segunda-feira, 3 de abril de 2023

2023.4 Esporte e Sociedade/ 2023.5 Os vilões do futebol

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Simoni Lahud Guedes foi a pioneira dos estudos em futebol nas Ciências Humanas e Sociais, ao defender dissertação com material sobre o tema ainda em 1977 e estar entre as autoras com capítulos no livro "Universo do Futebol", publicado 5 anos depois, mas considerado como o marco das publicações sobre este esporte.

Depois da tese, tinha a dissertação de Guedes como uma leitura necessária em meio à busca por fortalecer a minha formação nos estudos (clássicos) sobre o futebol no Brasil. Porém, não está em repositório institucional e, como descobri com "Esporte e Sociedade: A contribuição de Simoni Guedes", não é possível encontrar sequer impresso porque foi uma das perdas do incêndio do Museu Nacional, em 2018.

Ler este livro organizado por Ronaldo Helal e Leda Costa me ajudou a identificar os caminhos teóricos de Guedes, além de confirmar uma percepção que tive na única vez em que a encontrei em eventos, a sua importância e força enquanto pessoa na formação e no desenvolvimento de pesquisadoras/es e em pesquisas deste campo científico.

Referência:
HELAL, R.; COSTA, L. (Orgs.). Esporte e Sociedade: A contribuição de Simoni Guedes. Curitiba: Appris, 2022.


Seguindo as leituras sobre futebol a partir do viés acadêmico, li "Os vilões do futebol: jornalismo esportivo e imaginação melodramática", resulado da tese de Leda Costa. 

Eu imaginava que o objeto em si não iria me interessar diretamente para o que estudo, mas todo o contexto sobre o jornalismo esportivo, sim, de maneira aplicada à construção de narrativas e dos vilões no futebol brasileiro. Assim como, representa auxílio para estudar narrações de jogos de clubes alagoanos, elemento de pesquisa de iniciação científica que coordeno, pois a autora se atenta em diversos momentos aos jogos ao vivo de Copas do Mundo.

Referência:
COSTA, L. M. da. Os vilões do futebol: jornalismo esportivo e imaginação melodramática. Curitiba: Appris, 2020.



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

2023.1 Campo de Terra, Campo da Vida/ 2023.2 Brasil 50/ 2023.3 As margens e o ditado

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O período prévio à Copa do Mundo de 2022 até depois do final foi marcado por uma série de livros sobre futebol a serem lançados. "Campo de Terra, Campo da Vida: Alternativas de resistência negra e o Negritude Futebol Clube" foi um deles.

Diferente dos temais, mais voltados a recontar uma história num fazer jornalístico ou ensaístico, a obra de Roberta Pereira da Silva é resultado de uma pesquisa de pós-graduação em Serviço Social, com relatos das idas e vindas do projeto até à execução.

Trata-se de um objeto bastante interessante para a perspectiva crítica dos estudos sobre o futebol por, como demonstra a autora, parecer ser a alternativa ao futebol profissional e suas grandes contradições político-econômicas - ainda que as socioculturais de algo dentro do capitalismo ainda persistam.

Referência

SILVA, R. P. da. Campo de Terra, Campo da Vida: Alternativas de resistência negra e o Negritude Futebol Clube. São Paulo: Editora Dandara, 2022.


Outro desses lançamentos foi "Brasil 50: Retratos de uma Copa do Mundo além do Maracanazo", de Toni Padilla, traduzido e editado aqui pela Grande Área, editora especializada em futebol. 

Eu construí ao longo das décadas uma relação especial com a Copa de 1950, a final com "silêncio de mais de 200 mil pessoas", então sempre me interesso por livros que tratem desse mundial. Aqui, temos uma proposta um pouco diferente, pois Padilla não se prende apenas às histórias sobre heróis uruguaios e vilões brasileiros - e vice-versa -, ampliando a narrativa com personagens de diversos países, jogadores ou não.

Faço a ressalva, entretanto, que há alguns lugares-comuns no meio de alguns relatos sobre o Brasil, ao menos alguns sinais de alerta e atenção acenderam para mim.

Referência

PADILHA, T. Brasil 50: Retratos de uma Copa do Mundo além do Maracanazo. Campinas: Grande Área, 2022.

A tetralogia napolitana me fez ficar atento à qualquer obra da italiana (desconhecida) Elena Ferrante. De lá para cá, li tudo, inclusive infantil e algo mais voltado aos ensaios. Este "As margens e o ditado: Sobre os prazeres de ler e escrever", inclusive, é um livro de palestras que ela "daria" - a partir da intervenção artística de uma atriz.

Os três primeiros capítulos, que compõem uma das palestras, são maravilhosos por tratarem da experiência dela com vários questões sobre a escrita. Parte de distintas referências para se entender enquanto escritorA. Uma mulher escrevendo dentro de uma cultura de autorEs, inclusive para a sua própria referência.

É curioso como não saber quem ela é de verdade não nos impede de perceber certas coisas, mesmo nos romances, que ela retoma aqui sobre o seu processo de escrita. Há uma naturalidade que gera intimidade com quem lê. Leitura, até pelo formato e diagramação, rápida.

Referência
FERRANTE, E. As margens e o ditado: Sobre os prazeres de ler e escrever. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2023.

sábado, 31 de dezembro de 2022

2022.18 Joguem como homens!/ 2022.19 Dentes/ 2022.20 Manifesto Proletário/ 2022.21 Capirotinho & Seu Getúlio

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Eu conhecia a história por trás do desafio de estudar/publicar o livro "Joguem como homens!" porque o autor, João Carlos da Cunha Moura, é parceiro do podcast Baião de Dois. Vindo pelo Direito, mas dialogando com uma vertente crítica filosófica e sociológica mais clássica, foram algumas barreiras para levar o projeto adiante.

No livro, uma discussão fundamental sobre os desafios ligados à orientação sexual na sociedade, especialmente no futebol. O último capítulo traz um estudo de caso interessantíssimo, após pesquisa de campo em diferentes estádios maranhenses - que, confesso, fiquei na curiosidade por mais dados descritos e análise feita.

Referência
MOURA, J. C. da C. Joguem como homens! Masculinidades, liberdade de expressão e homofobia em estádios de futebol no estádio do Maranhão. Jundiaí: Paco, 2019.

"Do mesmo autor de 'Laços'", como consta no canto inferior direito, que me fez chegar a Domenico Starnone por, supostamente, ser a versão do homem de "Dias de Abandono", da Elena Ferrante - e que supostamente, também, é a esposa do autor. Cheguei nele por lista de livros lançados neste ano.

Trata-se de mais um homem atordoado e atormentado por qualquer coisa. O protagonista aqui cresceu com vergonha de uma dentição que seria semelhante à de um tubarão e passa dias em vários dentistas relembrando a infância, a relação com os filhos e com a amante que virou esposa - e que ele teme que se junte ao chefe dela. A fragilidade do homem cis hétero e branco italiano para incomodar quem lê.

Referência
STARNONE, D. Dentes. São Paulo: Todavia, 2022.

Você está exausto/a com o seu trabalho? "Manifesto Proletário" é o compêndio que você precisa para lidar de forma saudável com uma relação claramente abusiva, em meio à contradição capital-trabalho.

Referência

INFANTE, G. Manifesto Proletário: Um compêndio para o exausto empregado moderno. Ipatinga: Ed. do Autor, 2021.

Um é "pessimista pragmático", o outro é "otimista esperançoso". Ao ler a mensagem da contracapa em casa, minha companheira foi direta ao dizer que eu claramente seria o Capirotinho, personagem que acompanho os quadrinhos pela internet e que li em outros livros do Guilherme Infante.

Aqui, a partir de diversos sentimentos, lemos dilemas filosóficos dele com Seu Getúlio, representado como um anjo. Em meios às diferentes formas de viver a vida, aprendemos um bocado sobre os sentimentos e como lidamos com eles, conosco e com as pessoas. Destaque ainda para os diferentes tipos de desenhos para representar tudo isso a cada sentimento discutido. Vale para diversas idades e para pessimistas, que nem eu, ou otimistas.

Referências
INFANTE, G. Capirotinho & Seu Getúlio: Diálogos. Ipatinga: Ed. do Autor, 2022.


PS: Última postagem de um ano em que li menos que a média dos anos anteriores porque minha mente ativou um ritmo menor após a defesa da tese, no final de 2021. Assim, foram poucos livros de estudo no tempo em que tinha, com as exceções exigindo muito mais tempo de leitura ou um processo sem ter que fichar. 

Além disso, o retorno às viagens e às aulas presenciais exigiu um novo processo de adaptação, frente também a diferentes projetos que foram caminhando em paralelo em 2022 - e não foram poucos. 

Que ano que vem minha mente esteja melhor e que eu consiga me organizar mais para os momentos de leitura, que normalmente me tiram das telas e me leva para vários temas e lugares distintos.