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domingo, 13 de julho de 2014

[Copa] Weltmeister!

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Muita coisa para escrever. Hoje foi a final da Copa com maior quantidade de gols da história, 171 - igualando 1998 -; a que teve muitos destaques dentro e fora de campo; teve momentos emocionantes que culminaram com uma final com gol no segundo tempo da prorrogação, como já ocorrera em 2010, mas num jogo muito melhor.

Quando Gotze matou a bola no peito dentro da área e chutou ao lado de Romero sabíamos que seria difícil que a Argentina empatasse, por mais que Schweinsteiger e Hummels estivessem pregados em campo. Vá lá, teve falta na entrada da área para Messi como último lance da partida. A falta foi cobrada para fora!

Era um confronto entre diferentes. Os europeus campeões por 3 vezes contra os sul-americanos campeões por 2. Um com uma organização fora de campo exemplar; o outro com um presidente de federação há décadas no posto. Um time contra uma equipe com dependência ofensiva sobre as costas de um craque. Um time que começou muito bem, caiu um pouco, mas vinha com tudo; contra outro que começou mal e vinha crescendo com o andar na Copa.

Os 7 a 1 de um lado contra a classificação nos pênaltis do outro só enganavam. Argentina e Alemanha vinham bem para a final, apesar dos desfalques. A Argentina não pôde colocar Di María em campo, o coadjuvante que chegava com maior moral na Europa que a estrela principal. A Alemanha teve um desfalque de última hora. A saída de Khedira, com Kramer no lugar, diminuía a qualidade do meio-campo.

JOGO
Como se não bastasse, o primeiro tempo mostrava a Argentina preparada para dar o bote, perdendo uma chance clara dada de presente a Higuaín. A Alemanha tocava a bola, mas não conseguia espaços. Para piorar, outra alteração. Kramer saíra e Löw resolveu colocar outro homem de frente, Schürrle. Os minutos finais foram de pressão alemã, com direito a bola na trave no cabeceio de Howedes.

Em compensação, Agüero no lugar de Lavezzi e pressão nos minutos iniciais do segundo tempo, com direito a "gol que o Messi não costuma perder". E o 0 a 0 seguiu até o final do tempo normal e para a prorrogação vai a nossa narração pelo Twitter (ver storify completa do jogo aqui):








#TETRACAMPEÃ
Comentei no início do jogo. O trabalho da Alemanha, ao perceber que precisavam se renovar depois do fracasso na Euro 2000, necessitava ser premiado após dois terceiros lugares seguidos em Copas, e um 2º e um 3º seguidos numa Euro.

Como se não bastasse ter um time com bons jogadores praticamente em todas as posições - com Höwedes sendo o que mais destoava -, o trabalho de assessoria de comunicação foi muito bom. Treinos fechados, mas bom tratamento com quem os cercava. Vídeos e fotos agradecendo ao Brasil, dançando com índios pataxós, vendo jogos da Seleção com a galera do hotel.

Podolski talvez saia como o jogador mais adorado por aqui nesta Copa, à frente até do Neymar, mesmo atuando pouco mais de 50 minutos. O #focadão e #noveleiro contou com a ajuda de um amigo brasileiro para publicar em mídias sociais e ganhou dois dias como um dos temas mais comentados no Twitter após dizer que estava cada vez mais brasileiro.

Voltando ao campo, esta geração alemã não tem um jogador de grande destaque. Pelos três primeiros jogos, dava ideia que seria Thomas Müller, que parou nas marcações - exceto a brasileira - quando veio o mata-mata. Poderia ser Schweinsteiger, o volante, meia, que está em todo lugar. Poderia ser Lahm, o capitão que começou como volante, mas é muito melhor como lateral-direito. Ou Özil, mais apagado que se esperava. Ou Gotze, o novato habilidoso que fugia do tiki-taka aprimorado, mais ofensivo, alemão. Ou Neuer, o goleiro líbero do time. Mas não. O coletivo prevaleceu.

Por isso que, para mim, o melhor da Copa é o incansável (e mergulhador) Robben, da Holanda. Messi recebeu o prêmio pelo histórico, apesar de decisivo na maioria dos jogos. Depois, James Rodríguez, a grande novidade para o mundo deste mundial e a esperança de 2018, com Falcao García no time, termos uma Colômbia ainda melhor.

As mudanças da Alemanha e da Holanda, especialmente, mostram que é necessário ter um grupo que possibilite que o time titular se adapte ao adversário. Tivemos uma primeira fase com muitos gols, mas na hora do mata-mata os mais fracos se trancaram atrás e quem abriu o placar nas quartas assim também o fez. A exceção viria a ser a semifinal brasileira, com um time que não se adaptou e deu no que deu.

Posse de bola, ofensividade com maior objetividade, compactação ao atacar e ao defender e quando necessário dar chutão. A evolução do futebol mostra que é necessário saber jogar de todas as formas de acordo com o que a partida te leva. Cada vez que um "estilo de jogo" aparece, mais rápida é a neutralização deste.


#COPADASCOPAS
Temos que falar que a organização foi muito melhor do que imaginávamos. Os estádios ficaram prontos, ainda que a Arena do Corinthians e a de Curitiba precisem de complementos e  maioria dos gramados não estivesse 100% já pros mata-matas. Não houve nenhum alarde, para além das invasões a campo em algumas partidas.

Tudo bem que houve silenciamentos. Brigas entre torcedores nas arquibancadas - como a suposta mordida de um uruguaio num torcedor inglês - não foram comentadas, com raros relatos pelas mídias sociais e em sites quando o assunto já tomara popularidade. A invasão chilena foi problema de segurança da FIFA.

Não podemos esquecer das chuvas no Rio Grande do Norte e em Pernambuco e do desabamento do viaduto que estava no projeto da Copa em Belo Horizonte, bancado pela prefeitura. Ambos nos fizeram lembrar do quão precisamos melhorar em infraestrutura para além dos 31 dias de um evento esportivo.

Para mim o grande legado seria mesmo a ação da Polícia Civil do Rio de Janeiro ao mostrar o que muitos conheciam: a venda ilegal oficial dos ingressos nobres da Copa do Mundo. Restaria ver apenas até onde conseguiria chegar nos meandros da corrupção que marcam o football association.

Entretanto, a prisão por suposta "formação de quadrilha armada", termo que nunca tinha ouvido, mancha um pouco tudo isso. Se tivemos poucos protestos, com muito mais opressão policial e menos pessoas nas ruas - o que eu imaginava -, ver pessoas presas porque parece que fariam vandalismo antes da final da Copa é temerário num país que há três décadas parecia ter saído de um regime de exceção.

No Fla-Flu político que transformaram o país, a final teve gritos pró-Dilma e xingamentos a ela, respondidos por algumas vaias. O rosto sisudo da presidenta ao entregar a Copa do Mundo refletia isso. Tirando os pessimistas ao extremo, sabíamos, mesmo nós críticos ao evento aqui, que a Copa sairia, mas nos surpreendemos pelo quanto ele melhorou a imagem do brasileiro mundo afora - a saber apenas do caso dos argentinos, que se surpreenderam porque nós "odiamos" eles para além do confronto direto.

Como disse em texto anterior, nada tira a série de benefícios dados à FIFA e cia. durante a Copa, inclusive à empresa acusada de participar do esquema ilegal de cambismo. Nada tira os mortos nas obras e as más condições de trabalho a eles oferecidas. Mas o resultado fora de campo foi muito grande, bem superior ao que vimos dentro dele.

Aproveito este último texto para agradecer quem curtiu e comentou os textos produzidos nestes dias sobre a Copa do Mundo FIFA Brasil 2014, também àqueles que passaram a me seguir no Twitter por conta das informações sobre o mundial e que dialogou conosco em diferentes redes sociais, inclusive presencialmente. Esta foi a Copa em que mais assisti jogos, 58 ao vivo dos 64, e foi muito legal ver tantas informações sobre o evento.


sábado, 5 de julho de 2014

[Copa] "Então está tudo errado!"

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Durante o jogo de ontem eu já vinha pensando no que iria escrever. O texto da passagem de fase seria para negar a fala de Felipão na entrevista coletiva. A história de que apenas jogos contra Argentina, Uruguai e até o Chile eram mais pegados que a Colômbia não se mostrava verdadeira. Afinal, o jogo estava com muitas faltas (teve 54 no total) e especialmente os jogadores colombianos catimbaram muito, reclamando bastante do árbitro. Mas aí veio a confirmação da notícia do Neymar e tudo muda.

Não é segredo para quem me acompanha por este blog e nas mídias sociais e chegou a conhecer meu fanatismo pessoalmente, sou fascinado por futebol e fatos dele me influenciam - ainda que bem menos que na época de criança. Exemplos recentes foram em 2012. Prometi deixar o bigode caso o Palmeiras fosse campeão da Copa do Brasil, algo que odeio, com todos os problemas do mundo (para mim e para ele) e mais alguns - e deixei, ainda bem que estava com a barba bem curta, bem diferente de agora. Peguei um resfriado daqueles porque com temperatura baixa resolvi largar o abrigo de lado porque a camisa tinha de ficar à mostra. No final do ano, com a quase confirmação do rebaixamento no jogo contra o Fluminense, o resfriado virou uma gripe forte.

Ontem foi mais um dia desses. Uma lesão deste nível no Neymar era o que todos temíamos, como muitos disseram ontem. Ainda que eu não seja tão torcedor do Brasil quanto do Palmeiras, especialmente pelas questões políticas (leia-se CBF), Copa do Mundo é diferente. Copa do Mundo no Brasil ainda mais. Especialmente para alguém fascinado pelo mundial de 1950. Perder o principal jogador do time antes dos dois jogos finais é muito tenso.

Não escrevi nada depois. Optei por não escrever. Curti uma ou outra coisa e li muitos comentários sobre no Twitter e no Facebook desde ontem. Várias coisas passaram pela cabeça. Muitas informações, muita opiniões, extremistas para os dois lados. Enfim, vou tentar elencá-las rapidamente e chegar numa que foi pouco comentada e que para mim levanta uma questão fundamental, pois relaciona o que o futebol representa para a nossa sociedade em comparação com outros fatores.

ARBITRAGEM
Óbvio ululante: o árbitro espanhol foi péssimo. Os colombianos colocaram ontem à noite nos TTs "RoboAColombia", provavelmente por conta do gol anulado quando o jogo estava 1 a 0, a não expulsão de Júlio César no pênalti e Fernandinho ter saído ileso de cartões apesar de "milhares" de faltas. Foi um jogo curioso para o padrão que a FIFA sugeriu para a arbitragem nesta Copa.

Se é para deixar a bola rolar, o árbitro parou muito, dando inclusive faltas que não foram - Cuadrado se jogou algumas vezes, inclusive. Além disso, foi claro que ele não deu os cartões que devia. O Zuñiga, famoso, deixou as travas no lado do joelho do Hulk no primeiro tempo para parar contra-ataque. Gutiérrez deu um chute na barriga do David Luiz noutro lance, que só não foi falta porque o zagueiro brasileiro optou seguir o lance. James e Cuadrado reclamaram o jogo inteiro e nada.

Nunca vi na minha experiência de acompanhar futebol dizer que as exageradas conversas deste mundial, em que ao menos um lance de bola parada terá o árbitro falando por um minuto, fazem a partida ser controlada. Num jogo com tantas faltas, 31 a 24 - não vejo uma diferença abismal, como alguns -, dar amarelo no início é prática básica. Se o negócio piorar a punição também será pior.

No famigerado lance, discordo sobre um possível erro do juiz ao deixar o jogo seguir - não lembro se ele deu a vantagem ou não vira a falta. O Brasil seguia com Oscar e Ramires contra dois marcadores colombianos. Só que algo que falo a Copa inteira e não vou catar no Twitter porque dá trabalho. Quase nenhum árbitro está parando o jogo para atendimento médico para dar prosseguimento ao jogo. Espera-se que alguém jogue a bola para fora.

COMITÊ DE ARBITRAGEM
O caso do Suárez já deixava isso claro. Ele mordeu o Chiellini, recebeu uma cotovelada de "troco" e nenhum dos quatro árbitros viram o lance! Várias falhas de arbitragem durante o torneio, mesmo em lances "fáceis", ordem para que o jogo corresse mesmo com faltas mais duras e jogadores caídos e essa falta de cartões para não suspender jogadores importantes chegando ao absurdo desta partida - confirmado por um dos comentaristas de arbitragem da Globo sobre um mundial em que participou. 

Foi quase que unanimidade que a dura punição veio porque houve muita pressão. Dias antes o Song, de Camarões, pegou três jogos por um soco - de tão estranho que está sendo monitorado quanto a manipulação do jogo - e ninguém falou sobre. O Comitê atua sob pressão pública.

Incrível. A gente reclama do Brasil, mas o trio brasileiro é um dos que sai mais ileso do torneio. Se errou, foi por questões de centímetros. Além disso, é obrigatório realizar sorteio dos árbitros aqui no país, enquanto que a Copa depende de livre e espontânea vontade dos membros do comitê de arbitragem, podendo ter árbitro europeu num confronto decisivo entre europeu e sul-americano (Argentina X Bélgica), por exemplo.

Lembrava lá no início da Copa, quando a CBF reclamou da escolha do Nishimura para a primeira partida. Ricardo Teixeira chegou a ser presidente deste comitê, mas pelo jeito não tinha dado seguimento para o Del Nero quando este assumiu as responsabilidades brasileiras na entidade internacional. Deixo aqui o link com os nomes deste comitê. Quem os escolhe e sob quais critérios para punir ou não alguém? Quais foram as indicações aos trios de arbitragem?

Ah, o Nishimura na dúvida marcou pró Brasil e depois daquele jogo praticamente todos os lances duvidosos foram marcados contra o Brasil porque muita gente chiou. Inclusive o técnico da Holanda, que viu seu time ter lances a favor - como hoje, contra Costa Rica.

DESCULPAS E VERGONHA
Julgamentos mil para o Zuñiga. Os 200 milhões de técnicos, que foram 200 milhões de psicólogos durante a semana e eram por algumas horas 200 milhões de especialistas em coluna também foram especialistas do Direito esportivo e para além disso. Claro que havia ironias, mas era um de não deixá-lo sair do país; de expulsá-lo do football asociation e tantas coisas que cansa.

Opiniões de todos os tipos. Gente dizendo que "era do jogo", quando não foi. Afinal, o que geralmente ocorre é "matar" o jogador no peito, não chegar destrambelhado com o joelho e deixá-lo ainda assim quando há outro atleta entre ele e a bola - só goleiro costuma sair com joelho alto. Do mesmo jeito que não dá para dizer que o colombiano mirou na terceira vértebra lombar para fraturá-la e tirar o Neymar da Copa. Quando ele diz que não tinha a intenção de tirá-lo do torneio é verdade. Óbvio que foi inconsequente e, até pelo lance já comentado antes, deveria ser expulso. Vantagem nunca eximiu o agressor de tomar cartão, isso é beneficiá-lo e na Copa queremos ver gols, os craques fazendo o seu melhor. As alternativas da FIFA estão erradas pois quebram um conceito básico do esporte.

Ver jornalistas esportivos desatando a falar de "crime" na ocasião é demais. Pior ainda é a perseguição ao jogador em seus perfis em mídias sociais, com direito a ameaças de morte e demonstração clara de xenofobia e racismo. Contradição incrível, além de isso sim ser crime, falar que "só podia ser um macaco" a acabar com o sonho do "nosso" ídolo cujas origens étnicas são parecidas. Mas exigir coerência em casos assim parece ser demais...

Ia esquecer dos que falaram que "foi merecido porque o Brasil entrou para bater" ou de quem foi para a "fama" de cai-cai de Neymar, que não foi justificada nestes 5 jogos, ou quem aproveitasse para destacar a importância dos hospitais para o país. Qual jogador espera ter um problema de fratura de vértebra lombar? Qualquer lesão na coluna é séria, pois impede qualquer tipo de movimento - não à toa ele disse que não conseguia se levantar. Num exemplo simples, eu já tive torcicolo e sei o que é não poder mexer a cabeça, imagina o tronco.

#FUERZA NEYMAR
Dos dois lados o clima de "guerrinha" particular entre argentinos e brasileiros vem tomando a Copa do Mundo por aqui. Nós acabamos "nascendo" com o tal do "ganhar é bom, mas ganhar da Argentina é muito melhor", inclusive em outros esportes, mesmo quando a diferença é muito grande entre os dois.

A Argentina tem menos disso, é quase que exclusivo ao futebol e vários pesquisadores (Álvaro do Cabo e Ronaldo Helal aqui e Pablo Alabarces de lá) já estudaram essa rivalidade entre os dois países, chegando ao denominador "os brasileiros adoram odiar os argentinos" e estes "odeiam amar os brasileiros". Do lado deles, o "sentimento" teria sido estimulado especialmente pós Maradona e com a criação do Olé.

Mas o marco teria sido a eleição da FIFA no início dos anos 2000 do melhor jogador de todos os tempos. Como pelo voto deu Maradona, a entidade criou outro tipo de escolha para dar um prêmio a Pelé. A mobilização lá foi bem maior que aqui porque a relação com estes ídolos é bem diferente. Curiosamente, do lado de cá, o Pelé vem sendo resgatado justamente por conta das provocações argentinas de "Maradona é más grande que Pelé" - O "Pelé debutó con un pibe", faixa que estava hoje no Mané Garrincha, inclusive, quase não faz sentido algum por aqui. Gritos com "Mil gols, mil gols" e que eles ganharam um título a menos que o Pelé, no ritmo do cântico deles, cada vez ganha força.

Enfim, no meio disso, com a saída do Neymar, o TT deles é tomado com "#FuerzaNeymar". Algo espetacular, que provavelmente não ocorreria aqui caso tivesse ocorrido com o Messi - talvez a hashtag aqui fosse parabenizando o agressor, sejamos honestos. O que pode ser utilizado como uma confirmação do que os pesquisadores indicaram. Eles querem ser melhores, mas querem mostrar isso num confronto direto. Nós, provavelmente, preferíamos que eles parassem antes.

O ÍDOLO E O (QUASE) ESQUECIMENTO
Para este relevante tópico, tomo a liberdade de reproduzir os diálogos de uma conversa com uma também jornalista que me instigou sobre um ponto que pode ser que eu tenha lido um post sobre ontem, mas que pouco se comentou. Um detalhe importante é que tal ponto não veio de quem acha que o "futebol é o ópio do povo", pelo contrário, é tão apaixonada por este esporte como muitos de nós.

A ordem vai um pouco misturada porque acabei comentando duas vezes ao que ela tinha postado inicialmente. Aproveito para pedir para que quem vir a ler este texto que dê sua opinião - inclusive pode discordar de todos os outros tópicos também, ou incluir outras coisas que viram desde ontem.


quinta-feira, 12 de junho de 2014

México restringe exclusividade em eventos esportivos

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No dia 30 de maio, o Instituto Federal de Telecomunicaciones (IFT) do México anunciou uma lista com os “conteúdos audiovisuais relevantes sobre os quais os agentes econômicos preponderantes nos setores de radiodifusão e telecomunicações não poderão contratar direitos de transmissão de maneira exclusiva”. O destaque vai para as cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas, as partidas de futebol da seleção mexicana, algumas partidas da Copa do Mundo Fifa e a final do campeonato mexicano.

A decisão foi tomada após uma análise que durou quatro anos, num universo de mais de 220 mil conteúdos audiovisuais transmitidos em TV aberta e fechada, tendo como alcance os que fossem de caráter não replicável (com importância no evento ao vivo) e seu esperado alto índice de audiência, com base nos dados da Nielsen Ibope México.

O comunicado da IFT vai ao encontro da reforma de telecomunicações aprovada no ano passado, que busca fomentar a concorrência entre os agentes do setor audiovisual e acabar com as exclusividades. Segundo a IFT, “a determinação destes conteúdos é de grande relevância devido a que, ao serem adquiridos pelos Agentes Econômicos Preponderantes, permitem que estes fortaleçam as audiências e limitem que outros participantes possam competir no mercado de maneira efetiva”.

Fica a dúvida sobre a validade a partir da exibição da Copa do Mundo Fifa 2014, adquirida pela Televisa, que repassaria alguns jogos para a TV Azteca. Os grupos de comunicação teriam 10 dias para entregar os contratos em andamento à IFT, para que seja indicado um direcionamento. De acordo com a resolução, foi determinado que o incumbente deve oferecer a qualquer candidato o produto adquirido nas mesmas condições e custos que são oferecidos às suas subsidiárias e empresas coligadas.

Negociação de direitos

O México tem dois agentes econômicos reconhecidos internacionalmente na produção de conteúdo audiovisual: a Televisa, de propriedade do empresário Emilio Azcárraga, reconhecida no Brasil pelas telenovelas exibidas pelo SBT e exportadas para todo o mundo, além de possuir também o único canal mexicano que se dedica 24h ao futebol, a Sky na TV fechada; o outro agente é Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo – duelando algumas vezes com Bill Gates –, atuante nas telecomunicações, com destaque para a Telmex, mas também é proprietário do Grupo Carso, que é sócio comercial da Fox Sports México, na TV fechada, e dono de direitos televisivos para plataformas móveis através do América Móvil.

A Televisiva exerce o controle do futebol profissional no país há 60 anos, poderio estendido aos Jogos Olímpicos e às Copas do Mundo Fifa realizadas no país, em 1970 e 1986, com organização por parte da emissora do mundial em que Maradona fez o gol com “la mano de Diós”. No caso do mundial de futebol, daí a decisão se restringir a abertura, quartas de final, semifinais e final, além dos jogos do México, as demais partidas costumam ser mostradas no canal Sky, restringindo o acesso do público mexicano.

A América Móvil teria adquirido por 110 milhões de dólares os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de Inverno realizados este ano, em Socchi, Rússia, e dos Jogos de Verão do Rio de Janeiro, em 2016, os quais teria repassado para a Fox Sports na TV fechada.

O caso do Campeonato Mexicano, desde a temporada 2012/2013 organizado pelos clubes na Liga MX, os direitos de transmissão são negociados separadamente. Até a temporada 2013/2014, nove clubes estavam com a Televisa, 7 com a Azteca (ambas lideram a TV aberta, com destaque para as telenovelas), 1 com a Sky e 1 com a Fox Sports. Esta recebeu de Slim os direitos para transmitir os jogos do León, clube que pertence ao empresário mexicano em sociedade com o ex-jogador Jesús Martínez – e que foi do grupo do Flamengo na Libertadores deste ano.

Barreiras políticas

A maneira de negociação pode ser apontada como uma das piores, tanto para os clubes quanto para as TVs. Por mais que amplie o leque de emissoras, pode haver grande diferença entre o que os clubes recebem. Não à toa, o “duopólio” mexicano divide os quatro grandes do país. Times com maior torcida, América, Chivas e Pumas estão com a Televisa; e o Cruz Azul na TV Azteca. Outro problema é que os direitos de transmissão negociados são da partida do mandante. Assim, sem negociação, só uma emissora pode transmitir a partida. Este problema foi vivenciado na final do Apertura 2013, quando o León enfrentou o América. Com direitos cedidos ao Fox Sports, inclusive uma possível final, o León não cedeu a nenhuma emissora aberta os direitos de transmissão do primeiro jogo da decisão. Como neste ponto os direitos estão divididos, não há nenhuma indicação de que algo assim possa mudar a partir do comunicado da IFT.

O processo de enfrentar líderes de tamanho porte para fortalecer a concorrência lembra o caso da Argentina, em que a Ley de Medios (2010) garantiu o acesso universal, através dos serviços de comunicação audiovisual, dentre outros, “aos acontecimentos desportivos, de encontros futebolísticos ou outro gênero ou especialidade”. No caso argentino, a definição dos eventos desportivos na lei foi para evitar que se tivesse que pagar para ver a transmissão de jogos de futebol, forma de entretenimento de bastante relevância. Algo que ocorreu quando os direitos do campeonato local eram da TyC (Grupo Clarín).

Ainda assim, a Ley de Medios não proíbe o exercício de direitos exclusivos de emissão, desde que este seja justo, razoável e não discriminatório, de forma que o direito ao acesso universal gratuito seja garantido e que não se afete a estabilidade financeira e a independência dos clubes. Por mais que sejam semelhantes, o segundo caso tem forte conotação política, com a guerra declarada entre o governo de Cristina Kirchner e o Grupo Clarín, que gerou a benesse da modificação legal da estrutura concentrada no mercado comunicacional como um todo, tendo forte participação e pressão dos movimentos sociais organizados do país na formulação da nova lei. No caso mexicano, há um interesse voltado a descentralizar o controle sobre produtos específicos, num mercado com cada vez mais canais esportivos.

No Brasil, em que a radiodifusão segue regulamentada pelo Código Brasileiro de Telecomunicações aprovado lá em 1962, só a Lei do Audiovisual (2011), que regula o Serviço de Acesso Condicionado (TV fechada), traz algo neste sentido. Nesta há a proibição das prestadoras de serviços de telecomunicações de adquirir ou financiar a aquisição de direitos de exploração de imagens de eventos de interesse nacional, dentre os quais está a transmissão de eventos esportivos.

Em meio a um mercado cujas disputas são cada vez mais transnacionalizadas e com os valores de direitos de transmissão de grandes eventos esportivos só aumentando por conta desta disputa, a presença do Estado como regulador econômico no capitalismo é percebida. Não à toa, algumas divergências vão parar em tribunais pró-concorrência, gerando novas normas sobre a venda e a aquisição destes direitos. Porém, são as barreiras políticas instituídas pelos grupos midiáticos em certos países que determinam o andamento ou não de regulamentações sobre um produto de alto valor como os eventos esportivos.

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Texto publicado na edição 802 do Observatório da Imprensa.

terça-feira, 13 de maio de 2014

[Copa] E se não tivéssemos A Guerra

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Uma boa e outra má notícia. A boa notícia é que a coluna "E se...", que conta como as Copas do Mundo poderiam ter outro resultado, está de  volta, com um dos textos mais legais que eu fiz. A má notícia é que, de novo, não devo conseguir terminar a tempo. O jeito é resgatar os textos que faltam e que já havia escrito há quatro anos, este e os que conformam o especial da Copa de 1950, e esperar ter tempo para pesquisar e escrever até a Copa na Rússia.

Em ano de Copa do Mundo todos nós sabemos que o planeta inteiro para para ver um grande espetáculo. Para quem gosta de futebol, não é preciso algo em específico para fazer a nossa programação diária ser baseada em jogos a serem vistos pela TV ou ouvidos pelo rádio. Nem que ouçamos uma partida no trabalho ou vejamos o andamento de vez em quando por programas minuto-a-minuto.

Apesar disso tudo, da importância que um “simples” esporte pode ter na vida de alguém, há momentos em que percebemos que há problemas bem maiores ainda a serem resolvidos – se é que um dia serão. Mesmo no meio do negócio futebol, vemos coisas cotidianas: xenofobia, racismo, violência, falta de respeito com o próximo, falta de estrutura...

Já contamos na série “E se...” que a ideia de Jules Rimet para realizar um Mundial de futebol surgiu um pouco antes da Primeira Guerra Mundial e que, por causa Dela, teve que adiar por muitos anos. Agora “destacamos” o período entre as Copas de 1938 e 1950.

Antes de partimos para o que poderia ter acontecido, é bom frisar que o período entre guerras demonstrou o quanto um ser humano pode humilhar o outro. Se houve a necessidade de um país como a Alemanha alimentar um nacionalismo extremado – nazismo –, isso surgiu porque foi verdadeiramente humilhado após a Primeira Guerra. Algo parecido ao momento atual, em que a "crise" econômica faz crescer as ideologias extremistas na Europa, com neofascistas se espalhando pelo continente, culpando o outro (geralmente o imigrante) pelas desgraças atuais.

Além disso, enquanto Hitler e Mussolini cresciam na Europa, os “grandes países” preferiam olhar para o governo stalinista – o qual também foi autoritário e dizimou muitas pessoas –, principalmente por ser uma proposta diferente para o mundo.

Pena que a Segunda Guerra Mundial teve que nos mostrar quanto irracional pode ser o homem e pena maior ainda de, após 70 anos, sabermos que as coisas pouco mudaram quanto a isso.

Imagem: Pedro Lucena
>> E SE...
Não importa que o Brasil tinha se candidatado para realizar a Copa de 1942 através do jornalista Célio de Barros...

Não importa que Jules Rimet preferisse a Alemanha, cuja candidatura veio um ano antes da nossa e tinha acabado de realizar as Olimpíadas de 1936...

Não importa que com a invasão de Hitler a Polônia em 1939, o Brasil era favorito para sediar a Copa seguinte e que deveria voltar à Europa quatro anos depois...

Não importa que SE o Mundial fosse aqui poderíamos contar num mesmo time com jogadores como Leônidas da Silva, Jair da Rosa Pinto, Zizinho, Heleno de Freitas e Ademir Menezes...

Não importa também que a Itália teria a chance de conquistar um tricampeonato inédito, com a participação de um destaque juventino, Sentimenti III; ou que a Hungria poderia contar com Puskas já em 1946; ou que a Suécia, ouro nas Olimpíadas de 1948, poderia ter aparecido em Mundiais 12 anos antes; ou que a Argentina tivesse uma das melhores seleções daquela época.

SE não tivéssemos a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) não seria necessário que o Brasil entrasse numa batalha que não era sua, e que várias famílias daqui não chorassem por seus mortos.

SE não tivéssemos a Segunda Guerra Mundial, não teríamos 40 mil timorenses mortos simplesmente porque Portugal resolveu apenas observar as batalhas entre australianos (apoiados por civis locais) e japoneses numa de suas colônias.

SE não tivéssemos a Segunda Guerra Mundial, não teríamos a nação alemã dividida ao meio entre estadunidenses e soviéticos como um simples pedaço de pão.

SE não tivéssemos a Segunda Guerra Mundial, não teríamos visto, e não teríamos temido, uma arma capaz de dizimar 170 mil pessoas em duas cidades japonesas por simples arrogância.

SE não tivéssemos a Segunda Guerra Mundial, não teríamos visto o holocausto, com cerca de 5,9 milhões de judeus mortos e, posteriormente, seus descendentes sedentos por vingança.

SE não tivéssemos a Segunda Guerra Mundial, não teríamos visto 50 milhões de pessoas morrerem em apenas seis anos, como numa terrível pandemia que matou, em sua maioria, civis.

SE não tivéssemos a Segunda Guerra Mundial, teríamos mais que duas Copas do Mundo, mas milhões de pessoas vivas e seguindo suas vidas normalmente, sem medos ou lamentações.

O mundo poderia estar melhor ou pior, mas ao menos esta mancha não estaria marcada para sempre na história da humanidade. Em guerras não há vencedores.

sábado, 27 de julho de 2013

E se em 1930...

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Uma Copa do Mundo cuja marca foi um goleiro defendendo uma bola chutada no ângulo. Impensável nos dias de hoje, quando todos nós sabemos que o mais importante é ver a gorduchinha no fundo das redes.

Mas, como já contamos no início desta série, ter chegado em 1930 à promoção de um torneio mundial de futebol é bem mais importante que a primeira representação comunicacional deste esporte - que contava somente com as publicações impressas e uma coletânea cinematográfica que viria a ser recuperada bem depois.

Entretanto, o amadorismo presente ia além disso. Neste torneio que deveria ter sido mundial, foram apenas 13 seleções presentes, dos continentes americano e europeu. Dentre as ausências, a dos inventores do futebol, a Inglaterra, que, assim como outros países, prefeririu não participar por causa da grande distância para o Uruguai. Seriam 15 dias para ir, 15 para jogar e mais 15 para voltar para casa.

Deixemos de lero-lero e contemos, da nossa forma, como um motivo tão banal pôde ter tanta importância para a primeira edição da Copa do Mundo.

>> E SE EM 1930...
Chegou o dia que Jules Rimet, presidente da Fifa, tanto esperava... O dia em que um país bicampeão olímpico poderia mais uma vez mostrar sua supremacia num esporte bretão... O dia em que o mundo começou a perceber o fenômeno globalizante do futebol.

93 mil pessoas ocupavam o Estádio Centenário na capital uruguaia, Montevidéu, esperando que a comemoração de 100 anos de independência do país fosse consolidada com mais um título da Celeste Olímpica. Não importava que oficialmente no estádio só coubessem 80 mil.

O dia 30 de julho de 1930 daria ao mundo uma das primeiras rivalidades sul-americanas numa final de Mundial. Separados pelo Rio da Prata, Argentina e Uruguai só pensavam em levantar aquele troféu dourado, que no futuro chamariam de Jules Rimet.

As duas seleções, coincidentemente, vinham de duas goleadas pelo mesmo placar nas semifinais: 6X1 (contra Iugoslávia, para os atletas da casa; e contra o Estados Unidos, para os vizinhos).

Dentre tão poucos países, o Brasil ficou no caminho. Numa intriga formada pela Confederação Brasileira de Desportos, que optou por não chamar nenhum dirigente paulista, os times de São Paulo não liberaram ninguém no Estado. A única exceção no selecionado carioca foi Araken, jogador do Santos, que brigado com a diretoria do clube resolveu se juntar à delegação que viajaria a Montevidéu.

Em dois jogos, uma derrota na estreia para a Iugoslávia por 2 a 1 e uma goleada sobre a Bolívia, 4 a 0. O primeiro gol brasileiro em Copas foi marcado por João Coelho Neto, o Preguinho, jogador do Fluminense.
Será que SE fosse uma Seleção realmente brasileira o resultado poderia ser outro?

Enfim, fato que na final estavam dois vizinhos do nosso país. Com sua tradicional camisa celeste, o Uruguai; do outro lado do campo, com listras verticais em azul e branco, a Argentina.

Só que o árbitro belga Jan Langenus encontrou um grande desafio antes do início da partida. Diferentemente de hoje, não havia bola oficial do torneio, assim, ambas as seleções faziam questão de atuar com as bolas fabricadas em seus países.

Sem ter como resolver o problema - nem sei se ele falava castelhano -, o árbitro resolveu fazer um sorteio: num tempo a bola seria de um país, noutro a do adversário.

Mesmo com a bola argentina para o primeiro tempo, Dorado abriu o placar para os anfitriões, aos 12 minutos. Porém, com melhor domínio da redonda, a Argentina virou. Aos 20 minutos Peucelle empatou e aos 37 foi a vez de Stabile virar o marcador e se firmar como artilheiro do Mundial, até o momento com oito gols.

Só que aos 12 minutos da segunda etapa, a posse da bola uruguaia deixou o placar igual no segundo tempo, com gol de Cea. A alegria da torcida só não foi maior que a que veio aos 23, com o gol de Iriarte, virando o marcador.

Em meio a tanta festa dos rivais, um dirigente argentino decidiu "resolver" o jogo: entrou em campo de forma sorrateira e jogou outra bola para ser reposta pelos seus jogadores no meio de campo.

Os uruguaios estavam tão empolgados com a virada e com a festa da torcida que não acharam estranho. Só não esperavam que Stabile recebesse sozinho um lançamento direto da intermediária, claramente a defesa não soube onde a bola chegaria, e batesse na saída de Ballesteros, aos 35 do segundo tempo.

Aos 44, o golpe fatal para a alegria uruguaia, cuja torcida já estava preocupada. O técnico Francisco Olazar pediu para que o artilheiro da Copa recuasse para a marcação, de forma a confundir a zaga adversária. E deu certo. Aos 44 minutos, Stabile deixou o capitão Manuel Ferreira livre para chutar na entrada da área. Foi o gol que calou o Centenário.

Fim de jogo. Festa dos argentinos e um tremendo silêncio no estádio uruguaio. Algo parecido talvez só tenha ocorrido em 2009, com a derrota da Celeste por 4 a 0 para o Brasil nas Eliminatórias.

* Relembrando, caso apareça algum desavisado: os textos da série E Se... não tem nenhuma intenção de se tornar referência histórica, ou seja, não adianta comentar, como fizeram no outro espaço, que eu estava errado. Eu não só sei disso, como afirmo que a intenção é esta. Sejamos criativos, amig@s! Como dizia no primeiro texto, a coluna E se... não chegou para mudar a história do futebol, mas para contar o seu principal evento de uma forma diferente.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

La fuerza de la memoria argentina sobre la dictadura en Infancia Clandestina

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Hace algunos años que vi la película “O Ano em que meus país saíram de férias” (Cao Hamburguer, 2006). Recuerdo ter adorado, principalmente por mesclar fútbol con un período de política mui importante para Brasil: la dictadura militar en la Copa del Mundo de 1970 por la visión de un chico. Algunas críticas que leía era de que por mejor que sea, había muchos así hechos en la América Latina. 

Cuando vi las informaciones sobre “Infancia Clandestina” (Benjamin Ávila, 2011), una coproducción de Argentina, España y Brasil, luego tuvo el interese en verlo por recordar de la película brasileña. Creo que nosotros brasileños tenemos mucho que aprender con los argentinos (chilenos, uruguayos y paraguayos) sobre como mirar para un pasado tan tenebroso cuando en los años de dictadura militar. Mismo sin el fútbol, la visión de un chico con padres en la guerrilla me llamó la atención. 

Para empezar tenemos la visión de un ataque contra Juan (Teo Gutiérrez Romero) e sus padres, Horacio (César Troncoso) y Cristina (Natalia Oeiro) así que llegaran en una de sus casas. El tiroteo es mostrado en una lenguaje de cuadrinos (o graphic novels), con el sangre de la pierna de lo padre mezclándose con la orina del hijo. 

Fugitivos después de la dictadura militar, peronistas convictos y montoneros, salieran del país e vivieran en Brasil, México e Cuba antes de volvieren a Argentina en 1979, para participar de “La Contraofensiva” de los Montoneros. Juan e su hermana de poco menos de un año salieran del Brasil, llegando con el nombre de Ernesto – él, Juan por cuenta de Perón, se llamaría Ernesto en homenaje a Che Guevara –, en una parte con las participaciones especiales de los actores brasileños Mayana Leiva e Douglas Simon, cuyo policial de la entrada mostrase orgulloso del título mundial de un año antes (única referencia al fútbol, aún que jueguen en la escuela). 

Allí, encuentra su tío Beto (Ernesto Alterio), en una van que debería tener chocos con maní (“amendoim”), que después o llevan a sus nueva casa, en cuyo sótano esconderían las balas de las armas en las cajas de dulces y donde había un hogar secreto para Juan ir en caso de problemas con la policía. 

Pasamos a ver la adaptación de Ernesto, cuyo apodo en la nueva escuela pasó a ser “Córdoba”, de donde vino - a pesar del acento cubano. Allí, hace nuevos amigos e, en medio a su pre adolescencia, conoce y se enamora de María (Violeta Paluskas), la hermana de uno de sus amigos. En la cena en que eso se da, vemos la animación de María bailando con su cinta de gimnasia rítmica. La única vez en que el artificio técnico es utilizado para algo bueno. 

Al mismo tiempo, conocemos las tareas de los grupos guerrilleros que se encuentran en la casa de Cristina e Horacio, con los momentos de alegría de los recuentros e de tristeza con las pierdas que ocurren al longo de la película. Esa es una de la diferencia entre esta película y “O Ano…”. No lo sé se también no reflete la diferencia en que nosotros tratamos en Brasil sobre el período y como los argentinos o tratan. Pero, mismo con la visión de un chico, vemos los peligros de una sociedad dictatorial, con derecho a Juan, de doce años, pegar en un arma o ser maltratado por un policial. 

Una imagen fuerte ocurre cuando Ernesto es llamado para subir la bandera argentina durante el himno nacional, antes de las clases. El chico se recusa a hacer eso y consigue una lucha con un chico, que llámate de cobarde. Ernesto aprendió que aquella era la bandera de guerra argentina, con el sol en medio.

En cuanto su tío Beto es más preocupado con las cosas de chico para Juan, con derecho a una fiesta de cumpleaños – falsa, porque el pasaporte era falso – con la presencia de la abuela (Cristina Banegas), que discute con la hija fuertemente por pensar que el fin de los guerrilleros sería la muerte; su padre es preocupado con la causa, o que genera algunos momentos de conflicto. 

En una de las cenas más graciosas, Beto habla a Juan que las mujeres eran como los manís con choclo, no podemos llegar con todo, masticando el maní tan pronto ni esperar que el choclo se derrite, debemos saborear el choclo y después masticar el maní. Se tú no entiendes – hasta porque las mujeres son ben más difíciles – tienes que mirar la película, que muestra que Beto estaba correcto, al menos en el caso de María. 

En cuanto eso, algunos problemas más graves ocurren con la familia, acontecimientos que me hicieran parecer que las películas argentinas pocas veces terminan con finales felices. Hablando en el final de “Infancia Clandestina”, entonces… 


BASADO EN FACTOS REALES 
Leyendo después sobre la película, yo sepa que la madre de Benjamin Ávila, director, fue una militante contra la dictadura militar argentina y que, incluso, desapareció en 1979, mismo año que acompañamos Juan. Sara fue casada con un montonero e su hijo, de nueve meses, fue llevado pelos agentes de la represión y solamente fue encontrado por Benjamin con cinco años. 

En grande parte, la historia que asistimos en la pantalla es una representación do que el chico Benjamin debe ter vivido. Eso no causa prejuicio a Infancia Clandestina, pues hay mucha verdad y no algo demasiado personal. Según él: 

“Cuando decidí que mi vida sería trabajar con cinema, deseé contar esa historia – la mía historia. No con un filme biográfico, pero usando mis experiencias en una historia de amor entre un chico e una chica atravesada por este momento histórico” 

Infancia Clandestina ganó el Premio Casa de América en el Festival de San Sebastián (2011); el premio de Unasul (Festival Internacional de Cine de Unión de las Naciones Sul-Americanas - 2012); premio de mejor actriz para Natalia Oeiro en lo Festival Fine Arts (2012), de Puerto Rico; y diez trofeos del Premio Sur (2012), en Argentina, caso de mejor filme, director, mejor actriz (Natalia Oeiro), mejor actor (César Troncozo), mejores actor (Ernesto Alterio) e actriz coadyuvante (Cristina Banegas) y guión original (Benjamin Ávila y el brasileño Marcelo Müller). Fue indicado a la categoría mejor filme extranjero del Oscar, pero no está entre los cinco seleccionados.