quinta-feira, 21 de abril de 2011

Em busca do El Dorado: De hóspede a morador

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Após um mês e dez dias finalmente posso dizer que sou morador de São Leopoldo. Só agora dois dos meus companheiros de apartamento conseguiram resolver algumas pendências que os impediam de sair daqui e liberar o quarto. Eu até imaginava que poderia ficar de forma melhor, num quarto e não mais na sala, porém ainda falta tempo para ir ao Centro para comprar cama e guarda-roupa - ou roupeiro, como dizem por aqui.

Feriadão e um monte de trabalho a fazer. Mas posso garantir que a sensação de mais tranquilidade para fazer as atribuições acadêmicas é bem maior aqui que em Maceió. Além disso, são atribuições ACADÊMICAS. Como é bom poder ter dedicação total aos estudos, por mais que se tenha outras atividades de ordem prática, estas são oriundas do movimentado grupo de pesquisa e extensão ao qual oficialmente faço parte a partir de hoje.

Uma das atividades mais empolgantes é a produção e a gravação do programa de rádio "Periscópio da Mídia - a indústria da comunicação social de cabeça para baixo". Como o próprio subtítulo demonstra, é nele que eu e meus outros companheiros podemos fazer um debate opinativo crítico sobre os problemas midiáticos que são noticiados durante a semana. Nesta, devido ao feriado, tivemos que gravá-lo ontem. Escute-o aqui.

Além da liberdade quanto ao conteúdo discutido, ainda tem as conversas do almoço que se seguem ao programa. Geralmente é difícil para nós três termos um tempo para conversar sobre os mais diversos assuntos e após um programa que espanta qualquer cansaço, ter a oportunidade do diálogo fraterno é muito bom.
O grupo Cepos é bem diferente do que estava acostumado no Comulti e acredito até de outros grupos de pesquisa dentro do próprio PPGCC da Unisinos. Basta ver a quantidade de pessoas circulando normalmente nas salas onde ficamos; nem sempre sobra lugar. Nas reuniões, então, cerca de trinta pessoas, com as mais diversas ideologias e objetivos de vida, de revolucionários a professores, passando por pequenos empresários, todos envolvidos na Economia Política da Comunicação e nas atividades do grupo.

No apartamento, com excessão dos quatro lances de escada que, acrescidos aos quinze minutos a pé entre "lombas" do bloco 3 da Unisinos até aqui, tudo tranquilo. São poucos os momentos em que encontra os outros dois companheiros, mas geralmente são de profunda alegria. A tranquilidade, ao menos por enquanto, impera por aqui.

Já estou com a agenda lotada para escrever artigos para eventos, sejam eles nacionais ou internacionais. A questão financeira e até mesmo o tempo não me permitirão ir a todos, caso os artigos sejam aprovados, mas fica o registro nos anais do evento para colocarmos no currículo.

O melhor de estar longe mesmo foi o aniversário. Tirando a família ter ligado e um livro que ganhei uma semana antes de um companheiro do Periscópio - além de um email de uma amiga de Maceió -, ninguém sabe qual a data do meu aniversário, portanto, nada de parabéns, abraços e contatos sociais chatos para pessoas que nem eu.

Fora isso, os colegas do Mestrado vem de diversas vertentes teóricas, mas ainda assim conseguimos estabelecer um bom diálogo, seja sobre as banalidades da vida ou quanto aos assuntos discutidos nas salas de aula.

Enfim, acho que é isso. Tem dias que o frio ameaça chegar, mas por enquanto o sol consegue equilibrar a contagem. A promessa é de que a partir de maio o negócio esfria para valer. Espero ter tempo para comprar mais roupas longas por aqui.

Ah, para quem quiser me acompanhar diariamente há o tal do Twitter, @AndersonCepcom, sobre o qual ainda tenho que arranjar um tempinho para escrever por aqui.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Em busca do El Dorado: As últimas horas de toda uma vida e as primeiras de outra a começar

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Foi muito, muito difícil mesmo ter de me despedir dos meus pais no Aeroporto de Maceió. Na verdade, o domingo inteiro havia sido bem difícil. Quando li algo que o Renato escreveu no Etnografia Potiguar, sobre que os pais dele não imaginavam o quanto ele era agradecido a eles, eu decidi que tinha que falar o quanto os meus foram fundamentais para mim.

A ideia era falar durante o tempo de o táxi chegar, mas dessa vez ele não demorou tanto e mal deu para eu olhar os cachorros, só a mais velha que eu ainda fiz um carinho, numa cabeça repleta de pelos que só na quinta-feira desta semana iria ser podada.

Sobrou para o Aeroporto. Eu não queria nem dormir no domingo para não perder nenhuma hora em casa, mas atendi ao conselho dos meus pais e fui para cama descansar por cerca de três horas. Quando eu acordei, eles já estavam prontos. E eu ali, não querendo que o tempo passasse, mas passou e muito rápido.

A primeira pessoa quem abracei no Aeroporto foi a minha mãe, ela chorou muito e eu acompanhei o embalo. Apesar dos problemas de saúde dela, que se agravaram nos últimos anos e, de certa forma, atrapalham a família, eu gosto muito dela e ela de mim. Filho caçula, sabe como é que é né? As preocupações dela eram sobre como eu iria me virar com as coisas de casa, lavar roupa, comprar ferro para passá-las, arranjar uma casa...

Meu pai é mais duro na queda. Chorou contido. Na verdade, como eu mal consegui olhar para os olhos dos dois, eu só percebi porque a voz dele diminuiu a gravidade e porque pegou um lenço para secar as lágrimas.

Eu disse a eles que o que havia conseguido até agora era por conta deles. O meu pai respondeu que era porque eu merecia, tinha lutado por aquilo, mas como disse o Renato no texto dele, eles não sabem o quanto foram importantes, ainda mais no meu caso, que sou tão chato e que tanto reclamei que queria sair de casa e, em algumas vezes, sei que os magoei por conta disso.

Enfim, em alguns momentos nos aviões, quando eu parava e pensava no que este 07 de março significa para mim, eu tinha vontade de chorar. Ratifiquei algo que já verificara em outras ocasiões: é muito ruim viajar sozinho. Eu queria ter um ombro para chorar e não tinha. Se antes o meu orgulho me impedia disso na maioria da vezes, agora são as condições materiais que impedem.

Tive alguns problemas para entrar em contato com o pessoal de São Leopoldo quando cheguei no Aeroporto. Acabei errando na hora de passar o número de um dos rapazes para o novo celular e faltou um número. Não lembrava de ter o número do outro e tive que gastar muitos dos meus créditos em telefonemas interurbanos.

Optei por vir de táxi, paguei caro pela viagem entre as cidades. Ao menos o papo com o taxista valeu à pena. Ele criticou muito o trânsito nas rodovias da região metropolitana de POA e o Aeroporto, o qual já havia percebido na minha viagem do final do ano passado que está muito ruim em termos de quantidade de voos simultâneos possíveis. Ele ratificou que deve ser a maior vergonha durante a Copa do Mundo, apesar de o Rio Grande do Sul possuir condições esportivos muito boas, com provavelmente dois estádios aptos.

Ah, o motorista estuda numa faculdade em Canoas, Administração. Trabalha dia sim, dia não para pagar o curso. Disse-me que estudar na UFRGS (fala-se “Urgues”) seria difícil não só pela concorrência para entrar, mas também porque o curso é pulverizado nos três turnos, o que não permitiria que trabalhasse.

Neste momento, estou sozinho no apartamento. O casal que mora aqui, além dos dois já citados, saíram e só voltam amanhã. Um dos rapazes está em POA e também só volta amanhã. Sou muito tímido para conversar com as pessoas e às vezes sinto que as pessoas podem pensar que é falta de educação minha. Quando é um casal, então, travo ainda mais.

Enfim, já assisti o RBS Notícias, o Vale Mais (da TV Unisinos) e já comi um pedaço de bolo pronto que comprei no único local aberto nesta segunda-feira de Carnaval, o posto de combustíveis da esquina.

A saudade dos meus pais não passa. O negócio está bem mais difícil que eu pensava. Inclusive, quando liguei para avisar que tinha chegado, quase não consegui falar. É melhor, ao menos por enquanto, não ligar tão cedo para Maceió. A sensação é que o coração ficou lá. Só espero que a cabeça esteja no lugar para arranjar um canto para morar durante esses dois anos e para iniciar as atividades no Cepos já nesta quinta-feira.

Ah, sobre música, algo que isso sim posso ouvir aos montes enquanto leio/estudo. Fica a sugestão abaixo:

domingo, 6 de março de 2011

Em busca do El Dorado: Despedidas III

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Eu comentei no início que vinha pensando nestes textos de despedidas há algum tempo, mas esqueci de citar duas fontes importantes para elaboração dos mesmos, apesar de fugir um pouco do que foi feito.

O primeiro texto foi "Cordialmente seu", de Miguel Falabella em sua coluna até então mensal na IstoÉ. É uma despedida da coluna, já que ele irá escrever mais uma novela na Rede Globo. Falabella está longe de ser ídolo meu, mas tem certas coisas no texto dele que são interessantes.

Uma delas é:

"Apenas as palavras, cada uma delas, todas arrumadas, em seus vestidos alegres, as bocas vermelhas, agrupadas para uma fotografia num dia claro de verão. As palavras que dissemos e, principalmente, aquelas que não conseguimos dizer a tempo, antes que partisse o avião. Se alguma coisa sobrar, vão ser essas palavras, não tenho dúvida".

Uma das minhas preocupações no início de fevereiro era ter chateado alguém que não queria chatear. Sair de Maceió com pessoas queridas, mas que o tempo e as atividades nos fizeram ir para lados opostos, algo bem comum para alguém que tenta ser desapegado de outras pessoas, que nem eu. Consegui resolver o que poderia ser um problema dias depois numa conversa com uma dessas pessoas.

Por incrível que pareça - ou porque as pessoas queriam comemorar minha saída de suas vidas -, tive três despedidas. A primeira foi a do trabalho, numa pizzaria sábado antepassado, apesar de trabalhar ainda até a sexta-feira passada. Não teve muita conversa por deficiências do espaço, maximizadas por uma rápida chuva.

A segunda foi no dia seguinte, domingo. Os companheiros do Núcleo de Estudos Cepcom resolveram almoçar juntos numa churrascaria. Marcaram para um lugar longe, eu estava sem vontade de sair de casa, mas fui convencido a ir e fiz uma baita força para isso. Conversamos na medida do possível para um lugar tão cheio.

A última delas foi na quinta-feira, com colegas da época da Ufal, em outra pizzaria. Foi bem legal rever as pessoas pela última vez antes da viagem e consegui me divertir bem. Pena que a noite não tenha terminado bem com a necessidade de fugir de um ônibus sendo depredado.

A outra fonte foi um blog de outro colega da Ufal, que foi para o outro Rio Grande fazer Mestrado, o qual chegou uma semana antes da minha viagem ao Sul. Renato Medeiros escreve um pouco da sua trajetória em Etnografia Potiguar.

Para finalizar, não é muito a minha praia - nem de praia eu gosto -, mas queria agradecer no final deste texto a todos os verdadeiros companheiros que apareceram durante esses onze anos de Maceió, em especialmente os que tiveram a preocupação de pegar um pouco dos seus tempos para gastar com alguém que nem eu, que não preza por amizades.

Devo ficar um tempo sem ter acesso a internet, mas quando possível o Em busca do El Dorado entrará no Dialética Terrestre para contar as aventuras deste imigrante nordestino no Rio Grande do Sul.