segunda-feira, 29 de abril de 2013

[Alagoano 2013] Empate na batalha inicial

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A segunda batalha semifinal pela liderança da Liga da Justiça Alagoana ocorreu no Sertão, ambiente diferente na gloriosa disputa, com direito à tradicional tarde (para lá de) ensolarada em Olho D'Água das Flores.

Surpresa do torneio deste ano, o Caçador Sertanejo testa todos os seus poderes de quem só recentemente está por estas bandas. No seu segundo ano no Alagoano, J'onn CEO J'onzz conseguiu o que ninguém acreditava, mas agora acredita que pode superar ainda mais obstáculos, assim como o povo da sua terra natal espera que as chuvas recentes sejam um bom sinal para o futuro.

- Para quem chegou de onde nós viemos já é uma campanha espetacular. Mas não paramos por aqui. Como dizem, "sertanejo é antes de tudo um forte". Estamos aqui para provar!

Do outro lado, o atual campeão da disputa, The CRB Flash, que vem também como o herói de melhor campanha na fase anterior. Mesmo que a super velocidade de Wally C:ock West possa ser prejudicada pela temperatura do território rival, ele segue (muito) confiante para a disputa, com o seu humor característico.

- Viemos para ganha de novo. Problema de quem não aproveitou os 10 anos em que mal chegamos nas finais. Estamos numa uma nova era dos super heróis!


MUITO EQUILÍBRIO
Com a batalha semifinal rolando, viu-se o equilíbrio, apesar do favoritismo pender para o atual líder da Liga da Justiça Alagoana, The CRB Flash.

No começo da batalha, o super herói de outro planeta golpeou com muito perigo com Aurélio, num cabeceio que forçou toda a rapidez de movimentos possível para que Galatto tirasse a bola cabeceada no ângulo.

Em seguida, foi a vez de um golpe de ataque de Wally Cock. Na intermediária, Jairo percebeu que o goleiro adversário estava mais para um canto e arriscou o chute. A bola foi rápida, e no ângulo. Sem chances para qualquer tipo de defesa. The CRB Flash 1 a 0 no Caçador Sertanejo, aos 17 minutos da etapa inicial.

J'onn CEO tentava de tudo com seus poderes. Na melhor chance na primeira parte desta disputa, Aurélio apareceu novamente para arrematar, mas acertou a trave. Assim, terminou 1 a 0 para os visitantes.

O segundo tempo da batalha veio e Aurélio seguia sendo a principal arma do Caçador Sertanejo. Apareceu novamente dentro da área para cabecear, mas a bola foi para fora. Enquanto isso, The CRB Flash também tentava por cima, mas era Schwenck que perdia chances.

Mas aos 9 minutos não teve jeito. A visão sertaneja do experiente Nen, com seus 40 anos, foi o suficiente. Sua cobrança de falta encontrou Denílson para mandar ao gol. Empate do Caçador Sertanejo, 1 a 1.

Os dez minutos seguintes foram de pressão de J'onn CEO, mas sem nenhuma grande chance de ataque, que só viria com o adversário, com chances perdidas por Schwenck e por Audálio.

Aos 29, foi a vez de Carlão invadir a área e chutar ao gol, mas também ver a bola ir para fora, graças à utilização do poder de invulnerabilidade, que desta vez chegou a tempo. 4 minutos depois, foi a vez de Schwenck, novamente, tentar romper o potencial adversário, mas parou nas mãos de Alexandre.

Depois disso, The CRB Flash resolveu poupar esforços e diminuir a sua correria para esperar o tempo passar. Enquanto J'onn CEO seguia tentando atacar e fazer com que o adversário não parasse tanto a batalha. Nen, especialista em bolas paradas, ainda exigiu uma boa defesa de Galatto após escanteio, mas o Caçador Sertanejo saiu de casa com um empate em 1 a 1 com The CRB Flash, que teve que ouvir gritos da torcida adversária de "timinho" por prender tanto a disputa.

Além disso, o super herói da capital vai para a batalha final das semifinais, na noite do próximo sábado, sem quatro jogadores, suspensos pelo terceiro cartão amarelo: o goleiro Galatto, o zagueiro/volante Audálio e os laterais Paulo Sérgio e João Victor.

[Alagoano 2013] Visitante inglório no primeiro combate

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A nova saga da Liga da Justiça Alagoana traz dois representantes da capital, os maiores vencedores do torneio e que se classificaram nas primeiras posições, The CRB Flash e Clark CSA Kent; contra dois times do interior, o tradicional ASA Kit Walker, o Fantasma do Agreste, e o novato por estas terras, o Caçador Sertanejo, J'onn CEO J'onzz.

Antes de partir para as apresentações dos primeiros confrontos, realizados no último final de semana, vale a crítica para a Sala da Justiça do futebol alagoano. Repete-se a regra para os combates decisivos do ano passado, quando não vale para classificação a diferença de saldo de gols nas duas disputas. Para se ter um exemplo, no hexagonal, The CRB Flash passou por cima do Caçador Sertanejo em Maceió, 6 a 0, mas perdeu no território inimigo por 1 a 0. Repetindo algo assim, a disputa seguiria para a prorrogação.

Ainda bem que dentro de campo, mais uma vez, parece que tal estranheza no regulamento não deverá atrapalhar. Ao menos para as semifinais.

Para começar, relatamos o confronto galático entre o maior campeão da Liga da Justiça de todos os tempos e o maior campeão deste século.


VISITANTE INGLÓRIO
Noite de sábado na Caverna do Agreste, mais uma disputa entre Super Blue Man e Fantasma do Agreste. Apesar de as torcidas destes super heróis serem parceiras, não há nada de facilidade dentro de campo, pelo contrário.

Foram tantas alterações no comando da produção dos anéis da caveira e do mal que resolvemos mudar o nome "real" do personagem. Sai Lee ASA Falk, em homenagem ao criador da personagem, e entra ASA Kit Walker, nome usado na vida normal do Fantasma. Para este sábado, o clube já contava no banco com Ricardo Silva (ex-Vitória), o 5º treinador neste ano. Ainda assim, o herói do Agreste vinha com tudo:

- Vamos vencê-los pela primeira vez no ano!

Vindo de Maceió, Super Blue Man vinha de uma boa campanha, com os superpoderes sendo melhor desenvolvidos a cada dia de disputa intergalática. Ainda que contando com alguns desfalques no meio, como Marielson e Elyeser, o jornalista na vida "normal" sabe a importância da conquista da liderança na Liga da Justiça no ano em que completa 100 anos. 

Por conta disso, também resolvemos mudá-lo, mas não o nome, e sim o uniforme. Sai o vermelho e ficam o azul e branco do Super Man Azul, que surgiu na saga Noite Final da HQ, em que há a separação em dois do super herói, ficando o vermelho e o branco para o outro lado.

- Não daremos outra chance. Vocês puderam decidir a batalha dos super heróis ano passado e desperdiçaram.

Como não poderia deixar de ser, os donos da casa tentaram pressionar desde o início, mas foi o Super Blue Man que chegou primeiro e em definitivo. Aos 6 minutos, Alex Henrique estava na esquerda, ia saindo de dois marcadores, mas foi derrubado por Pedro Silva. Pênalti!

Na cobrança, dois minutos depois, o melhor dos poderes do super herói foi para cobrança. Artilheiro do campeonato, Everaldo foi para a cobrança e não deixou oportunidades para o anel de caveira do Fantasma funcionar. Até que Gilson acertou o canto, mas a bola entrou. 1 a 0 para Clark CSA Kant. 14º alvo ultrapassado em 2013.

O Fantasma do Agreste acordou após o golpe depois dos 20 minutos e foi perdendo várias chances. A pistola .45 Léo Gamalho perdeu duas chances, uma com o supersopro mandando para fora e outra com Flávio defendendo. Além disso, tocou para Thalysson tentar marcar, mas ele também teve o chute desviado pelo supersopro. Da mesma forma ocorreria com Fabiano, que cabecearia sozinho após escanteio.

Super Blue Man até tentou sair das cordas com Leandrinho, que arriscou cruzado da direita, mas o golpe foi de fácil defesa de Gilson. Aos 40 minutos, na melhor chance do Fantasma. Thalysson passou por três marcadores, mas parou no poder da longevidade embaixo dos arcos azulinos, Flávio, com seus 42 anos, espalmou o chute.

Gamalho até teria outra chance, sozinho na pequena área, mas ficou confuso e só recurou para Flávio. Assim, a primeira parte da batalha terminou em 1 a 0 para o herói visitante.

A segunda parte teve Clark CSA Kent mais disposto para contra golpear e dar sustos e trabalho para o anel da caveira. Por exemplo, aos 12 minutos, Robson tocou para Diego Clementino invadir a área e ver Gilson defender o chute.

ASA Kit Walker tentava aprimorar sua técnica fazendo alterações. Além disso, utilizava lances aéreos para tentar desnortear o adversário. Nada feito com Léo Gamalho, nem com Wanderson, que entrara pouco antes e apareceu sozinho para cabecear, mas também para fora.

A disputa acabou parando muito com faltas, substituições e nas alterações de poderes nos dois lados De destaque mesmo só a falta na meia-lua, aos 38 minutos, cobrada por Rodriguinho. Ele mandou no ângulo esquerdo, mas Gilson conseguiu mandar para escanteio. De resto, nada a declarar e uma importante vitória dos visitantes: Clark CSA Kent 1, ASA Kit Walker 0.

A próxima partida será na sede da Liga da Justiça Alagoana, o Estádio Rei Pelé, no próximo domingo.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Vai desceeeeeerrrr!!!!

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Bate na proteção de cima da porta. Pancadas no assoalho e até mesmo nas janelas e no teto. Muitos, mas muitos gritos para o motorista parar. Quem nunca ouviu em Maceió algo como "Vai desceeeeer, motô!"? 

Muito mais comum do que o também velho "estou aqui pelo motivo de milhões de brasileiros, o desemprego", que ajuda as pessoas a pedirem ou venderem dentro dos coletivos, sempre haverá alguém que reclame porque o motorista não abriu a porta do ônibus no lugar certo, ou simplesmente porque a pessoa só lembrou de descer no ponto após o ônibus começar a sair.

Foi este o caso da última vez em que escutei a singela frase nas terras caetés. 

Ônibus cheio, dia chuvoso e aquela máxima que especialistas em andar neste transporte carregam consigo: sempre levantar antes, para dar tempo de driblar quem estiver para trás. 

Olha que desta vez nem estava superlotado, mas uma senhora e seu neto resolveram andar para trás a poucos metros do ponto de ônibus. 

Não deu outra. O motorista parou, esperou cerca de 5 segundos, ninguém desceu e lá foi ela gritar a famigerada frase: "Vai desceeeeeeerrrr!!!". Ela ainda foi auxiliada por um rapaz que, sentado, resolveu bater o guarda-chuva, claro que daqueles grandes, com muita força no chão. Esta maneira de chamar a atenção foi bem nova para mim.

Coitado do motorista. Ouviu a senhora reclamar, mesmo sem ter tanta razão assim e ainda ficou na dúvida se realmente tinha parado:

- Ôxi, mas eu num parei? Parei né?

Ah se o pessoal que mora em Porto Alegre resolvesse vir para cá. Acostumados a fazer fila na maioria das "paradas" de ônibus, bastaria um dia na Rua do Comércio para saber que a diferença entre as capitais, para muitas coisas, são tão grandes quanto a distância.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

[Circo a motor] O mais novo domínio de Vettel

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Arte sobre foto da Reuters
Se após o GP passado, comentamos a grande corrida da Ferrari de Alonso, o Bahrein mostrou uma vitória ainda mais superior. Desta vez, coube ao líder do campeonato e atual tricampeão mundial Sebastian Vettel chegar à sua segunda vitória na temporada e mostrar que se a RBR não está muito acima das rivais, ao menos segue com força em 2013. 


TREINO 

Vitória na China e bom retrospecto no Bahrein. A Ferrari era considerada uma das favoritas para a vitória. Os treinos mostravam uma disputa com a Mercedes pela pole, mas com a vantagem de ter um bom ritmo de corrida, algo que os carros da equipe alemã ainda não conseguiram. 

No treino oficial, Rosberg conquistou a segunda poleposition seguida da Mercedes. Vettel surpreendeu em segundo, enquanto Alonso e Massa, ajudado pelas punições a Webber e Hamilton, largariam na fileira seguinte. O brasileiro não tinha boas voltas com os pneus médios e largaria com os duros, diferente dos carros que estavam à sua frente. 

Até aí, tudo normal. Nem o mais pessimista torcedor ferrarista, ou o mais ferrenho torcedor adversário, imaginava o que viria no domingo. 


CORRIDA 

Na largada, Alonso pulou para segundo, mas Vettel retomou a posição ainda na primeira volta. Rosberg foi perdendo posições desde o início da corrida. Enquanto Vettel disparava lá na frente, Alonso começou a ver a corrida indo pelo ralo aberto pela asa traseira, que só fechava a pancada. 

Primeiro, teve que antecipar a parada nos boxes para fechar a asa que deveria abrir apenas em dois trechos por volta. Nada feito. Na primeira tentativa de usar o DNS, eis que a asa seguiu aberta. Mais uma parada e nada de mais potência para ultrapassagem até o final da corrida. 

Massa não ia tão bem, mas uma vez com problemas no ritmo de prova, tendo parado até mesmo antes de seus concorrentes, ainda que com pneus mais duros. Ainda assim, estava no bolo com Hamilton, Button, Peres e cia. pelas posições de pontuação. Porém, perdeu pare da asa dianteira já no início da prova e, aparentemente, isso modificou o consumo dos pneus, tendo dois traseiros estourando, do nada, durante a prova. 

Enquanto Alonso teve que se contentar com o 8º lugar, conquistando pontos que podem ser importantes no futuro, Massa empurrou o carro ao final, sendo facilmente ultrapassado até mesmo pela Williams de Pastor Maldonado, chegando na 15ª posição. 

Lá na frente, Vettel tinha vida mais fácil que a de Alonso na semana anterior. Apenas após as primeiras paradas é que ele teve que realizar ultrapassagens para reconquistar o primeiro lugar, em Di Resta, da Force India, que chegaria em um bom 4º lugar. 

De igual ao GP passado, a segunda posição de Raikkonen. O finlandês segue na cola de Vettel no campeonato, aproveitando-se do melhor consumo de pneus da Lottus, que mais uma vez parou menos nos boxes, colocando Grosjean também no pódio. 

Ainda que reclamando do carro, Hamilton chegou em 5º, com Pérez em 6º e Webber em 7º. Destaque para o pressionado piloto mexicano, que gerou intensa briga, com direito a toques, com o companheiro de McLaren, Button, que reclamou pelo rádio e chegou apenas em 10º. Pérez incorporou o “colocar a faca entre os dentes” numa equipe que, historicamente, permite a disputa entre seus pilotos. 


CIRCO 

Assim, Vettel chegou aos 77pontos no campeonato, com Raikkonen o seguindo em 2º, agora 10 pontos atrás, Hamilton em 3º, Alonso em 4º, Webber em 5º e Massa em 6º. 

O circo colocará a sua lona daqui a três semanas para iniciar uma temporada europeia, com a prova em Jerez de la Frontera, onde todos testaram no início do ano.

domingo, 21 de abril de 2013

Dia de jogo é dia de separação

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Duas mulheres, acompanhadas, conversam no estádio antes de uma partida de futebol aqui em Alagoas: 

- Será que o Fulano vem hoje? – disse a que estava sentada ao lado, que ficaria a partida inteira de olho no setor da torcida organizada. 

- Não vi – respondeu a que estava atrás. 

- Todo jogo ele vem aqui. Diz que é o dia de se separar da mulher. 

- Ôxi, e é? 

- A mulher reclama que todo domingo em vez de ele ficar em casa com ela, prefere sair de casa. 

- E está desconfiada de algo? 

- Ela já disse que também irá sair no mesmo horário? 

- E ele? 

- Diz que não, já que ele sempre vai ao jogo. 

Eis o machismo “nosso” de cada dia...

sábado, 20 de abril de 2013

[Alagoano 2013] Final do Hexagonal com direito à chuva no Sertão

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10 rodadas, 4 classificados, alguns favoritos e outras surpresas. O hexagonal do Campeonato Alagoano, equivalente à segunda fase do torneio, terminou neste sábado com emoção até o final e promessa de ainda mais para as fases finais do Estadual. 
The CRB Flash com muita força em busca do bicampeonato alagoano
LIDERANÇA GARANTIDA 
No jogo mais tranquilo da rodada final, atuando em casa pela confirmação da liderança – que não vale grande coisa –, o CRB venceu o já eliminado Corinthians por 2 a 0, com gols de Schwenck (pênalti), ainda no primeiro tempo, e Carlão, em chute na entrada da área no segundo tempo. 

O CRB terminou com 20 pontos, com 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas nesta fase. Campeão da primeira fase, e único garantido na Copa do Brasil do ano que vem, o Corinthians só marcou 8 pontos nesta fase. Grande desilusão para o time treinado por Ênio Oliveira e que trouxe para o comando de ataque Rogélio BALOTELLI. 

ÚLTIMAS VAGAS
As outras duas partidas definiram as duas últimas vagas para as semifinais. Num emocionante confronto direto, o ASA, que iniciou a rodada com 13 pontos ganhos, complicou-se no primeiro tempo contra o Murici, 5º colocado, com 10 pontos ganhos. 

Os gols de Alex Murici e Reinaldo Alagoano só não tiraram o vice-campeão da Copa do Nordeste da fase final do Estadual porque o CSA vencia o CEO, em Olho D’Água das Flores, por 1 a 0, com gol após bonita jogada de Diego Clementino. O time azulino garantia a 2ª posição, enquanto o Murici pulava para 3º e tirava o CEO do G4. 

Mas aí veio o segundo tempo em Arapiraca e a recuperação do time local. Com gols de Tiago Garça e Léo Gamalho, o ASA marcou o ponto que necessitava para se classificar e terminou o hexagonal em 3º, com 14 pontos ganhos (4v, 2e e 5d). Além disso, garantia ao CEO a passagem para as semifinais, na sua segunda passagem pela primeira divisão. 

Jogando mais tranquilo, o time do sertão alagoano pressionou o CSA até chegar ao gol de empate, marcado por Denílson aos 40 minutos do segundo tempo. Com Williams José, irmão do atacante atualmente no Grêmio, como zagueiro, o time do Sertão se classificou com 13 pontos e a festa da torcida aumentou ainda mais com a chuva que caiu na região a partir dos minutos finais da partida – lembramos que o Nordeste vive seu pior período de seca dos últimos 40 anos. 

Ao CSA coube a confirmação do segundo lugar, com 17 pontos marcados em muitos empates. O time azulino empatou 5 das 10 partidas, em todas elas sofrendo o gol de empate e de maneira trágica, após os acréscimos, contra Corinthians (no Nelsão) e Murici (no Estádio Rei Pelé). 

A GRANDE SURPRESA 
A festa do CEO ainda foi maior por conta dos tropeços estruturais de equipe neófita no futebol do interior. Após um bom início, o técnico Jaelson pediu demissão do time após as primeiras derrotas ainda na primeira fase. Após algumas rodadas do hexagonal, o time do Sertão foi obrigado a mandar embora 8 jogadores, 3 titulares, para diminuir os custos. Na rodada seguinte, levou 6 a 0 do CRB, com 5 gols de Schwenck. Depois disso, surpreendeu a todos com a retomada da campanha, culminada com a surpreendente classificação na tarde deste sábado. 

Comandada fora de campo pelo jovem Alisson Dantas e dentro de campo pelo experiente Nen, sua excelência na bola parada aos 40 anos, o tricolor do Sertão chegou bem além das expectativas. O confronto com o líder CRB, indiscutivelmente favorito, pode ser sinal que a chuva de alegrias chegou ao sertão alagoano. 

Lee ASA Fark quase não passa. Mas...
DECEPÇÕES 
Além do já citado Corinthians Alagoano, bem abaixo do que fez na primeira fase, outra decepção do torneio foi o Murici. Com um elenco rodado, comandado pelo atacante Reinaldo Alagoano – que jogou o tempo inteiro sub júdice por conta de contratos com 2 clubes diferentes –, o time do Litoral Sul teve a classificação nas mãos até a etapa final do seu confronto e deixou passar. 

O ASA, mesmo com a recuperação no final da partida, nem chegou perto do favoritismo que se imaginava dele após a excelente campanha no Nordestão. Além de perder o técnico da campanha, que fora treinar o Ceará, o time alagoano já viu saírem outros 2 treinadores, após apenas 5 (Vinícius Eutrópio) e 3 partidas (Édson Gaúcho). 

O time que se notabilizou ao manter Vica por 3 anos, com resultados dentro de campo, ainda viu um de seus principais jogadores, Didira, discutir com torcedores após ser substituído na derrota para o CSA por 2 a 0, em Maceió. Ainda assim, participante das últimas 7 finais do Alagoano, com 3 títulos, o Fantasma do Agreste passou de fase e se mantém como um dos favoritos a levantar a taça em 2013. 
CSA e ASA voltam a se enfrentar nas semifinais
CLÁSSICO DAS MULTIDÕES 
Há tempos que Maceió não vivia um período assim, com os dois grandes clubes chegando muito bem para a reta final do Estadual. Tudo bem que ano passado, a sonhada final ficou no caminho com o CSA perdendo a final do 2º turno contra o ASA, mas este ano as chances de uma final entre os dois maiores campeões alagoanos voltar a ocorrer após 11 anos é muito grande. Ambos cercados por dúvidas por conta dos jogos até então, os times se acertaram no hexagonal. 

O CRB venceu CSA, CEO e ASA em casa, mas empatou com o primeiro e perdeu para os outros dois quando atual fora do seu poleiro. O Galo da Pajuçara conseguiu, apesar disso, dois nos resultados no Clássico das Multidões. No primeiro jogo, empatou com o CSA aos 34 minutos. Na volta, resolveu a partida aos 8 minutos, quando teve um pênalti a favor e viu o adversário ter um a menos a partir de então. 

Além disso, o CRB volta a conta, após algumas semanas, com o veterano atacante Denílson (36 anos), ídolo da torcida até aqui. 

Clark CSA Kent quer uma história diferente da que ocorreu ano passado
Do lado do Mutange, fica a sensação de que a liderança do hexagonal poderia ter vindo se o time não tivesse cometido tantas bobeiras em finais de partidas. Já citamos os empates com Corinthians – pela segunda vez no Estadual sob as mesmas condições – e Murici nos acréscimos, o que daria mais 4 pontos ao CSA na tabela. 

Porém, é importante ressaltar que o clube evoluiu muito no hexagonal. As chegadas do volante Robson, do meia Alex Henrique – ainda que criticado pela torcida por perder gols contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil – e do atacante Diego Clementino deram a qualidade que faltava ao maior campeão alagoano. 

Basta dizer que o time só perdeu uma partida no hexagonal, no clássico contra o arquirrival e sob circunstâncias adversas, praticamente começando com um a menos no placar e em campo, mas, ainda assim, tomando conta do jogo no primeiro tempo. Dos 5 empates, além de estar à frente de todas e ceder o empate, o time de Beto Almeida pecou por recuar demais e, principalmente, não aproveitar os bons momentos para ampliar o marcador. 

Outro fato relevante é a quantidade de jogadores que não puderam atuar nas partidas, seja por contusão ou suspensão. No jogo do Murici em Maceió, por exemplo, eram 5 desfalques, o que fez com que o time demorasse a começar a jogar. Destaques também para o artilheiro do Alagoano, Everaldo, com 13 gols; e Leandrinho, bom lateral-direito, que receberam melhores companhias nesta fase. 

Ah, lembrando que as principais torcidas organizadas de ambos os clubes, Comando Alvirrubro e Mancha Azul, estão proibidas de entrar no estádio deste a 8ª rodada do hexagonal - leia-se, estão proibidas camisas, faixas e bandeiras das mesmas.
LIGA DA JUSTIÇA ALAGOANA 
Como prometido, a Liga da Justiça voltará ao espaço deste blog. Com passagens no setor Alagoas do Universo, The CRB Flash, Clark CSA Kent (Super Blue-Man) e Lee ASA Fark (Fantasma do Agreste) terão a companhia de um novo super-herói este ano. Aceitamos sugestões para quem representará o CEO, tricolor (verde, branco e vermelho) na disputa pela liderança da Sala da Justiça em 2013.

As semifinais começam no sábado à noite, com ASA X CRB. No domingo, o CEO encara o CRB a partir das 15h15.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Grande fine settimana

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12 corridas sem vencer. 4 provas classificando atrás do companheiro de equipe, perdendo para este no campeonato de pilotos em 2013. Além de vir de um GP em que abandonou ainda na 2ª volta. Se Fernando Alonso tinha motivos para se preocupar com o início desta temporada, respondeu na pista chinesa o porquê de ser considerado o melhor piloto contemporâneo apesar de ter ganhado seu último título em 2006. 

Já vimos várias vitórias de ponta-a-ponta na Fórmula 1, quando um piloto tem um carro tão melhor que os demais que mesmo após as paradas nos boxes segue em 1º. Com a vinda da Pirelli como fornecedora de pneus do circo, vitórias assim diminuíram bastante. Em 2013 então, com muita diferença de rendimento e de desgastes dos tipos de pneus fornecidos, fica ainda mais difícil. 

As provas anteriores mostraram o quanto uma boa estratégia, levando em consideração os tipos de pneus a serem utilizados, é determinante para o atual estágio da categoria. Não foi no final de semana passado. 

Com o carro mais veloz dos treinos, Hamilton conseguiu sua primeira poleposition guiando uma Mercedes. Raikkonen surpreendeu ao conseguir o 2º lugar, com Alonso ficando em 3º, Rosberg em 4º e Felipe Massa, com muita dificuldade no último trecho da volta, largando apenas no 5º lugar. A RBR deva indícios de um final de semana ruim, com Vettel largando apenas em 9º e Webber tendo que esperar todos passarem, largando nos boxes, por conta de uma punição. 

Na largada, Raikkonen demorou para sair e estragou um melhor resultado na corrida. Enquanto isso, Alonso e Massa pularam para a 2ª e para a 3ª posições, respectivamente. Na abertura da 3ª volta, os dois pilotos da Ferrari passaram Hamilton na reta de chegada e encaminhavam uma dobradinha da equipe italiana. Se não fossem as paradas. 

Se Alonso seguiu muito bem com os pneus mais duros, Massa teve problemas com eles desde que os calçou pela primeira vez. Segundo o piloto brasileiro, o pneu dianteiro tinha o “macarrãozinho” dos primeiros desgastes demorando muito para sair, o que só ocorria nas últimas voltas com o jogo de pneus, o que fez com que ele andasse mais lento que os rivais. 

Mesmo contra pilotos com estratégia de paradas diferente, Alonso não só acompanhou o ritmo de seus adversários, como teve facilidade para ultrapassá-los e colocar diferença sobre eles antes de pararem. Uma primeira posição comprovada na pista, no braço. Num grande ritmo de prova, em determinado momento com sequência de melhores voltas, a equipe chegou a pedir para que ele maneirasse e teve como resposta que não estava dando o máximo do carro! 

Atrás dele, algumas brigas ocorreram. Raikkonen voltou ao segundo lugar, enquanto Vettel, com pneus macios nas voltas finais do GP da China, deu um grande sufoco em Hamilton, que conseguiu chegar em 2º lugar por 2 décimos de segundo! Button conseguiu uma boa 5ª colocação, mostrando certa evolução com esta McLaren mal nascida. Massa só conseguiu a 6ª posição, frustrando muitos, que esperavam uma melhor prova do brasileiro – Galvão Bueno que o diga, ao falar tantas vezes ao longo da prova que “Alonso dá ao máximo por toda a corrida”. 

Ainda assim, Massa segue na 5ª colocação no campeonato de pilotos, com 30 pontos marcados, muito melhor que ano passado, quando conseguiu 19 em 8 corridas. Vettel segue na liderança, com 52 pontos; com Raikkonen em 2º, com 46; e Alonso em 3º, com 43 pontos. 

Se a Ferrari vem bem em 2013, a 3 pontos na classificação de construtores para a líder RBR, a prova deste final de semana promete ainda mais. No Bahrein, Felipe Massa (2) e Fernando Alonso (3) venceram 5 das 8 provas realizadas no país até aqui. O circo vai para a terra em que a Primavera Árabe não conseguiu nenhum resultado prático tanto para mudar o controle político do país, quanto para que a Fórmula 1 não desgastasse a sua imagem ao ter de agradas sheiks.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

“Eu odeio jornalistas!”

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Imaginem a situação. Todos os passageiros dentro do avião, porta fechada e aí começa a atrasar a partida. Instantes depois, todo mundo tem que descer porque, porque, porque... Se sabiam, não falaram. No chão, muitas reclamações e nada de respostas válidas. Nada de saber a que horas o voo partiria realmente. Acabei descobrindo mais informações perguntando às pessoas da companhia que encontrava no caminho. 


Após ter a resposta definitiva – de que em breve sairia uma informação pelo alto-falante do Galeão, já que “Maceió era outro caso” –, acabei encontrando um lugar para sentar. Por coincidência, duas cadeiras depois, uma senhora do mesmo voo, fazendo caça-palavras e esperando o tempo passar. Conto as informações que havia conseguido e ela me pedia para avisá-la caso avisassem algo, já que não conseguia prestar atenção aos avisos sonoros. 

Entre nós, uma moça que estava preocupada se o avião dela, em direção a Fortaleza, sairia no tempo certo. Em pouco tempo de conversa, descubro que era estudante de Jornalismo do campus Juazeiro da Universidade Federal do Ceará – colocar UFC pode gerar dúvidas... Tudo bem que essa não seria a única pessoa ligada ao Jornalismo que encontraria naquela noite, mas a história é mais interessante para contar. 

A senhora era médica no Rio de Janeiro e ao saber que as pessoas ao lado, nós, tínhamos ligação com o Jornalismo, desandou a falar mal da profissão, quer dizer, dos profissionais. Foram muitas coisas do tipo: 

- Os jornalistas só falam mal. Só falam mal de nós médicos. Agora, de quem deveriam falar mal, não falam. 

Como (quase) sempre eu não coloco a faca entre os dentes e parto para briga, tentei com toda a paciência do mundo, apresentar contrapontos. A estudante ao lado, também com experiência no movimento estudantil, olhava para mim como se esperasse que eu falasse algo. Claro que admiti problemas da profissão, só que contextualizando as condições de trabalho. Afinal, é necessário que vendamos a nossa força de trabalho e, infelizmente, são pouquíssimos os espaços jornalísticos desvinculados a políticos. 

Não adiantou. Seguiram-se mais “sugestões”: 

- Mas vocês deveriam... 

- Vocês são muito mal formados. 

Até que chegou ao veredicto: 

- Eu ODEIO jornalistas. Olha que eu tenho amigos jornalistas e vivo dizendo isso para eles. 

100% de constrangimento. Respirada funda. Momento de contar até 10 e dar um sorriso amarelo. Eu sei, bem que poderia aproveitar que ela odeia os jornalistas e não passar a informação que ela precisaria depois sobre o novo horário do voo. Mas a minha formação, ao menos o que eu construí do que deve ser uma pessoa, para além de um jornalista, vai além disso. 

Desta forma, restou o seguinte: 

- Respeito a sua opinião e até concordo com alguns dos pontos colocados, mas discordo de você ao generalizar desta forma. Os problemas são bem maiores que isso. 

Silêncio natural. Afinal, quantas pessoas dizem sem qualquer receio que te odeia, sem ao menos te conhecer? Depois de algum tempo assim, ela tentou mudar a afirmação anterior: 

- Quer dizer, eu odeio o jornalismo, não os jornalistas. 

Será que realmente é menos mal?

domingo, 14 de abril de 2013

Entre uma ostra e outra, muito satisfeita, ela publicou

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Para algumas pessoas, parece fácil. Sai, conversa com um, com outro, escreve, publica e pronto. Respostas que se queria obter e texto como previamente imaginado. Outros, sem contato com a atividade, questionam o porquê de parecerem serem os mesmos assuntos no jornalismo. A fuga da prática profissional destas duas perspectivas é um grande desafio. 

Pode até existir formato para enquadrar um texto jornalístico, mas para fazer da história contada algo marcante para o receptor, que gere nele reflexões e questionamentos, não há fórmulas prontas. Livros-reportagens, então, são para poucos profissionais, em meio ao cada vez mais restrito tempo disponível para apuração e, principalmente, para uma escrita de mais fôlego. 

Li recentemente um livro com entrevistas realizadas com jornalistas de renome nacional, casos de Eliane Brum e Laurentino Gomes, e em meio a tantas respostas sobre a prática jornalística, diferentes visões sobre o aprendizado ao longo da atividade, como cada fazer profissional foi se formatando ou pode ser gerado. Mas (ainda) não é sobre este livro que escreverei. 

Já comentei neste blog sobre o Por Trás dos Muros, de Acássia Deliê, que trata de um assunto ainda tabu na sociedade, o ambiente de hospital psiquiátrico, de uma maneira primorosa – tanto que foi merecedora do principal prêmio da graduação em Comunicação do Brasil. 

Na última semana, eu ganhei e li o livro-reportagem Entre uma ostra e outra: histórias de vida de ostreicultores de Alagoas, de Naara Lima Normande. Hoje mestranda no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Culturas Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia, o livro é resultado da Especialização em Comunicação Jornalística na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. 

Uma das coisas que me instiga, ao mesmo tempo por se tratar de uma preocupação profissional, é a necessidade de observação daquilo que de tão perto que está acaba passando despercebido, em meio à rotina que acabamos criando. Grandes histórias que passam elas nossas vidas sem que percebamos a sua importância. 

Naara já conseguira enfrentar este grande desafio na graduação em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal de Alagoas, onde escreveu uma grande reportagem como conclusão de curso sobre os estudantes de países africanos que estudavam em Alagoas. 

Desta vez, mesmo com moradia em São Paulo, soube enxergar o assunto no Estado que deixara por um ano, num trabalho com apoio de laboratórios de Biologia da universidade em que se graduou como jornalista. 

Entre uma ostra e outra apresenta as “lamentações, conquistas e sonhos” de mais de 20 ostreicultores que enfrentaram e enfrentam ainda várias dificuldades para a criação deste molusco de uma forma sustentável e, principalmente, tendo transformar a atividade como principal renda de algumas famílias. 

Sobre o propósito do trabalho, ao final da Apresentação, a autora afirma que buscava com aquela reportagem “conhecer e apresentar as condições de vida e de trabalho de pessoas [...] que se dedicam ao cultivo de um alimento tão delicado”, mostrando as contradições de um alimento com glamour no ambiente gastronômico, mas cujas pessoas que trabalham em seu cultivo “sofrem com moradias sem saneamento básico, muitas vezes sem água tratada”, sem o apoio da própria população de seus municípios e do poder público (NORMANDE, 2012, p. 12). 

Somos apresentados ao trabalho e à vida de pessoas de 4 localidades de Alagoas: Ipioca, em Maceió; o povoado Palatéia, na Barra de São Miguel; a Associação Rio Mar, de Barra do Camaragibe; e a Associação dos Ostreicultores de Barreiros de Coruripe (Aobarco), em Coruripe. Ninguém em situação estável, com muitos tendo desistido da atividade e os que restaram tendo que se dedicar a outras fontes de renda, como a pesca e a cata do sururu, para sobreviver. Ainda assim, nas mais variadas condições de trabalho e receita, todas e todos mantendo o sonho de que o cultivo um dia dê certo. 

O livro é dividido em quatro capítulos, cada qual comentando a realidade das pessoas e ampliando o nível das contradições criadas a partir do molusco, a partir de diferentes níveis de sobrevivência em cidades de um mesmo Estado. São eles: Os anjos esquecidos, O paraíso das ostras, Rio Mar e No barco com as ostras. 

A jornalista conta como ponto negativo comum em alguns destes trajetos a presença da ONG Oceanus, responsável por doas mesas e travesseiros para a criação de ostras, mas que faliu em alguns anos. O investimento da Oceanus estava orçado em R$ 1.435.751,00, com maior participação da então Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República-SEAP/PR, futuro Ministério de Pesca e Aquicultura, com uma rede de apoiadores, casos da UFAL, da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Alagoas (Sebrae/AL). 

A implantação ocorreu apenas em parte dos municípios – eram 11 as cidades no projeto. O processo criminal seguia quando da publicação do livro, mas o relatório do Controle Interno da Casa Civil da Procuradoria da República já apontava conclusões de que “houve má administração, descaso e desvio dos recursos públicos repassados à Oceanus” (NORMANDE, 2012, p. 18). 

O fechamento da ONG foi um banho de água fria mesmo no caso de maior sucesso relatado no livro. A criação de Palatéia, iniciada apenas por Manoel Cícero das Rocha durante 18 meses a partir de fevereiro de 2003, ficou três anos após a falência com dificuldades, sendo consolidada apenas em 2008, já com a companhia de outras famílias. Segundo Seu Cícero, a solidão só acabou por conta da “compra de um carro Fusca, resultado da venda das ostras”, o que “motivou os outros moradores da comunidade a participarem do cultivo” (NORMANDE, 2012, p. 32). 

O problema com a Oceanus também afetou os criadores de Ipioca, que apesar de estarem na capital de Alagoas, vivem muitas dificuldades para conseguirem receita com a criação de ostras. Se Seu Cícero se orgulha de ser pioneiro no cultivo em Alagoas, dona Benedita Antônio dos Santos, promete defender a todo custo a importância da manutenção do seu grupo. 

Descobrimos na leitura sobre esta comunidade as histórias de dona Célia, que só fora registrada como Maria Zélia da Conceição quando tinha 21 anos, mesmo ano em que o pai falecera. Segundo dona Célia, o pai era uma pessoa muito boa e a visitara após morrer para avisar que uma pessoa sofre até o fim da vida. Para ela, “a única possibilidade de mudança seria a companhia de um turista bonito e rico pra levá-la embora de Alagoas” (NORMANDE, 2012, p. 22). 

Outro grande problema enfrentado pelos ostreicultores alagoanos aparece no capítulo final do livro-reportagem. Nele, Naara fala sobre a Unidade de Beneficiamento de Moluscos, responsável por depurar o molusco “por um sistema de ultravioleta (UV), [...] sem alteração nenhuma de seu sabor” (NORMANDE, 2012, p. 68), que estava sendo implantada em Coruripe, região que sempre sofreu com o tamanho da ostra, 2cm menor que o comprado pelo mercado. 

A depuradora foi montada a partir de parceria conquistada pelo SEBRAE-AL, responsável por vários cursos e orientações para os ostreicultores, com a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. Este caso, em que alguns dos responsáveis pelo espaço foram indicados pela associação de ostreicultores da cidade, há o medo de que aquilo vire um elefante branco, além da demissão dos familiares indicados para trabalhar no local. 

É importante frisar que apesar do patrocínio do SEBRAE-AL à publicação, a jornalista não poupa o representante da entidade de questões sobre as dificuldades dos ostreicultores e as responsabilidades frente à depuradora. Não esquecendo a quem se deve pensar na hora de fazer o texto jornalístico, ainda mais quando esta proposta está esclarecida já no início. 


Para não me alongar muito, deixo como crítica o fato de o livro ter várias fotos para ilustrar os trechos dele, porém, com exceção da que ilustra a capa, todas elas aparecem em preto e branco, o que acaba por prejudicar a apreensão das mesmas – caso de “a família de ostreicultores”, na página 60. Como sugestão, até porque sabemos que isso ocorreu por restrições financeiras para a publicação em cores destas imagens, colocá-las na internet ou, melhor ainda, realizar mostras nas comunidades em que as pessoas foram ouvidas para a reportagem. A apreensão da narrativa se completa com as imagens, que também podem gerar uma história em particular quando consideradas em separado ao texto. 

Publicado pela EDUFAL em 2012, Entre uma ostra e outra: histórias de vida dos ostreicultores de Alagoas, assim como tantos excelentes livros-reportagens de jornalistas respeitados no Brasil, merece ser lido pelos estudantes de Jornalismo, especialmente nas universidades de Alagoas – da mesma forma que o já comentado, e premiado, Por Trás dos Muros, da jornalista Acássia Deliê. 

Naara Lima Normande prova em seu livro que a esperança por dias melhores num Estado com tantos problemas sociais existe; que a não satisfação seja pela realidade socioeconômica local ou pelas condições de formação acadêmica deve instigar novas e melhores buscas, ainda que trabalhosas. Cabe agora seguir estas histórias, pessoas e coletivas, principalmente quando no meio disso há problemas em que o dinheiro público foi mal utilizado. 

Se não há fórmulas para o fazer jornalístico, há o aprendizado com histórias das pessoas ditas “comuns”, que são muitas vezes invisibilizadas, e com os excelentes relatos sobre estas. 

REFERÊNCIA 
NORMANDE, Naara Lima. Entre uma ostra e outra: histórias de vida dos ostreicultores de Alagoas. Maceió: EDUFAL, 2012.

* Uma versão um pouco menor deste texto foi publicada no Observatório da Imprensa.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Coleção - Camisa Nº1

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Com todas as camisas de futebol reunidas num só lugar novamente, resolvi postar aqui toda a coleção. Tentarei fazê-lo ao menos uma vez por mês, dadas algumas dificuldades estruturais. Além disso, tentarei colocá-las na ordem de aquisição, o que, em alguns casos, pode gerar erro por conta da memória deste que vos escreve, que ainda assim buscará resgatar histórias de cada uma - algumas das quais contadas neste e em outro espaço já falecido.

Para começar, camisa de criança, réplica e dúvida sobre o ano. Ganhei dos meus pais a camisa do período em que me tornei palmeirense e eles não sabem quando compraram. Imagino que deva ser 1994, já que me recordo de zombar da minha irmã corintiana por conta do título brasileiro em cima do arquirrival no final daquele ano.

Fora esta história, não lembro de outras porque tinha apenas 6 anos de idade - ou talvez 5. Fato é que a guardei e ela sobrevive mesmo após algumas mudanças pessoas, geográficas, mas jamais a clubística. Tudo bem que quase matei e quase morri quando criança por conta do Palmeiras, mas quando se sente algo maior que amor por algo, não tem como largar, mesmo nos piores momentos - e nós palmeirenses os conhecemos muito bem.

Camisa 1
Sociedade Esportiva Palmeiras
Réplica
1994
Adquirida em Aracaju-SE
Valor não recordado

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mentalizar os gols da Libertadores

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Início da tarde de quarta-feira e enquanto aguardava que os programas esportivos da Band mostrassem os gols das partidas da Libertadores do dia anterior, surpreendia-me por nada ver para além dos comentários sobre o jogo do dia anterior. Já havia reparado em matérias assim com os jogos do Grêmio na competição, onde se mostrava apenas o antes e o depois da partida, mas nunca os melhores momentos. 

Um tempo depois, o Neto, agora também apresentador, reclamaria disso no “Donos da Bola”. Como não detém os direitos de transmissão do torneio sul-americano, eles só podiam oferecer a narração da Rádio Bandeirantes dos gols do Palmeiras contra o Tigre. Neto pedia para que se “metalizasse” como os gols foram marcados. 

Não há novidade alguma em a emissora licenciada colocar um limite de horário para que o vídeo dos gols possa ser mostrado. A Rede Globo já fizera outras vezes, permitindo que outras emissoras só os exibissem após um dos seus telejornais. O que me surpreendeu foi a demora para a permissão das imagens, cujos direitos são da Fox Sports na América Latina, que os repassa para a Globo em TV aberta, mas que não abriram exceção sequer para a parceira da rede nacional nos torneios brasileiros. 

Melhores momentos sem as imagens

É importante frisar que há a obrigação legal em repassar imagens de eventos esportivos para caráter jornalístico. A Lei do Esporte, mais conhecida por Lei Pelé (Lei nº 9615/98), afirma no segundo parágrafo do Artigo 42 que a liberdade de negociação de clubes e federações dos seus direitos de imagem “não se aplica a flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins, exclusivamente, jornalísticos ou educativos, cuja duração, no conjunto, não exceda três por cento do total do tempo previsto do espetáculo”. 

Ou seja, por lei, no Brasil, as emissoras de televisão podem retransmitir pouco menos de três minutos das imagens de quaisquer jogos, independente de ter comprado os direitos de transmissão dos mesmos. Isso causa um problema maior especialmente no caso da Copa do Mundo FIFA, em que a entidade máxima do futebol tende a garantir a exclusividade em seus contratos, apesar de qualquer legislação contrária a isso existente em dado país. 

Mesmo os bares têm restrição para exibir ao vivo as imagens de torneios da entidade, que só permite que isso ocorra em casos que a transmissão não esteja ligada à aquisição de lucros. Este ano já houve uma primeira reunião alertando para isto, ainda que seja tradição do torcedor brasileiro acompanhar as partidas do principal torneio esportivo do mundo em bares. 

Esta questão já foi alvo até mesmo de ações judiciais num passado recente, especialmente quando as empresas de comunicação resolvem mostrar os melhores momentos das partidas ou competições sem a disponibilização das imagens por parte da licenciada. 

Aceitar ou enfrentar
Isso ocorreu com a Rede Globo nos primeiros dias das Olimpíadas de verão de 2012, ao mostrar no Jornal Nacional por dois dias as imagens das competições de natação sem qualquer logo que identificasse a propriedade das imagens – depois, a emissora conseguiu um acordo com o COI para exibir registros da competição sem a marca da rival Record. A mesma Globo que, anos antes, proibira o UOL de exibir na internet imagens de uma competição sob sua posse. 

Apesar da existência da lei, o potencial econômico e as barreiras político-institucionais existentes no mercado do audiovisual no Brasil flexibilizam suas determinações e garante os movimentos no setor de acordo com as exigências da líder, com maior experiência quanto aos programas exibidos. Cabe às demais aceitar ou enfrentar, e perder muito, com um futuro confronto. Quanto ao telespectador, terá que esperar por mais algumas horas o programa esportivo da detentora dos direitos de transmissão para ver gols e ou melhores momentos de uma partida de futebol.
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[Texto originalmente publicado no Observatório da Imprensa].

quinta-feira, 4 de abril de 2013

[Baú do Por Trás do Gol] Futebol de mesa

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*Postagem programada . Texto do extinto blog Por Trás do Gol, publicado no dia 1º de janeiro de 2009.

A infância atual, de crianças trancafiadas em casa se divertindo em frente ao computador, é bem diferente da minha e de amigos meus. Olha que só chego a duas décadas de idade, não passa uma da minha infância. Ainda tive oportunidade de jogar bola de gude (ou “ximbra”, como queiram), soltar pipa, “rachar” inclusive os dedos do pé no jogo de bola e até, mesmo, jogar videogame através de cartuchos.

Mas nada me traz tanta saudade que o bom e velho “jogo de botão”. Ao jogar contra alguém ou até mesmo sozinho, esta era a minha chance de comandar um jogo; desde pequeno sou um apaixonado pelo futebol. Os confrontos com amigos despendiam regras, as mais variadas possíveis, e o respeito à que era escolhida para determinado jogo.

Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Vasco, Corinthians, Brasil, Espanha, Inglaterra, Itália, Sergipe, Santos... Tantos foram os times que pude presenciar no meu estádio particular, o quadro do jogo, e também em locais dos mais inóspitos possíveis: o chão da casa de um amigo, ou uma mesa. Todos esses espaços serviam para colocar “nossos” times em campo.

Recentemente resolvi pegar meu acervo para brincar. O quadro − agora atrás da porta do quarto − estava cheio de poeira, até mesmo as caixas com os times estavam dessa forma. Percebi que cresci, o tempo não me permite jogar como antes, narrar um gol feito com o atacante de plástico. O velho “botão” me mostrou o quanto deixamos poeira em coisas do passado, esquecemos o quanto era bom ser criança.

A realidade nos dá uma tapa para acordar de vez em quando, esta foi a minha vez. No mundo infantil, o desejo de crescer é para ter independência. O mundo adulto só nos permite desejar voltar a ser criança, para podermos brincar com os amigos durante uma tarde inteira, falar quanta besteira puder e ainda ter garantido imediatamente o colo da mãe quando algo nos irrita.

Ser adulto acaba por se tornar uma briga constante por adquirir dinheiro, a independência buscada é a financeira. Estudamos para que no futuro tenhamos dinheiro, estagiamos para ter dinheiro, trabalhamos para ter dinheiro. Só que o dinheiro serve para quê mesmo? Para divertir não dá tempo, pois não podemos largar o emprego ou chegar atrasados para trabalhar no dia seguinte. Eis que só nos resta como passatempo a televisão, essa é a diversão diária. A tecnologia é a responsável pelo lazer. O pior é que as crianças
dessa geração, posterior à minha, preferem-na ao bom convívio social que nos traz um jogo na rua ou às estratégias e habilidades desenvolvidas pelo bom futebol de botão.

Ah! Nada como gritar o gol do time por nós dirigidos! Vibrar e zoar sem violência do colega que torce por um time diferente e perde o clássico “caseiro” com seu time. Que saudade dos tempos em que jogava, mesmo sozinho, na sala de casa e narrava meu próprio jogo, como se estivesse num estádio lotado
de torcedores escutando só a minha voz ao transcrever a partida.

Que saudade da imaginação de criança quando do meu tempo de futebol de botão! A forma adulta até mudou o nome da minha brincadeira, que se transformou em futebol de mesa e nas minhas lembranças de um passado muito recente.

quarta-feira, 3 de abril de 2013