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quinta-feira, 7 de março de 2013

[Por Trás do Gol] Como pensar que esses caras querem o bem do Palmeiras?

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Duas derrotas seguidas em jogos fora de casa pela Libertadores. Contra o Libertad, o time demorou para entrar em campo; ontem, o Kleber foi displicente, o Vilson foi expulso e o gol saiu de bola parada - e com impedimento. A classificação é: Libertad 7; Sporting Crystal 4; Palmeiras e Tigre 3. Dois jogos em casa em seguida. Bem menos difícil que muitos falaram ontem. 

Mas para um time que para contratar jogadores precisou mandar embora o craque da equipe; que disputará a Série B no segundo semestre, o que afasta a chegada de alguns nomes; com grandes problemas políticos internos, etc, etc, etc. Para que raios esses caras foram acrescentar mais um tópico nesta lista? Inadmissível e que envergonha a nós torcedores do Palmeiras!

Cobrar e xingar nos estádios - por mais que eu discorde que se faça isso antes das partidas, como eu vi ocorrer no Beira-Rio ano passado -, tudo bem. Protestar em frente ao clube, especialmente contra os dirigentes nefastos que se engalfinham pelo bem de si mesmos, também. Fazer o que fizeram ontem, num aeroporto - onde tem outras pessoas, algumas das quais provavelmente nem sabiam do jogo -, atirar objetos a esmo, que feriram o Prass, bom goleiro, chamar os jogadores para briga? Para quê? 

O Valdívia irrita todos os torcedores palmeirenses e parece que ontem nem foi mal. Nobre e Brunoro só começaram a gestão. Por mais que se possa discordar de certas atitudes, aparentam tentar algo para o bem do clube, para além dos próprios umbigos. Isso cheira a atitude bancada por setores políticos. O time já perdeu muito ano passado quando alguns desses caras - se é que não havia as mesmas pessoas de novo no Aeroparque - pularam setores do Pacaembu para bater nos (bananas) dirigentes. Jogamos longe da capital partidas primordiais para fugir do rebaixamento. Nova briga no interior, agora com policiais, e já iniciamos a Série B deste ano jogando distante.

Como pensar que esses caras querem o bem do Palmeiras?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

[Por Trás do Gol] Tragédia em Port Said e a Primavera Árabe

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O que ocorreu ontem no Estádio Port Said, em cidade de mesmo nome do Egito, com 74 mortos e cerca de mil feridos, poderia ser muito bem utilizado por quem ojeriza o futebol como uma "prova" da violência  que o esporte pode possibilitar. Partindo do lado apocalíptico, que o define como "ópio do povo", alienador, que alguns optam por entender a partir do seu potencial de recepção no mundo. Não é tanto, mas também tampouco...

Wisnik, num livro recém comentado aqui no blog, aponta a potência do futebol perante várias dualidades e contradições. Uma delas é a capacidade de centrar conflitos dentro de campo, numa competição normatizada; um conflito dentro das regras e do fair play. Porém, ao mesmo tempo, há a possibilidade de se criar rivalidades que se aprofundam para além das quatro linhas, em estereótipos que não necessariamente refletem a realidade, mas que estimulam a violência entre as torcidas.

Pelo que se escreveu e se mostrou desde ontem, há uma forte rivalidade entre o Al Ahly e o Al Masry. O Ahly, que foi campeão asiático, mais recentemente, em 2005, 2006 e 2008, jogava fora de casa e abriu o placar. No segundo tempo, o Masry virou e vencia por 3 a 1. A cada gol dos donos da casa, segundo o atacante brasileiro Fábio Júnior, do Ahly, havia invasão da torcida. Depois do último gol, isso se deu de uma forma tão grande que o árbitro teve que encerrar a partida.

Em vez de "só" comemorar a vitória - importante, pois o rival estava invicto no torneio -, a torcida optou por fazer uma caça aos adversários, com os jogadores, desesperados, partindo para o vestiário sem ter a certeza que poderiam sair. Pior para seus torcedores, que ficaram trancados no estádio sem qualquer proteção. Além da pouca presença policial para um jogo de risco, sobreviventes dizem que os seguranças e policiais nada fizeram para tentar impedir a tragédia e todas as saídas estavam trancadas. Uma das justificativas levantadas é que os policiais estão evitando reprimir qualquer manifestação (!) - mesmo que ela signifique 74 pessoas mortas...

Do lado ocidental, as "tradicionais" críticas ao vandalismo ainda presente num lugar em que a "evolução" ainda não chegara - como se por aqui não houvesse confronto entre TOs... Não faltaram comparações com outras tragédias no futebol mundial, a última em terras "desenvolvidas" ocorrendo em 1989. Após isso, optou-se por fazer uma "higienização" do futebol inglês, que se varreu os hooligans de seus estádios, tirou muito torcedor de "verdade" deles. Em suma, teatralizou-se o esporte.

Um dos jogadores do Ahly acrescentou ainda que a Federação sabia dos riscos de manter o Campeonato Egípcio, mas assim o fez por conta do dinheiro. Sabendo do perigo, os jogadores também seriam culpados por entrarem em campo.

PRIMAVERA ÁRABE
Há cerca de um ano, movimentos sociais se reuniam na Praça Tahrir para derrubar o governo autoritário de Hosni Mubarak, em meio a protestos que seguiam outros países e que ficou conhecido como "Primavera Árabe". Algo que continua em andamento, por mais que pouco a mídia ocidental nos mantenha informados sobre.

Torcedores organizados do Al Ahly e do Zamalek, rivais no Cairo, uniram-se para transformar a organização da torcida em manifestação social. E é aí que vem o fato "além das quatro linhas". Inclusive, os "ultras" - denominação para torcida extremamente fanática, com ligações de extrema direita ou de extrema esquerda - do Al Ahly fundaram um partido, o Beladi, para difundir "o crescente espírito de liberdade política do país". Liberdade esta que não se aplica na prática, já que congressistas de setores ligados à direita são maioria e a junta militar continua no poder, mesmo uma ano após a saída  de Mubarak.

Segundo os torcedores, que voltaram a se manifestar hoje partindo da Praça Tahrir e da sede do clube em direção ao Ministério do Interior do Egito, a omissão por parte do Estado se deu porque os torcedores participaram e participam diretamente dos protestos contra o antigo regime e o atual, de suposta transição. Com alguns políticos se acrescentando à ideia de que a tragédia teria sido orquestrada por pessoas que defendiam a situação anterior.

Se a Polícia não trabalhou no jogo, oprimiu a manifestação de hoje, deixando (mais) cerca de 400 pessoas feridas, que foram alvo de bombas de gás lacrimogêneo.

IMPRENSA
Acompanhando pela internet e as imagens da TV, primeiro é preciso dizer que o audiovisual pouco disse de concreto, atados às informações das agências internacionais e sem nenhuma explicação para além de briga entre torcedores. No caso da internet, há algumas diferenças.

Ontem fiquei curioso com uma notícia, se é que dá para chamar disso uma colcha de matérias de agências internacionais, do portal IG. O título é: "Torcedores estão envolvidos em recente crise política no Egito". A dúvida inicial: "torcedores de qual time?". Reli o texto hoje e entendi - algo que coloquei acima. Mas o final dele justifica o tom negativo presente no título, que acaba revertendo a situação de quem foi oprimido, algo bem comum por essas bandas:

"Entre os torcedores egípcios, os do Al-Ahly, conhecidos como "ultras" e alvos dos ataques desta quarta-feira, são particularmente violentos. Recentemente eles fundaram o partido político Beladi, que quer dizer meu país, para difundir o crescente espírito de liberdade política no Egito.

A ideia nasceu depois que as torcidas organizadas conseguiram traduzir as táticas de rivalidade esportiva para a revolução urbana. Mas, em alguns protestos recentes, os ultras foram acusados de incentivar a violência entre os manifestantes e as forças de segurança, e até de combater a polícia".

Confesso não ver problema em reverter a organização das torcidas de futebol para a revolução urbana como a que se deu na região árabe. Já fiz, inclusive, matéria no tempo da graduação sobre uma torcida ultra aqui do Brasil, do Ferroviário-CE, que defende: "Nem guerra entre torcidas, nem paz entre classes". Nem precisava dizer que sou totalmente contra aos ultras fascistas, muito encontrados, e difundidos pela mídia, na Europa discriminando jogadores negros...

POR MAIS INFORMAÇÕES DAS LUTAS ÁRABES!
O Campeonato Egípcio foi interrompido hoje, mas reiteramos que as manifestações em muitos países árabes não pararam e precisam ser difundidas para o Ocidente. Um dos grandes problemas foi a quase "desideologização" dos mesmos, ou seja, eles sabiam o que não queriam, mas não o que colocar no lugar. Se a falta de partido na vanguarda é algo interessante, isso gera o problema de não se ter o que por no lugar.

Que os fatos ocorridos ontem e hoje no Egito, dadas as devidas condolências e até como fator de justiça, signifiquem uma atitude de maior observação do que ainda continua acontecendo no Oriente Médio. Não se pode calar perante absurdos cometidos contra as pessoas em qualquer lugar do mundo - e isso serve também para o que aconteceu na desocupação do Pinheirinho, aqui no Brasil. Não nos esqueçamos, não deixemos de falar e não deixemos de nos comunicar sobre tamanhas atrocidades.

sábado, 18 de junho de 2011

Questões de segurança pública na Revista Piauí de maio

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"Cheguei ao texto "Engolfado pela violência" (edição_56, maio de 2011) após a sugestão de uma professora da UFAL por email. Ela disse que ficara surpresa com o fato de Plínio Fraga ter colocado um dos filhos do ex-presidente Collor como exemplo da juventude alagoana. Acabo de ler a reportagem e até parabenizo o autor pela tentativa piauística de "ir além do óbvio" sobre o problema da segurança pública no Estado, mas questiono seriamente a escolha de Arnon. 

Como colocado inclusive no próprio texto, ele teve a oportunidade de estudar na Suíça e nas melhores universidades do mundo, nos Estados Unidos. Foi a Alagoas para assumir o maior clube do Estado como trampolim político-eleitoral. A ideia, que também está na matéria, era criar um sucessor dentro da família. Como deu errado, ele saiu do Estado.

Dizer que "falta perspectiva" para o jovem alagoano chega a ser até desrespeitoso a mim e a outros colegas e amigos que têm perspectivas, e imagino que não sejamos poucos, e que temos que conquistar as coisas por conta própria, com muito suor, e não por um sobrenome. Quem eu conheci que cursava Direito era para facilitar a entrada num concurso público qualquer. Desembargador, como o próprio Arnon colocou, só para quem conhecia os meandros da política local, que imagino que não seja o caso dos meus conhecidos.

Hoje estou cursando mestrado, com bolsa, numa universidade do Rio Grande do Sul e posso garantir que não estaria aqui se não tivesse perspectivas de vida".

Carta enviada de forma online para a Revista Piauí após a leitura da matéria "Engolfado pela violência: Estado campeão em homicídios, Alagoas recorre a um ex-braço direito de Collor para diminuir a criminalidade e escapar da maldição de Graciliano Ramos", publicada na Edição_56, maio de 2011.