domingo, 14 de abril de 2019

Não é que o El Dorado chegou?

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Quando cheguei em São Leopoldo-RS para cursar o mestrado, resolvi criar o "Em busca do El Dorado" para contar a minha trajetória naqueles dois anos. Muitas das minhas angústias, ainda que também das viagens e conquistas, vieram parar aqui neste blog. Quando aquele percurso se encerrou, segui por caminhos muito tortuosos, especialmente no primeiro ano, a ponto de eu afirmar aqui que o "El Dorado não existe" já no início da segunda fase.

Pouco mais de 6 anos depois, lancei um dia depois do meu aniversário a atualização da dissertação do Mestrado, um trabalho que uniu a minha paixão pelo trabalho acadêmico com o amor de uma vida ao futebol numa perspectiva crítica. Ainda consegui fazer isso num auditório com o nome "Lauthenay Perdigão", o maior entusiasta da memória do futebol alagoano no Estado, e no meu lar, o Trapichão. De tantas emoções que vivi e vivo naquele espaço de concreto e de afeto, nunca imaginei que estaria ali em outra função.

Muitas pessoas queridas e de diferentes épocas e contextos estiverem presentes, mesmo com a mudança de último momento no horário. Fiquei bem feliz com os relatos de "só você para fazer com que eu viesse num estádio". Um dos meus maiores orgulhos, desde as disciplinas do Mestrado, era também falar sobre futebol numa perspectiva crítica para pessoas assim; para além, claro, das que também são fissuradas neste esporte (ou num clube) e poderiam ver a importância dos estudos acadêmicos sobre o tema.

Confesso que ainda não caiu a ficha que tudo isso ocorreu, que não é um dos meus tantos sonhos "irrealizáveis" desde criança envolvendo jornalismo esportivo. Das primeiras camisas da coleção, hoje muito pequenas porque eu só tinha 6 anos; dos cadernos cheio de anotações de dados de torneios esportivos desde os 8; dos artigos científicos e capítulos de livros sobre futebol a partir dos 22; da vida no Trapichão em jogos de distintos campeonatos; do orgulho e emoção que tenho de poder trabalhar com algo que curto muito, independente de ser cada vez mais mercadológico. Antes de professor da Ufal, presidente da Ulepicc-Brasil ou qualquer outra coisa que o trabalho nos dá, eu sou a pessoa que conhecidxs e amigxs identificam como quem ama o futebol. Sou eu em toda a minha história, de muita resistência e muita luta, num momento extremamente difícil para fazer certas coisas, que estava ali. Até que controlei bem a emoção ao final para tudo o que representou.

Agradeço a todo mundo que puderam ir num sábado à noite prestigiar o meu trabalho. Aproveito também, àquelxs que não puderam ir devido a outros compromissos - algumas pessoas que até me pediram para guardar um exemplar. E também agradeço a todas as felicitações de aniversário nos últimos dois dias, fossem presenciais, ou em alguma ferramenta de comunicação pela internet. Como comentei no grupo da minha turma de doutorado, nunca antes precisamos tanto de demonstrações voluntárias de afeto para podermos seguir lutando, seguir vivendo.

Ah, não pode faltar o apoio fundamental de Carolina, minha companheira, e a pessoa que mais gosta de me fazer surpresa em aniversário.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

2019.7 Verão no Aquário

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O único livro que havia lido de Lygia Fagundes Telles era "As Meninas", escrito no início da década de 1970 e com um potencial grande de crítica ao regime militar no Brasil. Para além da conjuntura atual, até porque li antes das coisas se agravarem, já era um livro essencial para leitura. Foi por gostar muito de "As Meninas" que logo comprei "Verão no Aquário", mas deixei na fila de leitura por algum tempo.

Escrito mais de 10 anos antes, com publicação em 1963, representa um momento de transição no Brasil e também de uma família ex-pequeno burguesa, numa situação social de necessária venda da antiga casa, mas com a filha participando de todas as festas de alta classe e se apaixonando por um jovem que queria ser padre e de condições financeiras muito ruins.

O texto é contado a partir do ponto de vista de Raíza, em meio a um suposto triângulo amoroso com André e a mãe Patrícia, escritora. Com texto marcante da autora - vejam que li este depois do que seria publicado na década seguinte -, somos encaminhados a terminar a história rapidamente. Destaco ainda que os capítulos do livro trazem pequenos pulos temporais, então não são algo contínuo, dia após dia.

TELLES, Lygia Fagundes. Verão no Aquário. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

2019.6 Grão

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Tenho dificuldade em iniciar livros que se propõem a inovar na escrita, seja com parágrafos diferentes, muito curtos ou muito longos, com pontuação deslocada ou qualquer outro jeito de escrever de forma diferente. Não à toa que sou muito mais para a prosa. O livro de Ana Maria Vasconcelos gerou em mim, inicialmente, um incômodo no formato, por justamente trazer estes tipos de elementos. Precisei parar e ler outras coisas para depois voltar a ele. Só aí conseguir me adaptar ao texto e seguir.

É um livro que traz textos com grande profundidade emocional, o que também exige um bom momento de quem estiver lendo, pois carrega certa carga dramática ligada ao introspectivo. Por isso até que neste caso a forma de escrita se encaixa muito bem.

VASCONCELOS, Ana Maria. Grão. Maceió: Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2014.