sexta-feira, 29 de março de 2013

quarta-feira, 27 de março de 2013

Dia 16

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* A partir desta, seguirão postagens programadas. Os desenhos publicados em sequência numerada tem inspiração no projeto "One a day" do ilustrador Graham Franciose. Por questões de acesso à internet a partir do dia 26, a minha sequência chegará a bem menos do que a dele, até terminar o meu arquivo já digitalizado.

terça-feira, 26 de março de 2013

Adeus, o El Dorado não existe!

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O mito do local com "tesouros em quantidades inimagináveis". Quando eu pensei sobre o que poderia ser a experiência em outro Estado, e bem distante do meu, a ideia era aproveitar a mudança geral de vida para alterar várias coisas que me atrapalhavam desde sempre. O nome desta coluna do blog, que utilizei como cano de escape e até mesmo para informar sobre o que ocorria comigo por aqui, expressou bem essa ânsia por algo bem melhor do que era antes. Devo ter caído no mesmo erro dos espanhóis, ao serem enganados por um El Dorado que não existia.

Só por este início já deixo a perceber que a situação atual é muito mais de frustração do que de orgulho, mas isso eu deixo para contar mais abaixo. Seria injustiça da minha parte apenas focar no presente e nos problemas que causaram e que podem surgir como consequências do que ocorreu por aqui. É necessário  apontar as coisas boas, alguns agradecimentos. Ah, aviso que o texto será beeeem longo.

PRODUÇÃO
Por mais que eu não saiba o que vai ser do meu futuro, e isso me desespere, os dois anos aqui no Rio Grande do Sul foram de um crescimento enorme. Para além da dissertação ter se tornado efetivamente o trabalho da minha vida, até aqui, deixando-me tranquilo quanto ter conseguido fazê-la de acordo com as minhas possibilidades, pude produzir bastante academicamente. Mais que simples números e páginas no Lattes, sempre me preocupei em ocupar espaços interessantes quanto à qualidade.

Poder ter publicado artigos em revistas científicas, mesmo de forma individual (ou seja, sem a coautoria de um doutor), foi uma grande vitória, mesmo que para isso tenha exigido um grande trabalho. Se os eventos acadêmicos não exigem tanto primor e cuidado, precisa-se de uma organização muito grande para poder bancar as viagens que viriam, ainda mais quando realmente se sobrevive apenas da bolsa de Mestrado - que, ao menos para mim, serve para manter o estudante, porém, não é o suficiente para atender aos gastos com viagens para a apresentação de trabalhos, ainda mais quando a universidade em que se estuda só cobra  a produção, sem dar qualquer incentivo para que se apresente os artigos.

Duas grandes vitórias neste período vieram com a ida para eventos com passagem e hospedagem pagos. Ainda que no caso de Brasília, em 2011, receber o valor da hospedagem tenha dado um grande trabalho, num período ainda mais conturbado. A segunda vez, em 2012, foi paga pela empresa que eu estudo e critico na pesquisa, ainda que tenha chegado com uma imensa dor de cabeça a um "Rio de Janeiro Frio".

Ah, ainda tive condições de realizar com dois grandes parceiros da UFRGS um ciclo de debates multidisciplinar sobre os estudos de futebol e comunicação. É claro que deu trabalho, por mais que eu achasse que seria simples. No fim, pressões externas à parte, deu muito trabalho - já que ainda teve outro debate e uma entrevista para TV a realizar -, mas foi extremamente positivo.

AGRADECIMENTOS
Os meus agradecimentos começam por aí. Como já expus no Facebook, foi muito bom pesquisar um objeto como o futebol tendo contemporâneos estudando-o também, ainda que sob outras perspectivas teóricas, com um diálogo muito bom e frequente. Os resultados das bancas de dissertação mostraram que este esporte merece ser estudado na Comunicação, criando trabalhos bastante relevantes para diversos eixos teórico-metodológicos.

Por mais que eu tenha divergências quanto a determinadas atitudes da gestão da Unisinos, também tenho que deixar claro que sempre fui respeitado nas salas de aula. Uma preocupação de entrada que eu possuía era sofrer alguma pressão específica por conta da Economia Política da Comunicação, mas isso nunca ocorreu. Os debates com os professores foram dentro do que se imagina do que deve ser o respeito acadêmico que promova o crescimento da Comunicação enquanto ciência. Além disso, não é à toa que o PPGCC tem avaliação Qualis 5, atrás apenas da UFRJ. Os professores são especialistas em suas respectivas áreas e, ao menos até o ano passado, havia espaço para vários tipos de linhas teóricas.

Ajudou bastante também ter outro colega de grupo de pesquisa estudando comigo, ainda mais com forte preocupação sobre a legislação comunicação, tendo em vista uma democratização da comunicação - termo que não pretendo tensionar aqui -, algo que não era o foco da minha pesquisa, mas é o da minha atuação frente aos meios de comunicação no Brasil.

Neste sentido, não teria como deixar de destacar a agradável experiência do programa de rádio semanal Periscópio da Mídia, nosso lazer em forma de trabalho do grupo CEPOS, que permitiu uma aproximação muito grande entre seus membros, fossem doutores, mestrandos ou graduandos. O Periscópio teve um público razoável para as condições dele e no final tínhamos conseguido um bloco sobre a comunicação argentina gravado por colegas da UNQ, que agregava ainda mais valor a ele. Além de entrevistas com nomes como César Bolaño, Laurindo Leal Filho e Luciano Correia. Isso em 2012.

O Grupo CEPOS, no geral, também permitiu vários encontros diferentes, tanto com pesquisadores internos quanto externos, através dos debates realizados. Um importante espaço para a EPC no país e com várias é diferentes pesquisas e pesquisadores em andamento, que me possibilitou um maior contato com determinadas pessoas que foram marcantes neste período principalmente no que se refere ao fora do trabalho.

Não pretendo esticar muito neste trecho porque, ainda que de forma mais sintética, já fiz os agradecimentos na dissertação, trecho que postei aqui no blog. É claro que dentre os colegas de Mestrado, as pessoas que encontrei em viagens e, especialmente, as que tive um convívio maior por aqui, para além das salas de aula, há diferentes gradações de convívio e, consequentemente, de lembranças que eu levarei comigo.

Dos colegas de PPG, o primeiro ano foi de contato mais frequente, principalmente por conta das disciplinas em conjunto. O segundo ano foi curioso, já que fui praticamente adotado pela turma que entrava, bem mais variada quanto às origens geográficas e de um perfil diferente da minha. Por mais que conhecesse algumas pessoas por conta de outros eventos e do grupo de pesquisa, acabei tendo uma proximidade maior com o conjunto que foi bem interessante.

Por fim, a tranquilidade da maior parte do tempo na moradia por aqui. O que seriam algumas semanas até eu achar outro lugar viraram dois anos. Por mais que seja difícil entender um cara tão caseiro que nem eu, verdade é que graças à excelente convivência é que pude desenvolver o meu trabalho da melhor forma possível. Além disso, o fato de morar com pessoas com outras histórias e, especialmente, em outras formações universitárias ajudou para desanuviar dos problemas do cotidiano de trabalho.

Poderia até nominar pessoas em específico que o carinho fica, mas como eu quase não fiz isso por aqui - não gosto de expor ninguém -, prefiro não fazê-lo agora, esperando que estas saibam disso. Ah, sem esquecer das pessoas que me ofereceram ajuda neste momento de dúvidas, algumas das quais eu fiquei muito surpreso por não ter tido tanto contato assim - acho até que estas conformam a maioria.

Fica a parte prazerosa de deixar em mais um Estado o meu rastro solitário de palmeirense. Gremistas, colorados, xavantes, não torcedores e até corintianas talvez tenham a mesma sensação de sergipanos, baianos e alagoanos que ao verem o Palmeiras, seja em boa ou péssima situação, lembro logo de mim. Sinal de que a melhor parte de mim, a que realmente exacerba sentimentos, e no caso do Palestra Itália é um dos que ainda não catalogaram, conseguiu deixar rastros bastante relevantes.

Enfim, se você chegou até aqui e viu que está tudo muito bom, muito bonito, é melhor parar. Venho pensando nas últimas semanas que estou numa fase de "darthvaderização", aquilo que teve como ápice o que ocorreu com o Anakin no Episódio 3 de Star Wars, que o lado sombrio - porque hoje não é mais "lado negro" - tomou conta de vez.

Se você é de Maceió, já sabe que eu sou mais na minha, praticamente faço questão de não estabelecer laços de amizade e, provavelmente, algum dia, lá no início, temeu conversar comigo e receber uma resposta mais ríspida - como duas pessoas falaram para mim. Se você é de São Leopoldo, Sebastião, o mundo para mim não é bão. Tudo bem que não sou de espalhar isso para todo mundo, mas essa é a real opinião. 

Portanto, independentemente de onde você veio, aconselho parar por aqui. A partir deste ponto é preciso que eu utiliza a última "Em busca do El Dorado" como o ápice do cano de escape pelo qual me serviu ao longo destes anos - e com coisas que eu nunca falei porque eu detesto passar de coitadinho ou ganhar concurso de quem tem mais problemas.

FRUSTRAÇÃO DA VOLTA
Comentava com um amigo nesta segunda-feira. Odeio mudanças, sejam de comportamento, de moradia, de Estado então... O motivo é simples. Com menos de 11 anos eu tive que sair da cidade que morei durante quase 10 por decisão superior. Não queria ter voltado para Maceió naquele momento e isto não é segredo nenhum para a minha família, afinal, várias vezes eu fiz questão de frisar que não me sentia em casa ali.

A passagem de 11 anos foi muito importante para que eu saísse do costume e desse um gás que me garantiram aprovações estudantis importantes, num trajeto que teria bem menos qualidade do que tive. Porém, pessoalmente foi uma desgraça. A minha família - e nisto eu considero meus pais e minha irmã - passou por situações muito ruins, coisas que serviram para tornar esta carcaça tão dura quanto é hoje.

Eu adoro Maceió, é onde eu nasci e foi onde muitas vezes chorei por ter que voltar para Aracaju. Claro que sei dos problemas cada vez maiores da cidade, mas sempre a defendi da minha maneira, de forma crítica, mas incentivando as pessoas a conhecerem as melhores praias do Brasil - viver lá já é um outro (grande) problema. Inclusive, a minha ideia quando criança era voltar para a minha cidade natal para morar com a minha avó, na rua atrás do Estádio Rei Pelé, enquanto cursava Jornalismo na UFAL.

Mas me vejo hoje na situação de quando tinha 11 anos. Voltando mais uma vez sem querer, só que deveras por culpa minha. De antemão, sempre me cobrei muito, bem mais do que qualquer pessoa, a ponto de passar mal numa prova de seleção porque estava muito nervoso e ainda assim seguir fazendo - e passei numa boa colocação depois disso. Não sou nem metade do que as pessoas pensam. Não me considero muito inteligente, nem nada. Conheci colegas que estes sim eram/são bons. De aprender a matéria numa rápida olhada. Eu sempre tive que me esforçar muito. Sou pião, não nasci para ser vanguarda.

Sorte, nunca vi, só ouço falar. Já o contrário... Por conta disso, sempre tive noção de que, se possível, tinha que me dedicar 200% às coisas que faço. Porque sei que se derem errado por mais banal que seja o motivo, eu tenho gás para retomar e consertar. Ah, e isso é algo de ruim que sobra do Rio Grande do Sul. Aprendi drasticamente que para certas situações não adianta nada. Que por mais que eu queira ou me irrite, não posso brigar para mudar determinada coisa. E isso foi muito ruim, dá uma impotência e indisposição enorme.

Passei por momentos aqui, em especial do final de 2011 para o início de 2012, que fiquei no fio da navalha. Tenho tendência genealógica e de comportamento a possuir problemas psicológicos e me assustei por ter ficado tão perto de situações que eu esperava reconhecer quando passasse dos 30 anos de idade. Os dias sentado olhando para as estrelas no céu e com as lágrimas caindo silenciosamente no rosto nas madrugas de insônia ficarão na memória. As minhas tentativas de entender porque raios essas coisas acontecem comigo. Por que raios eu não tenho tempo de comemorar nada porque em seguida virão cinco, dez, milhões de problemas para enterrar os pés no chão novamente.

Se posso destacar algo bom destes momentos bem complicados é que acabaram fortalecendo a carcaça para o que viria a partir da metade de 2012. Nossa! De maio a setembro, um turbilhão de coisas ruins, de doenças, de dúvidas, de raivas, de dores de cabeça enormes - a tal ponto de eu não saber como consegui não só me manter em pé como dar uma volta em São Leopoldo ou passear no Rio de Janeiro -, de não sei. Do mês que eu tive bloqueio de produção acadêmica por um motivo que fez o meu lado racional entrar em guerra com o emocional - e, por sinal, com muita razão, afinal aquilo ali a gente não vê por aqui.

Para aqueles que não me viram chorar, expressar maiores reações em público, nem mesmo mostrar que estou doente. Há explicações e de novo por conta de Maceió. Por problemas de saúde de alguém bem próximo, eu me acostumei a esconder até quando estou doente, porque a tendência é que o contexto caseiro se mostre bem pior - algo como chamar mais atenção, ainda que inconscientemente. Situação causadora de coisas assim que eu temo encontrar quando voltar, principalmente porque foi um dos motivos de após a minha volta em setembro de 2011, eu ter falado lá e ter cumprido a palavra que não voltaria no ano seguinte - por mais quente que seja aqui.

Aprendi a ser desapegado com a família porque sempre tive que separar os problemas de casa dos de estudo e de trabalho. Até mesmo porque seria impossível fazer qualquer coisa se deixasse que isso ocorresse. Para citar um exemplo, meu avô faleceu no início de 2009 e eu só contei para o meu colega de trabalho da tarde porque teria que faltar à rádio. Provavelmente, o pessoal do local que eu trabalhava de manhã nem soube disso. Meses depois, uma tia faleceu e eu cheguei atrasado após a frustrada tentativa de ir ao velório e não falei o motivo. Os colegas mais próximos de estudo só souberam disso no final daquele ano.

Como disse no início do texto, a minha vinda para cá era para tentar construir novos momentos de vida, evitar ouvir coisas como eu cheguei a escutar num momento que era primordial para mim: "os incomodados que se mudem". Olha que se eu sou chato é porque eu não gosto das minhas coisas bagunçadas e nem costumo deixar nada para outras pessoas, e, definitivamente, procuro não me intrometer nas escolhas alheias. Voltar para este lugar é perder a liberdade que eu tanto busquei desde os 17 anos, seja fazendo bicos, ou trabalhando de segunda a sábado geralmente das 6h30 às 20h ao mesmo tempo que terminava a pesquisa de iniciação científica, liderava um núcleo de estudos - mesmo sendo graduando -, tinha de encaminhar o TCC, pensar em projeto de pesquisa para o Mestrado e fazer e apresentar trabalhos em eventos científicos. Ah, ainda teve a organização de um seminário de caráter nacional no meio, em que as minhas mãos tremiam no momento inicial porque carreguei com um amigo uma mesa para o teatro. Ufa!

Principalmente, pesa muito o orgulho. Acho que são seis anos sem pedir dinheiro aos pais e, principalmente, os últimos dois vivendo às minhas custas totalmente. Dá trabalho, gasta-se mais, porém, eu prefiro assim. De pressão já basta a minha. E de perguntas ideias da parentada, eu prefiro omitir a ter que xingar como eu deveria - aguardem-me!

Eu tenho noção de que trabalhei para caramba aqui. Poupei dinheiro para ir aos eventos que escolhia, mesmo fora do país, produzi vários artigos diferentes (inclusive da dissertação) neste período, fiz e participei de coisas por conta própria, para além das obrigações multitarefas do Cepos e creio ter conquistado o respeito acadêmico de quem me conheceu, mesmo sendo de linhas teóricas eu diria que totalmente diferentes. Em parte, fico a pensar o que será que eu fiz de errado. Tento respeitar todo mundo, as ausências, as falhas comigo, até mesmo as decisões que vão me destroçar, porque cada um tem o direito de fazer as suas escolhas, mesmo que isso atrapalhe as minhas.

E isso é outros dos meus graves problemas: ter princípios tão marcados. Preocupo-me muito em não ter atitudes que sejam contrastantes para aquilo que penso, acredito e falo que deva ser para uma sociedade realmente justa, livre e igualitária. Quantas vezes não me pego olhando ao passado, ainda que muito recente, e penso o porquê não dei a resposta que realmente pensei em dar, mas que contei até 10 milhões para fazer?

Tenho pensado muito em deixar de ser assim. Primeiro porque no Rio Grande do Sul eu estive mais maleável com amizades, alíás, muito mais disposto a isso que em Maceió e saio com a sensação de que ainda não deve ser assim. Ser bonzinho - diminutivo que desagrega uma possível qualidade - não rola. O processo para o lado sombrio da força a partir do primeiro pé no avião pode partir para um momento definitivo quanto a isso.

Uma das decisões é me afastar de projetos coletivos. Estou nisto desde a graduação e, com raríssimas exceções - uma das quais citadas acima, quando tratei do ciclo sobre futebol -, eu sempre foi me dedicar muito às coisas e não ver muito compromisso ao redor. Quantas férias eu perdi por conta de coisas assim? Pior, foi rever problemas de desestruturação por motivos banais e aparecer como alguém que conjectura para "blocar", quando acho eu que nunca fiz isso. Nem preciso dizer a minha raiva de defender algo na tarde de um dia em outro Estado e perceber o quanto fui idiota na noite do mesmo dia ao perceber que a barca poderia ser furada internamente - e facilmente. Discordo totalmente de quem disse - e já disseram para mim - de que nunca hei de encontrar grupos que levam em conta princípios básicos, ao meu ver. Primeiro, que eu vivi ao menos uma exceção disto aqui. Além disso, friso muito que é um tipo de coisa que não tem nada a ver com posição (declarada) político-ideológica. Se eu tivesse experiência partidária seria capaz até de dizer que pode ser o contrário.

Óbvio. Já disse que tenho princípios fortes e não disse que sou uma pessoa de múltiplas prioridades - como comprova o relato sobre os meus múltiplos trabalhos em 2010. Eu tenho muitas dificuldades em desistir das coisas e, como também já comentei, aprendi da pior forma que às vezes é necessário fazê-lo. Por isso, ao menos até eu resolver as questões pessoais, que são de suma sobrevivência, afastei-me de processo coletivos sem remuneração. Como não tenho nenhum remunerado, então afastei-me de todos. Principalmente porque eu dificilmente peço ajuda às pessoas, mesmo nos piores momentos - também exemplificados -, então está na hora de diminuir a naturalidade que eu percebo que eu tenho para ajudar, seja na rua ou em ambientes com colegas e amigos. Claro que a minha consciência abriu uma ou outra raríssima exceção para este período. Tem coisas/pessoas que parecem valer a pena mesmo que tenham causado algumas dores de cabeça e momentos de irritação.

Ah, ia esquecer de dizer que vejo que a minha situação de dúvida de agora tem como grande antagonista eu mesmo. Fui incompetente ao não conseguir construir uma situação bem melhor que a atual. Afinal, sabia que a pior das hipóteses desenhava a minha volta a Maceió após o mestrado e numa situação bem pior do que a que eu vim - quando eu tinha emprego de carteira assinada, ainda que não fosse como jornalista, e uma quantia maior de dinheiro na reserva. Acabei desenhando duas possibilidades e nas duas eu vi uma espécie de auto-boicote.

Na primeira, esqueci totalmente que a semana tinha feriado, fiquei ainda mais doente que já estava - com grande ajuda da derrota do Palmeiras para o Fluminense e a ponto de não saber como consegui fazer a prova de Espanhol - e na única vez que teria que contar com o funcionamento perfeito dos Correios, eles cometeram o erro absurdo de enviar a documentação para Caxias do Sul em vez de Aracaju. E lá se foram dois dias nisso. Deixo claro, até mesmo porque tem pessoas que acham que isso é algo que eu inventei para não ir, por mais que realmente não acreditasse que fosse a melhor coisa do mundo e que não estivesse tão confiante, que eu perdi muito com este problema. Até mesmo porque talvez a volta a Aracaju pudesse recompor um pouco daquilo que ficou tão marcado da primeira saída, o que nem de longe significa que esta seja a minha primeira opção agora. Além disso, gastei dinheiro com autenticação de documentos e com a metade do valor das passagens.

Já na segunda eu tinha certeza que seria muito mais difícil. Outra linha de pesquisa, outra forma de entender a comunicação e uma definição de bolsas "menos formal", como me disseram dia desses. Sabia que não adiantava muito para o "prêmio principal" eu ter publicado tanto e sabia porque antes disso, todas as vezes que temas assim apareciam com a coordenação sempre tentou-se responder como era, além, é claro, dos bastidores - algo que sempre gostei de ficar por dentro. Fiquei muito doente mesmo, a ponto de ficar febril, que não ocorria desde abril de 2011, e vomitar, algo que não ocorria desde que eu era criança. Fiz o que tinha que fazer, mesmo sabendo que seria muito difícil. De início tive a frustração confirmada e depois, mais uma vez, por motivos que não vale citar aqui, tive mais uma comprovação do meu azar histórico. Mais um ponto para a crueldade do Rio Grande do Sul comigo - fazer o que né, eu gerei o pior início de inverno em 15 anos, o pior verão de quase um século e quase fiz nevar em Porto Alegre, algo que só ocorreu em cinco oportunidades em pouco mais de um século!

Ainda bem, ou não, que não bebo nada com álcool, porque senão as últimas semanas teria sido regadas a ele. Não é à toa que este blog ficou repleto de textos e desenhos - sim, isto sempre me ajudou a desanuviar, porém, as coisas para desenhar ficaram em Maceió. Mais um bloqueio criativo para assuntos acadêmicos e aquilo que eu deveria ter feito numa semana demorou um mês para ficar pronto.

Até que tentei não demonstrar o meu total pessimismo quanto ao futuro. Acho até que consegui na maior parte das vezes, mas estou me sentindo quase que "no fundo de um poço sem fundo". Tirando a ida ao Rei Pelé, com quase toda certeza, e talvez a um show de um coral sobre o Luiz Gonzaga, não tenho muita vontade de ver pessoas conhecidas.

Desculpem a honestidade, mas minha prioridade são os meus pais, as minhas avós, um amigo de Maceió e uma colega que está estudando em Salvador. E, vá lá, mais um ou outro que manteve diálogo neste tempo graças à paixão pelo futebol, ainda mais sendo torcedor do CSA e mais ainda sendo torcedor do Palmeiras. Mas estou realmente numa situação de querer fugir de qualquer coisa que me lembre que na verdade eu estou de volta, numa situação pior, daquilo que deixei há dois anos. As "mesmas" pessoas com os mesmos "problemas" e reclamações. As mesmas perguntas idiotas de parentes, alguns dos quais eu não quero ver nem o fio de cabelo.

Pode ser que mude chegando lá, tudo é possível, ainda mais para um idiota que nem eu, mas não quero ouvir que "ao menos você tem..." e "agora você poderá" ou que "você consegue...". Quero algo real. As pessoas acham que para mim as coisas são fáceis e poderão aparecer tanto quanto. Eu sei muito bem como são difíceis e como exigem de mim - por mais que eu goste de fazer muitas coisas ao mesmo tempo mesmo, desde que seja algo que apresente resultados, agora mais que nunca.

Por fim, eu reclamo muito, sou pessimista quase que nato, mas não paro, por mais que o que mais me preocupa no momento é não saber como e por onde recomeçar. De início, a tentativa de uma nova mudança pessoal, provavelmente retomando a sociopatia, por vontade própria, que geralmente as pessoas acreditam que eu tenha assim que me conhecem - e talvez eu tenha mesmo.

* Ah, todos os relatos sobre a passagem por aqui, através da coluna "Em busca do El Dorado" podem ser vista neste link.

segunda-feira, 25 de março de 2013

[Circo a motor] Eles estão lentos

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Arte sobre foto da agência EFE
Felipe Massa na primeira fila, algo que não ocorria desde 2010, e mais uma vez à frente de Fernando Alonso. Vettel na poleposition e os carros da Mercedes bem posicionados. A instabilidade do tempo fazendo com que os pilotos iniciassem a prova com pneus intermediários mesmo com parte da pista seca. Todo mundo esperava por fortes emoções para o GP da Malásia, mas ninguém imaginaria que elas viriam de tal forma que o pódio fosse um dos mais tristes da história da Fórmula 1.

Os brasileiros acordaram, ou se mantiveram assim, no final da madrugada de domingo esperando um grande resultado de Felipe Massa. De repente, dado o ritmo do GP passado, até mesmo com a volta às vitórias. A esperando acabou na largada. Felipe foi mal e sem conseguir se resolver com a pista com setores secos e outros molhados, foi perdendo posições, até o 6º lugar. Vá lá que ainda vimos Fernando Alonso perder parte do bico e, por decisão errada da Ferrari (!), ficar preso na brita na abertura da segunda volta porque o bico prendeu na parte de baixo do carro.

Sem as Ferraris e com as Lotus num ritmo pior que o da semana anterior, o GP de Sepang foi dominado pelas RBRs e pelas Mercedes, estas que devem estar surpreendendo até Ross Brawn e sua trupe. A corrida virou um verdadeiro jogo de sete erros e de pressão interna difundida pelos rádios - e isso sem a Ferrari estar envolvida!


CORRIDA DE SETE ERROS
Forte candidata à imagem da temporada. Lewis Hamilton entra na área de boxes e para na McLaren. Velho hábito que virou piada até mesmo no Twitter da ex-equipe, que deixou as portas abertas para que ele volte para dar um "oi". E esse tempo foi fundamental para tirá-lo da briga pela vitória, afinal, os carros da Mercedes chegaram a estar bem próximos dos líderes, 4s. Inclusive Hamilton chegou a pular para 2º após o 2º pit stop.

Mas o dia não foi só de trapalhadas do piloto britânico - sobre o qual o Reginaldo Leme afirmou durante a transmissão que teria pedido emprego na RBR para Bernie Ecleston, o manda-chuva da F1. As pistolas pneumáticas da Force India não só não funcionaram de forma adequada, como injetavam sujeira no eixo das rodas, forçando o abandono dos dois carros da equipe.

A pistola pneumática voltaria a aparecer como problema para McLaren. Button ia bem na prova, chegou até a estar na 5ª posição e liderar a corrida numa série de paradas nos boxes. Na vez dele, a roda dianteira dianteira não ficou fixa e lá se foi a corrida. 

Vettel ultrapassou Hamilton na pista e aí sim tivemos brigas. Pela ponta, Webber parecia seguir tranquilo para sua primeira vitória no ano Porém, seu companheiro de RBR já havia reclamado pelo rádio, no início da prova, de que estava mais rápido. A resposta foi para evitar quaisquer problemas porque ainda nem haviam chegado na metade da corrida.

Pelo terceiro lugar, Hamilton foi forçado a diminuir o ritmo para poupar os pneus, enquanto que Rosberg estava bem melhor, "voando" atrás dele. O piloto alemão reclamou que Hamilton estava mais lento e teve como resposta de Ross Brawn para evitar brigas na pista e trazer os carros para casa.

O alemão da RBR, atual tricampeão do mundo, voltou a pressionar Webber e desobedeceu à ordem da equipe. A disputa foi sensacional, porém o piloto australiano tinha reduzido o giro dos motores para poupar os pneus e chegar tranquilo ao final, enquanto Vettel estava 100%. Resultado: ultrapassagem acirrada, com direito a espremida no muro e dedo indicador apontado para o rival.

O outro alemão foi bem mais cauteloso. Manteve-se atrás do companheiro de equipe até o final, mas cobrou Ross Brawn, calejado desde os tempos da Ferrari em beneficiar um dos pilotos, de que iria lembrar do que ocorreu nesta corrida e cobraria a mesma atitude da equipe. Hamilton ficou sem jeito no pódio e afirmou que o companheiro de equipe é que deveria estar ali.

Quanto a Webber, ele reclamou que sempre beneficiariam Vettel, mesmo com a RBR informando que Vettel errou ao esquecer os interesses da equipe em prol de si próprio. A situação do pódio foi terrível - talvez só comparável ao dia do "hoje não, hoje não, hoje sim, hoje sim..." das Ferraris de Schumacher e Barrichello. Ficou tão difícil que a equipe austríaca cancelou a foto de comemoração da equipe.

Felipe Massa ainda teve seus minutos de fama ao ter que realizar a quarta parada e voltar em 8º, tendo que fazer ultrapassagens de forma a voltar ao 5º lugar. O brasileiro pulou para 22 pontos (5º lugar), deixando Alonso com 18, numa das poucas vezes em que esteve à frente do espanhol na Ferrari. Vettel assumiu a primeira posição do campeonato, com 40 pontos, contra 31 de Raikkonen, 26 de Webber e 25 de Hamilton.

Num final de semana não tão bom, as Lottus terminaram em 6º com Grosjean e em 7º com Raikkonen. Completaram a zona de pontuação a Sauber de Hulkenberg, a McLaren de Perez e a Toro Rosso de Vergne.

O circo aporta a sua lona na China, para a terceira prova da temporada 2013, no dia 14 de abril.

Ah, para terminar o texto, tenho que dizer que senti falta do Galvão Bueno narrando a corrida. O Luiz Roberto é insuportável para a Fórmula 1. Não bastasse a empolgação em excesso, como se estivesse diante de crianças em frente à tela, ele repetia os comentários do Reginaldo e do Burti. E eis o que parecia impossível: #VoltaGalvão.

Dia 15

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Apesar dos pesares...

sábado, 23 de março de 2013

Dia 13

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Uma das maiores frustrações foi montar tudo há alguns anos e não sentir mais nada.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Desejo, honra, paixão e a beleza teatral de Anna Karenina

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Teatro. Estamos situados. As cortinas abrem. Mas não eram cortinas. Era um bloco cenográfico e logo depois virão outros, com portas abrindo e se fechando a partir deles. Mudamos constantemente de local e vemos a Rússia czarista e toda a sua necessidade de luxo e glamour sendo exposta. De início, como entender sequências tão rápidas?

É preciso fôlego para passar pelos primeiros minutos de Anna Karenina. A 5ª versão para o cinema desta grande obra literária, publicada por Liev Tolstói em 1873 (as outras foram em 1935, 1948, 1985 e 1997) tomo como base para representação um imponente teatro, para onde somos passados em alguns momentos para as gravações externas ou de locais que necessitam de mais espaço. Mas sempre sabemos para onde somos levados.

A primeira recordação sobre a utilização do teatro veio da mini-série brasileira Capitu, que formou o projeto Quadrante, de Luiz Fernando de Carvalho, interrompido pela Globo após A Pedra do Reino. Confesso que já havia gostado de Dom Casmurro quando li e fiquei fascinado pela atuação da Letícia Persiles de Capitu enquanto jovem, mas aquele novo padrão estético apresentado foi muito interessante.

A imponência de Anna Karenina neste artifício é bem maior. Até mesmo porque somos apresentados a grandes bailes, teatros para óperas, casarões e até mesmo hipódromos, tudo num mesmo espaço. Com os blocos subindo e descendo e novos detalhes cenográficos, claramente demarcados pela sua destinação teatral. Afinal, até mesmo as cordas e roldanas são expostas.

Uma das coisas interessantes com isso foi a exploração ao máximo do lugar. Se começamos com a coxia, somos levados à rua através do espaço superior do teatro, os corredores de quem toma conta da iluminação e do subir e descer de objetos cenográficos.

O ritmo toma conta do filme principalmente através da caracterização da sociedade russa e seus mais variados defeitos. As acusações realizadas, o foco para as personagens a dançar, os olhares voltados a alguém, as pessoas paradas em vários momentos para deixar outrem passar e a mecanização do trabalho burocrático toda vez que o chefe passa pela sala.

A valsa dançada também me encantou bastante, por mais que eu não seja um pé-de-valsa. Tudo sincronizado, marcações perfeitas, mesmo quando a atenção de alguns dos dançarinos estava em outro par. O destaque para um dos casais e as discórdias por novas duplas apresentadas também ocorreu de forma bem interessante. Como se trata de expor o teatro que permeia o filme, tudo é perceptível nestes momentos em que o ambiente claramente é este, um grande palco.

Desejo, honra e paixão
Empolguei-me tanto com o diferencial dos aspectos técnicos que ainda não contei do que trata o filme. Por mais que seja um clássico da literatura mundial, eu mesmo comentava no início da semana que não tinha lido nenhum literata russa, casos de Dostoiévski e Tolstói.

Interpretada por Keira Knightley, Anna Karenina é esposa de um rico funcionário público, Alexei Karenin (Jude Law), mais velho que ela e com quem tem um filho, fechando o ciclo de sucesso na Rússia do século XIX. Até que numa viagem para convencer a cunhada a voltar para o irmão, ela conhece a mãe do Conde Vronsky (Aaron Taylor-Johnson), a quem vê pela primeira vez num momento trágico na estação de trem - onde as diferenças de classe são expostas de forma crua, literalmente - cujo casamento estava prometido a uma amiga dela, Kitti. Esta chega a rejeitar Dmitri, que herda de um pai convalescente propriedades rurais longe do circuito de glamour de Moscou e São Petersburgo.

Por mais que tente resistir, Anna acaba cedendo à paixão pelo conde e isto muda totalmente a trajetória dela, que se mostra bastante decidida quanto ao que deve fazer, mesmo que para isso deixe de ver o filho, ameaça feita pelo marido, que se torna mais envergonhado com a exposição da esposa - que chega a fazer um escarcéu quando Alexei Vronsky cai da égua que tanto amava e a tem que sacrificar em público -, que com a traição em si. Mesmo em momentos de extrema raiva, ele apenas estala os dedos das mãos, algo muito irritante.

Interessante observar também que a mesma sociedade que acaba incentivando a Anna em direção ao conde, com forte participação da princesa Betty, é a mesma que irá a excluir posteriormente, quando está numa relação incerta com Vronsky, que também acaba sendo forçado pela maman dele para fechar um negócio mais certeiro, com outra princesa.

(Spoilers, ainda que bem pequenos, aparecerão. Fazer o quê?)

Enquanto o trio protagonista caminha do glamour até um momento trágico - numa clara inversão do que ocorrera no início. O romance coadjuvante realiza o caminho inverso Dmitri não só fica no interior, por assim dizer, como passa a dividir com os empregados o trabalho no campo, estes sendo comprados pelo pai dele para o trabalho laboral e que, ainda assim, não mostravam qualquer raiva quanto à situação, mas surpresa pelo que o novo patrão estava a fazer.

Kitti vira outra pessoa por conta da rejeição gerada pelo casal Vronsky-Anna e parece repensar todas as atitudes da sociedade de luxo em que vivia, a ponto de ter uma reação totalmente diferente na parte final do filme, sem se preocupar com possíveis hesitações que sua posição de classe determinavam. As contradições daquela sociedade, num momento feudal mesmo, muito bem trabalhadas na obra literária e visualmente repassadas para os cenários do filme. O luxo versus a simplicidade.

Dirigido por Joe Wright (Pride & Prejudice, 2005), Anna Karenina ganhou o Oscar de melhor figurino, mas vale muito a pena assistir pela beleza do conjunto do filme. A história exige uma atenção maior, principalmente por conta do ritmo inicial e, principalmente, da falta de costume quanto à estética aplicada pela mistura com lances teatrais, claramente explicitados. Quem gostou de Capitu tem que assistir a Anna; quem não, pode tirar suas conclusões sobre o diálogo entre estas artes da interpretação.



PS (bem escondido): Dependendo, até que pode ser bom ver um filme desses acompanhado.

Dia 12

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Quando se escolhe ter um coração de lata. Aí vai que alguém lubrifica e o problema...

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dia 10

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60 anos sem Graciliano Ramos

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60 anos, morria no Rio de Janeiro o escritor Graciliano Ramos. Para além de conterrâneo, ele me chama a atenção desde a adolescência pelo jeito característico de escrever, com outras qualidades pessoais, como a passagem rápida e marcante pela prefeitura de Palmeira dos Índios, cujos relatórios de gestão - algo difícil de existir mesmo com lei obrigando nos dias de hoje -, chamaram a atenção de escritores e editores da época.

Outra coisa, muito cara a mim é a sua consideração sobre a autonomia da esfera artística e estética diante dos imperativos ideológicos. É algo que estudei bastante numa pesquisa de iniciação científica, através da produção teórica de Lukács e de algumas produções literárias, caso das obras de Balzac. Questionei ao meu orientador se realmente numa outra forma social, se necessariamente teríamos uma melhor qualidade artística, já que isso representaria uma contradição à autonomia defendida.

Graciliano filiou-se ao PCB décadas depois de ser preso, ainda na ditadura do Estado Novo, e apesar de ser fiel ao "centralismo" do partido mesmo quando discordava das opções que vinham dos dirigentes, sempre deixou clara a sua autonomia enquanto escritor. Por conta disso, foi muito pressionado nos últimos anos de vida, especialmente por conta de Memórias do Cárcere, que trataria a experiência cruel de ser preso sem qualquer motivo aparente, trazendo as personagens de convívio como apareciam, com um ladrão podendo ter mais destaque que uma figura comunista histórica.

Sobre o "realismo socialista", ele se mostrava contrário, porque restringia a produção artística, algo desnecessário e prejudicial à arte, que era uma ordem vinda e praticada na União Soviética. Se deu bronca no próprio pai na época de prefeito, após passar por tantas situações ruins - o filho dirá que ele e outros dois irmãos ganhavam bem mais que o pai -, não recuaria numa ideia tão própria sobre a arte e, em meu ver, corretíssima. 

Ainda pretendo me organizar para realizar o diálogo entre o que estudei enquanto "estética marxista" com o exemplar brasileiro tão próprio quanto o de Graciliano Ramos. Há em sua obra a representação da situação social em sua volta, na particularidade da região de sua vivência, um Nordeste muito mais sertão que litoral. Mesmo com uma representação muito boa, seca até mesmo na forma de contar, há os espaços que comprovam a possibilidade de a arte transbordar as condições sociais dadas e mostrar as contradições do capitalismo. E isso antes mesmo de qualquer posicionamento político-ideológico que busque uma transformação social radical.

A minha ideia era tratar no dia 20 de março da biografia O Velho Graça, escrita pelo jornalista e pesquisador Dênis de Moraes, cuja edição da década de 1990 eu li recentemente. Ainda que fichado, não venho conseguindo me organizar  mentalmente para escrever, seja para artigos ou para este blog, então isso não foi possível. Ainda assim, o que era para ser uma simples postagem no Facebook, só para registro da data, virou este texto.

Por fim, para se ter uma ideia do que foi a vida de perseguições e problemas do criador de obras como Vidas Secas e São Bernardo, transcrevo trecho do epílogo que está na biografia supracitada. Quem quiser ler os meus outros textos sobre obras de Graciliano Ramos, acesse aqui.

“Três horas após a morte, uma voz anônima telefonaria para a Casa de Saúde São Victor.
- Por favor, pode informar se Graciliano Ramos faleceu?
- Sim, senhor.
- Meus pêsames. É do Departamento de Ordem Política e Social. Desejávamos saber se podíamos inutilizar a ficha dele.
Na lógica repugnante do DOPS, morto o homem, as ideias desapareceriam. Completa ingenuidade. O que pensariam, hoje, os espiões da vida alheia diante da sólida permanência de Graciliano no imaginário coletivo?” (307).

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MORAES, Dênis de. O velho Graça: Uma Biografia de Graciliano Ramos. 2.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1993.

O novo bate-papo para a transmissão do futebol

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Por conta do atraso no início do novo formato da Copa do Brasil, que começará em abril, já foram transmitidas às quartas-feiras cinco partidas da Libertadores. No Rio Grande do Sul, as quatro partidas do Fluminense na competição foram exibidas, inclusive o confronto contra o Grêmio, no Rio de Janeiro. Na semana passada, Corinthians x Tijuana foi a partida mostrada. Um elemento comum atravessa estas partidas: a presença de torcedores famosos na transmissão, o que já gerou certo estranhamento quanto à proposta.

Para início de discussão, destaco a primeira delas, no jogo entre Caracas e Fluminense. Como convidados, o ex-jogador e agora comentarista da SporTV Roger Flores e o ator José Loreto, que há pouco fizera um personagem em Avenida Brasil e já partira para outro em Flor do Caribe.

Já se iniciou a transmissão assumindo-se que ela ocorreria a partir dos estúdios no Rio de Janeiro. Apenas o repórter Eric Faria tinha viajado para a Venezuela para acompanhar o jogo. Não que isso seja novidade, mas assumir a transmissão “por tubo”, como se costuma dizer, não é comum. Além disso, atrapalha em certos momentos do jogo em que não se tem imagens de lances duvidosos ou se pode demorar muito num replay e perder a jogada. Ainda mais, como é costume dos narradores da Globo reclamarem, a emissora brasileira só reexibe o que era produzido ao vivo pela TV local.

Comandando torcedores famosos

Luís Roberto foi uma espécie de apresentador, para além de narrador, já que teve que conduzir um programa com dois convidados, para além do comentarista Júnior e do ex-árbitro Arnaldo Cézar Coelho. Ao longo da transmissão, Roger, principalmente, e Loreto também eram chamados para falar algo sobre a partida. Provavelmente no intuito de fazer com que o torcedor participe, ainda que famoso, diretamente do jogo. A participação “interativa” do torcedor sempre foi um grande problema para a emissora, cuja direção já sinalizava pelo final da exibição de vídeos deste antes mesmo do que ocorreu na partida entre Botafogo e Palmeiras pela Copa Sul-Americana do ano passado, quando saiu o gol palmeirense enquanto aparecia um vídeo com um torcedor botafoguense cantando o hino do clube.

Esta nova tentativa dá à transmissão ares de papo de bar em alguns momentos. Destaco dois comentários realizados. O primeiro foi sobre a (falta de) qualidade do ator na prática de futevôlei, com a presença de Roger e Júnior nas praias cariocas. O segundo momento foi a piada do ex-jogador do Flamengo sobre a semelhança do ator com Valderrama, um dos maiores jogadores colombianos da história e dono de uma vasta e característica cabeleira.

A partida foi transmitida normalmente, mas o antes, o intervalo e o depois receberam um toque de programa de auditório – ainda que sem o público que marcou o “Central da Copa”. Víamos as reações do torcedor famoso em lances de perigo contra e a favor de seu clube, numa maneira de reproduzir a possível reação do torcedor “comum” em casa, ainda que minutos depois do ocorrido. O modelo foi repetido no jogo do Fluminense contra o Huachipato, no Peru. Nas partidas realizadas no Rio de Janeiro, a Globo possui um camarote no estádio João Havelange e ali o apresentador, e com experiências cada vez mais frequentes de narração, Alex Escobar comandava os famosos que foram ao estádio.

A “voz na consciência”

Em São Paulo, pelo que li sobre, já se teve as presenças de ex-jogadores como Raí (São Paulo) e Vampeta (Corinthians), além do piloto de automobilismo Rubens Barrichello, torcedor corintiano, e até mesmo do jogador Emerson, também do Corinthians. O convidado também vem sendo utilizado para o Campeonato Paulista, já que Cafu participou da transmissão de São Paulo 0X0 Palmeiras, clubes que atuou na década de 1990.

Na partida da quarta-feira passada, Corinthians e Tijuana se enfrentaram num Pacaembu que tinha a presença de Cleber Machado e Walter Casagrande. No estúdio, estavam o comentarista Caio, a cantora Negra Li e os integrantes da banda Tihuanna, cujo nome era parecido com o adversário corintiano naquele dia e que possui apenas um de seus membros como torcedor do atual campeão mundial.

Além de não ter camarote no velho Pacaembu, o comando do diálogo com os convidados ficou a cargo de Thiago Leifert e sua maneira característica de apresentação, já num processo de desgaste, que gera até mesmo alguns segundos de silêncio para que ele possa ouvir a “voz na consciência”. Ainda na semana passada, Rodrigo Jovanelli, no Yahoo! (ver aqui), destacou a aposta da Globo no entretenimento nas transmissões de futebol. Jovanelli criticou a presença cada vez maior de convidados em detrimento à participação jornalística, relegada ao(s) repórter(es) de campo.

Um negócio, uma paixão

O jornalista afirma ainda que para a emissora “análise técnica e tática nas partidas é coisa só de quem esteve no campo”. Estive num evento com a presença do então diretor da Central Globo de Esportes, Luiz Fernando Lima, e ele realmente confirmou esta premissa, em que há questões de dentro de campo, como lesões ou movimentação, que só quem esteve lá pode contar ao telespectador.

Para Jovanelli, a narração da partida fica mais superficial, tendo como resultado a migração do telespectador para os canais de TV fechada, numa busca por uma “boa análise de futebol”, fugindo do que ele poderia ouvir “numa conversa de bar” com os amigos.

De fato, a Globo caminha nos últimos anos para uma preocupação maior com o entretenimento do que com o jornalismo na produção esportiva (ver, neste Observatório, “O noticiário esportivo é ‘100% entretenimento’”?). A criação da Central Globo de Esporte, vinculada à Direção Geral de Jornalismo e Esporte, em 2009, é um indicativo disso. Com as audiências das partidas de futebol em queda, ainda que com grandes resultados com o Corinthians na telinha na Libertadores de 2012, a busca por novos formatos, mais flexíveis, partiram para os momentos em que a bola não está rolando: antes, no intervalo e depois das partidas. É a ampliação do programa Futebol 2013.

Quanto à preparação dos jornalistas para o esporte, discordo que necessariamente um jornalista esportivo possa comentar melhor a partida, de olho mais na tática distribuída em campo, que um ex-jogador. Até mesmo porque em todas as profissões há bons e maus profissionais, como comprova as várias polêmicas que são criadas no cotidiano da produção noticiosa esportiva só para ganhar mais audiência ou para se ter uma pauta no programa seguinte. Da mesma forma que há muitos ex-jogadores que comentam mal – alguns são logo escanteados pelas emissoras – ou que acabam se restringindo a determinado nicho, caso do sotaque excessivamente paulista do Neto na Band.

Por mais que nós, torcedores, não queiramos acreditar, o futebol é cada vez mais um negócio que se utiliza de uma paixão que nos entretém. Ou, como afirma a própria emissora citada numa campanha publicitária, “Esporte na Globo é: diversão, informação e paixão”. Cabe aos torcedores-telespectadores tentarem buscar alternativas, ao menos nos torneios em que isso seja possível. Afinal, só podemos ver Libertadores na TV aberta pela Rede Globo.
***
[Texto originalmente publicado no Observatório da Imprensa.]

terça-feira, 19 de março de 2013

Você ligou errado

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Início da tarde e o telefone toca. Número desconhecido.

- Alô.

Barulhinho clássico de ligação a cobrar. Desligar.

Minutos depois, o celular volta a tocar. Mesmo número, mas: "Ah, tem pessoa próxima com problemas de saúde, vai que...".

Barulhinho de ligação a cobrar. Espera. Ninguém nunca diz o nome como o recado gravado afirma.

- Alô.

- Oi. Aqui é a Camila, você disse que eu poderia ligar.

- Você deve ter ligado errado, Camila.

- Na parada de ônibus, em Sapucaia, você me disse que podia te ligar.

- Você deve ter ligado para o número errado.

- Você não lembra? Você me disse na parada de ônibus em Sapucaia que podia te ligar.

Décimos de segundos antes de nova resposta negativa. A pergunta:

- Qual o seu nome?

- Camila, não vou à Sapucaia a algum tempo. Devem ter te passado o número errado. Meu nome é Anderson.

- Anderson? Mil desculpas, Anderson. Liguei errado.

- Um abraço.

- Tchau.

Raios! Num dia com a milicada atirando o tempo inteiro! Sapucaia? Uma vez só e de trem. 

Dia 09

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Os sons ao meu redor.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Dia 08

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Ele segue me olhando com esse sorrisinho de "Tá vendo? Quem disse que seria fácil?"

[Por Trás do Gol] Um adeus com vitória capilé

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Pelotas, Porto Alegre, Canoas, Porto Alegre, Sapucaia, São Leopoldo (2x), Porto Alegre, São Leopoldo (2xs), Novo Hamburgo e São Leopoldo. Foram 12 jogos, 7 estádios diferentes em 6 cidades nestes pouco mais de 2 anos aqui no Rio Grande do Sul. Este domingo veio a derradeira cancha a ser visitada. Azul e branco em campo, estádio perto de casa e a opção mais óbvia se confirmou. Enquanto o Clube Esportivo Aimoré estreava na Divisão de Acesso (Série A2), eu me despedia do futebol em estádios da República Riograndense.

É claro que eu não posso comparar o que representa para mim o Estádio Rei Pelé, em Maceió, com o  Estádio João Correio da Silva, o Monumental do Cristo Rei. Seria uma heresia não só pelo tempo bem maior indo ao Trapichão quanto pela minha relação com o Centro Sportivo Alagoano (CSA) ser maior que a que eu tenho com o Aimoré. O CSA é a herança futebolística paterna - afinal, JAMAIS assumiria o clube nacional do meu pai.

AIMORÉ
Mesmo assim, acompanhar o reerguimento de um clube de futebol do interior gaúcho, cujas dificuldades só aumentam com o passar dos anos enquanto a dupla da capital amplia a distância estrutural e financeira, foi muito bom. O meu primeiro jogo do Índio Capilé foi ano passado, na primeira fase da "Segunda Divisão" do Gauchão, recém criada terceira divisão do campeonato local. Rebaixado, o time de São Leopoldo, cidade do Vale do Rio dos Sinos mas próxima a Porto Alegre, chegara ao fundo do poço.

As correntes politicas resolveram se unir para o bem do clube e montaram um excelente elenco para a disputa da terceira divisão. A melhor campanha na primeira fase quase vai por água abaixo com a única derrota em casa naquela campanha. Eu, com a minha camisa do CSA, onde passara Adriano (Gabiru), atacante do rival, temeroso. Mas o goleiro Pitol salvou nos pênaltis. Daí até a final tudo foi bem mais tranquilo. Vitórias sobre Grêmio Bagé e Gaúcho  e eu, torcedor do maior campeão alagoano, vendo o primeiro título estadual de um clube de 76 anos.

A movimentação da cidade em torno do clube, com pessoas nas ruas com a camiseta azul e branca. O Cristo Rei cheio, principalmente nas sociais e no barranco, com crianças das mais diversas idades, com mulheres e suas mais diversas belezas, famílias e suas cadeiras de praia e cuias de chimarrão. Uma grande experiência para um cara que ama o futebol que nem eu. Algo que, apesar de relatado por aqui, seguirá para os meus comentários sobre a estadia no Rio Grande do Sul.
SÉRIE A2
A disputa da Série A2 este ano tem os 16 clubes divididos em dois grupos, seguindo o formato da 1ª divisão, que já segue o modelo carioca. No primeiro turno, os clubes do grupo A enfrentam os do grupo B, classificando para as quartas de final os dois melhores de cada grupo. No segundo, os clubes se enfrentam em seus grupos, com os quatro melhores de cada passando para as oitavas de final. Os campeões de cada turno passam para o Gauchão de 2014 e fazem a final. Os vice-campeões de cada turno se enfrentam para definir o último que acederá.

Última presença minha no estádio na estreia do novo elenco capilé, cujo maior destaque estava no ataque: Rodrigão, atacante com passagens em clubes como Internacional e Palmeiras - e ex-marido ou namorado da Hortência. Do time do ano passado, poucos nomes sobraram, infelizmente. Destaque para o meia-atacante Japa, camisa 7 de boa qualidade.

Do ano passado para cá, além do aumento de divisão, os ingressos também subiram de preço. Geral/barranco a R$ 20, sociais a R$ 25 e cadeiras a R$ 50. Com tempo nublado e temperatura mais baixa, ficar na geral foi muito tranquilo. Por conta do aumento dos preços, a organizada Los Reyes Del Barrio também foi para o lado descoberto.

Se não teve um número sequer próximo ao que pude acompanhar nos mata-matas do ano passado, ainda assim foi razoável, se lembrarmos que havia jogo do Internacional em Canoas, cidade bem próxima, o próprio aumento do valor dos ingressos e de se tratar de um início de campanha. Do outro lado, reconheci duas pessoas com a camisa do Ypiranga. O Canarinho de Erechim fora rebaixado ano passado e tem no comando um técnico com boas campanhas no interior, Leocir Dall'astra, e que treinou o ASA no início do Campeonato Alagoano de 2012.


VITÓRIA
Dentro de campo, o primeiro tempo deixou os torcedores aimoresistas bem preocupados. O time mostrou problemas na marcação, com boas participações do goleiro Rafael, que apesar de não ser tão alto (1m84), sai bem do gol e tem rápida reação. Para se ter uma ideia, o lateral-direito, novo, é que cobria (e bem) a defesa, com vários erros dos volantes. Além disso, o time estava sem saída de bola, criando pouco. Por conta disso, Rodrigão teve muitas vezes que buscar a bola na intermediária. Num desses lances, foi tentar proteger a pelota e acertou uma cotovelada no zagueiro adversário. Por sorte, levou só amarelo.

Para o segundo tempo, o técnico Gelson Conte mudou. Tirou um dos zagueiros, Luiz Henrique, recuou um dos volantes para a posição e colocou um meia. O time cresceu e desde os primeiros momentos passou a pressionar o Ypiranga. O resultado veio junto.

Aos 6 minutos, rápida saída de bola pela esquerda, cruzamento fechado na área e Rodrigão apareceu bem, apesar da pressão do zagueiro, para cabecear a bola para o gol. Festa nas arquibancadas! O atacante comemorou jogando uma flecha para o alto - que me lembrou as comemorações do saudoso Millar pelo outro índio da competição, o Xavante de Pelotas.

O time de São Leopoldo seguia cometendo algumas falhas na marcação, mas chegava com perigo nos contra-ataques. O lateral-direito saiu machucado e o seu reserva perdeu uma chance inacreditável. Ao receber a bola na frente do goleiro, tropeçou nas próprias pernas na hora da definição. Bizarro o lance. No contra-ataque, quase gol do Ypiranga, que foi evitado por uma das boas participações de Rafael na partida.

Aos 21, o jogador do Ypiranga caiu na área e o árbitro mandou o lance seguir. Outro contra-ataque rápido, boa jogada na esquerda e cruzamento para a entrada da área. Rodrigão pegou a bola num voleio e marcou o segundo, recebendo muitos abraços dos companheiros e já se candidatando a ídolo da torcida capilé para esta competição.

A equipe da casa passou a cozinhar mais a partida, fazendo a bola circular e se precipitando em alguns lances que poderiam garantir a vitória com mais tranquilidade. O Canarinho era perigoso principalmente com as bolas alçadas na área, que deram muito trabalho para Rafael, que num dos lances defendeu o cabeceio à pouca distância com uma ponte lindíssima, difícil de registrar em palavras.

Ainda assim, aos 38 minutos não teve jeito. Após nova bola na área, Castiano mandou para o gol, diminuindo o placar e gerando tensão para o final da partida.

O time de Erechim seguiu pressionando, enquanto o Aimoré afastava a bola para qualquer lado - uma delas pulou o setor social, alcançando o estacionamento. Cada carrinho ou tirada de perigo vinha com uma comemoração dos torcedores. No final, falta no bico da área e muita reclamação de ambos os lados. Partida aos 48 minutos. Na cobrança, a zaga conseguiu afastar. Depois disso, foi só segurar a bola na lateral esquerda de ataque e esperar o apito final.

Num sufoco ainda que desnecessário, o Aimoré começa com vitória a Série A2 do Gauchão. Eu despeço-me da tribo capilé com 4 vitórias e 1 derrota, esta com vitória na decisão por pênaltis, e um título inédito. Como disse em Porto Alegre outro dia, se fosse para escolher um time aqui no Rio Grande do Sul, este não seria nem Grêmio nem Internacional. A esperança pelo acesso segue ainda que a 4.000 km de distância.


*Veja aqui as minhas fotos do jogo

domingo, 17 de março de 2013

Dia 07

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*"Vâmo, vâmo, índiooooo". Minha torcida segue ainda que de muito longe. (Amanhã sai o texto da minha última presença em cancha gaúcha).

[Circo a motor] O carro estava realmente bom, Kimi

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Arte sobre foto da Reuters - que eles não saibam
Sábado digno de corrida maluca, com direito à inédita continuação da classificação horas antes da corrida, já no domingo. Previsão de chuva para a manhã e tempo fechado à tarde, que na hora da corrida sempre pareceu que ia chegar realmente. Foram 23 acidentes nas 5 corridas anteriores. Tudo isso acrescido a pneus  que se deterioram ainda mais que os da temporada passada e um ainda maior equilíbrio de forças entre as equipes. O GP de Melbourne dava sinais de que teríamos uma madrugada de emoções. Até que tivemos, mas não por conta dos antecedentes.

TREINO CLASSIFICATÓRIO
Muita chuva e ainda maior velocidade de vento. Minutos antes de começar o treino, queda de energia. Quando era para os monopostos irem para a pista, vimos o carro médico passeando pelas retas e curvas do circuito de rua do Albert Park e os fiscais tentando diminuir a água na pista. De 10 em 10 minutos, o Q1 teve início meia hora depois.

Rodadas, passeios na grama e vários bicos deixados no meio do caminho, além de Gutierrez, estreante da Sauber que ficou parado dentro do carro no meio da pista até a primeira parte do treino acabar. Alguns dos grandes nomes poderiam ter ficado já ali, mas sobreviveram. Um deles foi Felipe Massa, que rodou, perdeu o bico, mas conseguiu voltar para marcar tempo, numa prova de que a sorte realmente pode ter vindo para ficar.

Com o aperto do vento, mesmo os muitos atrasos não foram suficientes para garantir segurança aos pilotos. Além disso, o início às 17h locais, para agradar as televisões europeias, também deixa no limite qualquer evento que precisa da iluminação natural para ocorrer - tratamos disso desde 2009, quando eu apenas observava a relação mídia e esportes.

Final da manhã de domingo e lá estavam os carros, em condições bem melhores do dia anterior. No Q2, a McLaren de Sérgio Pérez ficou em 15º, gerando muito mais comentários - que seguiram para a corrida - sobre uma escolha precipitada do piloto mexicano que do mau rendimento do MP4-28 da equipe britânica.

Até ali, Rosberg, muito bem na chuva, Hamilton e Vettel brigavam pela ponta. Porém, na hora da decisão, o atual tricampeão mundial passeou e mal precisou fechar sua última volta para garantir a poleposition. Logo atrás, outra RBR, Webber confirmava que a equipe realmente escondeu o jogo nos treinos de pré-temporada. A seguir, Lewis Hamilton e a dupla da Ferrari, Felipe Massa e Fernando Alonso, com o brasileiro à frente por 3 milésimos!

CORRIDA
Mal acostumados que estamos, todos pensamos que Vettel dispararia para mais uma vitória na categoria. O início parecia indicar que seria assim. O alemão largando bem e se distanciando por conta da briga atrás. Massa largou muito bem, aproveitando-se da lentidão de Webber na saída, e pulou para o 2º lugar, segurando muito bem Hamilton e, depois, Alonso. Raikkonen largou em 7º e em poucas voltas já se aproximava da dupla da Ferrari, ainda que bem menos comentado.

O piloto finlandês, Hamilton e a surpresa alemã Adrian Sutil partiriam para duas paradas e enquanto víamos os três primeiros de início da corrida brigarem, ainda que sem conseguirem se ultrapassarem na pista, eles conseguiam se manter à frente. Sutil foi a grande surpresa deste primeiro GP. A Force India conseguiu manter um bom ritmo de corrida e foi um coadjuvante que não só liderou algumas voltas, como prendeu os favoritos à vitória.

Felipe Massa foi o principal deles. Por uma decisão da Ferrari, Fernando Alonso foi para o segundo pit stop antes do brasileiro, que estava à sua frente, preso ao ritmo da RBR de Vettel. A equipe demorou para decidir levar Massa, com pneus mais antigos e rodando mais lento, para os boxes. Quando ele foi, voltou atrás de Alonso, Vettel e Sutil, carro o qual não conseguiu ultrapassar.

A corrida seguia dando indícios que o espanhol venceria mais uma corrida. Desta vez com uma signora ajuda da equipe. Enquanto Hamilton não voltou bem após a segunda parada, Raikkonen seguia bem na frente. Alonso até que deu algumas voltas mais rápidas, mas após todas os pit stops, a diferença de 6 voltas entre os pneus não apareceu.

O "Homem de Gelo" venceu pela 20ª vez na Fórmula 1, igualando a Mika Hakkinen em número de vezes no alto do pódio, e ainda brincou ao dizer à equipe que avisara que o carro estava bom. Depois da corrida, ainda afirmou que foi uma das vitórias mais fáceis da carreira e que esperava que outras assim viessem depois.

Fernando Alonso terminou em segundo e com a quarta colocação de Felipe Massa, a Ferrari começa o ano na liderança do campeonato de construtores, com 30 pontos. Um início infinitamente melhor que o ano passado. Vettel completou o pódio, chegando em terceiro, e demonstrando que ao menos em ritmo de corrida a RBR não está acima das concorrentes.

A Mercedes, que apesar da boa pré-temporada e dos treinos, vinha se afirmando como coadjuvante, viu Rosberg abandonar e Hamilton chegar apenas em 5º. Webber, Sutil, Di Resta, Button e Grosjean completaram a faixa de pontos. Destaque para a Force India, em 6º e 7º, confirmando não apenas ser a primeira das médias, mas tirando o lugar da McLaren, que só marcou dois pontos e viveu um final de semana muito ruim.

O circo já coloca a sua lona na Malásia para o próximo final de semana. Em meio a pneus com mais desgastes, vamos ver se a estratégia voltará a vencer. Ao menos por uma semana, a Lotus não só saberá que é sexy como também que o carro estava realmente bom.

sexta-feira, 15 de março de 2013

[Em Busca do El Dorado] As Muitas Últimas Coisas

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Creio que desde agosto que caminho em direção à Unisinos imaginando que estaria nas minhas últimas idas para lá, os derradeiros meses por aqui. Por algum motivo sou bom nessas coisas, e por mais que a minha experiência no Rio Grande do Sul tenha deixado marcas profundas - muito boas academicamente, mas longe disso no lado pessoal -, já bate certo saudosismo. De meados de fevereiro para cá iniciaram-se as muitas últimas coisas desta passagem. Hoje foi a vez da questão cultural. A última experiência musical.

Por aqui, consegui ir a shows de dois dos nomes musicais que eu acho mais espetaculares e mais malucos, o conterrâneo Hermeto Pascoal, numa apresentação em Canoas, e do Tom Zé, em apresentação no Teatro Araújo Vianna, em Porto Alegre. Saí de ambos com a impressão de que eles realmente eram excepcionais - nem a narração da propaganda da Coca-Cola pelo baiano, tirará esta impressão.

Porém, de tudo o que eu pude acompanhar por aqui, imagino que nada tenha me deixado tão surpreso quanto os gaúchos da Saturno de José. Se a primeira impressão é a que fica, é ela que pode justificar os meus elogios daquele momento que se refletiram em presenças em outros shows do pessoal. Por mais que já conhecesse uma pessoa da banda por motivos acadêmicos, com muito boa relação, aproximei-me dos demais também por admiração por um fazer música também diferente, dada as devidas proporções de experiência, como os dois supracitados.

Conheci a Saturno de José num dos momentos mais complicados desta trajetória, meados de 2012, e foi a música da banda que me fez destravar por algumas vezes o bloqueio de criatividade que vivia. Se as coisas não melhoraram depois, pelo contrário, tive as tardes e noites ouvindo-os pelo computador, pelo celular ou ao vivo nas praças e bares momentos de relaxamento e felicidade.

Além disso, pude acompanhar o desenvolvimento de uma banda com uma proposta espetacular de música, com letras e melodias muito boas, mas naquela busca por público e locais para tocar. Dificuldades que refletem os problemas vivenciados no atual momento do mercado da música e, principalmente, dos que sempre existiram para quem busca fugir às normas rítmicas, ao mesmo tempo em que se têm que trabalhar - nas mais diversas áreas - para garantir a sobrevivência.

O EP veio em agosto e a partir disso algumas portas foram se abrindo, um clipe foi apresentado um teatro, e apareceram em apresentações em várias rádios e cidades, assim como em diferentes festivais pelo sul do Brasil. Eles seguem "pacientes, soberanos" e num trajeto que tem tudo para fazer com que daqui a poucos anos eu possa acompanhá-los no Nordeste da República que faz fronteira com a Riograndense.

Hoje foi o dia de ouvir ao vivo, ao menos por enquanto e aqui no Rio Grande do Sul, pela última vez o som de Tiago Sudatti, Daniel de Bem, Ivan Lemos, Hiozer Rezoi e Gibran Vargas. E foi praticamente ao lado de casa, indo e voltando a pé, ainda que com uma chata chuva fina, mas com um público razoável para essas condições.

Esta é uma das muitas últimas coisas que farão falta, ainda que leve as músicas e o EP comigo. Olha que já sei que algumas pessoas que não vejo há meses, mesmo que morem na mesma cidade que eu, muito provavelmente não verei mais. E nos (poucos) próximos dias que chegarão, virão mais e mais coisas (e pessoas) que eu pensarei: eis mais uma das últimas. Até que chegue a hora de partir em definitivo.


*O título deste texto veio imediatamente na memória. Trata-se do nome de uma peça de teatro que assisti em Maceió em 2009 e que também comentei por aqui.

Dia 05

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Como começar?

quinta-feira, 14 de março de 2013

[Circo a motor] Só sobrou 1 na Fórmula 1

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Depois de um final excepcional de uma temporada que mereceu o mesmo adjetivo, os circo já está montado em Melbourne para a primeira etapa da temporada 2013 da Fórmula 1. Os testes da pré-temporada serviram para mostrar carros mais bonitos, sem o declive no bico, até para troca de pilotos e, principalmente, com suspeita de jogo escondido pela tricampeã RBR. Para os brasileiros, sai Bruno Senna e entraria Luiz Razia. Entraria.

A temporada que marcou uma importante dança de cadeiras, envolvendo equipes do naipe da McLaren e da Mercedes, com Hamilton indo para a equipe alemã para o lugar de Michael Schumacher, seguiu o rumo dos últimos anos. Salvo as exceções das grandes, cada vez mais os postos estão sendo ocupados por quem têm mais dinheiro. O brasileiro Luiz Razia entraria com aporte financeiro de várias empresas (a maioria de fora do país) na Marussia, que aparenta poder lutar com a Caterham para não sair a pior equipe do Grid - com a saída da espanhola HRT -, e, consequentemente, ser um bom espaço para iniciar com seus 23 anos na F1.

Após bons testes também por outras equipes, casos da Force India, que só definiria o seu segundo nome (Adrian Sutil) em cima da abertura da temporada, e STR, que manteve seus pilotos. No fim, ficou a empolgação de se manter dois brasileiros no grid, já que Bruno Senna parece ter cumprido a sua rápida carreira na categoria ao não achar cockpit, sendo substituído por Bottas, que já havia "comprado" 15 treinos livres na temporada 2012 - apesar do seu padrinho Toto Wolff tendo ido para a Mercedes.

À época, li o texto de Thiago Arantes, no site da ESPN, chamando a atenção de que o piloto baiano representaria a entrada de uma geração que chegou órfã na F1, já que pouco se viu de bandeira brasileira no alto do pódio após a morte de Ayrton Senna. Esta é a minha geração, por sinal, de tantas pessoas que eram crianças quando Senna morreu e abandonou os domingos pela manhã em frente à TV porque nós não vencíamos. Ao contrário do futebol, que não precisa do incentivo das vitórias frequentes, os demais esportes no Brasil (vide tênis e boxe) precisam disso para aparecer e ganhar apoio. Como dizem os especialistas, neste país, torce-se para o futebol e para o que está ganhando.

Ficamos surpresos e chateados com a quase demissão - como chamar o que ocorreu? - de Razia porque uma parte dos seus patrocinadores não pagaram a segunda parcela à Marussia. A crise econômica na Europa havia dificultado a liberação de recursos. Pelo que li, era um grupo de empresas que não pensavam em divulgar sua imagem nos carros, mas uma valorização diferente. Mal comparando, como fazem empresas como a Traffic ou a DIS no futebol quando realizam parcerias com clubes. Não deu certo.


REFLEXO DO AUTOMOBILISMO NO BRASIL
Em meio à (sensacional) série de propagandas para o novo Ford Fusion, que gerou uma nova disputa nas pistas entre Mansell e Piquet, o brasileiro falou numa entrevista à Sportv que a gerência do automobilismo brasileiro era nula. Não se pensava em evoluir, montar categorias de base, gerar um apoio para o jovem começar no kart e chegar até à F1, como ocorre em outros países. Afinal, este é um esporte (?) caro.

Não é preciso ir muito longe. Quantas categorias de base de monopostos existem no Brasil atualmente? Quantas tentativas, algumas particulares (apoios da família Diniz e de Felipe Massa), surgiram e sumiram em poucos anos? 

Principalmente, o que ocorreu com o Autódromo de Jacarepaguá, que diminuiu por conta do Pan-Americano e acabou com os Jogos Olímpicos, serve para demonstrar esta dura realidade. O acordo dizia que o autódromo que recebeu a F1 na década de 1980 só encerraria as suas atividades com a construção de um novo no Rio de Janeiro. Confusão com o terreno a ser cedido - que teria explosivos, era das Forças Armadas - e a obra mal começou. De qualquer forma, literalmente, o Autódromo Internacional Nelson Piquet fechou as suas pistas.

Em 2012, Razia fez uma bela temporada na GP2, com um segundo lugar mesmo numa equipe com pouco potencial estrutural. Davide Valsecchi ganhou a temporada 2012 e sequer teve chance na F1 - algo que não ocorria com o vencedor da categoria de baixo desde 2008, com Giorgio Pantano.


Estranhei a boa cobertura da GP2 dos veículos das Organizações Globo. O brasiliense Felipe Nasr estreava na categoria e tinha uma excelente exposição. Este ano, o seu carro mostra importantes patrocínios de empresas com participação importante no Brasil: OGX (do Eike Batista) e o Banco do Brasil, de maior destaque; além da SKY. 

Para além daquela eterna discussão sobre como se dá a escolha de patrocínio por parte de estatais (ou empresas-mistas), fiquei pensando o porquê de Nasr ter conseguido apoios deste nível e Razia, bem mais próximo da F1, não. Nunca os vi correndo, então só acompanhei os resultados da GP2 no ano passado - e porque foi bem mais difundida na mídia. Espero que o piloto brasiliense confirme as expectativas, mas que é estranho é.

Pelo que acompanhei, a Petrobras quase volta para a F1 - chegou a fornecer combustível para a Williams por alguns anos recentemente -, parece que na McLaren e, com fortes rumores com a Force India, mas não deu certo. A ideia era apoiar Razia para entrar já este ano, porém, a empresa brasileira só poderia fornecer combustível daqui a dois anos, por conta da tecnologia a ser empregada. 

Importante frisar que o Brasil correu sérios riscos de não contar com nenhum piloto este ano, dado péssimo início de temporada de Felipe Massa em 2012. Felizmente, ele recuperou os bons tempos, sendo muitas vezes melhor que Alonso, o grande piloto contemporâneo, e garantiu o que muitos duvidavam: mais um ano de contrato na Ferrari. Porém, é só até 2013. Por mais que sigamos na torcida para que ele volte a brigar pelo título, com um carro que inicia bem melhor este ano, é necessário repensar o automobilismo no país. Não dá para esperar o pior dos cenários para tentar reconstruir um novo modelo de formação.