domingo, 31 de outubro de 2010

O que será do Brasil após o Halloween eleitoral?

0 comentários

Vivemos um processo eleitoral dos mais baixos desde que eu acompanho disputas eleitorais. Acredito ter ficado com pouquíssimas propostas fundamentadas dos candidatos na cabeça, já as acusações...

Da disputa presidencial, fica na memória, especialmente, os agressivos ataques à campanha de Dilma Rousseff. Ouvi de tudo, que ela era "a favor do aborto", que não "era de Deus", que se ganhasse a eleição, o filho do Michel Temer, que seria um adorador do diabo, faria com que ela morresse para o pai assumisse, que ela apoia as invasões dos sem-terra - é, ainda tem um pouco disso. Enfim, coisas que me fizeram concluir que esta foi a pior campanha de PSDB e cia. para presidente.

É claro que os marqueteiros petistas conseguiram devolver de forma ríspida os ataques sofridos. O segundo turno foi determinante para a mudança de atitude da própria candidata, que passou a atacar antes de ser atacada nos debates, o que surpreendeu o seu adversário, acostumado a ver o atual presidente "dar a cara à tapa".

Dilma venceu, como a maioria de nós esperávamos, devido principalmente à popularidade de seu padrinho político, que sai fortalecido por montar uma candidata. Colocou-a neste posto antes mesmo de o partido aceitar, afinal era de origem pedetista, fez evoluir sua imagem até então desconhecida do eleitorado e ainda a defendeu quando necessário. A defesa foi até para o futuro, em que Dilma não terá que enfrentar enquanto presidente Heloísa Helena, César Maia ou Tasso Jereissatti em cargos políticos em Brasília.

Confesso que não espero muita coisa deste Governo que virá, até mesmo bem menos do que esperava da segunda gestão de Lula. Acredito em muitas dificuldades, especialmente com o PMDB, partido de seu vice, e a sombra da facilidade que seu antecessor tinha para "esconder" problemas na hora de falar à imprensa. Será a hora da presidenta Dilma Rousseff e não da ex-ministra do Lula.

Recebi a árdua sugestão para escrever sobre as expectativas quanto às questões comunicacionais no seu governo e não espero muita coisa diferente do que vimos nos últimos oito anos, especialmente porque o discurso de "eu vivi a ditadura, logo sei o quanto é importante a liberdade de imprensa" ou de "prefiro mil vozes dissonantes que o silêncio" serviu como amansador dos grandes meios de comunicação.

ALAGOAS
Em Alagoas, tivemos uma eleição no segundo turno, decisão muito apertada, só que a posse da máquina pública acabou sendo determinante. Teotonio Vilela Filho termina essas eleições como um nome fortíssimo, após derrotar um "Frentão" com Ronaldo Lessa, Fernando Collor e Renan Calheiros.

A campanha conseguiu ser pior que a para presidente, só que com menos terrorismo barato e mais acusações do tipo "eu tenho um processo contra mim, mas você tem mais de cinquenta". Ri muito com frases como "Teozinho no País das Maravilhas" e com as artimanhas comparativas utilizadas nos antes amigos de infância e agora inimigos de toda a vida.

Politicamente, irrite-me com a situação também. Imagino todos os problemas que Alagoas tem, e eles são muitos, e os dois principais candidatos mostram o que fizeram e prometem um monte de coisas em segundo plano para manter a preferência ao ataque pessoal e aos pedidos de direito de resposta.

Aliás, Lessa mostrou que fez muito por Alagoas; Téo mostrou que fez muito por Alagoas, mas o Estado continua com os piores índices sociais do Brasil. Como gostaria de conhecer essa "outra" Alagoas, que cada vez me fica mais impossível...

Eleições agora só em 2012, para prefeitos e vereadores dos municípios. A expectativa local é para a mudança do prefeito de Maceió, Cícero Almeida, que com alta aprovação popular terá de partir para novos rumos políticos por não poder se candidatar a um terceiro mandato. Outra coisa a se observar é se Heloísa Helena tentará se manter como vereadora, se é que ela ainda será do PSol e se é que ela não desistirá de vez da política.

Só nos resta esperar para ver o que Dilma fará/continuará e o que Teotonio fará/continuará. O meu pessimismo só aumenta a cada eleição...

domingo, 10 de outubro de 2010

O problema do Brasil virou só um

1 comentários

Incrível o potencial da Igreja Católica. Mesmo após tantos anos de Martinho Lutero "abrir" as escritas bíblicas e se seguir a partir de então várias religiões de origem cristã; mesmo depois de tantos anos sob a batuta do sistema capitalista, onde o individualismo é bem mais importante; mesmo sem toda a onipotência e onipresença no Brasil. Mesmo depois de tudo isso, ainda vemos numa eleição um tema jogado por esta Igreja passar a ser o foco. Num processo com duas pessoas que sofreram as agruras da ditadura e, ao longo do tempo, partiram para um caminho bem diferente daquele que estavam.

O enredo é simples, o pessoal do PSDB entrou em estado de desespero após a subida de Dilma Rousseff nas pesquisas a partir deste ano. Todos eles reclamavam que Serra estava demorando a começar a campanha - enquanto Dilma passeava a um bom tempo ao lado de Lula pelo país -, pois quando ele assumiu a candidatura, a sua adversária deslanchou.

Resolveram, na campanha, apelar para algo que não tem nada a ver com o tucanato e se deram mal. A favela virtual só apareceu no primeiro dia. No fim da campanha do primeiro turno a mídia tentou colocar o caso da Receita Federal. E nada! Aí o desespero cresceu a ponto de virem as promessas eleitoreiras. Primeiro foi o aumento do salário mínimo. Nada! Depois, o aumento do salário dos aposentados e pensionistas. Só não foi mais uma promessa jogada fora graças à história da Erenice Guerra, braço direito da Dilma, e, principalmente, graças ao "ecocapitalismo" de Marina Silva.

Veio o segundo turno e o primeiro assunto prático posto é saber se os candidatos apoiam ou não o aborto. De repente a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil meio que impõe que os candidatos se posicionem sobre o assunto. Depois, surge a história do padre de uma emissora católica que pediu para que não se votasse em candidatos do PT por serem a favor do aborto.

Dilma corre para dizer num evento em Minas Gerais, se não me engano, que, "como mulher, sabe o quanto o aborto é ruim, por isso é contra o aborto". José Serra se põe totalmente contrário ao procedimento, mesmo consciente de tal fator ser permitido por lei em casos de estupro. Coisas que nem mesmo Marina Silva, pertencente à igreja protestante, havia dito no primeiro turno - ela defendia um plebiscito.

Simplesmente acabaram com os problema sociais ligados à divisão de classes no Brasil para discut... quer dizer, nem isso fizeram, para impor ao Brasil que todos sejam contrários ao aborto. E os problemas com habitação, falta de empregos, trabalho infantil, violência cotidiana, comando de traficantes em algumas comunidades, deficiências do sistema público de saúde, ...

Além de tudo isso, o principal, identificar no problema do aborto (como está inserido oficialmente) suas reais condições. Entender porque as mulheres precisam passar por este procedimento é uma questão a ser analisada. Em alguns casos é falta de instrução, mas não é só isso.

Perceber que os dados oficiais só contam os casos de aborto com as filhas de pobres, que não tem condições para viajar para fora do país para realizar o procedimento e têm que fazê-lo em clínicas clandestinas. Com problemas, elas têm que procurar o SUS, entrando para a estatística oficial. Assim, só descobrimos os casos que geram problemas, os casos das mulheres que não vão a "super-clínicas".

A preocupação não está nessas mulheres, que representam um grande número de pessoas que não tem acesso aos (já deficientes) planos de saúde, que tem que acordar cedo para enfrentar uma fila de posto de saúde ou de hospital e geralmente não ser bem tratado.

A preocupação não está no fato de elas não poderem gerar o filho porque não terão condições financeiras e psicológicas para criá-los; que, na melhor das hipóteses, terão que parar os frágeis estudos para cuidar dos filhos, enquanto que o pai parará para trabalhar - se conseguir emprego. Caso contrário, terão que sobreviver com o pequeno Bolsa Família.

Os casos de estupro então... É melhor sequer comentar sobre questões psicológicas. É como se não vivêssemos num planeta que há pessoas desequilibradas e que geram filhos em suas filhas. Como se não existissem pessoas que resolvem dar cinco reais a frágeis crianças em troca de saciar devaneios psíquicos.

O direito de poder escolher entre ter ou não ter não é feito com a ajuda de psicólogos, familiares ou quem quer que seja. Não se pode ter direito sequer à discussão do assunto. Tem que ser segundo o preceito que existe há muito tempo e por isso TEM que ser assim. "E se não obedecer, nossos discípulos não votarão 'democraticamente' em você".

Em resumo: um absurdo definir o tema desta forma. Um absurdo transformar o (frágil) processo eleitoral em quem é "a favor da vida" ou não quando vários outros problemas estão aí à espera para serem resolvidos.


(Já discuti aqui o tema do aborto. Ver minha opinião aqui e aqui).

domingo, 19 de setembro de 2010

IRAAAAAAAADO! - Domingo é sempre assim...

3 comentários
Todo domingo de uns tempos para cá é a mesma coisa, uma música dos Titãs me vêm à cabeça, em especial o seguinte trecho: "Domingo é sempre assim/ e quem não está acostumado? É dia de descanso, nem precisava tanto...". Opa, paremos aí, afinal a segunda-feira está logo ali para me fazer lembrar que precisava bem mais que 24 horas para tentar descansar e, além disso, estudar mais o que tem de estudar e, ainda além disso, sob as "pressões acústicas" dos meus vizinhos.

É, falar em música e não lembrar desses domingos com a escolha que eles ouvem, quer dizer, querem que a vizinha inteira ouça, é esquecer de um detalhe primordial. A vizinha do lado e toda a sua trupe tem a capacidade - algo para se estudar cientificamente - de escutar cerca de três ou quatro músicas da hora que acorda até a hora que vai dormir.

Eu troco de forma frequente as músicas no meu tocador de MP3, geralmente após ouvir uma sequência de mais de 100 músicas por duas ou três vezes, imagina escutar uma mesma música por 40, 50 vezes! Fora que está (bem) longe de ser o que escuto.

Geralmente ela opta pelos DJs locais, que pegam músicas quaisquer e colocam seus nomes no meio - com direito até a propaganda de loja que vende roupas no estilo surfista, patrocinadora do indivíduo, eis uma nova forma de publicidade. Para a minha sorte (?) só um dia ela colocou o "Rebolation". Uma música que tem cerca de cem vezes a palavra "rebolation" sendo repetida por aproximadamente 50 vezes num só dia!

Voltando aos Titãs, "Domingo é sempre assim, e quem não está acostumado...", quer dizer, e quem fica acostumado a isso?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

“Bola pro mato que o jogo é de campeonato!”

0 comentários

Pense numa equipe de futebol que jogue toda retrancada, como o São Luiz no jogo de domingo passado contra o CSA, o meu joga mais na defesa ainda. São onze atrás da linha intermediária, com a obrigação de não deixar nada nem ninguém avançar.

As equipes adversárias não costumam avançar muito, já que o nosso esquema de jogo causa medo à maioria dos times adversários. Como se tivéssemos no elenco jogadores com a cara do Amaral e o jeito de tirar a bola do Robben do Felipe Mello – a intenção jamais é machucar alguém (e eu que achava que jamais utilizaria uma piada com ele...).

O lema do meu time é “bola pro mato que o jogo é de campeonato!”. Às vezes, por motivos racionalmente inexplicáveis, a pelota resolve avançar um pouco, permitindo toques de bola no setor defensivo, só para ver a reação do oponente, que se assusta com tamanha “agressividade”. Depois, um bico para qualquer lado, que não seja o do seu próprio gol, retoma as atividades rotineiras.

Em menor quantidade de vezes ainda, quer dizer, quase nunca, a bola vai para o ataque. A torcida entra em polvorosa! O adversário pego de surpresa. Toques rápidos e encantadores à moda do meio-campo da campeã do mundo Espanha. Ouve-se até “olés” das arquibancadas. A bola chega ao centroavante da equipe, melhor dizendo, no jogador que costuma ficar mais avançado, cara a cara com o goleiro. Ele chuta, e, e...

Recua para o arqueiro!!!

Tsc, tsc, desse jeito o meu time nunca vai sair do zero a zero.


*Imagem: Francisco Javier Sassano.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

IRAAAAAAAAAADO! - Um terço da população alagoana é miserável

1 comentários

Fazia tempo que não escrevia nada por aqui, como se isso fizesse alguma diferença para o equilíbrio do universo, mas ontem uma notícia de uma pesquisa, com dados totalmente justificáveis me deixou extremamente revoltado - algo que, apesar de a aparência e meu jeito dizerem o contrário, também não é algo tão anormal assim.

Pensem bem, se entendi direito a informação de um dos telejornais nacionais, mais de 50% da população local, algo que deve chegar à população da capital Maceió, vive na linha da pobreza, ou seja, com menos de meio salário mínimo (R$ 255) por mês. Como se isso não bastasse, um terço da população vive, sobrevive, enfim, não há palavras para descrever este estado, abaixo desta linha, no que os frios dados consideram como miséria.

Por mais que eu viva aqui e saiba que isso é verdade não deixa de ser chocante. Especialmente quando vemos famílias terem que chegar à casa dos cinco filhos, se não me engano, para chegar ao teto do Programa Bolsa Família (R$ 180). E isso quando os bancos, até mesmo os estatais, alcançam mais e mais aumento nos seus lucros, que batem facilmente a casa dos BIlhões.

Você acha que os banqueiros têm quantos herdeiros? Dez, vinte, cinquenta, de acordo com o que lucram? Nada disso, deve ser o "tradicional" casal. Enquanto que, por total falta de fornecimento de educação e oportunidades, as pessoas vão tendo um filho atrás do outro. Com as crianças nascendo, sendo carregadas nos braços por uma mãe grávida e crescendo vendo outros filhos sendo produzidos, já que a habitação é com quarto, sala (quase sempre com TV e DVD), cozinha e banheiro num mesmo cubículo.

Falando especificamente da realidade local, um esquema na Assembleia Legislativa conseguiu desviar cerca de R$ 300 MIlhões em apenas oito anos! Uns foram presos aqui, afastados por alguns meses acolá, mas todos estão aí, na surdina, em seus cargos e candidatos à reeleição. Enquanto a população continua aí em favelas ou casas construídas no "fim do mundo", com as necessidades aumentadas a cada quatro anos, para os que conseguem ultrapassar essa barreira de tempo.

Sobre soluções? Qual o interesse em qualquer partícipe da política em arranjar as soluções, por mais que as tenha ou saiba o que tenha a fazer? Quem votará em candidatos que fazem a nossa "fama" fora do Estado? E se tudo estiver pronto, quem vai servir como massa de manobra, como a preocupação da classe média para temer mudar as coisas ou como desesperados por qualquer melhoria - não precisa ser proporcional aos lucros dos bancos - que seja?

Na Grécia o pessoal protesta e ninguém é criticado pela mídia brasileira, já perceberam? Em outros locais da Europa, idem. Parece que "entendemos" que lá quando se tem um direito infringido todos devem protestar, e aqui ficar em casa assistindo TV!

Se "Miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes" e pelo jeito aqui elas ainda estão em épocas passadas, onde saber de informações como essas não mobiliza ninguém, não causa revolta em ninguém por ser "normal". E é por isso que eu fico IRAAAAAAAAAADO!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Circo a motor - O melhor na frente

0 comentários

O circo colocou sua lona no circuito mais charmoso da história da Fórmula. Em meio a hoteis, cassinos, tabacarias e iates, com direito a artistas mundiais, o GP de Mônaco colocou na frieza dos números o que todos sabem desde a primeira corrida do ano: o melhor carro de 2010 é da Red Bull Racing.

No sábado, a quinta poleposition em seis corridas, mais uma vez com o australiano Mark Webber, e com um temporal à frente de Kubica. A "graça" do sábado ficou por conta de Fernando Alonso, que bateu no treino livre anterior e destruiu parte do carro, o que o obrigou a ver o classificatório pela TV e a largar dos boxes.

PASSEIO
Como todo mundo sabe, ultrapassagem em Mônaco é muito, mas muito difícil. Webber largou bem e passeou pelas ruas do pricnipado, chegando até a colocar um segundo por volta no segundo colocado, seu companheiro de RBR, o alemão Sebastian Vettel. Vettel, inclusive, responsável por uma das poucas mudanças na parte da frente do grid, ao ultrapassar Kubica na largada.

Kubica chegou com sua Renault em terceiro e Felipe Massa terminou a corrida na posição em que largou, o quarto lugar. Lewis Hamilton terminou em quinto, posição em que largou.

Fernando Alonso chegou no sexto lugar! Primeiro porque foi beneficiado com a entrada do Safety Car logo nas primeiras voltas devido a uma forte batida de Hulkenberg, quando optou por trocar os pneus. E só não conseguiu ao menos mais um lugar porque o brasileiro Lucas di Grassi, com a frágil Virgin, conseguiu segurá-lo por mais de duas voltas. O espanhol reclamou, mas foi a chance para o Lucas mostrar o que sabe.

Falando em brasileiros, o carro de Bruno Senna quebrou, assim como posteriormente o de di Grassi e, mais para a segunda metade da prova, o de Rubens Barrichello. O brasileiro conseguiu saltar do nono para o sexto lugar na largada, mas viu seu carro se descontrolar após o pit stop até quebrar voltas depois, o que seria motivo suficiente para se irritar e jogar o volante no chão - apesar de querer sair correndo do carro, que ficou numa posição de risco na pista.

Fora isso, o grande lance da corrida foi no final quando o Safety Car entrou pela terceira vez na prova. Como consta na regra, o carro de segurança tem que sair antes da bandeirada, assim o sinal da pista fica verde. Alonso escorregou na entrada da reta dos boxes e M. Schumacher, que vinha atrás, aproveitou-se para ultrapassá-lo.

Ao menos foi engraçado, porém, não permitido. O heptacampeão mundial foi punido com o acréscimo de 20 segundos ao tempo final e caiu da 7ª para a 12ª posição, enquanto Alonso se manteve em 6º.

Ah, a grande palhaçada do dia ficou por conta de um carro que parou por superaquecimento quando a corrida estava com apenas dez voltas. Coisa de alguma das novatas Lottus, Virgin ou Hispania? Não, mas da poderosa McLaren, cuja equipe de Button esqueceu uma das tampas de entrada de ar.

Confira ao fila do post que a classificação do campeonato finalmente mostra a real colocação dos melhores carros. A RBR já fez o melhor carro de 2009 - só foi superada pela Brawn GP por causa do difusor traseiro diferente e na primeira metade da temporada - e também em 2010, onde ganha destaque por ser a melhor equipe independente do tipo de circuito (rápido ou travado). Dois pilotos dividindo a liderança e o campeonato construtores nas mãos.

O circo continua com suas atrações na Europa, daqui a duas semanas, no Grande Prêmio da Turquia, onde Felipe Massa venceu três das cinco corridas realizadas no circuito.


>> CLASSIFICAÇÃO
1º Webber 78 pts/ 2 vitórias; 2º Vettel 78 pts/ 1 vitória; 3º Alonso 75; 4º Button 70; 5º Massa 61; 6º Kubica 59; 7º Hamilton 59; 8º Rosberg 56; 12º Barrichello 7.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Circo a motor – Respeitem os ídolos!

0 comentários

Ontem a Fórmula 1 comemorou exatos 60 anos do primeiro Grande Prêmio da categoria. Daquela época para hoje e para este fim de semana, apenas duas coincidências: o super-travado, e tão elegante quanto, circuito de Mônaco e a Ferrari.

A proximidade entre o GP anterior, o primeiro no período europeu, na Catalunha, e o GP de Mônaco, neste final de semana, quase me fez esquecer de escrever algo sobre a corrida em Barcelona.


“VELHINHOS”

Durante a semana, devido ao confronto entre Flamengo e Corinthians pela Libertadores, comentávamos num dos blogs de futebol que acompanho a “pena” sentida em relação ao Ronaldo. O cara é um vencedor só pelo que teve de enfrentar após as cirurgias e se arrastava em campo. Apesar de toda a imensa torcida anti-Corinthians no torneio e com a má fase do Fenômeno, os outros torcedores – exceto os rubro-negros- olham de outra forma aquele adversário.

Até que ele fez uma boa atuação, excelente se comparada ao que vinha fazendo este ano, mas no dia seguinte resolver conceder uma entrevista coletiva. Nesta, teve que responder uma pergunta sobre a falta de comprometimento dele. Foi uma das respostas mais emocionantes, e revoltadas, que eu já vi. Nada a acrescentar ao que ele disse.

Ao mesmo tempo, em outro esporte, seu maior vencedor era questionado até mesmo em seu país de origem. Michael Schumacher resolveu voltar ao circo após três anos parados e dividiu desde o início quem acompanha o automobilismo: ele é gênio e voltará com tudo ou sentirá as mudanças no carro e a falta de ritmo?

É fato que nas quatro primeiras corridas ele pouco fez, foi ultrapassado por pilotos com carros mais fracos e ficou muito atrás do seu companheiro de Mercedes, o também alemão Nico Rosberg. Mas criticar a sua volta é esquecer da imensa quantidade de mudanças no tempo em que ficou fora e, o principal, ninguém retoma uma carreira de onde se parou.

Não é porque ele não é o mesmo Schummi de antes – nem tem uma Ferrari trabalhando “só” para ele – que as críticas devam ser ásperas a ponto de se esquecer do que ele tem na F1. São SETE títulos mundiais, fora os demais recordes. Se a decisão foi certa ou não, acredito que no final da temporada ele mesmo pode responder. Afinal, ele não voltou por causa de dinheiro – ganhava US$ 7,5 mi. como consultor da Ferrari por ano.

GP DA CATALUNHA

O GP em Barcelona foi bem mais tranqüilo que os anteriores, já que não teve chuva, mas nem por isso perdeu em momentos emocionantes.

No treino oficial, para variar, a RBR ficou com a poleposition. Só que desta vez foi o australiano Mark Webber que fez o melhor tempo; Vettel em segundo. Para os brasileiros com carro, foi um desastre. Massa em nono e Barrichello em 18º, após mais uma de suas marés ao receber uma chuva de pedras de trás do carro de Hamilton.

Já na corrida, ambos largaram bem e ganharam posições. Até Bruno Senna, com um veículo enguiçável pulou da 24ª para a 17ª posição, abandonando a lata-velha antes de completar a primeira volta.

Para não me alongar muito, vamos aos fatos principais...

Webber foi o quarto piloto, em cinco provas, a vencer uma corrida. E de forma gigante, de ponta-a-ponta, com os melhores tempos.

Vettel perdeu posição nos boxes para Hamilton – algo que voltou a ocorrer com a diferença de volta em que se entrava – e caiu para terceiro. Para piorar, no final da corrida teve outro problema com o carro, na parte dianteira direita. Voltou aos boxes, trocou o pneu e não resolveu, tendo que ser avisado volta a volta a diminuir seu ritmo. Ainda conseguiu chegar em terceiro, pois...

Hamilton, que chegaria tranquilamente em segundo, sofreu no final com o desgaste dos pneus e viu o dianteiro direito estourar faltando uma volta (uma volta!) para o final da corrida. Melhor para...

Fernando Alonso, que numa corrida sem maiores sobressaltos, ganhou duas posições de presente na corrida na sua Espanha, para delírio da torcida.

Após largar pela primeira vez na frente de Rosberg, Shumacher deu um show na primeira parte da corrida ao segurar Jenson Button. No final, um merecidíssimo quarto lugar e a prova de que a qualidade não saiu dali.

Jenson Button chegou em quinto e manteve a liderança no campeonato, agora com uma diferença menor; Felipe Massa chegou em sexto e Rubens Barrichello chegou em nono, marcando mais dois pontos. Ah, Lucas di Grassi chegou em 19º.

>> CLASSIFICAÇÃO

1º Button 70/ 2º Alonso 67/ 3º Vettel 60/ 4º Webber 53/ 5º Rosberg 50/ 6º Hamilton 49/ 7º Massa 49/ 12º Barrichello 7.

domingo, 9 de maio de 2010

O submundo de Alice

0 comentários

contei em outros posts aqui no Dialética que gosto de saber a opinião de jornalistas especialistas em cinema. Vou pouco ao cinema, hoje muito mais por não ter tempo, e consideraria perda de tempo e de dinheiro ir para ver um filme que não me agradará - ah, levo em consideração os textos que entram em contradição, algo comum no mundo do jornalismo cultural.

Alice no País das Maravilhas foi o segundo filme que mais esperava para este ano - o primeiro era Avatar. O fato de Tim Burton dirigir o longa-metragem baseado em obras das mais discutidos pela Filosofia, Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho; e da Disney espalhar imagens do filme; de ser em 3-D; da história parecer ser infantil, mas, desta vez, com a protagonista sendo adulta... Tudo isso chamou minha intenção.

Em contraposição, todas críticas foram negativas ao filme. De jornalistas de grandes jornais brasileiros, com matérias reproduzidas por aqui, até blogs de especializados no assunto e colegas que foram assisti-lo antes do que eu. Justamente de um filme que todos esperavam tanto e muito por causa de toda essa expectativa criada em torno dele.

Acabei indo mais por influência de tanto querer ver e tentar pegar alguma coisa filosófica do filme ou saber se era viagem demais dos autores que o discutiam. Porém, por mais insistência que alguém tenha me feito, não valia a minha aventura para vê-lo em 3-D.

PRÉ-FILME
Mas antes de entrar na discussão geral, de saber se as pessoas estavam certas ou não, coisas curiosas que vi no cinema da rede Severiano Ribeiro antes do filme, quer dizer, antes dos traillers.

Primeiro, uma propaganda afirmando que "por causa do escuro, no cinema os sentidos são aguçados" e daí ser uma boa opção para propagandas. Tudo com uma música que se identifica com outra forma de sensibilidade, que casais gostam de fazer durante os filmes...

Outra coisa foi a propaganda do IG, com notícias instantâneas, como o pedido de demissão do técncio do Corinthians que teve como resposta uma prorrogação em seu contrato. Algo tão informativo e em tempo real assim eu ainda não havia visto.

O QUE ESPERAR?
Como se não bastassem os comentários negativos ainda tive que enfrentar muitas crianças na sessão. E, para variar, há aqueles pré-adolescentes que vão em grupo e se acham no direito de conversar sobre qualquer besteira durante o filme.

Enfim, essa enrolação toda é porque saí da sessão do cinema com uma sensação estranha, de que o filme passou e pronto. Não deixou nada de especial; nada que eu pudesse dizer, "ao menos teve um certo ritmo".

Seria injusto dizer que não foi criativo colocar uma Alice mais adulta e bem diferente das mulheres qeu a cercavam e, consequentemente, louca para fugir das imposições sociais - desde peças de roupa a um casamento com um sujeito bem estranho.

Vá lá, outro ponto positivo é a forma com que se trata a memória dela, a transformação daquela aventura que ela semrpe achava ser um sonho até o momento que percebe que já viveu aquilo antes. Um fator que traz a dúvida a alguns dos outros personagens, já que aquela era uma Alie que não era a que todos esperavam para o "Glorian Day". Mas ela vai se achando ao longo do longa.

Johnny Depp se não foi sensacional como todos esperavam, também não foi um desastre, não causou, ao menos em mim, um imenso desapontamento. O "Chapeleiro Maluco" teve sua importância na história, transformou-se num coadjuvante, mas não a ponto de ganhar o destaque de alguns pôsteres.

As rainhas são personagens interessantes para se destacar, e por motivos diferente. Se temos a maquiavélica Rainha de Copas, com seus soldados-cartas diferentes em relação ao desenho, cercada por puxa-sacos, e com uma imensa cabeça em forma de coração, só que com características definidas; temos do outro lado uma Rainha Branca que irrita qualquer um com o seu exagero nos bons modos.

Confesso que torcia para que ela virasse a vilã da história. Não sei se sou muito pessimista, mas ninguém é tão bom daquele jeito sem soar falsidade. Pode ser até que também seja assim na história do livro, o qual não tive a oportunidade de ler ainda, mas não deixará de ser irritante. Parece uma cópia do que a sociedade do mundo de cima espera de Alice.

Não é à toa o tamanho da responsabilidade que Alice tem em cumprir com o destino determinado e matar o jaguadarte - nome que gosto bastante. Como ninguém lê mesmo isso aqui e a história é bem conhecida, um spoiler: estranho como alguém que afirmou o tempo inteiro que não conseguia matar ninguém cortou a cabeça do animal de forma tão fria. É só reparar que o Chapeleiro Maluco hesitou em matar o escudeiro da Rainha de Copas.

A metralhadora giratória em argumentos após subir novamente até que foi legal e bastante surpreendente para a sociedade da época. Algo como um marco na alteração da maneira dos jovens se comportarem.

A fotografia do filme também foi boa, especialmente para o gato, cujos aparecimentos devem ficar interessantes em 3-D, mas para quem viu Avatar a tão pouco tempo, é impossível não comparar e ver que Alice fica bem aquém.

Quanto ao conteúdo, só lendo os livros e revendo os filmes anteriores para ter realmente algo para se comparar. Pelo menos por enquanto, fico com a sensação que o ritmo do filme correu para levá-lo ao fim.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Mercado Brasileiro de Televisão - César Bolaño

0 comentários
Neste ano acabei viciando em olhar na Estante Virtual livros que pudessem me interessar em algo - daí algo que parece nunca acabar. Além de encontrar algumas preciosidades sobre o futebol, acabo achando uma ou outra coisa dos assuntos que gosto de estudar "academicamente", por assim dizer.

É claro que lendo um livro, estudando um artigo, eu encontro referências de coisas mais legais ainda para ler - e para aumentar a minha fila de livros que neste momento me olha ao lado do computador. Numa dessas referências/buscas encontrei Mercado Brasileiro de Televisão (Programa Editorial da UFS, 1988), escrito pelo professor Dr. César Bolaño (UFS).

Bolãno é graduado em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, e mestre e doutor em Economia. O principal é que ele é o pioneiro nos estudos de Economia Política da Comunicação no Brasil, quiçá na América Latina, e este livro, mesmo sendo a primeira edição de 1988 - já existe uma mais recente, publicada em 2004 -, traz informações valiosíssimas para quem se interessa por estudos nesta área de comunicação ou apenas na questão da televisão no Brasil, quanto a conteúdo ou formas adotadas ao longo do tempo pelas emissoras, entre tantas outras áreas abarcadas.

PARTES
Na primeira parte do livro "O sistema comercial brasileiro de televisão: um estudo econômico dos media", Bolaño trata de forma geral as teorias, e seus acertos e erros, na tentativa de interligar a indústria cultural, com seu elemento concorrencial, com o capitalismo monopolista. Além da relação de transformação do próprio potencial mercado consumidor, com os aparelhos ficando mais baratos ao longo do tempo, a transformação de algo supérfluo de grandes empresários em mais uma empresa, na difícil missão de alcançar lucro e resultados.

Algo que continau a ser tratado na parte a seguir, "Definição dos termos gerais de concorrência no setor televisivo", que aborda a geração e a gerência do investimento publicitário - na verdade, quando o mercado se sentiu seguro de aplicar na televisão, até então era investimento quase familiar, de outras áreas de um mesmo grupo; além da concorrênia intermídia, com tabelas sobre cada período histórico, e como as agências, veículos e anunciantes se relacionaram ao longo deste tempo. Vale lembrar que a Globo atingiu um poderio imenso no "bolo publicitário" e era a única que conseguia compensar crises sofridas pelos clientes.

No último trecho, e para mim o mais facinante, Bolaño trata do "Mercado Brasileiro de Televisão: uma abordagem dinâmica", passando por cada uma das décadas desde que surgiu a primeira emissora de televisão do país, a TV Tupi, em 1951, do grupo dos Diários Associados, pertencente a Assis Chateaubriand.

A impossibilidade, mesmo para o grupo Diário Associados, de criar uma rede perdurou por muito tempo no Brasil, o que impedia a publicidade neste meio. Além do mais, a popularização do aparelho acabaou sendo mais um fator prejudicial, já que não havia delimitação de um público a ser atingido e ficaria difícil para grandes marcas gastar em propaganda para públicos, em sua maioria, fora da realidade de consumo destes produtos.

Na década de 60, primeria metade, é que aparece uma proposta mais profissional, a da TV Excelsior, que tirou alguns dos melhores artistas de outras emissoras para montar um excelente time. Porém, com a falta de recursos disponível do grupo empresarial que financiava a TV, que perdeu a administração do porto de Santos - devido à entrada da ditadura militar, que preferia o "seu" discurso. Sem dinheiro, a falência veio a seguir.

TV GLOBO
A segunda tentativa de profissionalização veio através da TV Globo, que contava com US$ 5 milhões do grupo estadunidense Time/Warner mesmo que a legislação (1962/1963) não permitisse capital estrangeiro na mídia nacional. Houve até uma análise que sugeria ao ditador da época a cancelar a concessão da emissora, mas a ditadura militar "preferiu" só advertar a empresa do Grupo Roberto Marinho.

Com dinheiro para montar a estrutura suficiente - prova disso é que o incêndio de 1967 de sua sede em São Paulo em nada atrapalhou -, e com os melhores profissionais possíveis para se preocupar com a questão administrativa e artírica, a empresa rapidamente atingiu o primeiro lugar tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Vale lembrar que se poderia ter até cinco emissoras pertencentes a um mesmo grupo, assim a rede foi formada com parcerias com empresas locais, que indicutivelmente não poderiam, assim como as demais de grandes centros, criar bons produtos.

Assim, a principal dificuldade nesse período não era a preocupação com a concorrência, mas em ter recursos para transformar o "hobby" de outros empresários em uma empresa, no contexto da Indústria Cultural mesmo. Foi a partir daí, e com boa estratégia de segmentação de público, que a Globo rapidamente tomou a maior parte do bolo publicitário, que começou a aplicar suas verbas.

Diferentemente de outras emissoras, em que o produto patrocinava e dava o nome, era o dono, do programa patrocinado (ex. Repórter Esso); na Globo passou-se a vender os espaços de intervalo entre os programas. Assim, a produção era independente dos anunciantes e havia a possbilidade de conseguir mais deles dentro de um mesmo produto televisivo. Acabou se tornando num oligopólio de público e de anunciantes.

É bom que se explique que enquanto conteúdo, a Globo optou por fugir do que vinha sendo oferecido pelas demais emissoras, que apostavam em programas popularescos para atingir um grande público, mesmo que isso afastasse o mercado publicitário. A primeira aposta foi nas telenovelas, iniclamente com textos mexicanos, para depois a produção ser nacional. Conquistado o público através das três faixas que praticamente permancem até hoje.

Há ainda o primeiro jornal em rede do Brasil, que foi ao ar em 1969 e temos como "exemplar de credibilidade" até hoje. O Jornal Nacional ousou com uma proposta de passar as mesmas notícias para todo o país.

GRUPO SS
Outro dos pontos dentre os mais interessantes do livro é como o Grupo Sílvio Santos entrou como empresa da comunicação, afinal de contas, o programa de Senor Abravanel já existia/existe na televisão brasileira há muito tempo, desde a década de 1960, e sempre com uma boa audiência.

Primeiro, o grupo adquiriu parte da Record da família de Paulo Machado de Carvalho - também importante por organizar (gerenciar) a seleção brasileira de futebol nos dois primeiros títulos mundiais. Isso ainda na década de 1960.

Posteriormente, o Grupo SS, com investimentos nas mais diversas áreas ligadas à população de classes menores (p. ex.: Baú da Felicidade), resolveu fundar a sua própria emissora, que entrou na concessão que era pertencente à TV Excelsior: a TV Studio (TVS). A TVS nada mais era do que uma produtora, a mesma do Programa Silvio Santos, que passaria a enviar para emissoras menores os seus produtos, assim como acontecia com outras TVs em relação aos "enlatados estrangeiros".

Um detalhe importante, e que era proibido na lei, também existia uma emissora da TV Record no Rio de Janeiro, o que configuraria que um mesmo grupo possuiria duas estações de TV num determinado estado. Os responsáveis administrativos pelo grupo responderam que a parte da empresa na Record já estava para ser vendida.

Enfim, fato é que só da metade para o final da década de 1970 é que conseguiram vender esta parte. De qualquer forma, o governo resolveu liberar as concessões da TV Tupi, que não conseguiu se adaptar à concorrência e profissionalismo das últimas décadas e, se a minha memória não falha, de mais uma da Excelsior, só que de São Paulo.

O Grupo Silvio Santos "ganhou" uma delas e fundou o hoje bem conhecido Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) que, como o próprio nome já diz e a produtora TVS já tentava fazer, tinha a intenção de criar uma rede nacional. A outra concessão foi para o Grupo Bloch (Revista Manchete), para a TV Manchete.

CONTEÚDO
Como já citamos anteriormente, a TV Globo apostou num conteúdo menos apelativo que o que vinha sendo mostrado nas outras emissoras e, por isso, a concorrência não a preocupou - especialmente com o suporte do investimento de capital estrangeiro. Foi desta forma que surgiu o "horário nobre", que pegava três novelas e o Jornal Nacional, das 18h às 22h. Claro que tudo isso dentro de um planejamento estadunidense, com a definição de programação diária.

Houve emissoras que tentaram em alguns momentos vencer a Globo justamente nesta faixa de horário e, consequentemente, viram uma derrota atrás da outra, mesmo que em efêmeros momentos conseguissem um resultado razoável.

A Bandeirantes, grupo Saad, é que teve alterações que do ponto de vista do estudo foram bastante interessantes. Uma empresa que sempre prezou por ser uma alternativa para as classes A e B da população, inclusive com programas de destaque para o período em que o Brasil vivia, como o "Canal Livre". Além de o jornal ser mais voltado à explicação dos fatos, mais opinião; o oposto do apresentado no JN.

Na década de 1980, contratou Walter Clark, um dos homens responsáveis pela solidificação da Globo. Clark culturalizou ainda mais a emissora, mandando embora os poucos programas mais apelativos (caso do Chacrinha) e trazendo pessoas de caráter mais intelectual (caso de Ziraldo). O resultado foi negativo - com a emissora sendo ultrapassada até pela Record - e em pouco tempo Walter Clark e sua programação foram mandados embora.

Com o insucesso, a futura Band resolve partir para o oposto, popularizando, no pior sentido da palavra, toda a programação. Como resultado prático, não consegue atingir índices de audiência e perde seu público seleto (classes A e B) para a Manchete, que passa a ocupar esse perfil - com direito à transmissão do carnaval de forma exclusiva, algo bem parecido com que Globo faz hoje.

FUTURO
As últimas partes são conjecturas sobre as possibilidades de futuro. Afinal, é nesta época que a Globo adquiri um canal regional italiano como uma forma de adentrar de vez no mercado europeu - algo que desiste posteriormente. Vale destacar quanto a isso que a emissora já vendia seus programas para o exterior e tinha produção quase específica para isso - nesta época a Europa apenas começava a comprar telenovelas daqui.

Outra grande dúvida consiste na entrada de outras empresas envolvidas com outros tipos de mídia, porém eram proibidas de ter TVs exclusivas. Caso do Grupo Abril, que montou uma produtora de programas "independentes" e fez uma parceria com a paulista TV Gazeta. Inclusive há hoje uma grande discussão para que se permita a presença de empresas de telecomunicações (TIM, ...) no mercado televisivo, o que mudaria os rumos de concorrência.

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Não dá para chamar de considerações finais algo sobre a análise da indústria televisiva que foi até 1985. A partir da década de 1990 temos a entrada da TV via satélite, puxada pelas Organizações Globo, como uma nova maneira, com muito mais acesso a conteúdos diversos, de entretenimento através da mídia televisão.

Além disso, há graves crises econômicas mundiais que balançarão as empresas até então existentes, com algumas até decretando falência ou fechando acordos para se manterem. A até então "toda-poderosa" Globo continua dominando o mercado, porém sem toda aquela "autossufiência" financeira e de audiência de antes.

Enfim, como já colocamos no início, mesmo uma edição antiga de Mercado Brasileiro de Televisão traz dados, entrevistas e informações muito interessantes para qualquer aventureiro da área - basta olhar o tamanho deste texto que não tem uma citação sequer do livro.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Circo a motor - Mais uma...

0 comentários
O circo aprontou sua lona e suas atrações para o Circuito de Shangai, na China, sem saber se iria/irá conseguir sair de lá por causa da erupção de um vulcão na Islândia que torna impraticável o voo na Europa. Fora isso, tivemos mais uma corrida em que a chuva trouxe emoções e variações de posição, além de mais uma corrida sensacional de Hamilton, mais uma prova a se lamentar do velho Schummi e a primeira encrenca de Alonso com Felipe Massa.

MAIS UMA... POLEPOSITION DA RBR
Até pouco tempo após o final da corrida anterior, falava-se muito que a corrida na China era para sacramentar a superioridade da Red Bull enquanto melhor carro do campeonato.

Já quando os treinos começaram, até o oficial, o papo já era outro. A McLaren se daria bem com aquele efeito aerodinâmico comandado pelos pilotos com o joelho que permite a entrada de ar nas retas. Isso porque a reta na China é imensa!

Na hora do "vâmu-ver", Barrichello ficou fora do Q3 por 33 milésimos em relação a M. Schumacher. E na disputa da poleposition, A RBR dominou com uma dobradinha com Vettel em primeiro - em sua terceira pole em quatro provas no ano - e Webber em segundo. Alonso largaria em terceiro e Rosberg se surpreendeu com o quarto lugar, que o colocou à frente das McLarens de Button e Hamilton e da Ferrari de Massa - que errou na última curva.

MAIS UMA... CORRIDA EM QUE A CHUVA AJUDA
Começa a transmissão da corrida e o tempo na China está nublado. O "admirável público" começa a colocar as capas e a previsão é de que a chuva comece a cair dali a cinco minutos. Todos os carros estão sem os pneus torcendo para que naqueles poucos minutos que restavam para a volta de apresentação que o tempo se decidisse entre chuva ou sol.

Não decidiu e todos resolveram sair com pneus para pista seca. Já na volta de apresentação os primeiros pingos começaram a cair e, na dúvida, davam um excelente prognóstico para a corrida. Afinal, só a primeira apresentação do circo foi ruim (na verdade, péssima), nas outras duas uma maravilha de prova e, de certa forma, graças à presença do "Sobrenatural de Almeida" que esses pingos d'água caídos do céu trazem.

Logo na largada, Fernando Alonso pulou da terceira para a primeira posição de forma tranquila. Após uma série de replays e muita dúvida, o dedo de Charlie Writing, comissário-mor da FIA, apontava para a vigarice do espanhol, que "queimou" o sinal.

Não precisou muito para a primeira bandeira amarela. Ainda na primeira volta, a Force India de Liuzzi voou por cima de outros dois carros e todos ficaram na área de escape, forçando a entrada do safety car e, com o aumento da chuva, a da maioria dos pilotos nos boxes para colocar pneus intermediários - para pista úmida.

MAIS UMA... APOSTA CERTA
Somente quatro pilotos resolveram arriscar e permaneceram com os pneus para pista seca e pularam para a frente: Rosberg, Button, Kubica e Petrov. A chuva que parecia que iria cair, não caiu e os pilotos tiveram que voltar aos boxes, puxados por Schumacher, para destrocar os pneus. Enquanto que Button aproveitou uma falha de Rosberg para assumir a primeira colocação.

Depois de certo tempo, mais uma mudança. A chuva passou a cair de forma regular e todo mundo recolocou os pneus intermediários num momento em que os pneus de quem estava atrás tinham menos desgaste do que os dos ponteiros, o que já vinha sendo mostrado pela aproximação e de algumas ultrapassagens do pelotão traseiro. Tinham que torcer pela chuva e ela veio para que todos ficassem iguais quanto a desgaste.

Daí para o final, até mesmo esta é mais uma corrida cheia de coisas a se apontar, Jenson Button não largou da frente, mesmo chegando com pneus praticamente lisos, e venceu a sua segunda prova no ano, a segunda com decisão arriscada, que o alavanca à liderança da temporada 2010, com 60 pontos marcados.

MAIS UMA... CORRIDA SENSACIONAL DE HAMILTON
O outro inglês da McLaren está dando show nas corridas. Apesar de mais uma vez ter optado por uma decisão errada, foi ultrapassando um a um e alcançou a segunda posição na prova. Destaque para a incrível disputa com o heptacampeão M. Schumacher - que ao longo da corrida foi ultrapassado por "todo mundo" - e a segurança de Sutil e sua Force India, que deram bastante trabalho.

Enquanto Schumacher chegou em 10º, seu companheiro abriu mais pontos de diferença ao chegar em terceiro lugar. Além disso, sobe para a segunda posição do campeonato, com dez pontos a menos que Button.

E quem diria que a Renault conseguiria uma boa prova com seus dois pilotos. Enquanto Kubica fez uma prova regular, no mesmo estilo de Button e Rosberg, e alcançou o quinto lugar, o russo Vitaly Petrov fez sua melhor corrida até agora e terminou em sexto, para a felicidade da sua mãe-empresária (ou será empresária-mãe?).

MAIS UMA... CONFUSÃO DE ALONSO À VISTA
Na primeira parada, o "príncipe das Astúrias" se aproveitou por estar à frente para deixar Massa esperando. Como teve que pagar punição por ter avançado o sinal na largada, teve que esperar o brasileiro fazer sua troca de pneus para depois ir. Já na terceira...

Consta que Felipe teria errado no cotovelo da entrada dos boxes e os dois dividiram-na até a curva final, onde o espanhol colocou o carro por dentro e fez a "ultrapassagem". O brasileiro teve que tirar o carro para não bater e quase fica preso na molhada grama. Assim, Alonso pôde chegar em quarto, enquanto Massa - na sua pior corrida do ano - chegou apenas em 9º.

De líder do campeonato a duas semanas atrás, Felipe Massa passou ao sexto lugar, com 41 pontos e há19 atrás do líder do Mundial. Muita coisa ainda será falada durante essas semanas nos bastidores, já que a regra na era pós-Schummi da Ferrari é beneficiar a equipe e não interesses próprios.

SE O VULCÃO NÃO PARAR...
Com a crise nos aeroportos devido à fumaça do vulcão islandês, o circo não pode pegar o avião com todo o material e chegar no próximo país onde ocorrerá mais uma apresentação. Para se ter uma ideia os catalães do time de futebol do Barcelona tiveram que viajar de ônibus para Milão.

E é no circuito da Catalunha que daqui a três semanas a Fórmula 1 realiza a quarta etapa da temporada de mais surpresas e emoções após muito tempo! Ao menos é o que promete Bernie Eclestone.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

IRAAAAAAAAAADO! - ODEIO aniversário

0 comentários
Como já deu para imaginar no nosso último post desta coluna - e quem me conhece o mínimo possível deve imaginar - não gosto de festas, mas nada supera todo o meu ódio perante aniversários, especialmente quando se trata do meu. Os motivos são simples.

Sempre fui tímido, do tipo de ficar na sombra do meu pai no trabalho dele quando tinha que passar as tardes lá. Festa de aniversário então, um sofrimento só. Imagina a sensação de ficar no centro das atenções com todo mundo batendo palmas e sem ter o que fazer até apagar a porcaria da vela, que não sei para que significa. Será que indica menos um ano para viver, menos uma luz que se acenderá no final do túnel?

Enfim, quando criança, já numa fase mais "consciente", escondia-me embaixo da mesa do bolo, embaixo da cama ou em qualquer lugar que fosse difícil de me encontrarem e que fosse bastante engraçado ouvir todo mundo me procurando e a minha mãe dizendo "ele não gosta de parabéns".

Quando você vai crescendo, na escola passam a deixar para lá esse tipo de coisa, mas depois de um tempo se em raríssimos anos algumas colegas começavam o côro de parabéns eu encontrava alguma tangente para sair de perto. Depois, já aqui em Maceió, nunca disse a ninguém quando era o meu aniversário e aí ninguém me perturbava nessa data maldita.

Além disso, não vejo que troço comemorar num dia em que se faz X anos que você nasceu. O que mudará neste dia específico em você - tirando quando você faz 18 anos, quando pode ser preso, ou quando atinge idade para se aposentar, quando talvez possa descansar -, que já não venha se processando ao longo do tempo? Deveria ser um dia como qualquer outro, que no meu caso deve ser de raivas, irritações e muito a lamentar.

Acresça-se a isso q tendência irresistível de no mês do aniversário as coisas darem errado. Se tem outros 335 dias para que isso ocorra, é justamente em abril que tudo resolve dar errado. Para se ter uma ideia, por muitos anos sempre tive o "privilégio" de a prova de Matemática cair na data do meu aniversário - apesar de ir bem nesta matéria. Mas isso é pouco perante os problemas até familiares que já aconteceram neste período. Fora o que ocorre no dia específico, quando a Lei de Murphy se aplica bem melhor em mim do que em qualquer outro momento do ano - e olhe que isso ocorre muitas vezes.

Ah, tinha esquecido da festa de 1999. Dia 19 de abril, uma semana depois, festa conjunta com a minha irmã e um desastre colossal. Algo extremamente vergonhoso e desnecessário a se apagar de qualquer memória da face da Terra!

Em casa fui excluindo as festas e comemorações, mesmo as caseiras, aos poucos. Ninguém lá é maluco o suficiente para me contrariar. No máximo, recebo os parabéns deles e pronto, tudo resolvido. Porém, é nos outros locais que sempre aparece alguém, para minha absoluta raiva.

As poucas pessoas que descobrem, esse é o termo adequado, a data do meu aniversário sabem o quanto eu odeio essa data. Como não quero para os outros o que não desejo para mim, resolvo não desejar parabéns para 95% das pessoas que conheço, mesmo sabendo a data de aniversário delas e mesmo que conviva com elas neste dia. É como se quisesse dizer: "basta retribuir não falando nada sobre esse assunto comigo. Responda, por mil favores, com a mesma ingratidão!".

Uma colega em específico até que descobriu um ano desses a data após me perturbar bastante, só que através de uma colega minha de trabalho que ela conhecia mais do que eu - que, aliás, levou uma bronca no dia seguinte. Porém, não teve a coragem de fazer nada de minimamente constrangedor. Que bom que ao menos os colegas mais próximos são racionais.

Mas desde que passei a trabalhar essa chatice de ser lembrado ocorre com alguma frequência. No primeiro estágio, até consegui evitar que a data de aniversário parasse no mural - algo mais envergonhante e babaca ainda, apesar de o pessoal gostar -, mas conseguimos fazer inicialmente algo mais restrito ao setor, uma pizza. Algo frequente entre nós, sem parabéns e com o aniversariante não pagando a sua parte.

Porém, sempre dou o "azar" de ter alguém a ter nascido numa data próxima e aí resolverem fazer algo para esta pessoa. Acabou que os parabéns sobraram para mim e que, com toda a coordenação, que incluía algumas pessoas apenas interessadas em se alimentar, tive que dividir os parabéns, mesmo que no canto.

Ano passado escapei por estar quase num momento de transição, quando se deram conta sobre aniversário já era tarde, cerca de seis meses depois. Ufa!!!

Só que este ano mais uma vez tinha um colega para fazer aniversário perto do meu e fui obrigado a escutar com antecedência, tudo isso devido a um "revisor de cadastro" que apareceu justamente uma semana antes do meu aniversário. Não o respondi, mas tinham cópias dos meus documentos.

P.S.: No próximo emprego suscetível a comemorações, lembrar de entregar cópias do RG com data de nascimento errada, de preferência com 29 de fevereiro.

Na maldita data começaram a me encher, mas nada como uma ameaça em tempos de terrorismo internacional para pararem. Você pode até pensar que é uma besteira da sua parte. Fique com a sua opinião porque para mim é altamente irritante.

Imagina se alguém mandasse você morrer, desde que não queira morrer, iria gostar? Eu afirmo que ODEIO aniversário e as pessoas continuam a me encher o saco com isso. Bem que poderia cumprir determinada profecia universitária de que eu tenho cara de alguém que fica calado o tempo inteiro mas um dia se irrita com todo e vira um serial killer.

O respeito aos outros deveria começar com essas mínimas coisas, mas pelo jeito é mais fácil seguir as normas e a tradição do que deixar a outra pessoa satisfeita no conjunto de suas diferenças.

domingo, 4 de abril de 2010

Circo a motor - Quinze minutos

0 comentários
"Quinze minutos de fama/Mais um pros comerciais,/Quinze minutos de fama/Depois descanse em paz./O gênio da última hora,/É o idiota do ano seguinte/O último novo-rico,/É o mais novo pedinte [...]" (Branco Melo/Sérgio Brito - Titãs).

A Fórmula 1 deste ano está com o jeito de seguir essa música titânica. Gênios como Michael Schumacher estão sendo metralhados pela crítica. A efemeridade pós-moderna já esqueceu do que ele fez antes, só importa o que ele (não) faz agora. Fernando Alonso era o líder do campeonato, Massa parecia se tornar seu coadjuvante de luxo, a RBR só quebrava, na Malásia só chovia...

Ah, antes de falar propriamente do final de semana, eu perdi cerca de quinze minutos tanto do treino oficial quanto da corrida - o que aparentou ser a melhor parte. O horário para nós é tortuoso: 5h. Nem de madrugada o suficiente para se manter acordado, nem de manhã o suficiente para acordar mais cedo.

TEMPORAL NO TREINO
Ficaram na primeira parte do treino as duas Ferraris e a McLaren de Lewis Hamilton. As esquipes resolveram ver as gotas de chuva caírem até o momento em que elas diminuíssem o ritmo. Como estamos falando de Fórmula 1, elas diminuíram mas prontamente voltaram, assim como um piloto corrige um pequeno deslize do carro. Resultado: 19º Alonso; 20º Hamilton e 21º Massa.

Para completar, a outra McLaren, de Jenson Button, ficou na brita na primeira tentativa do Q2, onde Barrichello e Schumacher brigaram por posições o tempo inteiro, e quase ficaram de fora do qualificatório final, onde Webber foi o único que arriscou com pneus intermediários e garantiu a terceira pole da RBR, com Rosberg em segundo, Vettel em terceiro e Rubinho em sétimo.

MALDITOS QUINZE MINUTOS...
A parte que não vi: Hamilton e Massa conseguindo sete posições só na largada; Vettel, que largou na parte limpa da pista, chegando em primeiro com duas ultrapassagens antes da primeira curva; M. Schumacher saindo da prova com problemas no carro e o principal, a surpresa de todos ao ver que a previsão do tempo se enganara, gigante sol!

Sobre a largada de Vettel, já é a segunda corrida em que um piloto - o outro foi Massa - que larga atrás consegue posições na largada com a ajuda de sair de uma posição mais limpa. Desse jeito, os pilotos passarão a preferir largar em terceiro ou em quinto do que em segundo.

Lewis Hamilton deu outro dos seus shows ao ir ultrpassando os pilotos um a um. Porém, quando chegou na Force India de Sutil, quinto colocado, parou. Na briga entre os motores dava empate: Mercedes X Mercedes.

Atrás dele, Massa, com uma estratégia de parada melhor, até demorou para passar Button e alcançar a sétima posição, mas viu Alonso ficar preso atrás do atual campeão da categoria e depois de algumas tentativas, e com problemas no carro, explodir o motor a poucas voltas do final.

Vettel e Webber fizeram a dobradinha da RBR no pódio, cuja vitória deveria ter chegado nas duas últimas corridas, com Rosberg em terceiro e Kubica em quarto. Alguersuari (9º) e Hulkenberg (10º) marcaram seus primeiros pontos na categoria. Os brasileiros Lucas de Grassi (14º) e Bruno Senna (16º) conseguiram levar os seus carros até o final da prova pela primeira vez.

Ah, faltou falar em Rubens Barrichello que teve mais uma de suas sessões de azar. Como ocorrera com o carro da Brawn por duas vezes no ano passado, a Willians do brasileiro demorou para arrancar na largada e ele perdeu onze posições, terminando a prova num modesto 12º lugar.

NA PONTA
O campeonato ficou equilibradíssimo. Apesar de a vitória agora valer mais, é um piloto que não venceu em nenhuma das três etapas até agora disputadas que lidera. Felipe Massa pulou para 39 pontos e supera Vettel e Alonso por dois pontos. Jenson Button e Nico Rosberg vêm logo atrás com 35 e Hamilton e Kubica também estão na mesma casa decimal com 31 e 30 pontos, respectivamente.

A próxima corrida será daqui a duas semanas, na China. É a chance de ver se Felipe Massa mantém a ponta e o melhor começo de temporada da sua carreira, se a RBR continua dominando como melhor carro, se Schumacher começa a pegar o jeito da nova F1,...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Circo a motor - Uma corrida para duas páginas

0 comentários
Desde o final do GP de Melbourne que não sai da minha cabeça como escrever de forma sucinta uma corrida que não teve nada de simples - bem longe da chata corrida do Bahrein. Poderia falar de tantos personagens: Button, Kubica, Massa, Alonso, Hamilton, Webber, Vettel e até de M. Schumacher.

Se escrevesse para um jornal pediria todas as páginas dedicadas ao caderno de esportes nesta segunda-feira. Pois foram tantas mudanças de posição, ultrapassagens, batidas, reviravoltas, erros, mudanças de estratégias, alterações na classificação,... Tanta coisa que fez valer a pena ter ficado acordado das 3h às 5h em pleno domingo - único dia que esse autor tem para descansar.

TREINO OFICIAL
Havia uma expectativa para nós brasileiros quanto as condições iniciais da pista. É que no treino oficial, todos achamos estranho o fato de Felipe Massa sempre ter ficado bem atrás do seu companheiro de Ferrari, Fernando Alonso, nas três partes da classificação.

Enquanto os carros da Red Bull mostravam ser superiores aos demais, com Alonso um pouco atrás, ficando em terceiro, Massa só conseguiu o quinto lugar, com Jenson Button à sua frente e a mais de meio segundo atrás dos três ponteiros. Uma grande diferença pois sabemos das qualidades do piloto brasileiro.

Em entrevista após o treino veio a explicação. Com a queda na temperatura, ele não conseguia esquentar os pneus e garantir maior aderência na pista. Só restava torcer para que o tempo ajudasse e a temperatura subisse cerca de 5° (para 27°). Ou então, na pior das hipóteses, que viesse a chuva, que traz uma verdadeira loteria em provas de alta velocidade.

TANTAS EMOÇÕES...
E a chuva veio antes mesmo de a corrida começar. Vinte minutos antes da prova, ela estava fininha e deve ter dado dor de cabeça aos engenheiros das equipes: colocar ou não pneu intermediário?

Com tudo úmido, todas as equipes optaram por deixar o pneu seco para outro momento e largar com o intermediário mesmo. A chuva só piorou o fato de que como se trata de um circuito de rua - algo que não sabia - Melbourne tinha o lado das posições pares bem piores quando comparado ao das ímpares.

Felipe Massa largou bem e se aproveitou das derrapadas de Alonso e de Webber, e também ultrapassou Button, para sair do quinto para o segundo lugar na corrida antes da primeira curva. Pelo que eu acompanho, esta foi a melhor largada do brasileiro pilotando uma Ferrari.

No meio do S que forma a primeira parte, dez títulos mundiais se chocaram. Button, M. Schumacher e Alonso se envolveram numa batida. Pior para Alonso, que virou o carro, e para o heptacampeão mundial, que teve que trocar o bico e passar "vexame" para ultrapassar a Virgin de Lucas Di Grassi e a STR de Jaime Alguersuari.

Ainda na primeira volta Kobayiashi saiu da pista e bateu de forma violenta no carro de Hukenberg, o que gerou bandeira amarela por algumas voltas. Após ela, com Massa se segurando para se manter à frente de Webber, já que a temperatura na pista caía com o tempo, Bruno Senna foi abandonado mais uma vez pelo seu Hispania.

A partir daí foi um show de ultrapassagens de Alonso e Hamilton, tentativas do velho Schummi, Webber tentando se aproximar em posições de Vettel, que liderava com folgas a corrida.

Algumas voltas depois, o que poderia ter sido a palhaçada da prova foi o que praticamente a definiu. Button resolveu se antecipar, e ainda com a pista úmida, colocou pneus para pista seca. ele foi passaear na brita logo depois da saída dos boxes. A previsão era que a chuva voltaria dali a dez minutos. Mas não voltou.

A maioria dos outros pilotos só trocou os pneus duas, três voltas depois. O inglês ainda realizou ultrapassagens, já que estava com o carro bem mais rápido, e se beneficiou das paradas para aparecer no segundo lugar quando as coisas se "normalizaram".

Na 25ª volta, mais uma vez Sebastian Vettel viu sua RBR, disparado o melhor carro quanto à velocidade no grid, ter problemas. Se na corrida anterior foi a vela que fez com que ele tirasse o pé do acelerador, desta vez foi o freio direito que faltou numa curva, fazndo com que o jovem alemão ficasse na brita e perdesse a chance da primeira vitória.

Nas mãos de Jenson Button, a corrida só poderia ser alterada se ocorresse algum problema na substituição dos pneus macios. Mas quem disse que ele parou para trocar os pneus? Nem ele, nem Kubica, nem Massa, nem Alonso.

Azar do espanhol, que mesmo com um rendimento melhor que o seu companheiro de equipe, não pôde ultrapassá-lo para evitar riscos - fora o claro desgaste nos pneus de ambos - e ainda teve que segurar Hamilton e Webber com facas nos dentes por mais de dez voltas. Os dois bateram e deram a quinta posição para Rosberg, que também pressionou o sensacional Alonso.

Com o resultado, o atual campeão mundial venceu a prova e já pulou para terceiro na classificação, com 31 pontos. Kubica surpreendeu, com uma Renault aquém do seu nível de piloto, na segunda posição. Felipe Massa marca o seu melhor início de temporada com dois pódios e 33 pontos marcados - o máximo que tinha conseguido na Austrália fora um sexto lugar. Alonso continua na liderança com 37 pontos. Rubens Barrichello terminou a prova na oitava posição e está com cinco pontos no campeonato.

Das novatas da "série B", a grande surpresa ficou por conta de Chandhok, da Hispania. O companheiro de Bruno Senna conseguiu terminar a prova, que contou com oito desistências e a não-largada de Jarno Trulli, da Lotus.

O circo praticamente não pára e já no próximo final de semana colocará sua tenda na Malásia. Se a corrida tiver metade do que teve essa já será uma a tração daquelas!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Notícias por “motivação política”

1 comentários
Uma notícia movimentou os meios de comunicação alagoanos neste início de mês. Segundo a gerente de um cinema recém implantado num shopping da capital, policiais civis tentaram entrar de graça na primeira sessão de uma segunda-feira (08/03). Como ela não permitiu, eles chamaram reforço e levaram-na presa. Os policiais afirmaram que estavam numa operação para verificar tráfico de drogas no cinema. Porém, não apresentaram nenhum documento e depois não continuaram na suposta operação.

O assunto infestou o noticiário durante toda a semana, com direito a matérias em telejornais nacionais (Jornal Hoje, Jornal Nacional, Jornal da Record e Fala Brasil). Em meio às tentativas de explicação, o secretário de Estado da Defesa Social, Paulo Rubim, afirmou, no dia seguinte ao ocorrido, em entrevista coletiva que a atuação da imprensa, especificamente do grupo Gazeta de Alagoas neste caso tinha motivação política.

A base para tal possibilidade é o cada vez mais próximo período eleitoral, que nos bastidores já começou desde o fim do ano passado. Como alguns devem saber, o maior grupo comunicacional de Alagoas pertence à família do senador Fernando Collor de Mello (PTB). O ex-presidente do Brasil é um dos nomes que formam o “chapão”, agora “Frente Popular”, que aturará em oposição ao atual governador do Estado, o ex-senador Teotônio Vilela Filho (PSDB).

Fazem parte do grupo, que se caracteriza por ser formado pelos partidos da base do Governo Lula, nomes como o do senador Renan Calheiros (PMDB) e o ex-governador, e pré-candidato a um novo mandato, Ronaldo Lessa (PDT), além de partidos como PT e PCdoB.

CORONELISMO ELETRÔNICO

Com o período de disputa eleitoral praticamente em vigor, ficará difícil afirmar por essas bandas o que é ou não produção de matéria por motivação política. Afinal, sempre é mais fácil apontar a ausência de determinado assunto na pauta desse ou daquele noticiário do que a existência de matérias que prejudiquem alguém.

Em Alagoas, fixando nos grupos televisivos, as três TVs privadas pertencem a três grupos políticos: a TV Gazeta, à Organização Arnon de Mello; a TV Alagoas, à família Sampaio (do ex-vice-governador Geraldo Sampaio); e a TV Pajuçara, à uma sociedade entre o ex-deputado federal José Thomaz Nonô (DEM) e o senador João Tenório (PSDB), que também possui ações na TV Gazeta.

Neste caso específico da “carteirada” no cinema, a TV Pajuçara, cujos dois sócios são aliados do governador Téo Vilela para as próximas eleições, também fez matérias e teceu comentários sobre o assunto. Além disso, a TV Record, cuja emissora é retransmissora, também noticiou o fato – com o erro de afirmar que a gerente do cinema era bilheteira.

A única diferença que pode ser apontada é que em dois dias os apresentadores do ALTV 1ª Edição, jornal do horário do almoço da TV Gazeta, dialogaram por cerca de dez minutos sobre o tema, mostrando a proibição da entrada gratuita dos policiais, até mesmo com citação de artigos de lei, estando fora de serviço. Porém, isso ocorreu depois da reclamação do secretário.

Se isso ocorre no ramo televisivo, imagina o que vai ocorrer com as rádios, a imensa maioria nas mãos de políticos espalhados na capital e no interior. Além dos candidatos oriundos de programas de rádio e de TV, que já começaram a campanha, seja apontando ainda mais os erros dos governantes ou, até mesmo, largando estúdios com condicionador de ar para fazer matérias nas favelas da capital.

O período para afastamento dos meios de comunicação – algo que esse tipo de candidato reclama – está próximo, mas os repórteres saem na frente dos demais por terem ampla divulgação de suas visitas e de suas propostas.

Do outro lado, os meios de comunicação continuarão a mostrar o que quiserem de quem quiser. O período eleitoral só vai focar um ponto ou outro da pauta “jornalística”, no que a lei eleitoral ainda permite.

Se o secretário reclamou de motivação política numa notícia que só existiu pela tradicional (em todo o Brasil) “carteirada” de policiais, ele não perde por esperar o que virá nos próximos meses.