domingo, 26 de novembro de 2023

2023.13 João do Quebra-Queixo

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"O carro do quebra-queixo passando em sua porta". Dentre vários sons da minha infância/adolescência, a música gravada do senhor que passava com o quebra-queixo na porta de casa é uma que segue na minha memória. O livro de Hellen Christina, que acompanha seu João do Quebra-Queixo nas ruas de Viçosa-AL nos faz conhecer o trabalho e a sociabilidade das pessoas que saem cedo para percorrer as ruas de determinada cidade para vender algo.

Em "João do Quebra-Queixo" observamos a autora trazer a Antropologia dos conceitos, do inteligá-los com o cotidiano e de uma sociabilidade que faz pesquisadoras/es andarem nas ruas e nas calçadas para apresentar personagens do dia a dia- algo que parece faltar cada vez mais no jornalismo. Do quebra-queixo ou dinheirinho que acabava sendo oferecido às conversas com e sobre as pessoas.

Referência

CHRISTINA, Hellen. João do Quebra-Queixo. Arapiraca: Performance, 2023.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

2023.11 O Negro no Futebol Brasileiro/ 2023.12 E a Boca do Luxo entra em campo

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 O Negro no Futebol Brasileiro é um clássico sobre este esporte no país, especialmente ao tratar do período de difusão e da estruturação do profissionalismo no Brasil até a década de 1950 - considerando que esta edição parte da atualização feita por Mario Filho. 

Na parte acadêmica dos estudos sobre futebol, creio eu que consolidada nesta década, o livro gera muitas discussões. É possível considerá-lo como algo de registro histórico que é necessário seguir para analisar academicamente este período? Ou, enquanto algo escrito das memórias e escolhas de um jornalista esportivo, é um referencial histórico a ser lido com alguns cuidados em termos de pesquisa?

Saio da primeira leitura d'O Negro no Futebol Brasileiro mais para a segunda opção, por considerá-lo como registro importante, dada a falta de outras fontes e articulação global e histórica estabelecida por Mario Filho para a primeira metade do século XX. Gostei especialmente da ode a Pelé que encerra o livro, o que inclui comparações ao Garrincha. 

Além disso, esperava algo diferente do prefácio da primeira edição, de Gilberto Freyre, algo que talvez tenha que reler novamente com maior atenção e anotações. Quem sabe também depois de uma lida em Casa Grande e Sensala.

Referência

MARIO FILHO. O Negro no Futebol Brasileiro. 5. ed. Rio de Janeiro: Mauad X, 2010.

Seguindo nos comentários sobre poucas fontes, cheguei nos quadrinhos "E a Boca do Luxo entra em Campo", que é de Lu Castro e Lalo Souza e trata o período em que o futebol de mulheres era proibido por decreto no Brasil - mas nem por isso ficou sem ter jogo, algo relevante que pesquisadoras brasileiras cada vez mais destacam.

Trata-se de uma ficção criada a partir de notas de jornal sobre o torneio de boates de São Paulo realizado em 1979. A história é protagonizada por Isabel, capitã de um dos times e fissurada em futebol, jogado nos dias de folga da boate.

Gostei bastante do material gráfico e do roteiro, creio que é mais uma excelente produção para discutir vários temas sobre a mulher brasileira, com o futebol incluído.

Referência
CASTRO, Lu; SOUZA, Lalo. E a Boca do Luxo entra em campo. São Paulo: Ed. dos Autores, 2023.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

2023.9 Quando a saudade me visita/ 2023.10 Oryx e Crake

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"Quando a saudade me visita" chegou até mim ainda na campanha de financiamento. É uma coletânea de crônicas de um colega de pesquisa de esportes, cujas crônicas sobre futebol e outros aspectos da vida já conheço de Ludopédio e mídias sociais.

A crônica é um tipo de texto que facilita bastante a quem tem menos tempo para leitura, pois as histórias são mais curtas. Ao mesmo tempo, trata de situações do cotidiano, cujo objetivo é trazer quem lê para a sensação daquele momento da história - alegria, tristeza, amor e, neste caso, saudade. Phelipe margeia especialmente pelo amor e pela saudade da mãe e do pai, falecidos. Livro para ler pensando nas nossas pessoas queridas.

Referência
CALDAS, Phelipe. Quando a saudade me visita. João Pessoa: Ideia, 2020.

Há alguns anos, antes de ter a série, que li "O conto da Aia", de Margaret Atwood. Uma realidade distópica que, ao passar dos anos, parecia não ser tanto assim e cada vez mais possível. Vi a série nas penúltimas férias, no início do ano, o que me fez querer voltar a outros livros da autora. Comprei dois, terminei um.

"Orix e Crake" segue a trajetória distópica, aqui até mesmo pós-apocalíptica, de Atwood. Acompanhamos em paralelo a história de Jimmy/Homem das Neves desde uma sociedade com o desenvolvimento científico e tecnológico avançado, mas seguindo a interesses individuais (pessoas e/ou corporações), até o que seria um novo "Jardim do Éden", com novas espécies, inclusive humanas.

As idas e voltas entre passado e presente são uma marca das obras da autora. Aqui, gerou certo incômodo para mim na primeira metade, mas foi algo compreensível e justificado para se chegar a um final que se mostra aberto.

Referência
ATWOOD, Margaret. Oryx e Crake. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.