segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Por trás do gol

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Nada como falar mal de jogador atrás do gol ou dentro de cabines com condicionador de ar. Para combater os que fazem isso e utilizam bordões tais como “esse até eu fazia”, surge a coluna “Por trás do gol”. Além da crítica à imprensa esportiva, alguns comentários que merecerem ser dados dos esportes, especialmente o futebol, também ocorrerão, apesar de este não ser o foco.

ERRO DIGITAL – No primeiro dia do cenário virtual, idéia bastante usada na Band, já haviam “cortado” um pouco da cabeça de Louise Altenhoffen no Band Esporte Clube (BEC). Ontem, estréia nos domingos, foi a vez de "cortarem" o braço. Tudo bem que o programa é ao vivo, mas edição de imagens ainda existe.

ERRO DIGITAL 2 – As imagens dos gols de sábado do Campeonato Brasileiro travaram no BEC. Só uns cinco minutos depois que tudo voltou ao normal, só que com os gols da Série B.

DESMANDOS – Imagens do BEC, não críticas a ele. O ex-deputado federal, o primeiro afastado por corrupção, Luiz Estevão fez gestos obscenos à torcida do Brasiliense no clássico contra o Gama. Detalhe: ele é dono do Brasiliense. Desmandos aqui, falta de educação ali e muito dinheiro na conta.

REPRISE – Mais uma gafe do pessoal da Band. Início de jogo do Campeonato Italiano e a lista de jogos encerrados. Não mais que de repente, o último aparece: Torino1X3Inter. Exatamente o jogo que estava sendo transmitido, ainda no primeiro tempo. Alguma dúvida do resultado final?

ABRAÇO – Radialista alagoano foi impedido de entrar em campo em Salgueiro-PE, na partida do time desta cidade contra o ASA. Não teve jeito, os companheiros até que tentaram interceder, mas sem a carteirinha da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias comprovando ser radialista não entrava em campo.

SURPREENDENTE – a atitude de Luciano do Valle na narração do jogo Sport X São Paulo. Após críticas no semestre passado aos seus companheiros de narração, os comentaristas Oscar Roberto Godói e Neto, Luciano reclamou do fato de estar em Pernambuco sem os comentaristas e, além disso, não poder escutar direito o que eles falam.

FRASE DA COLUNA– “Você não sabe o que te espera, Grêmio”. Vá lá que eu sou totalmente imparcial no que se refere à Série A do Brasileiro, especialmente nas atuais condições, mas ainda quero entender o motivo da birra do narrador da Jovem Pan AM Rogério Assis. Após cada gol da vitória de 2X0 do Verdão contra o Vasco saiu um aviso desses ao tricolor gaúcho.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Uma ode ao real

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A alguns dias li o livro A Revolução dos Bichos, de George Orwel. Após várias tentativas de encontrá-lo na Biblioteca da Ufal, uma colega de turma me emprestou. Vamos a alguns comentários que acredito que sejam pertinentes, principalmente no que se refere à sua atualidade e ao que foi dito sobre sua análise do contexto histórico em que fora escrito.

De antemão discordo dos que acharam o texto de Orwell uma ode ao capitalismo. Hoje, vinte anos depois do início da derrocada do que se convencionou erroneamente denominar de “socialismo real”, percebemos o quanto aquilo que fora escrito ainda após a Segunda Guerra Mundial, 1945, só teve seus deméritos fortalecidos ao longo dos anos; da mesma forma que ocorreu com os defeitos apresentados no mundo sobre a égide do Capital.

O contexto do início da Revolução com a realidade social dos animais sendo oprimidos pelos seres humanos continua ainda hoje, tanto na relação humano-animal quanto entre os próprios homens. Vários foram os projetos de proteção aos animais que surgiram de lá para cá, mas, por incrível que pareça, poucas são as organizações que se mantêm enquanto uma proposta coerente de transformação real das condições subumanas em que vive a maioria das pessoas.

O processo de criação do livro, que representa o fim da opressão animal, surgiu na mente de Orwell ao ver como uma criança andava com um cavalo, molestando-o, mesmo sendo infinitamente mais fraca que o mesmo. Resolvera, então, mostrar a teoria marxista através da realidade dos demais animais, numa simples granja, em que o senhor Jones representaria o primeiro dos capitalistas e os cavalos, ratos, vacas, galinhas, ovelhas... os trabalhadores.

No transcorrer do livro, vemos como o "Trabalharei ainda mais" do cavalo (proletário) Sansão vai causando a sua morte, isso quando as coisas na agora Granja dos Bichos deixam de ter produção recorde e com menos trabalho e as divisas, que desde o início eram desiguais, tornam-se ainda mais favoráveis a certos setores de animais.
Em paralelo a isso, alguns atos definidos após a grande batalha de conquista são proibidos. O hino “Bichos da Inglaterra” (espécie de Internacional Comunista) foi proibido, uma frase de elogio ao ditador da Granja fora pintada e todos os pontos dos Mandamentos - que servia para diferenciar "duas patas de quatro patas" foram modificados com a finalidade de adequar às mordomias humanas que os porcos passavam a conhecer. Manipulação teórica lembra alguém?

De imediato a reposta vem a ser Stálin. Abro, porém, um parêntese na linha discursiva para questionar o que foi feito com esse texto de Orwell na parte ocidental do mundo. Será que não fora também uma manipulação de acordo com os interesses do capitalismo dominante (EUA e Inglaterra)? De início, amigos dos stalinistas, não quiseram sequer publicar a obra por pensarem que irritaria ao comparar os soviéticos com porcos. Pouco tempo depois, e o esfriamento nas relações, o texto virou ataque ao tal do “socialismo real”.

No final, um encotrno de taças representa claramente uma conciliação de classes, mesmo que a classe menos favorecida não tenha sido consultada para tal. A República na qual se transforma a Granja lembra muito terras tupiniquins atualmente com um presidente que veio das classes menos favorecidas só que preferiu se render aos capitalistas. Na época, serviu como paródia do encontro entre Churchill, Roosevelt e Stálin.

Pena que não possa tratar de acontecimentos marcantes do livro, até mesmo para não anunciar o seu final. Porém, posso dizer que o seu término deixa um sentimento de revolta, especialmente para quem deseja uma transformação social radical. Principalmente porque representa a nossa realidade, mesmo após mais de sessenta anos de escrito, assim como, explica muito do que se viu depois, independentemente de nomes. Virou praxe brigar em público e realizar jantares íntimos para selar acordos econômicos, vide relação Estados Unidos e Venezuela, com o seu “socialismo bolivariano”.

Por isso é que entendemos A Revolução dos Bichos enquanto uma ode ao real. A realidade e seus conflitos, suas diversas formas de opressão, suas imposições, oportunismos, enfim, tudo que reflete as desigualdades sociais iminentes. Esta mesma realidade que mostra a necessidade de se compreender que não há consciência de classe com um “todos são iguais, porém uns são mais iguais que outros” (democracia), e sim, quando a classe oprimida perceber sua função social e, principalmente, sua capacidade de transformação. Aí sim, poderemos lutar por uma transformação real desse conjunto de situações desiguais e partir para um mundo justo, livre e igualitário.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Qual a cor olímpica?

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Falei em Olimpíadas nas últimas postagens e esqueci dos seus últimos dias, quer dizer, não pude colocar nada sobre tal período. Corrijamos o erro com o início de comentários sobre os Jogos Paraolímpicos, esse sim de recordes para o Brasil.

Para falar das Olímpiadas para o Brasil não têm como deixar de citar a atuação das mulheres. Primeira medalha individual, primeira medalha de ouro índividual e a confirmação do sucesso no vôlei. Realmente o nosso alento foi feminino, ou como li em alguns lugares, a nossa olímpiada foi "cor-de-rosa".

Digo mais, foram da cor negra de Ketleyn Quadros e de seu bronze no Judô; prateada da filha da Maurren Higa Maggi, que não queria a medalha de ouro trazida pela mãe; e de ouro do vôlei feminino que só precisa do gesto de silêncio de Mari e Fabi após a final para representar tudo o que foi aquilo. Foi um cala-a-boca inclusive para mim.

As nossas três medalhas de ouro representaram, em quantidade e qualidade, que o Brasil foi abaixo das espectativas após o aumento de receita para o esporte neste ciclo olímpico.

Uma tese bastante interessante foi colocada: o Brasil, enquanto país subdesenvolvido e de pouco apoio ao esporte, só obtém sucesso em esportes coletivos ou nos oriundos da elite (vela ou hipismo); os resultados numa natação ou num atletismo (casos de Maurren e de Cielo) são devido aos esforços deles e de suas equipes de treinadores. Será que é isso?

Porém, se o sucesso individual já é destacável nestes casos, imaginem no caso dos para-atletas! Nesta competição estamos virando uma potência mundial e os resultados com certeza serão melhores que nos Jogos passados - ainda faltam alguns dias para as Para-olimpíadas de Pequim acabarem.

Aí a teoria muda, um pouco. Será que as tais forças de vontade e de superação de desafios surgem pelo que temos que enfrentar já pela situação de desigualdade social que permeia o atual sistema sócio-econômico e que prejudica os que mais precisam, especialmente num país em que a maioria se encaixa nesse perfil?