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domingo, 10 de março de 2013

[Gauchão 2013] A maldita lógica apareceu

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Clássico nas quartas de final, eliminação do grande nos pênaltis na fase seguinte e final com dois times de interior também sendo decidida na marca da cal com direito a uma frase histórica: "Só bate quem erra". A Taça Piratini foi muito mais interessante ano passado que em 2013 e falo isso não apenas por ter acompanhado bem menos o 1º turno do Gauchão deste ano, não. Nos Estaduais com grande diferença de clubes, torcemos sempre pela surpresa. E não foi o que ocorreu até agora.

GRE-NAL
Como (quase) sempre, Grêmio e Internacional começaram o Campeonato Gaúcho não só sem o time titular,  mas com times B e até C em campo, entre sub-23 e jogadores menores de idade no gramado. Em outro momento infeliz, o presidente da Federação dizia que era obrigação dos times do interior ganhar a Taça Piratini, mesmo que a disparidade fosse enorme.

Na primeira fase, o Grêmio sofreu um pouco para se acertar. Nem o reencontro com o aposentado Estádio Olímpico dava regularidade ao time B, com Rondinelly muitas vezes no banco e sob comando de ataque de William José. Num dos momentos áureos do campeonato, goleou o Santa Cruz por 5 a 0 na 3ª rodada, foi goleado por 4 a 0 pelo São Luiz na rodada seguinte, perderia o clássico contra o Inter (este com titulares) por 2 a 1 em Erechim, depois voltaria a golear, 5 a 1 no São José, e enquanto perdia para o Juventude por  a 1 em Caxias, veria o Santa Cruz fechar o ciclo com uma goleada por 5 a 0 contra o Novo Hamburgo. Neste período, além da quase inexplicável volta ao Olímpico, um destaque desde os treinos foi o atacante Lucas Coelho, de 17 anos, que teve o contrato renovado.

Preocupado com a Libertadores, que teve que disputar a partir da fase preliminar, o Tricolor chegou a estar próximo à zona do rebaixamento e só garantiu a classificação na última rodada.

O Internacional mostrou ter um time sub-23 que pouco ajudaria Dunga para o futuro. O elenco principal seguia fazendo uma pré-temporada sob o comando do preparador físico Paulo Paixão, que saiu do arquirrival na virada de ano. Quando o time entrou em campo, mostrou que a decisão foi acertada. Apesar de ter várias casas por conta da interdição para a fase final da reforma do Beira-Rio, o Inter classificou de maneira tranquila, com demonstrações de maior vontade de jogadores importantes, casos de D'Alessandro e, principalmente, Forlán, que terminaria o turno na artilharia da competição. Até um momento não muito bom, a nova lesão do meia Dátolo, surgiu efeito positivo, já que Fred voltou a ser o segundo homem da armação, deixando a segunda posição no meio para um volante de fato, Josimar. 

Porém, o que deveria ter sido uma classificação como primeiro mudou na última rodada. O gol de empate sofrido no final da partida contra o Cruzeiro antecipou o clássico contra o Grêmio. Entretanto, Luxemburgo optou por colocar novamente o time reserva em campo, agora em Caxias do Sul, e viu nova derrota para o rival por 2 a 1.



OS OUTROS
Dos demais times, o São José até despontou muito bem no início do campeonato, mas perdeu fôlego e terminou a fase em 3º, sendo eliminado nas quartas de final pelo Caxias, por 3 a 1. O grande destaque acabou sendo realmente o São Luiz, de Ijuí, um dos poucos a sobreviver à centralização do Campeonato Gaúcho.

Paulo Porto, campeão da Taça Piratini do ano passado com o Caxias, pegou o time de Ijuí durante a primeira fase e conseguiu uma série de vitórias. Até a final, seriam sete vitórias e um empate, com direito à eliminação do ex-clube na semifinal, vitória por 2 a 1. Alçado como um dos grandes técnicos do interior gaúcho, Porto sonha em dirigir um clube gaúcho em alguma divisão nacional no segundo semestre.

Os destaques negativos vêm da parte de baixo da tabela, num ano em que o descenso ganhou mais uma vaga. Há muito tempo na primeira divisão, e com boa campanha no Gauchão do ano passado, o Veranópolis só marcou 4 pontos em 8 jogos. Fazem-no companhia, provisoriamente, dois times da região metropolitana. O Novo Hamburgo (5), a quem pudemos ver atuando (mal) aqui do lado já trocou duas vezes de técnico e parece que este não é mesmo o problema. Eterno candidato ao rebaixamento, o Canoas (6) esteve longe do péssimo primeiro turno do ano passado, quando marcou só 1 ponto e ainda assim fugiu do rebaixamento, mas segue ali na rabeira. Santa Cruz, com 7, Passo Fundo, com 8, e Pelotas, com 9 pontos, também têm que ter cuidado na Taça Farroupilha.

FINAL
Hoje, São Luiz e Internacional fizeram a final da Taça Piratini. De um lado, o time de Ijuí chegava à sua primeira final de turno no Gauchão, o que deu uma animada nos torcedores locais, com muitos colorados dizendo que torceriam para o São Luiz neste domingo. Do outro, o Inter chegava à sua primeira final sob o comando de Dunga, ijuiense de nascimento.

Ninguém esperava que fosse ser desse jeito. Nem o enlameado Estádio 19 de Outubro, que recebeu um público superior a 6 mil pessoas, com direito a outras em cima do muro em torno da cancha, parou o time da capital, que goleou por 5 a 0. Dos grandes nomes do ataque colorado o mais apagado até aqui, Leandro Damião resolveu aparecer na final ao participar em quatro gols, marcando dois e um deles sendo um golaço. Recebeu a bola no bico da área, ajeitou, olhou para o gol e mandou no ângulo oposto por cobertura, para desespero do goleiro rival - cuja defesa havia levado apenas 4 gols nas 10 partidas anteriores. Os outros gols foram marcados por Gabriel, D'Alessandro e Rafael Moura, este já nos acréscimos.

O título é mérito de Dunga, que soube construir uma boa equipe num momento raro nos últimos 10 anos de Rio Grande do Sul, com o Grêmio sob os holofotes da mídia esportiva local. O ponto negativo vai para a "mania de perseguição" que o treinador apresenta. Muita discussão com árbitros, acusações levianas e show para as câmeras. Muito exagero que, felizmente, não o acompanhou na partida de hoje. Com D'Alessandro e Forlán jogando bem, Damião sendo efetivo no ataque e a parte defensiva bem montada - com a volta de Juan (aquele mesmo que foi titular da Seleção ao lado de Lúcio) -, este Inter promete ter uma ano bem diferente do ano passado. Para começar, poderá iniciar a Copa do Brasil tendo a certeza de já estar na final do Campeonato Gaúcho de 2013.

Foto: Alexandre Lops (Internacional)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

[Por Trás do Gol] Nova experiência, "velho" resultado

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Já tinha assistido a partidas em Pelotas, no Olímpico, em Canoas, em Sapucaia e em São Leopoldo, mas nunca tinha visto a um jogo no Estádio Beira-Rio - apesar de ter participado de um Ciclo de Palestras lá. Aproveitando da passagem (e da necessidade) do Palmeiras por aqui na rodada passada, era a chance que eu precisava para conhecer o Gigante que fica ao lado do Guaíba, quer dizer, o que "sobrou" dele.

A dúvida inicial era para que torcida eu iria. Não que eu seja colorado, mas sempre pesa aquela questão da (in)segurança de ficar no meio da torcida do rival de determinada partida, ainda mais que, ao contrário do ano passado quando eu vi Grêmio X Palmeiras, desta vez eu iria sozinho. Se bem que para alguém que ficou no meio da maloqueirada torcida do arquirrival, qualquer problema é pequeno. Então, comprei o ingresso para o setor visitante e só não iria com a camisa do Palmeiras - fui com um modelo pólo do Brasil, que para os gaúchos é "ofensa" igual rs.

Não sei se porque saí de casa mais cedo, já que ainda teria que trocar o ingresso no Gigantinho, ou porque na Salgado Filho há algumas linhas que passam pela Av. Padre Cacique, mas esperava encontrar aqueles ônibus específicos para dias de jogos ali já no Largo Glênio Peres. Não havia. A parte boa é que escapei de estar num coletivo lotado de torcedores do Internacional e, ainda mais, sendo provavelmente o único a não estar de vermelho.

REVISTA?
Troquei o ingresso de forma rápida e saí a procurar o bendito Portão 25, onde entra a torcida visitante no Beira-Rio. Andei, vi restos de obras; vi dois caras com calças da Mancha Verde serem chamados para a briga; andei mais um pouco e vi placa por placar até chegar no setor que ficava a entrada. Nada de policial ainda e eu fui subindo. Cheguei no Portão 25 e me disseram que ainda não estava aberto, só dali a 10 minutos. Perguntaram se eu havia passado por revista da Brigada e a resposta foi não.
Fiquei ali mais que 10 minutos esperando a autorização para passar. Enquanto isso, fiquei conversando com os seguranças do local, que de primeira me perguntaram se eu vinha de São Paulo ou morava no Rio Grande do Sul. Respondi que morava aqui, mas que não era paulista. Seguimos conversando sobre as obras, sobre jogos do passado - destaque para o apagão de 2 minutos no jogo de 1999, em que o Inter se livrou do rebaixamento graças a gol do Dunga -, segurança,...

Depois chegaram um pai e um filho palmeirenses, que moravam em Guaíba e que também conseguiram passar pela rampa antes de lembrarem que deveriam fechar o acesso enquanto a Brigada não chegava para formar a revista. Vi de cima o pessoal trocando a roupa e colocando camisas do Palmeiras ou da Mancha Verde. Afinal, um dos problemas que verifiquei daqui é que a torcida visitante tem que passar pela torcida da casa, e para sair também, para chegar em seu setor caso venha de transporte coletivo - se bem que para descer da rampa tem que passar por outros quatro ou cinco setores colorados também.

Como ainda faltava duas horas para iniciar a partida, fiquei observando o "coliseu" que virou o Beira-Rio, com direito a ter ficado cercado por cordas num setor de arquibancadas que cabiam, no máximo, 3 mil pessoas. Casais, jovens, senhores de idade com forte sotaque italiano e até uma dupla de senhores vinda de Caçador-SC, um dos quais não parou de dizer que "o velhinho estava ali" quando a musa do Inter desfilou pelo gramado.

Ah, ainda perguntei aos poucos da Mancha que haviam chegado mais cedo quem era a alternativa ao que nós temos para as eleições do clube e ainda os informei sobre o papelão do Frizzo de nem saber que havia Conselho Arbitral para o Paulistão do ano que vem... Em meio ao sábado abafado, quente, com nuvens, mas sem chuva, um pouco antes de a partida começar chegou os ônibus com o resto da organizada.

Assim que chegaram, os goleiros estavam aquecendo e não faltaram xingamentos ao Bruno, chamado, dentre outras coisas, de "mão de alface". Sinceramente, discordo desse tipo de cobrança antes das partidas, ainda mais para jogadores. A primeira confusão foi porque no Beira-Rio não se pode pendurar bandeiras nos muros, já que isso "atrapalha" os patrocínios pintados - e é sério. Eles acabaram pendurando no muro de trás, já que a corda não sustentaria e ainda atrapalharia a visão do jogo. Eu acabei indo para trás da torcida, até mesmo para poder ver a sua movimentação de uma melhor forma e também para não me sentir encurralado com a corda na frente.

PARTIDA
Eu nem precisaria falar deste jogo já que foi o mais polêmico da rodada. O Palmeiras jogou melhor no primeiro tempo, marcando bem e criando boas jogadas em contra-ataques. Patrick Vieira perdeu um bom lance, enquanto Marcos Assunção, na sua especialidade de cobrança de falta, também parou nas mãos de Muriel, que parecia estar num dia inspirado.

Mas depois não houve jeito. Assunção cruzou da esquerda, a bola desviou, mas chegou em Luan, para empurrar para o fundo das redes que ficavam do lado oposto ao que estávamos e, portanto, só agora me dei conta de saber quem tinha feito o gol - sabia que não tinha sido o Barcos porque ele estava na primeira trave. Gritei para caramba e fizemos uma grande festa - além de ouvir os xingamentos para os colorados que estavam do lado.

O Palmeiras ainda perdia algumas chances em novos contra-ataques, enquanto o Inter passava a ter maior controle de bola, com Bruno fazendo boas intervenções. Porém, numa falha de saída de bola de Artur - que levou uma senhora bronca de Barcos -, Guiñazu cruzou da direita, a bola passou por todo mundo e chegou em Fred, sozinho, para empurrar ao gol. Foi a nossa vez de escutar xingamentos da torcida colorada e um gritos de "Ão, ão, ão, segunda divisão", prontamente respondidos por "nós disputaremos a Libertadores, e vocês?".

O time saiu chateado em campo pelo resultado, afinal tinha criado muitas oportunidades. No segundo tempo, o Palmeiras aceitou a pressão do Inter e pouco criou até mais uma jogada pela lateral-direita. D'Alessandro entrou na área e cruzou para Rafael Moura, sozinho, mandar para o gol de Bruno. Mais gritos da frase citada no parágrafo seguinte e, apesar de aumentarmos os gritos para empolgar o time, a verdade é que a desmotivação alcançou o setor 25 do estádio.

Ainda assim, o Palmeiras resolveu jogar, ainda que atabalhoadamente. Curiosamente, esta partida foi a que vi mais escanteios girando por trás do gol, ao menos era isso que o árbitro dava. Quer dizer, nem é curioso, já que não há espaço para cobrar escanteios, devido às placas das obras - que, inclusive, deixavam a "piada pronta" de saber como os gandulas pegariam as bolas que fossem parar um pouquinho mais distantes.

No lance que garantiu a polêmica, com direito a asterisco na tabela de classificação, Assunção cobrou escanteio na primeira trave, vi Maurício Ramos e Barcos pulando, Muriel saindo atrasado tendo em frente outros jogadores do Internacional e a bola tocando as redes. Novas comemorações efusivas, "Olê, porco" e apontar para a torcida rival, enquanto os jogadores colorados pressionavam o juiz. Depois de um "século", o conterrâneo Francisco Carlos Nascimento "resolveu" anular o gol. O companheiro do lado disse que o Barcos tinha feito com a mão, mas por que demoraram tanto? Gritos de "Vergonha" surgiram da torcida.

Não vi o toque na mão porque a jogada foi muito rápida. É óbvio que era para ter sido marcada a falta, ainda mais que o Chicão estava de frente para o lance, num erro absurdo. No entanto, é mais absurdo ainda que o delegado da partida, que geralmente é do Estado onde está sendo realizado o jogo, tenha interferido numa decisão da arbitragem. Este é um campeonato com muitos erros de arbitragem, mas só contra o Palmeiras usam de artifícios outros para garantir a justiça.

Ah, além disso, como publiquei no Twitter assim que vi o lance - só na noite do dia seguinte em casa -, o Barcos foi seguro pelo Índio, o que motivou que ele não pulasse direito para cabecear a bola. Ou seja, antes da mão do Barcos houve pênalti nele a ser marcado. Depois, o próprio Barcos falou nisso e houve alguém na imprensa que viu o mesmo que eu. De qualquer forma, acho babaquice tentar anular a partida. O troço já está difícil mesmo, que não coloquemos na arbitragem as falhas da nossa péssima diretoria, que é incapaz de manter o Cicinho no elenco, mesmo só tendo um lateral-direito nele - e ainda contratar atletas do nível do Leandro, que estava parado há meses!

O final da partida foi de tentar colocar pressão, mas sem qualquer criatividade ou efetividade, apesar de, para sermos justos, a entrada do Maikon Leite ter criado algo diferente, com mais tentativas de ataque por parte deste jogador. No final, mais uma derrota e agora só 100% de aproveitamento nos salva de mais um rebaixamento, 10 anos depois do primeiro.


AINDA TEVE O DEPOIS
Como 2012 está demorando para acabar, ainda tive que sair do estádio no meio dos colorados, felizes da vida após duas vitórias de virada que acalmaram os ânimos locais - ainda que o muro do outro lado ainda "peça" a saída de Fernandão e diga que Forlán é ex-jogador. Mas ainda podia piorar...

Quando descia, ouvi gritos vindos de baixo, coisas de "ão, ão, ão..." e pude perceber o presidente (?) Tirone saindo de uma van, sendo seguido pelo César Sampaio. Ainda balbuciei um fdp, mas nem gritar contra o desgraçado eu pude.

Ao menos valeu a experiência, inclusive de ver ao vivo as dificuldades do torcedor de ir a um estádio em obras para a Copa do Mundo FIFA e que é o único que não foi parado por conta disso - é, eu sei, fui algumas vezes ao Rei Pelé enquanto as obras iam a passos de tartaruga. Além disso, campeão da Copa do Brasil ou rebaixado, "EU SOU PALMEIRAS ATÉ MORRER!!!".

terça-feira, 15 de novembro de 2011

[Por Trás do Gol] Ciclo de Palestras Futebol e Cultura - Dia 2

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Como terminei de contar no post anterior, na sexta-feira da semana passada (11) a Sala do Conselho Deliberativo do Sport Club Internacional seria sede pelo segundo dia do Ciclo de Palestras Futebol e Cultura, organizado pela FECI.

Antes de falar em específico sobre as palestras, gostaria de destacar algo positivo em Porto Alegre. Nos dois dias fui pegar ônibus na Av. Salgado Filho, no Centro, que seria uma espécie de Rua do Comércio daqui, só que com mão dupla. Para quem já teve que se "arriscar" a esperar uma locomoção na rua anteriormente citada de Maceió sabe que em determinados horários terá que enfrentar os empurrões para poder adentrar nalgum ônibus. Aqui não. 

As pessoas formam filas nas paradas de acordo com as linhas, com cada ponto tendo uma placa com os números dos ônibus que param naquele trecho da rua. Na sexta-feira não tive tanta sorte (novidade!) e dentre algumas opções para chegar até a Avenida Padre Cacique, fiquei na segunda parte de uma fila - já que ela segue até o momento em que não atrapalha o ponto seguinte, formando segundas, terceiras e quantas filas forem necessárias. Ainda assim, não demorou tanto para que ele voltasse a passar, até mesmo porque as linhas rápidas acabam diminuindo o fluxo de passageiros nos horários de pico.

Já tinha visto essa questão das filas nas paradas há quatro anos, quando tive que pegar o Circular Unisinos na estação de trem com o mesmo nome da universidade. Será que isso daria certo em Maceió, onde senhoras de idade dão cotoveladas e saem empurrando a tod@s para entrar logo no ônibus?

Dia 2
- Carravetta
Indo direto ao assunto. O segundo dia teve início com a palestra mais técnica de todas - ao menos era o que eu esperava. Tratava-se do coordenador da preparação física do futebol do Inter, Élio Carravetta. O assunto: "Gestão e Desenvolvimento Técnico no futebol".

Ele fez uma apresentação muito boa, com a contextualização histórica dos procedimentos de organização no futebol desde sua fase pré-científica, a popular várzea, até os desenvolvimentos mais profissionais que se dão nas etapas seguintes, com o auge tendo que ocorrer no desporto de alto rendimento.

Gostei principalmente porque, mesmo se tratando de um funcionário do clube, ele não deixou de fazer as críticas necessárias aos dirigentes do futebol brasileiro. Dentre algumas, sempre fundamentadas teoricamente, está a crítica à centralização da informação e do poder nos times, o que reflete uma estrutura fechada e o conservadorismo que teriam sido responsáveis pelas imensas dívidas das sociedades futebolísticas do país, com direito a patrimônio hipotecado - como exemplifica a situação da Vila Belmiro, em Santos, que quase foi a leilão.

Para Carravetta, o futebol brasileiro ainda vive um processo de transição. Ele defende que se deva existir uma gestão funcional, em que o treinador ocuparia o ponto mais alto da hierarquia, tendo eleições diretas para presidente e proporcionais para conselhos. Esta transição leva a uma gestão de negócios, a uma lógica de negócio.

Na parte do treinamento em si, ele criticou o fato de as categorias de base estarem servindo para lançar jogadores o quanto antes, sendo mínima a preocupação com que se formem times fortes, campeões desde então. Para Carravetta, é preciso ter uma concepção cognitiva/ecológica, em que o treinamento deve acompanhar as individualidades de cada atleta, respeitando o seu tempo biológico, até mesmo para evitar sobrecarga muscular. Ele defende o trabalho em projetos específicos para além do campo funcional/instrumental de treinamento.

Um ponto bem interessante também foi o do debate. Numa das respostas, ele criticou o fato de não termos espaços para prática esportiva num país que terá uma sede olímpica. Os espaços que existem são para quem pode pagar por eles. As políticas públicas não contemplam nem a educação nem o esporte.

Uma participação em si foi muito interessante. O conselheiro da oposição Cláudio Sebenelo - se o Google não me informou errado - encheu de críticas a gestão atual. Para Sebenelo, não se pode imaginar um time que ficou apenas três meses com um gerente de futebol profissional, dois meses com um técnico que se propunha a fazer importantes mudanças (na verdade, acho que Falcão ficou três meses no comando colorado). Além disso, "a formação básica é absolutamente falha" para um clube cujos rendimentos pularam de 13 milhões para 250 milhões ao ano.

- Sonia Sebenelo
O sobrenome não é mera coincidência. A palestra seguinte foi com a psicóloga clínica Sonia Sebenelo, que de início destacou que nunca imaginou que falaria sobre o futebol, ainda mais porque veio de uma família com pouca ligação com o esporte, tendo esta carga maior após o casamento. Também não pude ficar até o final da apresentação por conta do transporte para casa, mas foi uma apresentação interessante.

Ela falou que no futebol há uma misteriosa combinação entre confiança e vulnerabilidade, em que o torna um ambiente extremamente exigentes com os seus atores". Ela destacou também que todos nós nos identificaríamos com a capacidade de vencer e de vingança, numa necessidade de nos identificarmos com as situação de poder. O futebol, enquanto fenômeno de massas, se tornaria perfeito para mobilizar forças de imaginação que nos impulsionariam a conquistas em outras áreas sociais.

Se no século XX há a passagem da produção para o consumo, onde teria ocorrido a fragmentação da vida humana - ela colocou uma imagem do filme 1984 - a reinvenção do humano poderia ter como parte neste processo o futebol, enquanto um elemento com potencial de transformação, numa das vias desta transformação num momento em que nunca houve tanta comunicação e, ao mesmo tempo, tanto isolamento.

Algo que ela falou até antes deste último parágrafo e que acho ser interessante destacar é o questionamento se os esquemas de corrupção não seriam uma face da "síndrome de vira-latas" citada por Nelson Rodrigues após a derrota na Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã.

Dia 3
O terceiro dia de apresentações será nesta quinta-feira (17) com dois professores da UNISINOS. Marco Antonio Oliveira de Azevedo apresentará "Futebol: ética, inclusão e realização profissional", enquanto que Celso Candido de Azambuja - que tive uma "discussão" na Semana da Imagem - falará sobre "O futebol como metáfora da vida".

[MOMENTO EM BUSCA DO EL DORADO] Semana cheia, que começou ontem com uma apresentação na reunião do grupo, que eu só soube 20 minutos antes dela ocorrer; que continua com duas submissões a enviar ainda hoje; mais o Seminário Internacional de Comunicação da PUC/RS...

As boas coisas por conta disso é que já me disseram no final da semana passada que quando me veem só lembram de trabalho e hoje que não me chamariam para sair para mais nada. Viva à mequetrefe vida!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

[Por Trás do Gol] Ciclo de Palestras Futebol e Cultura - Dia 1

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Após três anos, a coluna "Por Trás do Gol" retorna ao meu blog pessoal, agora Dialética Terrestre. Em outubro de 2008, resolvi aceitar o chamado do amigo Homero Dionísio e criar um blog específico sobre futebol. Como já tinha no http://terrainteressados.blogspot.com um espaço com este nome, ele foi repassado para o blog como o todo. A ideia era tratar do futebol de uma maneira diferente, tanto na forma quanto no conteúdo.

Agora, devido a vários fatores - que vocês podem ler lá -, o PTdoG retorna para este espaço do jeito que começou, uma coluna. Há uma possibilidade, praticamente já acertada, de retornar a ser um blog, só que noutro espaço que não o Ole Ole, algo mais generalista. Enquanto isso, vamos para o que interessa para este texto.

Ciclo de palestras FUTEBOL E CULTURA
Aqui no Rio Grande do Sul só fui a uma partida e não foi em Porto Alegre, cidade da dupla Gre-Nal. A convite do amigo Eduardo Menezes, acompanhei Brasil de Pelotas 0X1 Chapecoense, no Estádio Bento Freitas, a "Baixada". Fiquei impressionado com a recepção para lá de calorosa que eles costumam fazer. 

Infelizmente, por conta de um erro da diretoria, o Xavante foi rebaixado para a Série D. O lateral-direito Cláudio deveria ter pago uma punição e não atuar na estreia do time contra o Santo André, em que venceu em São Paulo por 3 a 2, e a direção deixou "passar". O time, que terminou a primeira fase com os mesmos oito pontos de Caxias e Santo André, perdeu seis pontos por colocar um atleta de forma irregular e foi rebaixado.

Ainda volto a este tema, e a esta partida, futuramente em outros textos. Além de arranjar tempo para escrever sobre um livro que conta a tragédia que assolou o time no início da temporada de 2009 e que tem tudo a ver com o atual momento do clube.

Ontem, dia 10, tive a minha primeira experiência em território dos "grandes" locais. Curiosamente, numa semana em São Paulo fui a três estádios e vi três jogos diferentes e aqui, em oito meses, nunca havia passado sequer em frente a Olímpico ou Beira-Rio.

A oportunidade, para conhecer um dos dois, veio numa divulgação da Fundação de Educação e Cultura do Sport Club Internacional (FECI), que vi num dos murais da UNISINOS e que um colega de mestrado enviou por e-mail: Ciclo de palestras FUTEBOL E CULTURA. 

Para quem pesquisa sobre futebol, ótima chance para ficar atualizado e saber como um clube local pensa que pode se dar uma discussão na área. Além disso, excelente oportunidade para tenta captar algumas coisas sobre a estrutura do clube.

Dia 1
- Dascal
Pelo que foi dito, 160 pessoas realizaram a inscrição. Acho que tinham cerca de 80 no início. Com toda certeza, tinham muito mais pessoas na fila para entrar no Gigantinho e assistir ao show do ex-Beatle Ringo Starr. Curiosamente, vi um gremista e um torcedor do Juventude vestidos com as camisas de seus clubes. Deboche natural para a região. Pisa-se no território alheio, mas deixando registrada a sua marca.

A primeira palestra do evento foi com o professor da Universidade de Tel-Aviv Marcelo Dascal. A ideia era que ele tratasse de "O futebol e a filosofia". Porém, e isso não foi uma sensação só minha, Dascal acabou passando por muita coisa, mas bem pouco da relação entre as duas áreas.

Pelas minhas anotações, ele passou pela diferenciação do "futebol mesmo" para o "futebol transformado em negócio", mas optou por destacar o que caracteriza a primeira opção - de forma geral, e o debate mostrou isto, ele tem uma visão apocalíptica pelo que o esporte se tornou. 

Segundo Dascal, há duas preocupações no futebol: a competição (jogo, fanatismo, etc.) e a cooperação, já que sem ela não há resultado algum por se tratar de esporte coletivo. Ele critica fortemente o fato de os esportes em geral terem se tornado uma questão de medição, o que no fundo minimizaria o real valor das pessoas.

No fim ele apresentou um conceito que deve ser o que ele defende em todos os lugares: "colonização da mente". Para ele, o futebol, a televisão e outros elementos facilitariam uma nova forma de "manipulação" ou colonização. Enfim, assunto para uma farta discussão que, confesso, não me vi estimulado a tal naquele momento - e, sinceramente, por achar que não teria boas respostas.

A parte mais legal foi quando ele disse que era torcedor corintiano - mesmo que depois tenha falado que o segundo time era o Inter. Sentado atrás de mim, um colorado falou de 2005 - Marcio Rezende de Freitas não dando pênalti em Tinga e o expulsando; caso Edilson Pereira de Carvalho e partidas anuladas,...

- Donald Schüler
A segunda apresentação foi do professor Donald Schüler (PUC-RS/UFRGS), que seria sobre "A filosofia do futebol". Indiscutivelmente, ele sabe falar em público, contando histórias sobre fictícias, ou não, partidas de futebol da sua infância, histórias da sua atual vida pessoal e puxando alguns teóricos para a roda.

Schüler "ganhou" o espaço ao dizer que não era torcedor fanático, mas a esposa era, fazendo com que todos os filhos e netos torcessem para um time, vestissem as cores dele. Adivinhem qual o time? Sport Club Internacional. Quando ele falou que a família inteira era colorada, salva de palmas ecoou na Sala do Conselho Deliberativo - que, apesar de eu não ter dito ainda, fica dentro do estádio, após o portão 7.

Ele destacou que o futebol é um fenômeno brasileiro, basta verificar o espaço dado nos jornais, em que o craque da rodada pode ganhar uma capa inteira enquanto a presidenta fica com uma notinha. Por isso a opção feita por professores, com liderança do professor da UNISINOS Luiz Rohden, de lançar um livro, no ano que vem, relacionando Filosofia e Futebol.

O que ele defende, em específico, é a capacidade de descentralização do futebol, já a partir da bola, que é colocada no centro no início da partida e depois vai para todos os lugares. A força deste esporte foi trazida também pela falta de capacidade de algum ente público comandá-lo, como o prova a organização para a Copa do Mundo - cujo próprio Internacional já teve, e terá, que engolir alguns sapos. Segundo Schüler, não há poder político que resista à determinação de uma entidade de futebol.

Ele resgatou Pitágoras que, num dos seus textos, teria comentado sobre as relações senhor-escravo nas competições "esportivas" de sua época. Em que os escravos seriam os atletas, os jogadores, que são subordinados a técnicos, clubes, associações, etc. e os senhores ficariam na arquibancada, olhando, já que é aí o lugar da busca da "verdade", que não é absoluta ou filosófica. O espetáculo que se vê seria apenas uma pequena parte desta estrutura, que passa por tantas coisas, como pelo próprio torcedor e pelo meio de comunicação.

A relação com a vida, o cotidiano, é que, da mesma forma que o futebol, exige-se a fuga da rotina, a inventividade, a criatividade para sair de situações difíceis. Sem isso, nada anda, seja qual for a carreira ou experiência de vida. O objetivo de estudar tal esporte seria observar que a verdade está no olhar para ele, nos diferentes pontos de vista do torcedor, já que cada qual, seja vendo pela TV ou em diferentes partes do estádio, terá uma perspectiva diferente do que é visto. O que, por experiência própria - que fiz em São Paulo, vendo os jogos em três posições diferentes - eu concordo.

Confesso que não fiquei até o final da palestra. Primeiro, porque Schüler utilizou um exemplo de uma torcedora que só ia ver determinadas, e hipotéticas, partidas por conta de um jogador, numa relação de veneração que, pelo que deu a entender, só seria possível a mulheres. De forma geral, achei a colocação preconceituosa e, por mais que não seja mulher, qualquer tipo de descriminação - mesmo as que eu possa praticar - me afetam. Além disso, como moro em outra cidade, ainda teria que pegar ônibus e trem e isso demora um pouco.

Dia 2
Amanhã o Ciclo continua, com a palestra "Gestão e Desenvolvimento Técnico no Futebol", com o coordenador da preparação física do futebol do Inter, Élio Carravetta; e "Futebol e Subjetividade", com a psicóloga clínica Sonia Sebenelo.

Se eu tiver com disposição e vontade eu volto a postar aqui. Até mais!