos motivos. Primeiro, em termos de conteúdo, por retratar a história de uma mulher criada para ser gueixa, Michiko, mas que escapa de vez em quando para ser samurai num Japão numa sociedade patriarcal e misógina (ao extremo), Período Edo. Segundo, por ser uma história sendo contada, pois esta edição é a terceira (ainda que, historicamente, seja um prólogo à história principal). Terceiro, por utilizar os traços de diferentes quadrinistas e coloristas, o que é interessante para apresentar outras pessoas. Por fim, nesta edição, em especial, por se tratar de um quadrinho feito todo por mulheres. Conheça o projeto em: http://asamurai.com.br/

De certa forma, "O Diário de Anne Frank em quadrinhos" dialoga com o livro lido anteriormente, Memórias do Cárcere. De reconhecimento internacional, é o diário de uma adolescente dos seus 13 aos 15 anos, escondida com a família e outras pessoas judias no anexo de um prédio na Holanda no período do nazismo. Há outro livro em quadrinhos sobre o Diário, este eu comprei há alguns anos e só li ontem e, creio, tratar-se das notas do diário, passando rapidamente pela história, sendo uma boa alternativa para leitura de adolescentes que se assustam com números de páginas e que precisam conhecer uma história real vista pelo ponto de vista de uma adolescente. A força de uma história, infelizmente, já clássica na literatura mundial tem roteiro e ilustração de Mirella Spinelli - o que também deixa uma relação com "A Samurai".

SILVA, Mylle et al. A Samurai: primeira batalha. Curitiba: Nhom, 2017.

SPINELLI, Mirella. O Diário de Anne Frank em quadrinhos. São Paulo: Nemo, 2017.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

2019.1 Memórias do Cárcere

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Comprei a edição de 2014 de "Memórias da Cárcere", da Editora Record, há alguns anos. A vantagem dela é que os 4 (versão inicial) ou 2 (das versões mais recentes) volumes estão juntos numa mesma brochura, o que ajuda a seguir na história da prisão do escritor alagoano Graciliano Ramos durante a ditadura do Estado Novo, de 1936 a 1937. Ao mesmo tempo, ao menos para mim, sabia que precisava ter mais tempo para lê-lo, o que me fez adiar a leitura do meu último livro do autor.

As férias vieram, com duas viagens em que me propus a ficar sem qualquer tipo de conexão com a internet - algo que nos tira bastante tempo. Até pelo ano corrido, o ideal era fazer isso. Para os tempos que podem se avizinhar, seria interessante também lê-lo agora. Graciliano foi preso pelo que escrevia em artigos e nos dois livros então publicados (Caetés e São Bernardo), ocupava o cargo de "secretário de educação" em Alagoas.

O livro é separado em 4 partes: Viagens, Pavilhão dos Primários, Colônia Correcional e Casa de Correção. Graciliano se mostra corajoso beirando o inconsequente, pois sabe que vai ser preso e mesmo assim fica aguardando a política buscá-lo em casa. A parte de Viagens é dedicada a isso, contando a viagem a Recife e, posteriormente, a que vai ao Rio de Janeiro, com todas as divergências existentes no navio com pessoas tão diferentes presas juntas, com Graciliano sem conseguir comer com os dejetos indo e vindo no chão. No Pavilhão, a organização é mais clara, com formação de coletivos e cursos realizados. A ida à Colônia Correcional marca o ápice da situação, com prisão num lugar em que, como diz um dos guardas, não há diferenciação nenhuma. É ali que Graciliano relata melhor o contato com ladrões comuns, que chegam a ensiná-lo como fazem furtos, que a figuras de esquerda mais reconhecidas. Na Casa de Correção, sala do Pavilhão dedicada a pessoas prestes a sair, Graciliano tem mais direitos e volta a se alimentar bem. É dali que sabe que "Angústia" é publicado.

O livro carrega uma polêmica desde que foi publicado, após a morte de Graciliano e, por isso, sem o capítulo final. O PCB, ao qual se filiou na década de 1940, teria censurado trechos do livro junto ao filho Ricardo Ramos? O tema veio à tona porque Graciliano descreve com uma visão positiva alguns ladrões, ao mesmo tempo que mostra militantes comunistas como de fato eram, incluindo aí características físicas, num momento histórico de reconstituição de heróis numa visão stalinista (até mesmo sobre como a arte deveria ser utilizada para a luta social). A relação com o ladrão Gaúcho na Colônia Correcional tem mais destaque do que outras e mesmo na ida à Cassa de Correção, Graciliano destaca a saudade da conversão com Gaúcho e outros ladrões.

Como o intuito deste texto é marcar os livros lidos durante o ano, não nos estenderemos. Como destaque final, é curioso como esquecemos ao tratar de Getúlio Vargas das ações realizadas durante a primeira passagem na presidência, sob golpe, com prisão de pessoas com opiniões contrárias ("comunistas") - com direito à entrega ao governo nazista alemão de Olga Benário, grávida, e Elisa Berger, além de aliciamento de sindicatos. Em outro livro, Graciliano afirma que, na década seguinte, encontra Getúlio na praia e evita cumprimentá-lo. Lições da história.

RAMOS, Graciliano. Memórias do cárcere. 48.ed. Rio de Janeiro: Record, 2014.