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domingo, 8 de junho de 2014

[Circo a motor - Comentários] Incrível!

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Ainda que a temporada tivesse a supremacia de uma equipe, a Mercedes, a disputa equilibradíssima entre Hamilton e Rosberg, com direito a troca de farpas em Mônaco, alimentava a Fórmula 1 até agora. Foi assim que todo mundo partiu para a corrida em Montreal, no Canadá. E como cheguei a comentar em outras corridas, só a própria Mercedes para tirar uma vitória de suas mãos. foi o que ocorreu hoje.

Numa corrida muito boa, cheia de alternâncias, o australiano Daniel Ricciardo venceu sua primeira prova na categoria, colocou-se em 3º lugar no campeonato, à frente do tetracampeão Sebastien Vettel (em 5º) e viu Rosberg se salvar em meio aos problemas que chegaram a ser "impossíveis de se resolver" durante a corrida. O segundo lugar do alemão, que ficou ou em 1º ou em 2º em todas as provas até aqui, pode ser fundamental numa disputa tão equilibrada como a deste ano. Hamilton abandonou pela segunda vez no ano e viu a diferença voltar a subir, agora para 22 pontos.

Mas teve emoção também para os brasileiros. Se pela primeira vez no ano nenhum carro da Mercedes venceu, Felipe Massa foi o primeiro piloto a liderar corridas sem ser Hamilton ou Rosberg. Por alguns momentos, os brasileiros que acompanhavam a corrida voltaram a sentir a emoção de ter uma vitória de um local na Fórmula 1. A informação inicial era de que a Willians o faria ficar na pista com apenas uma parada. Não deu. Ele voltou bem mais rápido que os demais, conseguiu algumas ultrapassagens, mas na última delas, na abertura da derradeira volta, ficou pelo caminho. Críticas foram ditas, mas os comissários de prova viram erro de Pérez, que por problemas nos freios antecipou o ponto de freada, passando para a esquerda no exato momento que Massa colocou o carro de lado.

O lamento fica porque estava sendo uma excelente corrida do brasileiro, com ultrapassagens, liderança, chance real de pódio e até de vitória, mesmo com o erro da equipe no primeiro pit stop. No campeonato, o sétimo lugar de Bottas cria uma diferença que não existe nos cokpits, 40 a 18 para o finlandês. Resta torcer para que a real melhora da Willians no Canadá siga para as próximas corridas. Se a Mercedes tiver novos problemas, mais chance de disputa geral, não só pelo terceiro lugar do pódio.

Veja abaixo a storify nossa desta corrida, que mostra bem a mudança de emoções ao longo do GP de Montreal de 2014:





terça-feira, 2 de julho de 2013

[Circo a motor] "Estamos falando da vida dos pilotos”

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Imagina num grande circo, um de Soleil da vida, o trapezista está fazendo suas acrobacias e uma das cordas acaba estourando. Susto do público, mas uma rede lá embaixo para proteger. Imagina isso ocorrendo quatro vezes e noutra oportunidade, a corda quase estourar. Imagina agora você dirigindo um monoposto a quase 300 km/h e um dos pneus simplesmente estourar...

Só por esta introdução dá para imaginar o porquê de apesar de ter 3 líderes diferentes, com muita disputa nas 7 voltas finais e ao menos 3 pilotos (Webber, 2º; Hamilton, 4º; e Massa, 6º) com excelentes recuperações, o que ficou do tradicional GP de Silverstone foi o perigo que a fornecedora de pneus, a Pirelli, causou aos pilotos.

Independentemente de Ferrari, Force India e Lotus não terem aceitado as mudanças nos pneus para o GP britânico - até então era obrigatório o consenso entre as equipes -, não dá para imaginar que um pneu com 6 voltas vá estourar. Que outro estoure duas voltas depois, mais outro algumas voltas adiante, outro na metade final da corrida e mais um murche do nada.

A RBR, especialmente, já havia se pronunciado contra o desgaste excessivo dos pneus como uma forma de gerar competitividade à Fórmula 1. Vettel já havia até discutido com seu engenheiro após levar bronca por tentar fazer a volta mais rápida de uma corrida, quer dizer, andar ao máximo apenas por uma volta. No final de semana passada chegamos ao limite, pois colocou em risco a segurança dos pilotos, como comprova a frase que dá título a este post, de Pérez, que teve de abandonar a corrida após o pneu estourar, e o tuíte de Fernando Alonso, que estava atrás dele, que legenda a foto que também ilustra este post:

"Hoje na corrida nos puseram à prova os reflexos..! 288 km/h, 3,6g lateral, curva em reta".

#GodSaveOurTyres
Há perfis no Twitter, de forma geral, que apesar de serem oficiais são hilários. Na Fórmula 1, o melhor deles é o da Lotus. Tudo bem que o carro é reconhecido como o que mais poupa pneus nesta temporada, mas eles foram proféticos na hashtag para este GP: "Deus Salve nossos pneus".

A classificação da equipe não foi lá essas coisas, com Gosjean largando em 8º e Raikkonen em 9º. Ainda assim, bem melhor que os carros da Ferrari, com Alonso largando em 10º e Massa em 12º - ganhariam uma posição após punição a Sutil. O brasileiro, por sinal, começava a sofrer pressão dos jornais italianos por ter batido no treino livre. Seria a 3ª batida em 4 por culpa dele nas últimas 3 corridas.

Lá na frente, Hamilton colocou mais de 4 décimos no companheiro de Mercedes Rosberg e largava na pole. Ambos seguidos pelas RBRs de Vettel e Webber.

Na largada, Vettel pulou para segundo, enquanto Webber, que anunciara a aposentadoria dos carros de F1, abrindo uma importante vaga para 2014, caía para 15º. Alonso também não largou bem, chegando a ir a 11º, recuperando as posições perdidas ainda na 1ª volta. Bem mesmo foi Felipe Massa, que pulou do 11º para o 6º lugar antes da primeira curva e alcançaria o 5º lugar antes da primeira volta. Espetacular e providencial!

As coisas pareciam caminhar bem quando Hamilton teve um pneu estourado, para frustração de seus compatriotas, logo após passar pela linha de chegada. Uma volta inteira com o pneu dechapado e ida ao último lugar. Vettel assumia a primeira posição e Massa já pressionava Di Resta pelo 3º lugar quando o pneu dele também dechapou.

Depois disso, mais outro pneu dechapado, só que o pneu duro de Vergne, e a necessidade do Safety Car entrar para saber se aquilo ali poderia continuar. Lembrei na hora do GP de Indianápolis de 2005, em que os carros da Michelin não correram por falta de segurança. Foi a melhor prova das Minardi na história da categoria que, depois disso, ficaria alguns anos sem pisar nos Estados Unidos.

Na 42ª volta a tal falta de sorte a Vettel, que Alonso pede desde o início da temporada, chegou. O carro foi parando na linha de chegada por quebra no câmbio. Rosberg assumiria a liderança para não mais soltar, enquanto Fernando Alonso tirava Raikkonen - e sua nova "aerodinâmica pessoal", leia-se cabelo moicano - do pódio.

Enquanto isso, Webber já estava em segundo e torcia por mais algumas voltas para ganhar a corrida de forma excepcional e ainda "dedicá-la" à equipe que tanto o ama. Para alegria dos ingleses, Hamilton chegaria em 4º. Massa conseguiu fazer uma excelente corrida e chegar em 6º. Não só ele, mas a Ferrari esteve com um ritmo de corrida bom, lembrando o ano passado, quando não conseguia largar bem, mas recuperava na pista no domingo.

Ah, Raikkonen chegou em 5º, por erro da equipe que não trocou seus pneus com o Safety Car que surgiu por conta da quebra de Vettel, mas ainda assim quebrou um recorde e de M. Shumacher, que já durava 10 anos: ele é o piloto com mais corridas seguidas na zona de pontuação, 25.

Para o campeonato, a diferença entre os líderes caiu 15 pontos, agora estacionada nos 21. Nos construtores, a Mercedes ultrapassou a Ferrari por 3 pontos e está em segundo.

No meio da confusão dos pneus, para piorar para os lados da fornecedora, já tem corrida no próximo final de semana, na Alemanha. Reuniões e mais reuniões, muita pressão da FIA e sabe-se lá até se os pneus de 2012 não retornarão. De fato, não dá para esperar que a trapezista caia e muito menos que algo bem pior ocorra num desses carros.

terça-feira, 28 de maio de 2013

[Circo a motor] A tradição de Mônaco e a vitória depois de 30 anos

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Se falamos de tradição em Indianápolis, Mônaco só permanece na Fórmula 1 por conta disso, inclusive porque a maioria dos pilotos e até mesmo dos jornalistas envolvidos com a categoria (né Galvão Bueno?) moram ou têm casa por lá. Fora que o principado deve dar muita grana anualmente para Bernie Eclestone e companhia para a corrida seguir pelas ruas do principado - que voltará a gastar muito dinheiro com seu time de futebol para a próxima temporada.

Acabamos não falando da supremacia da Ferrari em Barcelona. Vitória de Fernando Alonso e 3º lugar de Felipe Massa, com Vettel em 4º e Raikkonen em 2º seguindo na liderança do campeonato. Para Mônaco, onde o treino praticamente define a classificação final da corrida, os indícios da quinta-feira - já que na sexta todo mundo tem que se recuperar das farras - eram que a equipe ficaria na briga com a Mercedes pela pole.

Muito longe disso. Massa bateu forte na Saint Devote no último treino livre e não deu tempo para a Ferrari recuperar o carro. Na hora do vamos ver, mais uma poleposition da Mercedes, a terceira seguida de Rosberg, com direito a dobradinha com Hamilton. Na segunda fila, os dois carros da RBR, Vettel e Webber, que venceram as últimas 3 corridas no principado. Alonso só aparecia em sexto....

CORRIDA
Não tem lugar mais elitista que Mônaco. Iates, mulheres bonitas, festas e tudo isso com sol sem qualquer cobertura. Mas isso para quem está lá e pode aproveitar. Em casa, de frente à TV, com pouca expectativa de bom resultado brasileiro e de ultrapassagens, o sono logo me apareceu. Ô circo sem graça.

Cochilei, também por ter visto o UFC na madrugada anterior, e só acordei com 5 voltas. Nada de alteração na frente e Massa já engavetado por Hulkenberg lá atrás, em 18º. Quando as primeiras paradas começaram, ainda no seu início, a Ferrari de Massa batida na Saint Devote. Mesmo lugar do sábado, só que bem mais forte e desta vez por conta de um problema na suspensão esquerda.

Todo mundo para os boxes e lá Hamilton perderia duas posições para as RBRs. Todo mundo junto, mas ameaça mesmo só da 3ª posição para trás. Pelo menos a prova ganhou em graça, especialmente graças a Pérez. Do nada, uma brechinha e já era Button.


Enquanto Grosjean batia pela 4ª vez no final de semana e gerou nova bandeira amarela, Maldonado era fechado por Chilton e causaria algo inédito, mesmo para as estreitas ruas de Mônaco. A proteção de pneus pulou para a pista e gerou uma bandeira vermelha para ser recolocada. Tempo de ajeitar os afazeres domésticos, enquanto Rubinho, Galvão e Reginaldo iam enrolando o telespectador - o que há de mais difícil em transmissão ao vivo.

Corrida volta e em outra brecha e mesmo com Alonso enganando, outra posição ganha por Pérez. Sutil também ia passando com habilidade com sua Force India.

Pérez atrás de Raikkonen e na primeira tentativa, quase uma batida. O piloto finlandês, com sua supersinceridade de sempre, avisa à equipe: "Esse idiota teria batido em mim se eu não tivesse ido reto". Na segunda vez, não houve jeito, batida e Raikkonen vendo pontos importantes indo embora.

Se Alonso sofria para se manter, perdendo mais uma posição, agora para Button, Raikkonen tinha poucas voltas para ganhar cinco posições e entrar nos pontos. Melhor do que falar, é mostrar como ele chegou ao 10º lugar e a 23ª corrida seguida na zona de pontuação:



Rosberg completava tranquilo em primeiro, repetindo a vitória de 30 anos atrás do pai, Keke Rosberg, chegando ao alto do pódio antes de Hamilton em 2013, o quarto vencedor do ano (os outros são Vettel, Alonso e Raikkonen). Para Vettel, apesar do segundo lugar, foi um resultado muito bom para o campeonato, com 107 pontos, contra 86 de Raikkonen e 78 de Alonso, que chegou em 7º. Webber completou o pódio, com Sutil, Button, Vergne e di Resta completando a zona de pontuação. 

POLÊMICA
Por mais que os rivais admitam que a vitória da Mercedes em Mônaco não foi por conta disso. Deu muito o que falar, e ainda dará, os treinos secretos feitos pela equipe com os pneus da Pirelli após o GP de Barcelona. Foram 1000 voltas com o carro deste ano porque a equipe sofria muito com os pneus, assim como a RBR.

Por mais desculpas que deem, em tempos de restrição a treinos para conter os gastos e com os pneus sendo preponderantes nas corridas - a ponto de Vettel só poder fazer uma volta com potencial máximo numa corrida - é muita vantagem para a equipe cujo carro mais desgasta pneus. Mesmo sendo mais rápida nos treinos em 2013, a Mercedes perde muito ritmo nas provas por conta disso, ao contrário, por exemplo, da Lottus.

Resta saber o que a FIA fará em relação a isso.

O circo monta a sua tenda no Canadá, daqui a duas semanas.