quarta-feira, 30 de setembro de 2009

IRAAAAAAAAAAADO!!!!! - Preconceito reverso

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Hoje realizo uma tabelinha entre os meus dois blogs, o Por Trás do Gol e o Dialética Terrestre. No Dialética eu criei uma coluna chamada "IRAAAAAAAADO!!!" para simplesmente desabafar, falar sobre algo que tenha me deixado bastante irritado. O motivo desse "algo" vir parar também no Por Trás do Gol é que o assunto é esportes, dentre os quais o mais comentado é o futebol.

Imaginem para algum apaixonado por esportes passar quatro anos num lugar em que o assunto é quase tema proibido - mesmo que esse lugar seja um curso de Comunicação Social. Significa ter poucas pessoas, ou nenhuma, para discutir sobre a rodada do fim de semana, o erro na partida X etc.

Como já mostrei no texto "Eu não gosto de futebol!", a justificativa pela aversão ao assunto geralmente beira ao "ópio do povo", algo ligado extremamente ao futebol e que tem interpretações certas e erradas. E num ambiente extremamente cultural, como o caso do curso em que estudo, uma demonstração de cultura dos povos é discriminada.

Enquanto que na maioria dos lugares do país há o preconceito em relação a quem não gosta de futebol, no querido COS ocorre o inverso, algo que nas brincadeiras cotidianas chamei de "preconceito reverso" - apesar de estarmos caminhando cada vez mais para gerações de graduandos que nem saberão o que significa a palavra preconceito por acharem isso normal.

Apesar de ter participado de uma turma em que tínhamos muitas "espécies futebolísticas", é uma minoria que frequentemente ver caras feias e ataques indiretos. Vou dar dois exemplos com situações que mostram isso:

- O primeiro ocorreu no ano passado, quando a gestão do Diretório Acadêmico, a qual fazia parte, resolveu criar um jornal laboratório para o curso como forma de publicar a produção de estudantes de qualquer período - pasmem, algo que não tínhamos!

Nas primeiras discussões, que envolvia nome do jornal e outros temas, eram colocadas as editorias que existiriam nele. Quando falou-se na de esportes, alguém falou que "era algo que ninguém se interessaria para ver no nosso jornal; que só produz matéria fria, ...".

Foi algo tão absurdo e bizarro que nem precisei falar nada, um colega - o mais "culturo-radical" do texto supracitado - que defendeu a presença da editoria na publicação. Como não havia tantas páginas, resolveu-se que o assunto iria para um conjunto de outros, meio "o que sobrasse".

Publiquei um texto em cada edição e ainda tentei com pessoas além-futebol para escreverem a relação do esporte com outras áreas ditas culturais. Como de forma geral o projeto não atingiu tantas pessoas, acabou que a equipe se desdobrou para preencher duas edições, que tiveram três textos esportivos.

- O segundo vem de uma revista que era impressa através de uma disciplina. Acabei por me juntar após um tempo ao grupo e sempre vinha a taxação da "turma do futebol", uma brincadeira meio que excludente, já que ninguém falava a "turma da cultura" ou a "turma da política" - esta última também bem pequena.

Havíamos decidido antes desta terceira edição que a editoria com mais textos ficaria com a página extra. A de esporte teve mais textos, entregues em tempo ábil, e na hora de finalizar tudo quase que tiram isso da editoria.

Além disso, foi colocada a possibilidade de o título de capa ser para uma matéria esportiva. Não que eu ache que deveria ser, afinal o certo seria que na capa fosse a melhor matéria e não necessariamente a da editoria que mais produziu. Enfim, que a possibilidade acima foi rechaçada naquele momento por uma pessoa por ser para a editoria de esportes.

Enfim, acho que motivos o suficientes para ficar bastante irritado, especialmente quando se vive uma semana para apagar do calendário.

Ah, já ia esquecendo de uma citação. O jornalista Sérgio Cabral, que escreveu biografias de inúmeros cantores e artistas brasileiros, concedeu uma entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas.
Vascaíno, uma das perguntas direcionadas a ele foi essa:

- Há quem pense que o excesso de atenção dado ao futebol no Brasil é algo nocivo para o País. O senhor concorda com essa teoria?

"É uma bobagem. Isso é uma invenção. Você sabe que tem fascismo de direita e de esquerda. Mas é tudo fascismo, raiva do povo. De gente que não entende o povo. É tudo fascismo."

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Circo a motor – Parque de diversões

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Noite de domingo, um lago, um local com iluminação duas vezes maior que os melhores estádios do mundo e a maior roda gigante do planeta. Ah, além disso, tem também o maior circo automobilístico da Terra trazendo seus palhaços, mágicos e malabaristas.

A tenda da Fórmula 1 se ficou no terreno asiático, na única corrida noturna da temporada. Poucos dias após a corte da FIA definir as punições para o caso ocorrido no Grande Prêmio do ano passado, a categoria voltou a pisar em Cingapura. Desta vez sem Nelsinho Piquet, Flávio Briatore, Pat Symonds e dois patrocinadores da Renault, que pularam fora.

TREINOS
Com algumas alterações neste circuito de rua, que o tornou mais lento, a primeira palhaçada foi vista ainda nos treinos livres da sexta-feira. Coincidentemente, o substituto de Nelsinho na equipe francesa bateu nos mesmos lugares do ano passado – claro que com uma potência menos, já que não havia interesse nisso.

Para o treino oficial, a equipe Brawn GP já havia anunciado que o carro 23 da equipe trocaria a caixa de câmbio, a mesma que pegou fogo no GP da Bélgica e se sustentou na Itália. Com um circuito travado, ficaria difícil que ela não quebrasse. Assim, Rubens Barrichello seria punido em cinco posições a mais no grid.

Para sorte dele, o seu companheiro de equipe, o líder do campeonato Jenson Button, não conseguiu passar para a super-pole, largando na 12ª posição. Bastava a ele tentar o máximo de posições possíveis para diminuir o prejuízo de início.

Porém, na sua última volta rápida, Barrichello não conseguiu equilibrar o carro após uma curva e bateu num muro, acabando com o treino oficial. Hamilton garantiu a poleposition e as RBRs voltavam à disputa ao largar com Vettel na primeira posição e Webber em quarto. Rubinho manteve o quinto lugar, tendo que largar em 10º.

CORRIDA
Com uma excelente largada, os carros da BrawnGP ganharam algumas posições. Barrichello pulou para sétimo e Button para décimo. A grande questão nesta disputa, que vale o título, ficaria em saber se o piloto inglês passaria o brasileiro após a sua parada nos boxes, afinal, ele largou com tanque cheio.

Enquanto Rubinho chegou colocar mais de nove segundos de diferença antes da sua parada, Button se beneficiou da entrada do carro de segurança. Com os carros mais lentos, após a parada não perderia tantas posições. Resultado: Rubinho em sexto e ele em oitavo.

Mesmo à noite, a temperatura da pista não caiu dos 30 graus. Com alta temperatura e numa pista travada, os freios não agüentavam. Foi assim que Mark Webber deu adeus à briga do campeonato, ao quebrar o disco de freio do pneu dianteiro direito logo após a segunda parada nos boxes.

Falando em parada, a Brawn errou na troca de pneus de Barrichello, que perdeu mais alguns segundos. Assim, Button conseguiu passar o brasileiro e dar um importante passo ao título da temporada 2009.

Mesmo com o disco de freio soltando fumaça e prestes a quebrar, foi a vez de o britânico segurar o carro e ter sorte não apenas dele não parar, mas de Rubinho não ter tempo suficiente de ultrapassá-lo. Assim, Jenson Button aumentou a diferença para 15 pontos, com uma corrida a menos para o final da temporada.

VITÓRIA
Na briga pela corrida, Lewis Hamilton se beneficiou de erros de seus adversários diretos pela prova. Primeiro, Rosberg não conseguiu segurar sua Willians na saída dos boxes e atravessou (e muito) a linha demarcatória. Como punição teve que passar pelos boxes.

Além dele, Sebástian Vettel, que assumiu a segudna posição e diminuía a diferença a cada volta, passou pelos boxes acima da velocidade máxima permitida, 100 km/h. Com a mesma punição de Rosberg, Vettel ainda precisou ser animado pelo engenheiro para conseguiu a quarta colocação.

Com o resultado, ele ainda tem chances (mínimas) no campeonato, 25 pontos atrás de Button e a dez de Barrichello. Para a Brawn, basta um ponto e meio para conseguir o inédito título de construtores para a nova equipe.

Ainda houve tempo para Arguesuari proporcionar com a sua STR uma outra lembranaç da corrida do ano passado. Assim como Felipe Massa, o jovem piloto espanhol ia carregando a mangueira de combustível. Diferente do caso da Ferrari, o erro foi do piloto e ele não arrancou a mangueira da máquina.

SUZUKA
A próxima corrida já é na madrugada do próximo domingo. Após um intervalo de dois anos, a Fórmula 1 volta ao circuito de Suzuka, onde Ferraris e McLares tendem a dominar o fim de semana.

Na disputa pelo título, Button pode garantir o campeonato de pilotos se marcar cinco pontos a mais que Rubens Barrichello.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mídia tosca

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A ideia para esta semana era manter um erro por site, mas alguns tentaram tanto que foi impossível no caso de um deles de deixá-lo com um simples exemplar.

Além disso, a coluna traz um erro de um grande site estrangeiro. Espero que desta vez as imagens apareçam convenientemente.

1. O primeiro erro vem do Alagoas em Tempo Real, que de tanta pressa acabou por repetir um parágrafo. http://alemtemporeal.com.br/index.php?pag=esportes&cod=5891


2. Até que poderia ser algo referente à notícia, que pode gerar uma avalanche de aumento salarial para os nossos "representantes", mas o erro cometido pelo Gazetaweb, ou reproduzido por ele, é a mistura de duas medidas: porcentagem e valor dinheiro. http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=186093&tipo=0

3. Além de reproduzir a propaganda do boletim do César Maia, o Tudo na Hora deveria ter tirado a palavra "link", já que o mesmo inexista ali. http://www.tudonahora.com.br/noticia.php?noticia=65199

4. Duplo erro na matéria publicada pelo Alagoas 24 horas. O erro da legenda é até bem pequeno, mas ao longo do texto, a reportagem colocou Girlene Lázaro ainda como presidente do Sinteal, cargo que deixou, após eleições, há duas semanas. http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vEditoria=Educa%E7%E3o&vCod=72786

5. Dois erros que passam a ser "clássicos" por aqui nos fizeram ficar com tanta dúvida que o melhor foi publicar os dois. O Primeira Edição conseguiu numa matéria copiar tão bem que os locais de link entraram no miolo do texto e tiraram seu sentido. Na outra, engoliu o início.

6. A agência de notícias do governo de Alagoas, Agência Alagoas, cometeu um pequeno deslize ao colocar um e-mail para informações enquanto site.

7. Nem estava mais considerando erros de digitação para a coluna, ao entender a pressa e a possibilidade de ocorrer. Porém, esta pequena falha veio na homepage do site de um dos principais jornais esportivos espanhóis, o Marca.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Após um ano... Valeu a pena

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Coloquemos o tempo para voltar em mais de um ano...

O Obama ainda não havia vencido as eleições estadunidenses; o Palmeiras ainda tinha chance de ganhar o título brasileiro, enquanto o São Paulo tinha 0,5% de chances; Dunga tinha grandes chances de não terminar o ano como técnico da Seleção; eu ainda "estava" na gestão do Diretório Acadêmico do curso...

Mas o destaque dessa introdução seria digna para a coluna "Iraaaaaaaaado!!!". Comprei com um colega da Universidade um ingresso para o espetáculo "Retrato Cantado do São Francisco", realizado pelo Coral da antiga Escola Técnica Federal de Alagoas (que na época era Cefet e agora é Ifal) - Coretfal. Seria num sábado às 19h.

Acho que tive alguma reunião à tarde que me forçou a chegar em casa correndo para tomar banho e ir ao ponto-de-ônibus. Fato é que cheguei ao ponto com 20 minutos de reserva, caso o ônibus demorasse e ainda com a possibilidade de pegar outro, mesmo que tivesse que andar um pouco até chegar ao Centro de Convenções (Centro Cultural de Exposições Ruth Cardoso).

Mas quem mora em um lugar periférico de um bairro periférico numa capital de Estado periférico sabe o que é depender de condução, especialmente nos finais de semana. Resultado, esperei no ponto até 19h12, quando quatro micro-ônibus da linha J.Leão-Ponta Verde passaram do outro lado para dar a volta pelo Trapiche e finalmente retornar. O que já seria tarde para mim.

Mesmo as outras possibilidades de linha só começaram a passar cerca de cinco minutos antes disso, o que também não daria para chegar na hora. E eu ainda prezo por chegar na hora, evitar filas, possíveis tumultos etc.

UM ANO DEPOIS...
A oportunidade seguinte só reapareceu agora, no último final de semana, quando o espetáculo "Retrato Cantato do São Francisco" encerraria a quarta edição do Encontro Internacional de Coros em Alagoas (IV Encoral), também num sábado.

Desta vez sai uma hora mais cedo, cheguei trinta minutos antes e, finalmente, consegui ver o espetáculo, que muito merecia um post aqui no Dialética.

Primeiro, por tratar do Rio São Francisco, algo que tanto admirei ao longo de quase dez anos através de viagens constantes entre Aracaju e Maceió, e que representava geograficamente o elo que me unia a um Estado que deixei com apenas dois anos. O mesmo rio que vi, com tristeza, secar cada vez mais ao longo dos anos.

Segundo, pela grande apresentação montada e dirigida por René Guerra e com Fátima Menezes como maestrina. Os coralistas "foram introduzidos" nas regiões ribeirinhas através de elementos cenográficos e, principalmente, com o diálogo das canções com as pessoas que vivem próximo e necessitam do "Velho Chico".

Antes de qualquer coisa é necessário afirmar que apesar de surgir no mesmo momento da questão da transposição do rio, a organização do Coretfal afirma que não está voltada para incitar um posicionamento sobre isso. Apesar de indiretamente, principalmente nas falas da comunidade, a crítica estar presente.

PERSONAGENS Esses personagens são o que há de muito interessante e o que deixa mais comentários ao final. Destaco dois deles bastante curiosos não só para mim, mas também para um grupo de pessoas que encontrei no ponto-de-ônibus da volta (duas senhoras, uma mulher, uma jovem com uma filha pequenas e um menino).

Um senhor que conta a história do peixe Homero - se é que eu entendi o nome direito - que sai comendo tudo que vê pela frente: banquinho, cacho de bananas, pedaço de carne. Até que encontram-no à beira-mar morto, pesando 150Kg! Ah, e parece que tinha um homem perto e Homero comeu o homem também. Abriram a barriga de Homero e encontraram o homem sentado no banquinho comendo banana.

É bem provável que tenha esquecido de alguma coisa que Homero comeu, já que só vi uma vez o pescador falando e todos riram muito - principalmente aqueles que conhecem alguém com este nome. As senhoras do ponto riam muito ao lembrar e toda vez que falavam de outra pessoa ou coisa falavam que Homero comeu.

O outro personagem, pelo que soube depois, faleceu antes de ver o espetáculo, que foi apresentado em Piranhas em 2007. Este pescador conta a história de quando ele resolveu trabalhar para ele próprio, já que antes era alugado. Num dia em que pescou tanto que encheu o barco e disse ao pai, aos quinze anos de idade, que ia vender na cidade mesmo nunca tendo feito isso.

Segundo ele, foi tanto dinheiro que ele ficou quinze dias sem trabalhar. Daquele dia em diante não alugaria mais para ninguém. Inocência de um trabalhador que acha que um período menor que as férias de trabalho normal é muita coisa.

CRÍTICA Falei muito de coisas pitorescas, mas na verdade são representações da cultura de um povo, algo que surge alheio a obrigações científicas ou formalizações burocráticas.

Para mim, dentre todos os momentos e canções, deu arrepio foi "Sobradinho", em que a letra afirma que um dia o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão.

Principalmente quando em alguns relatos há pescadores que afirmam que antes iam até o mar para pescar porque, como canta "Riacho do Navio", "o Rio São Francisco vai bater no meio do mar", quando hoje é o contrário. O que pode piorar com a transposição, obra passada como um trator sobre os ribeirinhos.

Ficam as lembranças da época em que o São Francisco era cheio d'água a ponto de eu, enquanto criança, temer cair nele. Período em que imagens como a de uma moto atravessando por baixo da ponte entre Porto Real do Colégio-AL e Propriá-SE seria mais uma história de pescador.

Para encerrar este post: "clap, clap, clap" para o Velho Chico e para a apresentação do Coretfal.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Circo a motor - Cartão amarelo para a F1

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O Conselho Mundial da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) se reuniu ontem e julgou a ação premeditada da Renault, através do piloto brasileiro Nelson Ângelo Piquet, em gerar uma situação para a entrada do carro de segurança no GP de Cingapura do ano passado.

Se fosse uma partida de handebol - ou futsal, antes de ser cooptado pela Fifa - resumidamente podemos falar que a equipe Renault levou cartão amarelo. A equipe francesa só pagará a punição de dois anos fora da principal categoria do automobilismo mundial se realizar um ato semelhante ao ocorrido.

Alguns falam que a equipe deveria ter sido punida de forma efetiva, já que foi o comando da mesma que participou diretamente do caso. Além disso, este acontecimento foi o pior da história da categoria - que já possuiu muitos "Diques Vigaristas" desde a sua existência -, pois poderia ter gerado um acidente de maiores proporções.

O diretor-executivo da empresa, Pat Symonds, levou cartão azul. Por ter admitido participar da trapaça, e se dizer arrependido de fazê-la, ficará fora das pistas por cinco anos. E fora significa não aparecer em território sob jugo da FIA, em qualquer categoria.

Já Flávio Briatore, o homem de vários escândalos na vida profissional e particular, foi expulso eternamente da Fórmula 1, não podendo mais empresariar pilotos - que ficaram sem a super-licença caso tenham ligação profissional com ele - e, assim como Symonds, não poderá pisar num evento da FIA sequer como espectador.

CARTÃO AMARELO

Nelsinho Piquet realmente teve delação premiada e não foi punido oficialmente. Ontem falou que estava profundamente arrependido de ter aceitado a proposta de seus chefes na época e pediu mais uma chance na categoria após mostrar o nível de pressão que sofria na equipe.

É quase que consenso em quem acompanha o esporte que será difícil ele receber outra proposta, a não ser que pague por ela. Afinal, fica a imagem não só de alguém inseguro, mas, principalmente, de um dedo-duro, já que ele esperou ser demitido para denunciar todo o acontecimento.

Segundo a FIA, foi provado que Fernando Alonso não participou de todo o espetáculo de horror do circo. Algo que, extra-oficialmente, Nelsinho afirmou que era mentira, já que um piloto com a experiência de Alonso deveria estranhar uma estratégia tão estranha quanto aquela para um circuito com poucas possibilidades de ultrapassagem.

Sugiro que sobre as dificuldades de Nelsinho e alguns possíveis equívocos no rápido julgamento da FIA nos seguintes locais: http://porjessicacorais.blogspot.com/2009/09/fim-do-caso-cingapura-uns-punidos-pela.html e http://br.esportes.yahoo.com/colunas/gerson-campos-nelsinho-saiu-ileso-justo-esportes-65.html.

Como Galvão Bueno disse milahres de vez desde que o assunto veio à tona, "o grande prejudicado é o esporte e todos que gostam dele". A categoria recebeu milhares de críticas e olhares tortos mesmo daqueles que deixaram de acompanhá-la com a falta de títulos brasileiros.

Além disso, serviu como mais um instrumento da Record para falar mal da Globo numa reportagem com o título "O circo da Fórmula1". Na matéria, astuciosamente começaram falando dos escândalos de Briatore e o de Cingapura até falarem da crise de confiança da categoria refletida nos números do Ibope. O que não tem a ver, em minha opinião, com isso, e sim com a falta de brasileiros brigando por títulos.

Como entidade privada, a FIA tem todo o direito de decidir o que quiser, mas o público, enquanto consumidor, tem todo o direito - quando isso é possível - de pensar no que quiser sobre o seu produto. E, a partir de agora, a desconfiança prevalecerá.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Concessão “pública”? Amém!

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Manhã de segunda-feira (14/09), costumo “zapear” os canais de transmissão aberta na TV para saber o que está passando enquanto me preparo para ir ao estágio. Paro na TV Alagoas, canal 05, que, às 11 horas da manhã, passava programas pagos por uma igreja neopentecostal.

Confesso que já me acostumei com o volume de programas com origens parecidas a esta no início ou no final das programações de algumas emissoras, sejam elas nacionais ou locais, mas neste horário?

Horas depois descubro que era reflexo de uma decisão que pegou de surpresa não só a mim, mas até mesmo ao canal que era retransmitido por esta emissora. O Grupo Sampaio, proprietário da TV em questão, anunciou em editorial que vendera a maior parte do seu espaço para a Igreja Mundial do Poder de Deus.

Só seriam mantidas as duas horas de um programa local, o “Plantão Alagoas”, que segue uma linha tradicional no Nordeste: mostrar na maior parte do tempo notícias sobre assassinatos, roubos e corpos ao crivados de bala.

Uma matéria publicada no site Comunique-se informa que a justificativa dada pelo grupo empresarial foi “a falta de repasse de recursos do governo estadual”. Por causa disso, eles não teriam mais condições de manter toda a equipe e a estrutura e “venderam” parte de uma concessão “pública”.

Segundo a matéria, o diretor de rede do SBT Guilherme Stoliar, que esteve em Brasília no mesmo dia 14 para conversar com o ministro Hélio Costa sobre o avanço das igrejas nas programações, a rede foi surpreendida, pois o contrato – firmado há poucos anos – foi quebrado sem qualquer aviso prévio.

Manda quem pode...
Há um decreto, nº 52.795/1963, que disciplina que as programações devem ter finalidade educativa e cultural e que as emissoras não podem vender mais de 25% de seus espaços.

Tudo bem que nós possamos contar nos dedos os programas que atendem a níveis educacionais e culturais, principalmente nas emissoras de TV privadas, e que tantas outras leis, decretos e regulamentações no que diz respeito aos meios de comunicação no Brasil não sejam efetivados na prática. Mas têm coisas que ocorrem como se fossem naturais.

As igrejas se beneficiam da isenção de impostos para comprarem espaços nas emissoras de TV e rádio, quando não os meios por inteiro, para disseminar o que acreditam ser o correto para milhões de pessoas, sem preocupação alguma em pluralidade de opiniões – muito menos e mais escancarado que nas mídias “tradicionais”.

Enquanto os proprietários dos meios de comunicação tratam as suas concessões como propriedade pessoal, a qual tem o direito de fazer o que quiserem. Afinal de contas, a renovação é instantânea, sem nenhum debate sobre o papel social da emissora para a população de um determinado local. Propriedade ad eternum.

Temos uma Conferência Nacional de Comunicação à vista, muitos problemas já refletidos no seu processo de organização – com forte influência e pressão da “grande mídia – e muitas sugestões passíveis a serem apresentadas. A primeira: cumprir-se a lei.
(Vi hoje que este texto foi publicado no Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=556CID004)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Mídia tosca

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Após mais de um mês ausente, a coluna que traz os erros da mídia eletrônica alagona - e um ou outro caso nacional - está de volta. Até como uma forma de maior paciência deste escriba, estamos sendo mais permissíveis quanto a alguns erros, mas já outros...


1. Esquecer uma letra aqui ou trocar uma letra por estar próxima no teclado do computador é até aceitável - levando-se em consideração a correria do dia-a-dia. Mas a Gazetaweb entra com sua contribuição na coluna pelo conjunto de falta de espaço e letras numa mesma matéria (http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=185461&tipo=0).
2. No texto do site Primeira Edição trocaram dois-pontos por ponto-final, colocaram interrogações no lugar das aspas - um problema comum a eles (http://primeiraedicao.com.br/?pag=politica&cod=5404).



3. Faltou todo o núcelo do sujeito da oração logo no início de uma matéria da agência de notícias do Governo local, a Agência Alagoas (http://www.agenciaalagoas.al.gov.br/noticia.kmf?cod=8906479):





4. Este erro publicado no Alagoas 24 Horas só tem como explicação a falta de costume com a Língua Portuguesa (http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vEditoria=Esporte&vCod=72529).



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Circo a motor - Expectativas

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Algumas expectativas rondavam o Grande Prêmio do "Cirque du Soleil" da Fórmula 1. O histórico circuito italiano de Monza foi um dos primeiros da categoria e, junto com Mônaco e Spa-Francochamps, faz parte do grupo dos que seria impossível imaginar a categoria sem.

Dentre as dúvidas que o final de semana daria a resposta exata estava a possibilidade de a Force India surpreender novamente, já que se tratava de mais um circuito que exigia pouca pressão aerodinâmica. Outra dúvida ligada a esta: a presença de Giancarlo Fisichella na Ferrari no berço da principal escuderia do mundo em meio a fanáticos torcedores. Pouca pressão, hein?

A última anda permeando a cabeça dos que acompanham a Fórmula 1 até mesmo aqueles que não acompanhavam tão de perto. Quantos serão punidos no "caso Cingapura"? Se é que vai haver alguém que saiará ileso dessa história toda. Esta não poderá ser decifrada tão cedo.

Flávio Briatore aproveitou para fugir do tema e "acusar" - apesar disso não ser uma ofensa - Nelsinho, indiretamente, de homossexual. Além disso a ING Renault processará pai e filho por tentativa de chantagem.

RESPOSTAS POSSÍVEIS
Adrian Sutil colocou a Force India na segunda posição do grid, que ainda teve Liuzzi largando na 7ª posição. Enquanto isso, Fisichella admitiu sentir a pressão e largaria apenas em 14º. Na pole ficou Lewis Hamilton, com Barrichello em 5º mais pesado que o seu companheiro de Brawn GP Jenson Button, na sexta posição. Os carros da Red Bull largavam mais para trás, sem boas perspectivas.

Mas outra questão apareceu para Rubens Barrichello e a trupe da Brawn: trocar ou não o câmbio e perder cinco posições no grid de largada? A ameaça surgiu devido aos problemas do fogo no motor nas últimas voltas do GP anterior.

REI DAS ESTRATÉGIAS
Lembrando os melhores momentos de Ferrari, Ross Brawn montou uma boa estratégia para seus dois pilotos. Afinal, à frente deles apenas Kovalainen largaria com bastante combustível, parando também apenas uma vez nos boxes. Quanto à decisão sobre Rubinho, resolveu atender o pedido do piloto em arriscar.

A partir daí dependia dos pilotos fazerem seus papeis. E como fizeram. Ambos ultrapassaram Kovalainen ainda na primeira volta. Bastaria então manter um ritmo razoável e não ter nenhum problema até o final da corrida.

Após a 37ª volta, com a segunda parada dos demais que estavam à frente, Hamilton, Raikkonen e o surpreendente Sutil - que não largou mais de um segundo de trás do carro da Ferrari -, ambos os carros da Brawn assumiram as primeiras posições para não largar mais até a banderiada final.

No caso de Rubinho mais uma vez afirmamos que o jeito era esperar a última volta. Com a "fama" de azarado que ele tem vai que o câmbio resolve quebrar justamente no final - como aconteceu com o motor da Ferrari de Massa no GP da Hungria do ano passado.
PALHAÇADAS
Após muito tempo por fora, onde as zebras apareceram mais, atitudes dignas de palhaços - não pela incompetência, mas por serem rizíveis - voltaram ao "Circo a motor".

Primeiro, as equipes Ferrari e Force India, que sincronizadamente conseguiram errar na segunda parada, a ponto de nenhum dos dois pilotos conseguerem vantagem alguma. Bom para Raikkonen porque...

Lewis Hamilton estranhamente bateu após uma curva. Há quem afirme que foi erro, o que seria muito grotesco, já que era a última volta e ele nem perseguia e nem era perseguido por ninguém. Ainda imagino, pelo jeito que foi, que a suspensão de uma das rodas traseiras tenham quebrado. Por mais que digam que este inglês sofre em momentos de pressão, naquele momento a pressão era nula.

CAMPEONATO Rubens Barrichello conseguiu diminuir a diferença para Button de 27 para 14 pontos, restando quatro corridas pela frente. Além disso, praticamente garantiu o título de construtores e o de pilotos para a novata Brawn GP, já que nas últimas corridas, "empurrada" pelo motor Renault, a Red Bull não conseguiu bons resultados - Vettel foi oitavo em Monza.
Nas três últimas corridas, Barrichello conseguiu fazer algo jamais feito em seus 16 anos de F1: ganhar a torcida e a esperança real dos brasileiros num possível título de pilotos. O respeito que ele tinha em outros países parece que pode ter chegado no Brasil. Resta manter a coragem e o arrojo para mesmo que em segundo no geral consiga a grande vitória da sua carreira: ser bem visto pelos brasileiros.
O circo sai da temporada europeia e passará pela prova noturna de Cingapura, Japão, Brasil (18 de outubro) e termina as apresentações em Abu-Dhabi, inédito Grande Prêmio o qual nenhum chute pode ser dado.

Sobre "A obra-prima ignorada" (Honoré de Balzac)

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Algumas curiosidades despertam o interesse para se ler a novela balzaquiana A obra-prima ignorada. A primeira é colocada na contracapa do livro, que afirma que esta novela

tornou-se, porém, emblemática das opções e tormentos do artista obcecado por sua obra – e da atmosfera em que surge a arte moderna, alterando as concepções estéticas e lançando as bases de uma arte contemporânea ainda mais inovadora.
A influência de uma obra literária voltada ao ficcional sobre os artistas que surgiam já seria algo extremamente curioso ao sabermos que a intenção da sua criação não foi essa. O francês Honoré de Balzac (1799-1850) recebeu uma “encomenda” da revista francesa L’Artiste para escrever algo à maneira alemã.

Publicada em 1831, com dedicatória no ano de 1845 “A um lorde” – que ninguém soube quem seria - e assinada, após seis anos de revisão, com um “Paris, fevereiro de 1832”, A obra-prima ignorada traz dois personagens baseados em pessoas que existiram com um ficcional, que teriam convivido entre os anos de 1612 e 1613.


Dentre os seus admiradores está Paul Céssane, que se identificou com um de seus personagens, o jovem artista. Além dele, Pablo Picasso foi ao endereço indicado nesta obra ficcional para pintar um dos seus quadros mais famosos, Guernica, representação da Guerra Civil espanhola. E, coincidentemente, ele a começou cem anos após a primeira publicação da obra balzaquiana (1931) e terminou exatos cem anos depois (1937).
obra de François Porbus
ENREDO
O livro conta a busca de um jovem artista por maiores conhecimentos na arte da pintura. Nicolas Poussin procura o mestre François Porbus em seu ateliê para se aprimorar e acaba aprendendo com outro mestre que aparece justamente quando estava imerso em dúvidas se deveria “perturbar” ou não figura tão ilustre.

O livro é dividido em dois capítulos. O primeiro nas primeiras edições foi chamado de “Mestre Frenhofer”, nome do tal amigo de Porbus que, ao adentrar em seu ateliê faz duras e incríveis críticas a uma pintura queretratava uma mulher. Ao ouvir algumas reclamações do pintor, que teria representado fielmente a mulher que pousou para ele ao longo de dias, Frenhofer mostra com algumas pinceladas e muitos conselhos, como poderia melhorar a obra.

Uma das frases mais interessantes, talvez a que mais atiça a mente de pintores que lêem a obra como uma espécie de “manual” – se é que isso é possível e permitido no que se refere à arte -, é sobre a maneira de se apresentar diante da natureza: “a missão da arte não é copiar a natureza, mas expressá-la”.
autorretrato de Nicolas Poussin
Só após toda a aula dada é que ele aceita parcialmente a obra como algo razoável, a qual até que ele “poderia colocar a sua assinatura”. O jovem Poussin se surpreende com a sapiência do outro mestre e se sente ainda menor nesta arte, mesmo que ambos os mestres tenham aprovado a gravura que fora obrigado a fazer para provar suas habilidades.
Frenhofer convida os dois para visitarem sua casa, onde ele guarda a maior obra-prima já produzida por um ser humano: o retrato de uma mulher que leva em consideração todos os detalhes da vida “real”, que dá a sensação de se poder pegar através da figura. Porém, após atiçar a curiosidade do jovem Poussin, o pintor, um dos poucos alunos de Mabuse, afirma que não mostra ninguém a obra, a qual pinta há dez anos.

Na verdade, o velho mestre a trata como uma mulher, cujo título (na tradução lida) é Catharine Lescault, alguém cuja vida não é descrita em nenhuma linha. A única coisa dita é que Frenhofer necessita de uma nova modelo e a tendência é de ele rodar o mundo atrás de um modelo natural que possa representar “toda a beleza e pureza” presentes na parte da obra realizada. Aliás, o quadro está em reticente reconstrução.

Só que o título muda para “Gillette”, personagem feminino que se apaixona pelo jovem Nicolas Poussin e que o mesmo pretende utilizá-la como moeda de troca da visão da obra-prima mais particular de todas. O autor utiliza esta personagem para espelhar certa característica social da época. Segundo ele, na sociedade francesa era comum que jovens oriundas de famílias abonadas se apaixonassem por artistas.

O segundo capítulo é denominado “Catharine Lescault” e apresenta a negociação em torno da “troca” entre Gillette e a possibilidade de Poussin e Porbus poderem ver a obra pronta, algo que Frenhofer via como uma traição. E é este o tema presente neste trecho, que mistura as paixões de um artista pela mulher e por sua própria obra de arte, às vezes invertendo-se os papeis.

Outro ponto importante é o início da preocupação sobre o caráter da obra de arte, o que pode caracterizar algo como obra-prima. Preocupação que deve povoar as mentes culturais e críticas de arte com tanta arte pós-moderna, feita de privadas ou quadrados pretos em fundos brancos.

Para não contar como essa novela termina paramos por aqui o enredo desta obra balsaquiana e partiremos para algumas rápidas análises literárias (que me são possíveis no momento) na perspectiva lukacsiana.

ANÁLISEUma das principais categorias lukacsianas em relação à análise literária consiste na tipicidade dos personagens, porém sem a utilização de estereótipos. Gyorg Lukács elogia Honoré de Balzac em relação a isso, já que os seus personagens têm a capacidade de representar os personagens de sua época, com toda a influência de sua posição política e sócio-histórica, sem tipificá-los em generalizações sociais.

Mesmo no caso de Gillette que, como colocamos anteriormente, representaria uma das características de um grupo de jovens mulheres de classe média francesa do século XVII, apresenta particularidades que a caracterizam como personagem única. Apesar de fazer o que for pedido pelo seu amado, tende a hesitar em atender ao seu pedido para pousar ao velho pintor por saber que isso representaria o fim do amor por ele, representado pela troca pela apreciação de um objeto.

Como Frenhofer mesmo diz, “a missão da arte não é copiar a natureza, mas expressá-la”. Lukács, através da sua teoria do espelhamento, também acredita nisso. Afinal de contas uma obra é nada mais que uma subjetivação objetivada e sua produção é o que permite sair do processo cotidiano alienante.

Enquanto ser humano, todo Homo sapiens sapiens necessita de uma aprendizagem, não existe nada inerente a ele. E é a sua construção sócio-histórica que influenciará e formará o seu conteúdo sócio-político desenvolvido ao longo da história. A arte, enquanto produção subjetiva, tende a expor não só o lugar social de um autor, mas até mesmo o momento histórico em que ele está presente - ainda que algumas obras-primas perdurem por séculos.

Há um posfácio, Entre a vida e a arte, nesta edição escrita pelo crítico literário Teixeira Coelho. Entre outras coisas, Coelho critica algumas formas de análise estéticas e até mesmo filosóficas, igualando produções que analisam a sociedade capitalista de maneiras totalmente diferentes. Entre as críticas à escola marxiana está uma das suas principais formulações: o materialismo.

Coelho não gosta da “tentativa de objetivação” da obra de arte realização pelos teóricos marxistas. Entende que isso seria uma forma de “enquadrar” a produção artística, como se fosse um processo quase que mecanizado.

Na verdade, como já colocamos anteriormente e Lukács cita em seus estudos, em algum momento o artista terá que definir como ficará a sua produção, que não é obra do acaso ou da busca de um Eu hegeliano, acima de tudo e de todos e único possível dono da sapiência universal, que guiaria o artista. Frenhofer aparenta representar esta linha teórica ao tentar produzir a obra-prima, inconcebível e ignorável a qualquer outro ser humano.

Conheça os comentários sobre livros de Honoré de Balzac:

“Que pagas?” – Eugênia Grandet (Honoré de Balzac)

A mulher de (quase) trinta anos - Honoré de Balzac



(BALZAC, Honoré de. A obra-prima ignorada. Tradução: Teixeira Coelho. São Paulo: Comunique, 2003. Título original:Lê chef-d’oeuvre inconnu. Entre a vida e a arte, posfácio de Teixeira Coelho).

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Circo a motor - Mais um escândalo

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A bomba estourou durante a transmissão do treino oficial para o GP de Valência, há duas semanas atrás, quando o comentarista Reginaldo Leme nos contou que havia investigações sobre a batida do piloto brasileiro Nelson Ângelo Piquet no GP noturno de Cingapura, no ano passado - aquele que ficou mais famoso pela mangueira de combustível presa no carro de Felipe Massa.

Em rápido resumo, os dois carros da Renault largaram atrás no grid e a batida de Nelsinho veio duas voltas após a equipe de Flávio Briatore optar pela antecipação da parada de Fernando Alonso (12ª volta). Assim, e com alguns erros na Ferrari, Alonso, com tanque cheio, não precisou parar mais e conseguiu a vitória.

Segundo Reginaldo, a Federação Internacional de Automobilismo iria assumir na semana seguinte as investigações, que estavam sendo realizadas por uma empresa independente, algo que foi confirmado posteriormente.

1. NELSINHO
É quase certo que foi o próprio Nelson A. Piquet que apresentou a denúncia à FIA, com direito a salvo-conduto, ou seja, não ser punido. Segundo a transcrição de seu depoimento, texto publicado numa revista estadunidense (USAF1), o piloto admite que teve uma reunião antes da prova com Flávio Briatore, diretor da equipe e seu manager, e Pat Symonds, diretor-técnico.

Como estava com o cargo ameaçado, sob forte pressão de Briatore - que exigia que Piquet fizesse reuniões com ele sobre a permanência ou não em 2009 antes de todas as corridas -, ele aceitou a proposta dos seus chefes: bater entre as voltas 13 e 14 para gerar a entrada do safety-car.

Além disso, Symonds teria mostrado no mapa o local exato onde deveria bater, para dificultar a retirada do carro. Nelsinho conclui que as falas no rádio da equipe - abertas à Federação - mostram ele perguntando o tempo todo o número da volta, algo que não faz.

Veja abaixo uma interessante reportagem de Reginaldo Leme mostrada numa edição do Esporte Espetacular, a qual só tive acesso porque estava procurando um vídeo maior no Youtube com as imagens do acidente. Em um trecho, Nelsinho afirma que Alonso só ganhou porque ele bateu, mas estava "satisfeito pela vitória da equipe".

O piloto brasileiro foi demitido em julho devido aos maus resultados, apesar de sempre correr com carros piores do que o de seu companheiro de equipe.

2. RENAULT
Pelo que foi divulgado pela revista inglesa Autosport, após os depoimentos dos chefes da escuderia francesa, Briatore afirmou que não sabia de nada sobre o fato, assim como, Fernando Alonso, que disse pensar apenas na próxima corrida.

Já Pat Symonds, admitiu ter se reunido com Flávio e Nelsinho, só que mudou o rumo das coisas. Disse que foi o brasileiro quem propôs bater para que Alonso tivesse tal estratégia. Na pior das hipóteses, a equipe foi conivente e aceitou realizar uma manobra totalmente anti-desportiva.

A tendência é que a Renault, assim como a Honda no início do ano e a BMW a partir do ano que vem, retire-se da categoria devido aos estragos da crise financeira. Este caso agrava ainda mais a situação já que é a imagem da montadora que está em jogo.

PASSADO-FUTURO
Há dois anos tivemos o caso de espionagem realizado entre mecânicos da Ferrari e da McLaren. O esquema era simples, o da Ferrari repassava os projetos do carro vermelho para a outra equipe, que poderia, assim, desenvolver equitativamente o carro, senão evoluir. Ambos foram banidos da categoria, mas a equipe britânica seguiu disputando os títulos mesmo com a vantagem anterior.

O atual esquema pode gerar a exclusão de seus protagonistas, e com muito merecimento - já basta as pizzas brasileiras - e mesmo Nelsinho ficará com a imagem arranhada para arranjar um lugar em outras equipes.

Há quem diga que isso pode ter prejudicado Felipe Massa na contagem final do campeonato, o qual perdeu por um ponto, mas aí é pensar em muitos "ses" na história. E o que já foi feito já passou. A não ser que fosse algo que incluísse Lewis Hamilton, atual campeão.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

IRAAAAAAAAAADO! - Viva a Ufal!

3 comentários
Prometi criar este espaço no início de julho como uma "sessão de descarrego" de algumas coisas que ocorrem em meu cotidiano e que muito me irritam.

Como sou uma pessoa assumidamente desprovida de sorte - cada dia menos acreditando nela graças ao materialismo! -, certos fatos até que poderiam merecer um espaço por aqui, mas eram acontecimentos que poderiam acontecer com qualquer um - apesar da probabilidade de acontecer comigo seja maior.

VIVA A UFAL!
Mas nada como estudar na Universidade Federal de Alagoas, ainda mais no curso de Comunicação Social, para que surpresas desagradáveis ocorram mesmo no último período, oficialmente, da graduação.

Vamos aos fatos:
Este ano os ingressantes e concluintes dos cursos de Comunicação Social em todo o Brasil farão a prova do Enade (Exame Naci0nal de Desempenho dos Estudantes), aquela besteira que tenta comparar graduações de Alagoas com as de Brasília - a USP, mesmo universidade da América Latina, não a faz. E eu, como concluinte, deveria estar inscrito para este processo.

Deveria. Para minha surpresa, apesar de se for chamado boicotar o processo, meu nome era o único dentre os concluintes a não estar na lista - divulgada por e-mail pelo diretor do Instituto ao qual o meu curso faz parte. Pois bem, fui saber o motivo mexendo nos documentos do MEC e vi que para este momento TODOS deveriam ser inscritos, cabendo ao Inep a "escolha".

Enviei o mesmo e-mail para o coordenador do curso e para o diretor do Ichca, afirmando não só o meu problema, mas o que o curso poderia gerar, já que uma das punições é que a instituição não poderá fazer nenhum tipo de concurso (vestibular, aquisição de professores, ...). A resposta de um foi dar o número do setor da Ufal responssável e a do outro foi negar a lista.

Para acelerar a história, realmente o meu nome não estava na lista do curso. Tive que fazer a inscrição com o bolsista via internet para não ter que me preocupar com mais coisas no futuro, além das tantas as quais não consigo largar ou negar.

MATRÍCULA Dias depois, nesta semana, cheguei à seguinte conclusão: "a única hipótese de o meu nome não estar lá é eu não ter matrícula". Porém, fiz a matrícula no período certo, imprimi o comprovante, o qual vive na minha carteira por causa da meia-entrada. Enfim, mas estou na Ufal, né?

Olhei ontem no sistema e eis que a minha matrícula, como se fosse mágica, sumiu do Sistema Acadêmico - apesar de eu poder imprimir um comprovante eletrônico que prova que sou concluinte de Jornalismo. Vou à secretária do COS só para confirmar a minha ausência após mais de um mês de "aulas" deste semestre. O bolsista de lá - haja bolsista! - disse que ocorrera um caso antes.

Como se já não bastasse os problemas cotidianos, um mini-curso que o grupo de pesquisa vai organizar semana que vem, a minha orientadora de TCC não responder aos meus e-mails e a minha cadela mostrar ontem o mesmo problema de saúde que mortificou seu antecessor.

Enfim, o jeito foi resolver no DRCA "um super-problema que a própria Ufal me gerou". O pessoal lá resolveu em instantes, mas tirou cópias dos meus comprovantes para "mostrar ao pessoal do NTI (Núcleo de Tecnologia da Infromação) o que eles estão fazendo!".

Resultado: perdi quase duas horas do meu dia para resolver algo que só tive conhecimento graças a uma de suas consequências. Enquanto isso, ainda tenho que ver se os outros problemas são resolvidos e eu posso continuar a ler e estudar o que tenho.

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Apesar de a minah vida ser feita apenas de espinhos, pois as flores já roubaram, consegui - finalmente! - terminar a "trilogia" sobre as peças da Cia. Ganymedes. Veja: http://terrainteressados.blogspot.com/2009/08/nao-seras-acompanhado.html, http://terrainteressados.blogspot.com/2009/08/uma-nova-magia.html e http://terrainteressados.blogspot.com/2009/08/as-muitas-ultimas-coisas.html.

É o teatro alagoano encenando com o principal palco histórico-artístico numa "letargia-reformática".