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quarta-feira, 5 de junho de 2013

TWITTER: Momentos antes da reinauguração do Maracanã

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Antes da partida entre Brasil e Inglaterra, amistoso que marcou a reinauguração do Maracanã, resolvi observar a movimentação das palavras ligadas ao jogo. O intuito era utilizar ferramentas de mapeamento/coleta de dados da mídia social Twitter, tendo em vista novas utilizações futuras em observações de grandes eventos esportivos. Este texto, portanto, representa um relato do que observei das 14h30 até às 15h56 do domingo (2/6), com algumas observações para além do mero repasse de dados.

Não cheguei a observar a conversação que se deu através das mídias sociais porque ainda estou tentando apreender melhores formas de visualizar isto. Até utilizo o programa NodeXL, que formula um gráfico a partir de determinada palavra-chave ou usuário, porém é algo que estou no início do uso e requer mais testes antes de utilizá-lo como referência.
Ainda na fase "Decifra-me ou te devoro" no NodeXL - vendo a conversação a partir do @lance_net
Assim, acabei focando a visualização do Trendsmap, que já havia empregado anteriormente (ver, nesteObservatório, “Os diferentes ‘tempos’ de um acontecimento jornalístico", sobre a cobertura do caso guaranis-kaiowás). Trata-se de um site que gera as palavras mais tuitadas num determinado momento, possibilitando que elas apareçam sob o mapa-múndi, podendo-se encurtar a área de análise ao máximo – por cidades.

Primeira visualização - Trendsmap
Nos Trending Topics
Pelo mapa inicialmente visto, às 14h31, a maior movimentação no Twitter se dava no entorno da região Sudeste, com palavras que representam jogos da própria mídia social, como “#citepessoasquequeriaestaragora”, como também que representam um dia específico, caso de “prostituta”, por ser o dia internacional das prostitutas. Quanto a termos ligados ao futebol, o Sudeste especificamente tinha como destaque as seguintes palavras: “maracanã” e “maraca”, ligadas ao estádio Mário Filho; “inglaterra”, adversária brasileira no amistoso; e “neymar”, principal jogador da seleção brasileira de futebol.

Em Minas Gerais, havia destaque para o atacante Diego Tardelli, com retuítes e respostas ao seu perfil na mídia social “@tardelli_9”, no dia dele jogar contra seu ex-clube, o São Paulo, no Campeonato Brasileiro pelo Atlético-MG. No Nordeste, havia ainda destaque para os 99 anos completos pelo Ceará Sporting Clube, com a hashtag “#ceara99anos” no Ceará; e, com menor quantidade de tuítes, mas visível, “Aflitos”, por conta da última partida realizada neste estádio pernambucano, que será substituído pela Arena Pernambuco, construída para os eventos Fifa e que ficará sob a gerência do Náutico.

Pessoas tuitando "maracanã" - 15h34 - Trendsmap
Observando a movimentação de tuítes referentes ao “Maracanã”, a maioria demonstrava desejo em estar no estádio no momento de sua reabertura, com algumas pessoas criticando a quantidade de dinheiro gasto para (mais) esta reforma – acima de R$ 1 bilhão. Deste momento e, ao menos, até o início da partida, a palavra “Maracanã” seguiu nos Trending Topics do Twitter. “Dia internacional da Prostituta” e “Parada Gay” – realizada em São Paulo no domingo (2/6) – também seguiram nos TTs durante este período. “BrasilXInglaterra” chegou a aparecer às 15h35 e “Hulk” um pouco antes do jogo. O meia-atacante foi escalado como titular do Brasil quando todos esperavam a escalação de Lucas, o que gerou protestos nas mídias sociais e (muitos) durante a partida dentro do estádio.

Mourinho no Twitter britânico - 15h14 - Trendsmap
Alternativa para dialogar com o público
Por curiosidade, aproveitei o Trendsmap para observar os comentários relativos ao amistoso no Reino Unido, com observações às 15h10 e às 15h55. Na primeira visualização, nenhum tópico referente ao jogo estava destacado. Após maior zoom, a palavra “Brazil” aparecia apenas na região da cidade de Liverpool. Mas o grande destaque por lá também era futebolístico: a confirmação por parte do presidente do Real Madrid, Florentino Perez, de que o ex-técnico do clube, o português José Mourinho, voltaria ao inglês Chelsea, com tags “jose”, “mourinho” e “perez” entre as mais tuitadas na região.

Só perto do jogo (15h54), "brazil" começa a aparecer - Trendsmap
Se poucos minutos antes da partida começar, as tags “maracanã”, “maraca” e “inglaterra” se intensificaram em todos os cantos do Brasil, a palavra “Brazil” começou a surgir com mais força na Inglaterra. O que, para mim, gerou uma curiosidade sobre a conversação em torno das partidas de futebol por lá, se realmente apenas fica restrita à duração da partida. Para finalizar este relato, o @lancenet, do grupo Lance!, pediu pelo Twitter para que as pessoas que estivessem no Maracanã tuitassem, ou publicassem no Instagram, uma foto com a hashtag “#tonomaraca”: “Está no Maraca? Mande uma foto para o Lance! no Twitter ou no Instagram com a tag #tonomaraca. Lembrando que o perfil tem que ser público”.


Observando horas depois da partida, foram poucas pessoas a publicarem as fotos no Twitter, cujo pedido seguiu ao menos até às 22h. Foram 22 postagens de 15 pessoas diferentes, num espaço de mais de 250 mil seguidores deste perfil na mídia social – porém, sem ter como saber o quanto destes estavam vendo a partida no estádio. Esta é uma alternativa dos grupos de comunicação para dialogar com o seu público nas mídias sociais, de maneira a aceitar a produção de conteúdo por parte de outras pessoas e possibilitando, neste caso, diferentes visões sobre a reinauguração de um espaço tão importante para o país quanto o estádio Mário Filho.

Futebol pelo Twitter
De forma geral, as mídias sociais permitem a publicação de informações tanto de perfis de meios de comunicação, quanto de atores/repórteres e das demais pessoas que acessam o espaço, tendo como alternativa, inclusive, o diálogo entre todos – desde que o perfil seja “público”, aberto para qualquer um seguir.

Cada vez é mais comum as pessoas que têm acesso à internet acompanhar as partidas de futebol pela televisão e também pelo Twitter, só que neste caso podendo comentar, criticar ou participar de brincadeiras nesta mídia social. Se as Olimpíadas de Londres foram um marco para a utilização destes sites, com consequências graves para alguns atletas que assim o fizeram, os eventos Fifa, a partir da Copa das Confederações de 2013, podem representar uma consolidação destas formas de comunicação.

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[Texto originalmente publicado no Observatório da Imprensa]

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O problema das TVs com as mídias sociais

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Num mesmo mês, Rede Globo e Rede Record tomaram decisões diferentes quanto à utilização de sites de redes sociais e a preocupação com as novas mídias. Enquanto a primeira explicou o porquê de não difundir conteúdo (links) pelo Facebook, a segunda criou a diretoria geral de novas mídias. No fundo da questão, a dificuldade da centralizada televisão de achar o caminho (e mais receita) noutro meio de comunicação com possibilidade de mais diálogo.

O problema para o desenvolvimento da indústria cultural está na criação de um modelo de negócio que seja satisfatório, que faça valer a pena os gastos na criação e na evolução de novas ferramentas de comunicação, seja na criação de aplicativos e demais novos produtos ou no desenvolvimento dos meios de comunicação já existentes, caso da TV digital e da TV conectada e suas (controversas) possibilidades de interação.

Quem acompanha os sites de redes sociais sabe o quanto o diálogo dos grandes meios de comunicação, as TVs em particular, ainda parecem gelados, comparando com a própria fluidez que caracterizam esses espaços. Há pouco diálogo e, no máximo, o retuíte do que alguém postou promovendo algum programa, não sendo aberto a respostas, por exemplo, a possíveis críticas. Assim, os artistas atraem mais seguidores/fãs que a emissora ou um determinado programa, seguindo a própria tendência dos sites de redes sociais, mais dedicados ao diálogo interpessoal.

Desafio seria um braço multiplataforma

O CEO do Globo.com, Juarez Queiroz (no Meio e Mensagem), ao justificar o fato de a emissora não linkar nenhum de seus vídeos no Facebook, afirmou que este espaço pouco representava para a distribuição da Globo, de 1% a 2%. Além disso, destacou que a estrutura desta mídia social não permite que as informações da emissora aparecessem no início do feed dos usuários. No caso das fanpages, elas estariam abertas a receberem publicidade de outras marcas e produtos, inclusive concorrentes, aproveitando-se de sua quantidade de fãs.

Por serem internacionais, as Organizações Globo não acreditam numa mudança deste modelo de negócio para o Brasil, optando por não investir na publicidade do conteúdo que ia para o Globo.com.

No caso da Record, se há a expansão das atividades de Antonio Guerreiro, também diretor-geral do R7, enquanto diretor de novas mídias, o intuito é expandir a produção de conteúdo num processo de maior convergência da produção de audiovisual, também através do mobile, das smart TVs e dos games. Segundo ele, em entrevista ao Comunique-se, o desafio seria montar um braço multiplataforma que possibilite o lançamento de um produto televisivo também em outras mídias, especialmente a internet.

A saída da General Motors do Facebook

Ao contrário do CEO da Globo, Guerreiro crê na importância das redes sociais na audiência do R7, destacando que o mais importante seria as pessoas falarem sobre a programação: “Quando corto a conexão com a rede social, corto a ligação de inúmeras pessoas com a minha marca”.

Ainda assim, comprovando os problemas da adaptação ao novo modelo de negócio que as mídias sociais exigem, em dezembro do ano passado, a Rede Record passou a proibir a divulgação de blogs, sites e mídias sociais particulares de seus contratados, especialmente os que ganhavam dinheiro a partir da venda de tuítes, de maneira a priorizar as ferramentas ligadas à emissora na internet.

Pensar estas relações entre as empresas da ainda maior indústria cultural do país com as novas possibilidades de comunicação, com destaque para mídias sociais como Twitter, Facebook e Youtube, é de profunda necessidade por se tratar de um processo muito difícil de ser identificado no atual momento por estarmos diante de uma transformação. Mesmo as mídias sociais têm dificuldades em conseguir atrair investidores/patrocinadores para elas. Prova disso foi a saída dos investimentos da General Motors do Facebook em 2012, três dias antes da oferta pública de ações da empresa de Mark Zuckerberg, por não concordar com a maneira que a publicidade era feita. O grupo só retornou em abril deste ano.

A venda de conteúdo audiovisual

O Twitter também passou por alterações recentes de maneira a criar um modelo de negócio. Neste caso, a dificuldade era porque havia uma série de outros produtos, não pertencentes aos criadores da ferramenta, que permitiam o acesso a ela. Assim, por mais que o fluxo de tuítes fosse muito grande, boa parte deles poderia ser gerada por outros sites. Assim, uma das opções foi comprar a TweetDeck, uma ferramenta de gestão de tuítes, em 2011.

A associação com outras mídias gera maior movimentação dos internautas, como comprova vários exemplos de acompanhamento de programas televisivos, caso do sucesso de Avenida Brasil e de algumas telenovelas também nas mídias sociais.

Para citar um exemplo de outro importante produto midiático no Brasil, segundo pesquisa Esporte Clube Ibope Media divulgada em 2011, das pessoas que assistem esporte pela TV ou na arena, 58% o faz de maneira a consumir simultaneamente mais de um meio de comunicação, com maior sobreposição de TV + internet, que representa 30% do valor anterior, superando a dupla TV + rádio, mais tradicional, com 16%.

Nos Estados Unidos, infográfico da Morrison Foerster’s Socially Aware demonstra que 65% das pessoas que possuem tabletes assistem TV navegando pela internet, sendo que 10% deles acessam os sites ligados às empresas que veem, enquanto que 29% está usando o Facebook vendo TV.

Saber utilizar as mídias sociais e as novas alternativas oriundas das recentes alterações na própria TV, através da digitalização deste meio e da TV conectada, pode abrir novos espaços para a venda de conteúdo audiovisual. Como fazer isso é um quebra-cabeça que os grupos de comunicação mais tradicionais teimam em tentar montar sem levar em consideração as idiossincrasias que marcam estas transformações no comunicar.

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[Texto originalmente publicado no Observatório da Imprensa]

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

4.121 tuítes e quase 11 meses depois...

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Em fevereiro de 2011 acabei me rendendo a um algoz de muito tempo: o Twitter. Como contei aqui no Dialética Terrestre, o intuito era mais para saber o potencial da mídia social que moveu muitas opiniões e trabalhos científicos por conta de um possível potencial contra-hegemônico e, além disso, como as empresas não estavam sabendo utilizá-lo.

Acabei prometendo em fazer uma análise sobre a forma que utilizei o Twitter e por vários motivos não pude fazê-lo para além dos primeiros dias. Até que muitas das dificuldades apresentadas no único relatório de atividades acabaram, com a assimilação pela empresa de outras ferramentas que acabaram por melhorar sua utilização - sem a necessidade de se usar outros instrumentos para, por exemplo, postar uma simples imagem.

Acostumei-me com a série de manchetes - afinal só são 140 caracteres... - publicadas e muitas vezes fiquei e ainda fico com muitas abas abertas por conta da velocidade das notícias e dos meus interesses em ler. Nem sempre dá para acompanhar. Afinal, em questão de minutos já tem dezenas de postagens; apesar de nem sempre serem coisas interessantes - como anúncio de chegadas de festas ou puxa-saquismos governistas.

Por mais que mantenha a crítica quanto à quantidade de caracteres, que restringe, e muito, as discussões, tendo que dizer que esta mídia social foi muito útil para mim durante este quase um ano de utilização. Pude reencontrar um colega/amigo ou outro, que perdi o contato ao longo dos anos, alem de poder trocar tuítes até com algumas referências de produção acadêmica/profissional. Porém, também arranjei por conta do Twitter o meu maior problema profissional em terras gaúchas - por mais idiota que possa ter sido.

Produção própria
Desses 4.121 tuítes até agora, a maioria devem ter sido mesmo sobre futebol. Houve quem reclamasse que eu só tuitava sobre aquilo e até mesmo quem me provocava para usar esta mídia social para escrever em menor quantidade reclamar que eu estava enchendo sua Timeline com informações sobre futebol - especialmente, na final da Libertadores deste ano.

Fazer o quê? Além de apaixonado quase que desde sempre por futebol - e de quase todos os esportes, ao menos todos os que conheci até agora -, ele virou realmente o meu trabalho. Sou editor de uma coluna que se propõe escrever "Além das quatro linhas" ao menos uma vez por semana, logo, tenho que ler muito sobre o assunto. Além disso, a minha pesquisa de dissertação também é sobre futebol, logo nada mais normal do que falar mais dele.

Ainda assim, não é só sobre futebol. Afinal, não é porque sou fissurado por isso que só falo sobre ele, tendo toda a minha vida cultural com ele relacionado - sei lá, ler só sobre ele, ver filmes só sobre esportes ou ouvir músicas que tratem dele e coisas do tipo,...

Quem me conhece de forma razoável sabe que não costumo ficar fazendo só uma coisa. Então, análise crítica da mídia, pensar em políticas de comunicação, além de pensar sobre mobilizações sociais dos mais diversos tipos são temas que devem aparecer também.

Hoje tenho exatos 115 "seguidores". Nunca imaginei que passaria dos 50, imagina dos 100. Sei que é muito, mas muito pouco mesmo, mas nunca disse que queria fazer resultados com isso. Acho que serve mais para um desabafo momentâneo. Surpreendo-me que dentre estas pessoas há quem eu não conheço e quem eu conheço bem, mas que nunca esperava que fosse me seguir, dentre outros, casos de nos nomes da música brasileira, blogueiros "famosos" e professores da área com renome, casos de Martín Becerra e de Laurindo Leal Filho.

Em tom de crítica
Ah, se os indivíduos sabem usar melhor mídias sociais que as corporações em que eles trabalham? As pesquisas mostram que sim. Os jornalistas, apresentadores e atores têm mais "seguidores" que suas empresas. Muitos perfis de programas de TV continuam a falar mais só quando ele está no ar, até mesmo no caso dos jornalísticos (!). A "notícia" a cada minuto, ou a cada segundo, ainda anda longe de ser verdade na maioria dos casos - por isso, ainda temos que dar vivas ao rádio!

De todas as críticas possíveis, ainda tenho sérios questionamentos sobre o caráter revolucionário das mídias sociais. Em alguns espaços tratei disso durante o ano. Tudo bem, hoje temos mais possibilidade de que nossa voz seja ouvida - nossa, entenda de conteúdo fora das grandes corporações. Porém, a possibilidade de difusão de uma mídia massiva no Brasil é infinitas vezes superior ao de uma mídia social. Se temos muitos exemplos de casos de protestos que começaram na Internet, também temos os que não deram certo também partindo dela.

De forma geral, uma coisa é se dizer revoltado num computador e outra bem diferente é afirmar isso nas ruas. No caso da Primavera Árabe, as redes sociais tiveram importância fundamental para o início dos protestos, mas sem acesso a elas, o que seria deles se as pessoas não continuassem indo às ruas?

Hoje eu li, também por conta de um link do Twitter, uma entrevista com o jornalista Ignácio Ramonet, que foi diretor durante 17 anos da Le Monde Diplomatique. Ele dividiu o cenário atual como "entre a luz e a sombra". Vejamos um trecho:

"Por um lado, as mídias sociais são um fenômeno altamente positivo. É uma possibilidade de os cidadãos intervirem em debates que antes só eram restritos a quem a grande mídia quisesse. [...] A internet é uma ferramenta de fácil utilização e barata. Mesmo que se necessite comprar um mínimo de equipamento, é possível gerir um veículo com recursos cada vez mais reduzidos. Trata-se de uma reviravolta considerável e que pode ser considerado altamente positiva. Essa é o lado da “luz”. Há, no entanto, o lado “sombrio”. Também não podemos simplesmente acreditar que essa transformação na maneira de se comunicar ocorra sem que novas corporações sejam as grandes beneficiadas. Entre as principais temos o Facebook, o Twitter e o Google. Às vezes não nos damos conta de que, toda vez que utilizamos essas novas mídias, estamos tornando essas corporações cada vez mais lucrativas. Você pode ligar para um amigo para planejar a “grande revolução anticapitalista”. Para a empresa de telefonia pouco importa: ela lucra com a sua chamada. Também não devemos acreditar que, ao conseguirmos oferecer a possibilidade de qualquer pessoa expressar sua opinião, chegamos à era da democratização da comunicação. Sim, ela está mais acessível, mas os cidadãos não produzem nem são fonte dessas informações. Eles participam, na realidade, nos comentários. Em terceiro lugar, deve- se considerar que todo esse sistema é vigiado. Quando você se exprime através das novas mídias sociais ou por novas tecnologias de informação, está entregando informações que poderão ser rastreadas. Claro, o que ocorreu na Tunísia e no Egito foi muito positivo. Porém, pelo mundo, nem sempre é assim. É um sistema de dupla face".

Acredito que Ramonet foi muito feliz em suas considerações, especialmente nos pontos que eu destaquei. Afinal, vivemos um monte de uma "crise" - ou uma fraude chamada de crise, como nós no NIEG falamos -, com muita produção audiovisual sobre o assunto, independente de posicionamento político. O domínio do capital financeiro sobre a economia mundial é visível até mesmo para produções hollywoodianas - este primeiro modelo de Indústria Cultural - e, ainda assim, os interesses políticos das principais potências mundiais são para a manutenção deste domínio sem face, sem matriz geográfica.

Enfim, por mais que use, e utilize muito o Twitter, sou defensor da análise consciente da situação social e da cada vez mais necessária ação para que haja mudança. Difundir as informações sob outro ponto de vista é essencial, e as mídias sociais ajudam muito para isso, mas só isso não basta.

PS: Ainda esta semana pretendo escrever sobre os primeiros dias utilizando o Facebook - após várias pressões e argumentos vindo de vários lados.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Apresentem-me esta "forma contemporânea"

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Nesta quinta-feira foi o último dia da Semana da Imagem, evento realizado pelo grupo de pesquisa TCav daqui da Unisinos e que é parceiro do Cepos na linha de pesquisa 1, Mídias e Processos Audiovisuais, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação. Conheço o pessoal da linha, professores e estudantes por conta do convívio em disciplinas comuns e posso dizer que já estou "acostumado" à maneira de se observar a comunicação por parte deles.

Eles vêem o comunicacional na perspectiva da "tecnocultura audivisual", uma espécie de ambiência em que vivemos na contemporaneidade, ou que estejamos caminhando para, em que os meios de se comunicar são entendidos como máquinas de visão, não enquanto novas linguagens, por isso que costumo dizer que eles utilizam da questão técnica mesmo, numa visão benjaminiana.

Enfim, explicações à parte, o assunto deste post é algo que já havia discutido durante o Lusocom, no GT de Comunicação e Política: a Internet, ou mundo digital, como garantidor de relações comunicacionais horizontalizadas já no espaço contemporâneo.

LUSOCOM
No Lusocom, devido a questão de atrasos dos apresentadores, um pesquisador português que desenvolveu um trabalho sobre a comunicação institucional da cidade do Porto pediu para apresentar no de Política e, como viajaria, foi o primeiro. Em seguida, apresentou um doutorando de Educação da UFSCar sobre a visão de Gramsci sobre a imprensa. Ou seja, dois pólos diferentes de análise sobre a comunicação e que, consequentemente, tenderiam a gerar uma baita discussão. E deu.

Pinto Teixeira, acho que este é o sobrenome dele, questionou se poderíamos aplicar conceitos tão duros, como no que se considera um consumidor de mídia passivo, para os dias atuais, em que, "todos podem produzir informação e difundi-la, com democracias firmes que possibilitam ter uma representação igualitárias nas câmaras políticas". Mais ou menos isso, já que foi há duas semanas.

Escutei alguns comentários de colegas e não tive como deixar de discordar dessa realidade sobre redes sociais e produção na Internet que apaga qualquer existência de indústrias culturais estabelecidas. Lembro de ter respondido que no Brasil o poderio da comunicação "tradicional" ainda era pesado - especialmente após uma colega de EPC, da Unesp, ter dado o exemplo do Sind. dos Professores de SP, que ainda se "informam" com o JN. 

Além de lembrá-lo que a realidade comunicacional brasileira é bem diferente da europeia. Aqui a televisão, a principal mídia massiva, começou e sempre foi comercial, enquanto lá começou e foi até um bom tempo estatal, com a concorrência e disputa, posterior à abertura do mercado no setor, permitir variações nas posições em termos de audiência. Em território brasileiro, por mais que perca audiência e share, a Rede Globo de televisão continua muito forte, mesmo que não tanto quanto antes.

Como o GT tinha que andar, inclusive eu tinha que apresentar um trabalho sobre o "Valerioduto" e como são estabelecidas as relações político-econômicas dos grandes grupos midiáticos brasileiros, a discussão não prosseguiu.

SEMANA DA IMAGEM I
Nas aulas de Audiovisualidades nas Mídias, no semestre passado, realizada com professores do PPGCC do TCav, num momento específico questionei um dos autores quanto à afirmação que "nunca se produziu tantas informações quanto hoje". Em que pronto fui respondido que isso é verdade, porém, nunca tantas produções foram tão irrelevantes.

Enfim, durante a Semana da Imagem, o assunto de mídias digitais como a "alternativa" voltou, e em dois momentos, mesmo que sob perspectivas um pouco diferentes.

Na terça-feira, o professor Celso Cândido (UNISINOS) participou da mesa "Impacto das novas mídias no estatuto da imagem: McLuhan 2.0". Antes de adentrar no que o professor falou em específico, já aviso logo que McLuhan, que completaria 100 anos em 2011, não está na minha lista de autores sobre Comunicação por uma postura teórica que, apesar de ter diminuído meus ranços nos últimos meses, não concordo por conta de certo exclusivismo sobre a técnica em contraposição ao exclusivismo ao conteúdo.

Voltando ao tema base deste texto, durante a apresentação do prof. Celso, que não anotei por completo e nem pretenderia resumir, logo dou aqui a minha interpretação, ele falou no poder da comunicação contemporânea, em que se sai de uma produção de "um para muitos", para "muitos para muitos". As novas mídias possibilitariam novas formas de produção, em que os indivíduos podem ser narradores de suas próprias histórias.

Cândido dá o conceito de "intercriatividade", que representa um avanço quanto a interatividade (associada a algo mais responsivo que dialógico - expressão bakhtiniana que fica por minha conta). Não se tem apenas uma capacidade de escolher, mas de se criar, de forma que estaríamos num momento em que se tem cooperação e criação coletiva, num "empoderamento molecular" que define as formas de vida da nossa época.

Confesso que fiquei inquieto desde quase o início da apresentação dele, mas a minha questão foi a "pergunta clássica" - como ele mesmo disse ao responder - se estaríamos mesmo numa sociedade assim na contemporaneidade. Para mim, não podemos esquecer que determinadas relações sociais, políticas e econômicas continuam aí e, além disso, o fato de que em países como o Brasil o acesso à Internet não ser "massificado" grande, por exemplo. Além disso, imagino que, como possibilidade, poderíamos estar numa época de transição para uma comunicação horizontal efetiva.

Um dos argumentos dele, até mesmo porque é assunto "para um debate maior", foi que muitas pessoas utilizam a Internet. Se quando ele iniciou essas discussões se falava em 200 milhões de pessoas com acesso, hoje seriam 2 bilhões. Além do fato de os brasileiros estarem entre os primeiros nas listas de redes sociais e, principalmente, acesso por horas/mês de Internet.

Volto ao ponto inicial deste sub-tópico, podemos acessar mais, porém o que se pode considerar relevante, ou da mesma relevância que um telejornal, por exemplo, viaja pela web e é de tal forma popularizado? Para mim, e um conceito de direito à comunicação ou socialização oriunda disto, não basta o acesso, mas se precisa de um processo de aprendizado tanto no que tange à melhor utilização técnica das máquinas de visão, agora audiovisuais, quanto numa socialização de conteúdos culturais que, ainda não temos da melhor forma - para alegria de adornianos.

SEMANA DA IMAGEM II
(Com sono, mas terminarei o texto...)
Na quinta-feira foi a vez do professor da UFSC Massimo Canevacci se apresentar em duas mesas, na de "Tecnocultura Audiovisual" e numa apresentação denominada "Carpe-codex". Em ambas ele tocou em temas que me trouxeram curiosidade, caso de uma "divisão comunicacional do trabalho" no lugar da "divisão social do trabalho" marxiana, e na importância da internet enquanto direito fundamental do ser humano.

Pelo que eu entendi do que foi proposto pelo professor Canevacci, ele ainda considera a comunicação atual verticalizada, em que a internet seria fundamental para horizontalizar, e entende que se deve desenvolver um tipo de democracia outra, uma "cidadania transitiva", em que se pudesse transitar por vários países, sem ter uma nacionalidade que o defina. Além disso, não haveria hoje mais indivíduo, mas multivíduo. 

À noite, numa apresentação mais voltada a uma composição de "metrópole comunicacional", ele voltou ao tema da "divisão comunicacional do trabalho" e finalmente pude perguntar se isso não seria uma proposta na tentativa de centralizar a resolução dos problemas no comunicacional, ao contrário da proposta de Marx que considerava como formador do campo do trabalho, questões sociais, econômicas e políticas - faltando o quesito cultural nele, acrescido a partir dos frankfurtianos. 

A resposta dele foi que horizontalizando a comunicação se pode criar um conflito político, já que a política depende muito da comunicação e sua alteração. Cada indivíduo, inclusive com as mídias digitais, tem a preocupação em produzir seu conteúdo, numa situação que conflitua com a hierarquização vertical da atual política.

CONCORDÂNCIAS E DIVERGÊNCIAS
De forma geral, quem me conhece antes da vinda à Unisinos sabe o meu posicionamento sobre o Twitter, em específico, e alguns destes já riram de mim após a utilização desta rede social e o quanto eu a utilizo. É uma ferramenta importante e interessante a se ocupada, mas não pode se a única.

O exemplo atual das manifestações árabes e inglesas mostram que as redes sociais foram importantes para a difusão, mas se não fosse a luta diária, com manifestações da população, pouco teria mudado, até mesmo porque a primeira atitude dos governos ditatoriais foi fechar os caminhos de comunicação via rede. Se uma coisa fosse tão ligada à outra, as manifestações teriam se encerrado. Além disso, o quanto sabemos do processo nesses países hoje a não ser o mínimo que é/foi oferecido pelas indústrias culturais tradicionais?

Já defendi as redes sociais noutra aula no semestre passado. Não vejo essas novas mídias como revolucionárias, a salvação da sociedade desigual que continuamos a viver, mas não deixo de admitir que podemos falar algo. Este blog, o site Estratégia & Análise, o Sururu Fresco e o Observatório da Imprensa, espaços que alguns dos meus textos são publicados, são provas disso. 

Porém, um dos problemas da difusão um-um ou muitos-muitos é que não se tem "fórmula" para que um assunto importante vá parar, por exemplo, no Trending Toppics do Twitter, espaço que continuo achando com possibilidade de informações mais efêmeras. O filósofo esloveno Slavoj Zizek parou lá por conta de conversas com a cantora pop Lady Gaga, não por sua análise filosófica, que é muito interessante, por sinal.

Mesmo com a crise que reflete a "Fase da Multiplicidade da Oferta" de bens culturais, um assunto para se tornar público, de forma geral, tem um maior alcance na mídia hegemônica "tradicional" que numa nova mídia - que até possui uma via de mão-dupla, após muito "sacrifício", com as mídias sociais, que não a balizam totalmente. 

No Chile, os protestos dos estudantes geraram uma rede de rádios comunitárias no país que transmitem o assunto de forma a contrapor às informações da "grande mídia local". Um velho meio de comunicação que ainda tem maior amplitude de recepção que as webrádios - que não devem deixar de existir por conta disso.

Tragamos o exemplo do presidente da CBF, há 22 anos no cargo, Ricardo Teixeira. O #foraricardoteixeira ficou alguns dias nos TTs do Twitter, mas as manifestações públicas contra ele levaram, por enquanto, no máximo 500 pessoas às ruas de uma cidade como São Paulo! Ainda muito pouco, por mais que seja "algo", perante o que (não) se tinha antes.

O próprio Teixeira, numa soberba "sinceridade sanchezniana", disse à revista piauí que só se preocuparia quando aparecesse no Jornal Nacional, como apareceu indiretamente no último sábado. Porém, o motivo não foi a marcha organizada pela Frente Nacional dos Torcedores em São Paulo, mas uma divergência quanto à mudança de horários sem consulta dos jogos do Brasileirão deste ano.

Concordo também, e plenamente, que a informação atingiu um patamar de fundamental importância para o modo de produção capitalista na sua fase contemporânea, em que é isso que movimenta os mercados financeiros mundiais. Porém, pensar que resolver este problema pode resolver tudo é esquecer que este problema, o da comunicação, deriva de outros, e não o contrário.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Primeiros dias no Twitter

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Um pouco mais de uma semana utilizando o Twitter e só nos últimos dias é que comecei a me adaptar a este instrumento de comunicação. Como contei no post anterior, a primeira dificuldade que me aparece é a dificuldade em escrever em apenas 140 caracteres, mas estou me acostumando, apesar de sempre ter essa preocupação quando post algo.

Enfim, algumas coisas eu não gostei. A primeira coisa que me apareceu como sugestão para seguir foi o twitter do Corinthians, logo o do Corinthians... - o do Rubens Barrichello apareceu do lado. Além disso, no início achei complicado encontrar os perfis de coisas mais populares, como jornais e TVs, não só por outras cópias existentes, mas também porque tem alguns setores de empresas de comunicação que são separados. Por exemplo, temos a @tvgazeta e a @redacaotvgazeta.

Outra coisa que me perdi foi para formatar a minha página inicial. As fotos que queria para o plano de fundo não ficavam. Isso é para mexer e procurar na Internet depois. 

Já que citei acima fotos, devido ao espaço e à finalidade do microblog, as fotos têm que ser postadas em outros lugares para depois termos de colocar o link lá. O Twitpic faz isso com a mesma conta do Twitter, mas já é um atraso para algo que promete agilidade. No mesmo dia que postei o link da minha primeira foto, verifiquei que, ao menos, a Central de Ajudas tem tradução para o português. Menos mal.

Ao longo da semana fui achando o negócio chato. Ficar vendo manchetes, em especial as de alguns perfis que só divulgavam as futilidades do BBB11. Já daí pude perceber que, não só nesse caso específico, os perfis de TVs locais só são utilizados para notícias locais quando há produtos jornalísticos produzidos em Alagoas no ar. Depois disso fica um vácuo nos perfis jornalísticos. Ninguém comenta sequer os telejornais da  rede.

Só ontem é que vim tomar jeito nisso, adicionando mais algumas pessoas que conheço. Aproveitei para cornetar, novamente, o CSA e opinar sobre (mais uma) derrota da Seleção de futebol sobre a França - é incrível como futebol me anima... Aproveitei também para divulgar os posts do blog do Cepcom, apesar de ainda não ter público para isso.

Hoje é que postei mais, retwittei - quando se posta o que já foi publicado por outro perfil -, respondi a outras pessoas e comentei uma manchete do O Globo sobre os problemas na reforma do Maracanã para a Copa de 2014.

Ando lendo nesses dias textos sobre o Twitter e o destaque geralmente é que as empresas ainda não aprenderam a usar esta ferramenta. Na mídia, vemos que as personalidades têm muito mais seguidores que as empresas em que trabalha. Num texto do Comunique-se, li um comentário que o problema é que o público desta rede social espera uma conversa normal, entre amigos, e não é isso que as empresas fazem.

Se levarmos para o campo da comunicação, se tínhamos na televisão o instrumento que tinha como "obrigação" ter sua forma que alcançasse mais pessoas possíveis, sem diferenciação de sotaques e culturas para um país do tamanho do Brasil, e com um diálogo "olho-no-olho", com conversas mais próximas ao cotidiano, vemos no Twitter uma ferramenta que exige o tom mais que pessoal, ao pé do ouvido, rápida, que instigue interesse e altamente direcionada.

Num texto de Cleyton Torres, no Observatório da Imprensa, ele analisa como o jornalismo vem usando esta ferramenta. Ele coloca como sua maior preocupação que muitas vezes o Twitter pauta as redações, o chute a esmo em confiar numa informação publicada lá pode ser terrível caso ela seja errada. Cabe ao repórter apuração - senão, para que ser repórter, não é mesmo?

Continuaremos a saga de análises e a utilização desse novo fenômenos quanto o assunto são as redes sociais produzidas como novas formas de tecnologias de informação e conhecimento. Se quiser nos acompanha pelo Twitter é só seguir: @AndersonCepcom.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Agora grunhindo: @AndersonCepcom

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"[O Twitter] Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido". José Saramago, entrevista para O Globo em 2009.

A notícia que provavelmente fará a audiência deste blog aumentar consideravelmente, ao menos para este post: acabo de fazer uma conta no Twitter! Basta agora que uma pessoa que me conheça leia isso para disseminar perante "arqui-inimigos" da escrita longa para que a partir de amanhã surjam brincadeiras sobre o assunto.

Quem me conhece sabe que a minha divergência com o Twitter vem do motivo elencado por José Saramago numa entrevista cedida em julho de 2009. Eu sou acostumado a ter dificuldades em escrever nos limites de aceitos por uma publicação - os "arqui-inimigos" sabem muito bem disso. Imagina só ter que escrever em apenas 140 caracteres? 

É a representação da efemeridade da sociedade pós-moderna contemporânea, em que, graças também à televisão, temos que nos adaptar a notícias rápidas e sem a possibilidade de consciência do que se passou. São os 90 segundos de uma informação telejornalística em forma proporcional na escrita. E isso justo através da Internet, onde a promessa é de que podemos escrever o que quiseremos sobre o que quisermos e deixar por aqui, à espera de alguém que leia.

E por que alguém que é contra tão profundamente a esta forma de escrita resolveu entrar neste troço?

Para minha infelicidade, e isso há muito tempo, as várias formas do passarinho azul se espalharam e, em alguns casos, foi fundamental para a disseminação de informações, mesmo que curtíssimas. Onde a imprensa não pode entrar, basta ter um computador com acesso à Internet, ou algo que funcione enquanto tal, para que saibamos um pouco do que acontece.

Além disso, o fato de um dos programas de uma emissora comercial local - um telejornal que para fazer merchandising não pode ser chamado de telejornal - passou o mês inteiro divulgando intensamente, diariamente, suas contas nas redes sociais. Se antes você mandava uma sugestão por e-mail, agora ela pode ser feita através da rede social mais atual.

A minha ideia, ao menos neste mês que me resta em terras caetés, é verificar como as emissoras locais utilizam essa ferramenta. Além disso, e caso eu consiga, perceber se o que ocorreu com os blogs se repete no caso do Twitter. O seguinte: apesar da possibilidade de publicação livre, os que  fazem maior sucesso são de pessoas famosas em outras plataformas midiáticas, com algumas exceções - estas que geralmente não aguentam a pressão de serem obrigados a postar devido o sucesso.

Na medida do possível eu escrevo por aqui ou no blog do Cepcom, quando enviar um texto para publicação em sites nacionais, como está este processo. De antemão, o negócio é bem mais complicado do que parece, ao menos para se fazer: não tem formatação em Língua Portuguesa - por mais que o Google Chrome traduza do jeito dele ainda fica difícil -, algumas dificuldades de formatação e, o principal, os muitos perfis falsos que existem lá.

Nunca fui e nunca fiz questão de ter centenas de "Amigos" no Orkut, então minha intenção lá não será atingir o "Trend Topics" e muito menos ter muitos seguidores. Vamos ver o que dá para fazer por lá enquanto ferramenta de comunicação e como não ser mais um viciado nisso.

Agora, após a morte do Saramago e a minha "venda" ao passarinho azul, só resta o Luís Fernando Veríssimo para atacar o Twitter. Foi mal, Veríssimo.