quinta-feira, 12 de julho de 2012

O texto que eu tanto queria escrever - É CAMPEÃO!

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Pensei várias vezes sobre como começar o texto sobre o título do Palmeiras nesta Copa do Brasil. Começar pelo "Palmeiras, a minha vida é você" e/ou pelo "Eu canto, eu sou Palmeiras até morrer", quem sabe por falar de todos zilhões de problemas que o clube teve ao longo desta campanha e, quem sabe ainda, relacionar o período ruim do clube com uma trajetória pessoal também cheia de problemas a partir dos anos 2000. 

Sinceramente, parece que não "caiu a ficha", mas vamos lá. Este texto, ao contrário da semana passada, eu sempre quis poder escrever e espero poder ter de dormir mais tarde nos próximos meses e anos, porque eu estou tão extasiado que mal consigo dormir - por mais que o resfriado tenha se agravado porque a 7º C eu queria ficar só com a camisa palmeirense, nada de casaco!

Mas vamos lá. Para começar, o Palmeiras voltou a jogar em Maceió após 14 anos. Em 1998, ano do nosso  até então único título da Copa do Brasil, o time estreou vencendo o (glorioso) CSA por 1 a 0 no Rei Pelé. A campanha terminou com a vitória de 2 a 0 contra o Cruzeiro, com um gol totalmente sem ângulo do Oséas. Este ano, voltamos a estrear em Maceió, com um novo 1 a 0, só que contra o Coruripe. Há 14 anos, eu morava em Aracaju-SE, agora eu moro em São Leopoldo-RS. Só pude mandar as minhas "energias" para os amigos palmeirenses que ficaram por lá e que foram ao Rei Pelé, local o qual eu tanto gosto.

Em 1998 eu tinha dez anos e seria capaz de matar e morrer pelo Alviverde Imponente. A tranquilidade só veio após o título da Libertadores de 1999. Falo isso porque eu ficava com as mãos geladas, corpo trêmulo, independente se a partida não valia nada ou se era final de campeonato. Pesou muito a reviravolta na vida, com o retorno para Maceió após quase dez anos morando na vizinha Aracaju. Só retornou o nervoso ser palmeirense em 2002 e 2003, com a queda e o título da Série B. 

Ah, como comprovação da minha má sorte histórica, dias antes da final da Copa dos Campeões, contra o Sport em Maceió, a TV do meu quarto pifou e, além disso, meus pais precisariam viajar para Aracaju para resolver os últimos trâmites da venda da nossa casa de lá. Com 12 anos, e sem qualquer outra alternativa de companhia, acabei vendo pela TV o título conquistado há 20 minutos a pé de casa...

Como disse acima, os anos de Maceió, por mais que hoje os veja como essenciais para a minha formação estudantil e/ou pessoal, deixaram marcas muito fortes. Para piorar, foram anos em que o Palmeiras "campeão do século XX" pouco me dava de alegria. Nos últimos anos, costumava dizer que as más fases de Palmeiras e CSA - que aprendi a ser torcedor de verdade nas agruras da Segundona de 2010 - "facilitavam" o lado jornalista esportivo.

SOFREDOR DE CARTEIRINHA...
O ano e quatro meses de Rio Grande do Sul não vêm sendo tão fáceis, já passei por "crises" que eu nunca havia sofrido até então. Para piorar, no mês passado eu achava que se não teria a solução de todos os meus problemas, poderia ter algo que me fizesse esquecer deles mesmo que por alguns preciosos instantes - que até existiram no pouco que a efêmera alegria durou. Para variar, estava mais uma vez errado e tudo revirou novamente.

Uma partida importante foi Grêmio X Palmeiras, aqui no Rio Grande do Sul. Na dúvida por ir ou não, acabei não indo por falta de mais e melhores informações, além de não conhecer nenhum palmeirense além de mim por aqui! Vencemos e eu me senti tão bem quanto na época das glorias da cogestão com a Parmalat. Era incrível, mas o pessimismo que tomou este ser humano ainda estava lá.

Na volta, aconteceu tudo de errado para mim. Uma grande expectativa sucumbiu no final da tarde e eu cheguei no apartamento com vontade de enterrar a cabeça no chão. Além disso, tive que ouvir o jogo no quarto porque estávamos com visitas. Uma delas era uma criança de cinco anos que resolveu, em meio ao jogo, entrar no meu quarto e acender e apagar a lâmpada. Mal pude gritar - não com a criança, que eu achava até engraçado e que não tinha nada a ver com todos os problemas. Só na hora do gol de empate do Valdívia é que saiu um grito! No final, nem os minutos de acréscimo foram suficientes para os tricolores. Kleber traíra e profexô Luxemburgo, adiós! A vontade era gritar pela janela contra todos os gaúchos em volta, mas me segurei, até mesmo porque moro com um e ainda tenho alguns meses para terminar a dissertação numa universidade local...

Contra o Coritiba, o favoritismo era todo deles. Nos últimos anos, o vice-campeão da Copa do Brasil anterior que chega à final no ano seguinte geralmente se torna campeão (caso do Corinthians, por exemplo, em 2009). Além disso, é indiscutível que o Palmeiras é uma ilha cercada de problemas, principalmente internos, por todos os lados. Mas a confiança estava ali.

Vamos então à lista dos problemas até ali. Valdívia sofreu um sequestro-relâmpago e quase desistiu de jogar com a camisa do Palmeiras, voltou no segundo tempo do jogo de volta contra o Grêmio; Luan e Marcos Assunção saíram machucados, sozinhos, na partida contra o Vasco, que antecedeu o jogo decisivo contra o tricolor gaúcho; Henrique, que deu jeito nas falhas de marcação e na saída de bola ao se tornar primeiro-volante, foi expulso por ter levado um soco na partida anterior.

Como "nada é tão ruim que não possa piorar", o centroavante de qualidade que esperamos desde 2004, teve uma crise de apendicite no dia do primeiro jogo da final, tendo que se submeter a uma cirurgia. Quando vi isso, agradeci por já não acreditar em divindades, por que já não bastava o arquirrival ter ganho a Libertadores no dia seguinte, a minha vida pessoal está uma porcaria - com sérios confrontos entre razão e emoção - e os problemas tirando senha para quem iria ser resolvido primeiro?

Eu posso viver tendo que encontrar várias pedras no meio do meu caminho, posso me desesperar nos primeiros momentos, mas sempre tento arranjar forças para seguir me levantando, sempre dando aquele grande passe em meio a cinco passos para trás:

"Conversando com o Victor Guerra agora e serve para os demais torcedores palmeirenses, caso do Bruno Martins. Todos os desastres do mundo estão acontecendo com o Palmeiras, sequestro relâmpago, lesão em partida do Brasileiro, expulsão totalmente injusta e crise apendicite num centroavante que esperamos há oito anos. 
Mas não dá para esperar mais. Nem que eu vá a Coritiba na semana que vem para ser o centroavante que o time precisa. Nem que eu deixe o bigode (ridículo!) crescer para emular o Valdívia, o Felipão e o Murtosa. O sofrimento é grande, mas a Copa do Brasil tem que ser nossa, cáspita!"

GANHAMOS, POR_ _ _
O começo do jogo na Arena Barueri foi assustador. Imaginava que o time tinha que jogar tudo o que sabia para conseguir um bom resultado, mas foi justamente o contrário que ocorreu. Comecei a partida assistindo de pé e fui sentando ao longo do primeiro tempo. No final, Betinho (!) sofreu pênalti e Valdívia converteu. Se o 0 a 0 seria excelente, o 1 a 0 foi mais que excelente, se é que isso existe.

No segundo, voltamos com uma postura muito boa, dando poucas chances a um Coritiba que erroneamente apostou na lentidão, ainda que com um pouco mais de qualidade no passe, de meias como Lincoln e Tcheco. Ainda teve aquela bola do Assunção, que desviou no ex-jogador do Palmeiras que citei há pouco e alcançou a cabeça do Thiago Heleno. 2 a 0, com direito a pênalti claro não dado para o Coritiba - e que causou um chororô que me irritou profundamente, afinal, precisa dizer o quanto nós fomos claramente prejudicados e azarados nesta competição? Valdívia, em dias de Mago, ainda teve a capacidade de ser expulso... Ah, e um gol perdido pelo Maikon Leite que... No domingo ainda conseguiu sofrer uma lesão aos 47 minutos dos segundo tempo contra a Ponte Preta!!!

Luan voltou a trabalhar com bola na segunda-feira e Maikon Leite iria para o sacrifício, caso precisasse. Ambos começariam a partida na reserva, com Betinho e Mazinho formando a dupla de ataque; Henrique voltando no lugar do Márcio Araújo e Daniel Carvalho no lugar de Valdívia, expulso na partida de ida - o que prejudicou o time, pois a possibilidade de mais gols nos contra-ataques era muito clara.

Continuei a dialogar com amigos palmeirenses em Maceió. Por mais que eu pensasse e as pessoas me dissessem que o Palmeiras estava com "uma mão e meia na taça", eu dizia que estávamos com alguns dedos.  Afinal, aqui é Palmeiras e este torcedor/sofredor sou eu. Não lembro a quantidade de vezes que tive que me controlar para não pensar no que faria caso conseguíssemos o título. Mais que isso, para equilibrar, pensava também o que faria caso perdêssemos, já que todas as vezes que pensei em "grandes momentos", eles não ocorriam...

Um amigo biólogo está num projeto em Trinidad e Tobago e mal sabia que o Palmeiras estava na final. Contei para ele os detalhes de como chegamos nela e do primeiro jogo da final, porque só pode acessar o e-mail por lá. O início da resposta dele aos meus detalhes: "Pelo amor de deus! Vai ser muito sofrimento!"

A pilha estava com carga máxima desde o final do jogo anterior, mas na terça-feira passei o dia inteiro cantando, vendo vídeos da torcida, olhando imagens de títulos anteriores, para lá de emocionado com a possibilidade de finalmente ter a alegria de um título do Palmeiras que tanto amo desde criança. Isso foi bem mais que o dia 04 de maio de 2008, quando eram os tabus de Estaduais de CSA e Palmeiras no mesmo dia em campo. Mais até do que o jogo contra o Sport, em Garanhuns, que acabou por definir o nosso acesso à Série A em 2003.

Na quarta, consegui dar uma acalmada indo para a universidade, conversando com alguns colegas, mesmo que três deles, do outro grupo de pesquisa que conforma a nossa linha no PPG - um é da UFRGS, mas dialoga com o pessoal -, tivessem me lembrado e perguntado como eu estava para o jogo: "Muito ansioso, desde ontem". Ah, acompanhar as "baboseiras" do Demóstenes também serviram para desanuviar...

Cheguei em casa, falei com um amigo palmeirense pela internet e comecei a respirar fundo, questionando-me o quanto aguentaria até horas mais tarde. Na hora do jogo, no apartamento só estava eu, já que os meus amigos ainda estavam na universidade.

A marcação palmeirense começou muito bem, principalmente com as minhas orientações de pé em frente à TV rs. Era um "tira, tira", a cada escanteio ou lançamento para a área. Um "isso" quando alguém conseguia desviar alguns centímetros para além da direção do gol, com direito a palmas. Um "vâmo" quando o time ia para o ataque. E o bom e sonoro "uh" quando o Marcos Assunção ia para as cobranças de bola parada, que também tiveram "ish", como quando o Rafinha fez a única chance de perigo deles no primeiro tempo ou quando o Betinho desviou a bola daquele jeito, ainda que sozinho.

Desta vez, não tuitei nada durante todo o primeiro tempo e vi alguns recados depois. Faltavam 45 minutos para eu e o time aguentarmos.

O Coritiba esboçou uma pressão inicial, com o Palmeiras mal conseguindo passar do meio-campo nos primeiros 10 minutos, em que a marcação rival estava bem adiantada e atuando com forte pressão. A entrada do Lincoln, que entra na lista do "traíra" já citado, ajudou-os. Numa jogada, ele ia passando por três e foi derrubado. Na cobrança, Ayrton colocou no cantinho. Indefensável para o Bruno. Mais uma vez a cabeça fazia o trajeto de todas as "tragédias" recentes, do Palmeiras e as minhas. No fundo, o "não é possível" aparecia.

Mas sabe a frase que está na imagem inicial deste post? "Sabe sempre levar de vencida para mostrar que de fato é campeão" deu o ar da graça.

Falta na entrada da área e eu comento: "Vamos lá Assunção, o gol tem que sair agora. Você já fez tantos decisivos e importantes, eu sei, mas a hora é agora!". Assunção bate a falta, alguém desvia e eu vejo a bola tocar a lateral do gol de Vanderlei. "GOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLL".

Saio correndo para a sala e dar um pulo socando o ar, comemoro mais ainda balbuciando palavrões e volto para tuitar o gol do... Betinho! "Só podia ser ele. O cara é pior que eu, mas tinha que fazer esse gol, para não restar dúvidas do nosso sofrimento".

Minutos após minuto, esses que eu olhava a cada instante desde a primeira partida em São Paulo, o time foi tomando conta do jogo, com direito a ensaios de "Olé" da nossa torcida - muito prejudicada pela diretoria, que prefere os "amigos" para vender ingresso que nosotros que torcemos e sofremos sempre. O coração estava acelerado. A mente deste pessimista inveterado não acreditava no que estava para acontecer. Alguns pulos vieram para manter o corpo aquecido, já que larguei o casaco de lado para ficar só com a camiseta que iniciou esta temporada.

"Acaba, acaba!". Eu saí correndo para mais uns pulos. Optei por não gritar por conta dos meus amigos e  também porque por mais que eu tivesse pensado nessa situação, não conseguia acreditar. Uma alegria nesta vida! Um título do Palmeiras! Meus pais me ligaram e eu não sabia o que falar. Lágrimas caíram na hora. Tentei falar com um amigo palmeirense, mas o celular não estava ligado.

Olhei rápido para o Twitter, vi alguns parabéns e soltei um palavrão por lá - algo que nunca fiz! Eu tremia, numa mistura de frio com a emoção do momento. O coração não aguentava, o cérebro não acredita. Larguei tudo que tenho aqui do Palmeiras em cima da cama e pulei por cima. "CAMPEÃO INVICTO!".

MINHA VIDA
Surpreendi-me com a quantidade de pessoas aqui no Rio Grande do Sul que falaram comigo em algum momento sobre essa final, com algumas delas me dando sorte. Afinal, aqui não tenho uma ligação tão forte com o clube quando tenho com os nordestinos de Maceió, Aracaju e Salvador. Tenho certeza que os amigos da época de infância em Aracaju, alguns de Salvador, e os parentes de Maceió lembraram de mim nessa hora, com um "o Anderson deve estar pulando de alegria agora".

O pessoal dessa época, os meus pais e minha irmã ainda mais, sabem o quanto a Sociedade Esportiva Palmeiras significa para mim. Alguém que, pelo menos, aos seis anos de idade viu na tela da TV o verde e branco do Palestra Itália em campo e mais que uma paixão, transformou isso num amor eterno, para a alegria de título de Libertadores, à tristeza de um rebaixamento à Série B. SEMPRE eu estive torcendo, sofrendo, xingando, vibrando, comemorando, jogando-me no chão ou dando pulos e socos no ar para comemorar.

Uma das minhas grandes alegrias da vida foi ter visto o Palmeiras em campo no ano passado pelas primeiras vezes, no Canindé e no Olímpico, com direito à visita e pisar no gramado do Palestra Itália em obras. Poder ter visto São Marcos em ação, então, nem se fala. Mas, com tantos "pesares" dos últimos tempos, poder ter uma alegria desse nível, com tudo encaminhando e confluindo para dar errado, é espetacular. 

OBRIGADO, PALMEIRAS, POR EXISTIR!

PALMEIRAS CAMPEÃO (INVICTO) DA COPA DO BRASIL 2012!

terça-feira, 10 de julho de 2012

5 anos!

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No dia 05 de julho de 2007 eu publicava os meus primeiros posts no endereço http://terrainteressados.blogspot.com. O blog, então "Terra: o planeta e seus interessados", surgiu por conta de uma disciplina de fotografia da Universidade. Já naquele momento eu pensei que poderia usar este espaço para além daquele trabalho. Na quinta-feira da semana passada, chegamos a 5 anos, alguns deles com mais postagens, outros com menos, sendo esta a de número 350.

O nome "Dialética Terrestre" surgiu em 2009, no aniversário de dois anos do espaço, com a mudança de layout que, se não me engano, perdura até hoje, porque ainda não achei outro que representasse tão bem o que quero expressar nos meus textos. Era um momento importante, pois estava conseguindo colocar uns textos no blog de um jornalista que escreve de forma diferente sobre o futebol, o José Roberto Torero. Não é à toa que, ao menos até agora, foi o ano que mais publiquei textos.

Este espaço foi diversificando o seu "menu". Com o tempo comecei a me irritar na graduação em Jornalismo quando me colocavam "automaticamente" para as editorias de esportes e política - até mesmo porque a minoria se interessava pelos assuntos e eu sempre fui do lado das minorias rs. Além disso, percebi que tinha fraqueza textual e de conhecimento para tratar sobre cultura. Resultado, resolvi passar a escrever sobre livros, filmes e até mesmo peças teatrais. Um espaço não profissional serviria para eu me aprimorar profissionalmente, com a vantagem de eu escrever quando e como quisesse.

Saí criando colunas. A "Circo a Motor" para tratar da Fórmula 1, mas que por conta da falta de tempo eu não escrevo com tanta frequência como noutros anos; a "IRAAAAAAADO!" para os momentos de raiva; a "Enquadro o fato", para desenhar o "fato" do mês, também impossibilitada por falta de tempo e de material para desenho - que sempre me fez relaxar...; a "Em busca do El Dorado", para relatar a experiência de "um imigrante intelectual alagoano no Rio Grande do Sul, o meu diário de pesquisa acadêmica que muito me serve para desabafar. 

POR TRÁS DO GOL
Mas o destaques especial, se é que eu não esqueci de outras colunas, é a "Por Trás do Gol". Os esportes, especialmente o futebol, são a causa de eu ter escolhido o jornalismo desde quando eu tinha meus oito, nove anos de idade. Os meus cadernos com as anotações das partidas, que comecei a fazer nas Olimpíadas de 1996, estão lá na casa dos meus pais para comprovar. Fora os jornaizinhos que eu fazia sobre as notícias do futebol para entregar ao meu pai quando ele chegava do trabalho...

Eu brinco com os meus amigos, também apaixonados por futebol, que para estar na editoria de esportes eu trabalharia em qualquer empresa, sem problema de consciência algum (Globo, Gazeta, RBS e demais congêneres no aspecto político-ideológico). Geralmente opto por escrever de uma forma que eu possa me colocar no texto, já que para mim todo jornalista esportivo tem que ter time - impossível gostar do negócio sem ter sido ou ser torcedor... Fora as "invenções" de estilo que eu posso testar e brincar, que mesmo em outros espaços, que me dizem que tenho toda a liberdade do mundo para escrever sobre, eu sei que seria diferente.

Por um convite de um amigo, o Por Trás do Gol acabou virando um blog, saindo deste espaço para partir ao Olé Olé. Foram três anos, de outubro de 2008 - coincidentemente, surgiu no mesmo dia da inauguração do Estádio Rei Pelé, minha grande paixão arquitetônica - e durou até setembro de 2011. Lá, eu e Homero Baco (são paulino e torcedor do ASA) pudemos discutir, polemizar e, principalmente, conhecer pessoas muito legais que, apesar de torcerem por times diferentes e discordaram em alguns pontos, tínhamos uma relação de companheirismo que poucas vezes vi igual - alguns eu ainda consegui manter contato posterior. 

Acabei abandonando um espaço já abandonado, com poucas pessoas para discutir e muito spam. O jeito foi voltar com a Por Trás do Gol para o Dialética Terrestre, onde eu pude criar uma sub-coluna especial para acompanhar o meu primeiro Gauchão de forma completa. Falar sobre o futebol gaúcho me deu alguns dos posts mais lidos deste espaço, caso do recorde de visualizações e comentários para um mesmo texto num curtíssimo espaço de tempo, quando tratei do Brasil de Pelotas, cuja torcida entrou no rol das que eu admiro.

Além disso, tive textos retuitados por blogs importantes aqui do Rio Grande do Sul, os espaços para quem não pensa o futebol só na bipolaridade Gre-Nal, o que serviu para dar um pulo na audiência deste blog a partir de janeiro. Fora que cheguei a conversar pelo MSN com o pessoal do Copero FC, que faz um trabalho muito interessante sobre o futebol do interior gaúcho.

COMENTÁRIOS
Até tentei divulgar as coisas por listas de e-mails, mas se nem a imensa maioria de amigos e colegas dá bola para o que eu escrevo, imagina os desconhecidos... Hoje, só divulgo por Twitter e Facebook, além de contar com o "sorteio" do Google nos termos de pesquisa, e me deparo com boas surpresas.

Disparado o texto mais lido, graças a trabalhos de universidade - algo que dá para perceber, pois quando é período de férias a procura por ele diminui consideravelmente - é o "A condição pós-moderna segundo Lyotard". Em janeiro recebi um comentário "inesperado":

"Olá, Anderson. Tudo bom? Sou professor do MBA de Educação Corporativa na Universidade Veiga de Almeida e gostei bastante do seu texto. Encontrei ao buscar um material sintético sobre o assunto que pudesse indicar como leitura para os alunos. Obrigado. Abraços Vinícius Antunes"

Li o livro a partir de uma proposta de um professor que desenvolvia o projeto de iniciação científica comigo para fazer um artigo sobre a pós-modernidade. Como uma forma de registrar minhas anotações, e o que eu pensava sobre o livro, acabei escrevendo o post. Em janeiro de 2011 já havia recebido um comentário de uma desconhecida sobre ele, e reparem na coincidência:

"Gostei do seu texto. Claro, objetivo e sintético. Estou a dias procurando algo sobre Lyotard e até agora o seu texto foi o que mais gostei! Para minha surpresa você mora na cidade onde eu morava. Tirando de lado os apontamentos filosóficos que eu acabei de ler no seu blog, mas esse é tipo de coisa que só a internet proporciona. O layout do blog também tá ótimo!"

Como não pretendo fazer uma lista dos textos mais lidos por aqui, trato também dos comentários cotidianos, que acabam por me fazer continuar a arranjar tempo para o Dialética. É muito bom quando alguém que você conhece comenta, diz que gostou do texto, que leu, caso do assíduo Bruno Martins. Muito  bom também é quando são pessoas que você teve pouco contato e passam a ler com maior frequência.

Acho que um dos meus maiores orgulhos foi com o pessoal da banda Saturno de José. Após um texto com as minhas sensações sobre o primeiro show deles que eu assisti, após o seguinte eu fui apresentado como "este é o Anderson, que escreveu aquele texto sobre a gente". Ouvir isso sobre um texto com um assunto que lá atrás eu sabia que eu tinha deficiência e precisava correr atrás é, sem modesta alguma, muito bom.

5 ANOS
5 anos é muito tempo. Uma das coisas que me fez me manter bem aqui no Rio Grande do Sul foi este espaço, onde eu podia relaxar, descarregar um pouco dos bilhões de problemas que me aparecem diariamente e, além disso, poder fazer o jornalismo que eu sempre defendi na graduação, mesmo que não ganhe nada para isso.

Acho até que eu não divulgo tanto para manter essa "aura" de espaço não tocado por lógicas produtivistas. De fato, nunca colocou os banners de patrocínio do Blogger justamente porque a minha ideia não é ganhar dinheiro com este espaço, é um lugar para eu mostrar as minhas ideias e, quem diria, coisas que sinto em determinados momentos.

Este ano deve quebrar o recorde de mais textos publicados - isso que eu ainda tenho dissertação, artigos científicos, opinativos/jornalísticos e um tanto de coisa que eu me meto a fazer. Fazer o quê, se é aqui que eu me sinto bem e posso escrever um texto do tamanho deste sem me preocupar se "o leitor da internet não lê textos longos" e blá, blá, blás rotineiros.

Posso até ter recebido um alerta, meio que "censura",  para as minhas tuitadas. Mas aqui não!

Vida longa ao "Dialética Terrestre: A arte de discutir a respeito do que há sobre a Terra"! Até mesmo porque eu preciso que ele tenha vida longa para eu ter certeza de ter mais alguns anos.

domingo, 8 de julho de 2012

[Em busca do El Dorado] "Não tem casamento amanhã?"

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Apesar do título, este texto trata de mais uma experiência minha dando aulas aqui no Rio Grande do Sul. Desta vez foi para a outra turma da Especialização em Televisão e Convergência Digital e com um tema bem mais amplo: Comunicação e Processos Socioculturais. Como nada são flores para este que vos escreve, ainda mais na atual "fase", a experiência dos dois dias de aulas, sexta e sábado, ficarão registradas.

A primeira coisa quando me propuseram substituir um amigo neste módulo foi saber quais eram os horários, se tinha de ser sexta à noite, mais manhã e tarde de sábado. Afinal, da primeira vez, mostrou-se bastante cansativo, para mim e para os estudantes, o sábado inteiro, com uma hora apenas de intervalo para o almoço. Descobri durante a semana que era a noite da sexta e a tarde do sábado. O que é importante para dar uma "quebrada", por mais que isso não ocorresse para o pessoal.

Quando surgiu a possibilidade, disseram-me que poderia usar a aula anterior para esta. Porém, como eu sempre gosto do mais difícil, fui saber o que já haviam dado e seria bem complicado voltar à "Regulamentação e políticas públicas", já que eles tiveram aulas sobre a legislação que rege (?) a comunicação.

A partir disso, resolvi apostar numa relação mais histórica para o início, apresentando a relação, que não é "natural", entre o homem, ser social por definição, e a comunicação. Como o ato de comunicar foi se desenvolvendo, de forma a criar técnicas que servissem de intermediação entre o homem e quem encontrasse os seus vestígios históricos.

Depois disso, bastava seguir o rastro dos meios de comunicação, com um pouco mais de cuidado sobre as "máquinas de visão", de forma a destacar que uma mídia não surge do nada e geralmente não acaba com a anterior. O rádio chegou como primeiro meio realmente "massivo" e o primeiro a ser utilizado para fins políticos, através da sua capacidade de recepção. No caso brasileiro, grande destaque para Getúlio Vargas e sua Rádio Nacional, que foi apenas uma das ações para tentar "mascarar" a ditadura do Estado Novo junto com apropriações de símbolos culturais como samba, capoeira e futebol.

No fim, falar da Rede Globo de Televisão dentro do contexto de um meio de comunicação que tecnicamente consegue gerar uma credibilidade por conta da junção que conforma o audiovisual. Óbvio que não dava para esquecer das relações políticas envoltas à emissora das Organizações Globo e algumas das histórias disso, caso das Diretas Já e da própria relação com a ditadura militar no Brasil. Afinal, foi nesse contexto, que sua hegemonia se definiu, por mais que não seja algo diretamente ligado, ou seja, que a Globo tenha ganhado suas concessões nesse período e colocada ao ar diretamente para servir aos militares. A questão é mais simples: a emissora liderou um processo de industrialização nacional do setor e não tinha qualquer interesse em mostrar agruras vindas do processo ditatorial. É o que Caparelli, se não me engano, chama de "simbiose do político com o econômico".

Para o dia seguinte, já imaginando um cansaço maior do pessoal, optei por diminuir a quantidade de conteúdo e apostar mais num certo improviso, de forma a utilizar exemplos de como dentre as milhões de porcarias que surgem na internet no cotidiano, há coisas importantes, com debates críticos. O problema é saber que elas existem e ter o interesse, e a paciência, para procurar.

Como a Especialização é em TV e Convergência, optei por dedicar um tempo para apresentar os problemas na legislação sobre o setor, que impediriam uma maior produção realmente cultural, com diversidade em vários níveis. Além disso, mostrei alguns programas "exemplares" de como não seria tão difícil realizar algo diferente, caso do "Levante a sua voz", audiovisual feito pelo Intervozes e de programas como Castelo Rá-Tim-Bum, Observatório da Imprensa e Ver TV.

A apresentação está disponível na Internet, já que foi feita pelo Prezi.



Vamos aos pesares
Depois de alguns dias com um veraneio em pleno inverno no Rio Grande do Sul, a partir de quinta-feira o tempo esfriou. Como sorte para este escriba é algo que não existe, na sexta-feira não só estava frio, como choveu bastante e estava ventando muito. Para se ter uma ideia, as estações finais de trem de Porto Alegre estavam, ao menos até ontem, fechadas porque a bomba de sucção pifou e a quantidade de água entre os trilhos depois da Estação Farrapos era imensa. O "melhor" é que só descobríamos isso quando já estávamos dentro do trem. Eu desceria na penúltima estação em funcionamento, no Aeroporto, mas vi muitos desesperados por não saber o que fazer.

Porto Alegre já tem trânsito insuportável no horário de pico, com vias importantes fechadas, o negócio piorou. Para se ter uma ideia, os alunos da Especialização só começaram a chegar mesmo depois das 19h15 - as aulas começam às 19h. Quando cheguei na sala só tinha uma pessoa, porque ela é de Caxias do Sul, Serra Gaúcha, e opta por chegar bem mais cedo, porque é impossível chegar na hora se contar com as normais 3 horas do percurso para POA.

Sobre a aula de sexta à noite, por mais que eu tentasse explicar-los que a comunicação para se efetivar necessita de um diálogo, portanto, eu enquanto professor (como é estranho ouvir o pessoal me chamando de professor!) precisava ouvi-los para saber se eles estavam entendendo ou não; ou se discordavam de tudo aquilo, nada de alguém falar qualquer coisa.

No intervalo veio a frase que dá título a este post. Uma mulher da turma perguntou à outra se não teria nenhum casamento no dia seguinte. A outra fez uma cara de que "o professor está na sala". Todo mundo riu, inclusive eu, principalmente pelo "eu nem estou vermelha" haha. Dá-lhe explicar que eles já haviam saído em comboio para o "casamento", como forma de sair mais cedo.

Depois do intervalo, bastou falar dos programas de TV, casos da estreia de Fátima Bernardes e Pedro Bial, que o pessoal participou. Um alívio para quem falava há horas sem quaisquer reações e com poucas pessoas olhando para você lá na frente.

O sábado foi de tempo mais tranquilo, ainda frio, ainda nublado, mas com uma chuva mais fina e que logo parou. Eu imaginava que a aula começava às 13h, mas o pessoal só chegou do almoço às 13h30. A pessoa do casamento não apareceu, mas eu fiz a piada do mesmo jeito, de que "pegaria mais leve" naquela tarde, optando por coisas mais práticas.

O problema é que aquela era a última aula deles, já que na semana que vem o curso acaba com a apresentação dos artigos da Especialização pelos estudantes, e a vontade sobre algo mais teórico não estava nos planos deles.

Na metade da aula, por volta das 15h30, metade da turma foi embora sem qualquer explicação. Foi tão estranho que uma das estudantes me perguntou se era intervalo ou a aula tinha acabado, dada a debandada. A minha resposta foi "era para ser intervalo".

Ainda assim, continuei com os que ficaram até sobrarem apenas eu e mais duas pessoas, pouco mais de meia hora antes do horário marcado para acabar. Ao menos neste dia o pessoal que apareceu participou um pouco mais da aula, com alguns mostrando mais interesse para coisas em particular, como a digitalização da TV.

Ah, e no intervalo descobrimos que quem quiser sair do Facebook até pode cancelar a conta, mas ela continua existindo, já que você pode ser marcado por quem quiser e até voltar a logar sem preencher cadastro algum. Quer prova maior que essa que a internet não é ambiente de tanta liberdade assim?

5 ANOS
Ainda pretendo escrever um post especificamente sobre isso, mas na quinta-feira o Dialética Terrestre (antigo Terra: o planeta e seus interessados), este blog, completou cinco anos de existência. Cinco anos servindo como válvula de escape para mim, dando poucos, mas valiosos leitores e até que algum reconhecimento para algo que não pretende servir como instrumento excessivamente profissional.

Apesar de todos os problemas das últimas duas, três semanas, "o pulso ainda pulsa!"