terça-feira, 9 de março de 2010

Circo a motor renovado

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A Fórmula 1 volta, mais uma vez, totalmente renovada em início de temporada. Porém, ao contrário da última, promete ser uma das mais emocionantes dentro da pista devido às variadas possibilidades a serem descobertas de corrida em corrida ao longo deste ano. A pontuação também muda, pela sexta vez na história, para premiar o vencedor das provas. Além disso, após dez anos, largarão na primeira etapa quatro campeões do mundo.

Neste ano serão 12 equipes na temporada, com a estreia das novatas Virgin Racing, Hispania Racing F1 (antiga Campos) e Lotus F1 (no lugar da Toyota). Além da volta da Sauber (no espólio da BMW), na aquisição da Brawn GP pela Mercedes e na grande venda da Renault para um grupo financeiro. A estadunidense USF1 não conseguiu verbas para correr este ano.

A primeira etapa é neste final de semana, no circuito do Bahrein, e termina com a sua décima nona etapa no circuito de Abu Dhabi, passando por Brasil, Itália, Bélgica, Alemanha, Malásia, Mônaco, Hungria, Cingapura, Japão, Turquia, Canadá, Espanha, Inglaterra e pela primeira vez na Coreia do Sul.

REGRAS
Os carros sofreram grandes alterações para esta temporada. Se em 2009 vimos a diminuição das asas traseiras, o uso do KERS (repositor de energia) em alguns carros e o aparecimento dos difusores traseiros nas equipes que souberam "ler" o regulamento; para 2010, a FIA resolveu acabar com o acréscimo de combustível nas paradas de boxes. Assim, o tanque que, em média, suportava 80 litros de gasolina, passa a ter que suportar 250 litros.

Outra mudança é no tamanho dos pneus dianteiros, cuja largura foi reduzida de 270 milímetros para 245, numa tentativa de melhorar o equilíbrio de aderência entre as duas metade do carro. E se o reabastecimento acabou, fazendo com que a classificação para a corrida seja para os mais rápidos realmente, os pneus usados na última partida serão os que os carros largarão.

Uma alteração que já vinha sendo discutida desde o ano passado é a pontuação por prova. Após a ideia (imposta) de o campeão ser descoberto pelo número de vitórias, o que teria dado a Jenson Button o título do ano passado com muitas corridas de antecedência, e uma mudança parcial no final de 2009, decidiu-se pela premiação de dez pilotos (em vez de oito) e pela maior diferença entre o primeiro e o segundo lugar:

1º: 25
2º: 18
3º: 15
4º: 12
5º: 10
6º: 08
7º: 06
8º: 04
9º: 02
10º: 01

EQUIPES
A dança das cadeiras montou equipes que, ao menos quanto aos pilotos, devem se destacar neste ano.

A Ferrari terá a volta de Felipe Massa após o acidente do ano passado e a estreia do bicampeão mundial Fernando Alonso, um companheiro bem mais competitivo do que o gélido Kimi Raikonen. Vale lembrar que os dois já discutiram numa corrida em 2007, quando Alonso ainda era da McLaren.

Falando nas flechas de prata, a equipe manteve o "queridinho" deles, Lewis Hamilton, e contratou um "ex" queridinho dos ingleses, o atual campeão mundial Jenson Button. Nas duas maiores equipes da Fórmula 1 a expectativa é saber por quem trabalhará a equipe a partir de determinado ponto de disputa na temporada.

Além das duas, não há como deixar de destacar o retorno do maior campeão da história da Fórmula 1, o homem que detém quase todos os recordes da maior categoria do automobilismo mundial. O heptacampeão Michael Schumacher, com 41 anos, resolveu largar a aposentadoria e assumir um posto na equipe Mercedes, onde terá como companheiro o também alemão Nico Rosberg.

Outra equipe forte é a Red Bull Racing, que manteve seus dois pilotos, o alemão Sebastian Vettel e o australiano Mark Webber.

Destacamos também a presença de quatro brasileiros no grid. Além de Massa, Rubens Barrichello assume um lugar na Willians e Lucas Di Grassi e Bruno Senna estreiam na categoria na Virgin e na Hispania, respectivamente. Bruno, apesar do sobrenome muito famoso, quase não consegue correr este ano por falta de dinheiro na equipe e ainda não tem certeza se correrá no Bahrein.

DISPUTA ACIRRADA
Com a redução nos treinos de pré-temporada pouco se sabe ao certo como vai ser a primeira corrida do ano. Aposta-se na força da Ferrari, da McLaren e da RBR por terem conseguido fazer melhores tempos ao longo dos treinos. Porém, ninguém sabe ao certo a quantidade de gasolina nos carros neste período, mesmo que a durabilidade de cada um tenha sido boa.

Fernando Alonso disse que os carros da RBR foram melhor, Lewis Hamilton falou que a Ferrari larga um pouco na frente e os especialista apostam na McLaren - que, pelo que se comenta, apresenta novidades aerodinômicas em relação às demais. Um verdadeiro jogo de empurra-empurra que só saberemos quem estava certo, ou não, com os primeiros treinos no Bahrein.

O Circo a motor acompanhará tudo e transmitirá na semana que vem as primeiras impressões da temporada na sua apresentação de estreia. Além disso, ficaremos de olho na volta da Fórmula Indy às pistas brasileiras, no circuito de rua de São Paulo também neste domingo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Um time, um país (Invictus)

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Um filme sobre a África do Sul no ano que o país realizará um dos maiores eventos esportivos do mundo. Um filme com uma história de redenção através do esporte. Um filme sobre como um país pode se reerguer após um período sombrio. Acrescente a estes fatores, um personagem histórico quase "santificado", Nelson Mandella, feito por Morgan Freeman.

Como fazer um filme com um esporte como base ser bom e ter sucesso de crítica e de público, mesmo sabendo do seu final? Como fugir do simples de uma história real que o mundo todo aprecia por ter como protagonista uma das poucas personalidades reverenciadas por quase todos os lados?

Esse foi o desafio do diretor Clint Eastwood. Tentar fugir de aspectos banais que cercam os filmes esportivos ou, para este caso, cair numa santificação da imagem de Mandela, o homem que fugiu de uma possível vingança após anos de subordinação e prisão para tentar unir um país.

Antes de qualquer coisa vou logo avisando que alguém apaixonado por esportes, independentemente de quais sejam, como eu não poderia ter outra reação do que a que vi na sessão de cinema. E, provavelmente, o fato de ter achado Invictus um dos melhores filmes que eu já tive a possibilidade de assistir derive disso.

Se em O Ano em que meus pais saíram de férias (2006, Cao Hamburguer) eu saí feliz por ter visto um filme que soube mostrar a relação do futebol num período difícil da vida sócio-política brasileira, com todas as referências do mesmo como "ópio do povo" e de como o esporte pode unir muitos; no filme sobre a África do Sul pós-apartheid, o esporte foi visto como a mostra de como se pode romper com preconceitos em busca de um mesmo objetivo.

AULA DE HISTÓRIA
Confesso que apesar de ter ouvido falar sobre o período do apartheid na África do Sul, ter ouvido mais ainda sobre Nelson Mandela, percebi que pouco conhecia do processo de transição ocorrido na década de 90, o quanto era difícil administrar o otimismo dos negros e o pessimismo dos afrikaners, ambos exagerados.

Após ficar preso por 27 anos, Nelson Mandela, líder do movimento contrário à situação de divisão de acordo com a cor da pele, é solto e a esperança dos negros sul-africanos renasce. Além disso, com, pela primeira vez, a oportunidade de votarem nas eleições de 1994, com o ex-preso como candidato, viram em Mandela o homem que poderiam resgatá-los do ostracismo e da pobreza que os descendentes de ingleses os relegaram.

Só que a eleição foi só o primeiro passo. A maioria de seus seguidores desejava a vingança, menos ele, que mostrou que queria a união do país ao manter os empregados administrativos do período anterior - que já arrumavam suas coisas para ir embora. Dentre eles, estavam os antigos seguranças, que treinaram em locais que serviam para formar policiais de segurança nacional que prendiam os negros. É na segurança pessoal do presidente que se vê as diferenças existentes entre as duas partes da África do Sul e o quão elas vão mudando ao longo do tempo.

E essas diferenças são trazidas até o público na primeira cena do filme. De um lado, crianças jogam futebol. Elas são negras, pobres, roupas rasgadas, atuando no que chamamos aqui no Brasil de "terrão". Do outro lado da rua, com cercas para fazer "proteção", estão jovens brancos, num bonito gramado, com uma bola oval e roupas em perfeito estado para jogar o rúgbi.

Na África do Sul, o futebol era/é o esporte para negros e o rúgbi o esporte para brancos. Daí que ainda hoje, na seleção que disputará o Mundial em casa este ano, há apenas um branco, o zagueiro Boo, que faz a torcida entrar em delírio nas partidas; e na seleção do país de rúgbi, os Springboks, só existisse um negro, Chester.

"Madiba", como era chamado Mandela pelos negros por ser o nome de família, tinha que enfrentar um país recém aberto para outros após o fim das sanções da ONU. O que significava a busca por ajuda e parcerias financeiras e industriais de outros países (dos Estados Unidos à China). Com crise econômica visível num país já bem pobre, os jornais já circulavam citando o fim da "lua-de-mel do presidente".

No ano seguinte haveria a Copa do Mundo de Rúgbi na África do Sul. A expectativa, segundo os amistosos realizados com outros países, era um vexame, no máximo chegar até às quartas-de-final. O capitão do time, François Pienaar recebia pressão por resultados e ficou bem perto de ser tirado do cargo.

A SOLUÇÃO
Enquanto todos esperavam soluções para os problemas socioeconômicos do país, Mandela resolveu apostar no esporte como meio de unir o povo sul-africano. Uma das suas primeiras ações sobre isso foi conhecer o rúgbi com profundidade, já que antes só sabia que tinha que torcer contra os afrikaners, no esporte "deles", e do jeito que sempre foi - roupas verde e dourado e nome Springboks.

A união entre Pienaar e Mandela, selada a partir de um jantar, representava o que poderia acontecer no país. Os dois eram pressionados até mesmo pela própria família. Enquanto o capitão morava numa casa que mantinha uma emprega negra como escrava; o presidente via a sua filha se afastar por suas decisões não vingativas.

O presidente cria a campanha "One team. One country" como forma de propagar o esporte e garantir a confiança da população. Os jogadores chegaram até a dar aulas de rúgbi para crianças nas regiões pobres da África do Sul, que até então renegavam o esporte. Imaginam nossas "estrelas" de futebol jogando nas favelas do Brasil?

Uma criança especificamente representa bem essa virada de "mentalidade", por assim dizer. Numa cena, uma mulher branca entrega roupas para crianças pobres e a última camisa que sobra é a dos Springboks. A senhora diz que ele teve sorte e ele não quer a camisa. Ao longo do filme o menino treina com a seleção, e faz uma das cenas mais cômicas e engraçadas na surpreendente final do Mundial ao comemorar junto com policiais.

TORNEIO
O time passa por cada adversário na Copa do Mundo e chega na final contra uma também surpreendente Nova Zelândia, que eliminou os favoritos ingleses na semi-final. Os All Blacks fizeram a maior pontuação da história ao vencerem na primeira fase os japoneses com 145 pontos! E possuíam em Lomu o craque que era quase imbatível - junto com a dança dos moari no início de cada partida.

Uma final emocionante, sem os dois times conseguirem fazer pontuações expressivas, com o resultado saindo através de gols - chutes entre as imensas balizas. No tempo normal, um empate por 12 a 12, vindo através de três "pênaltis" de Stransky (AFS) e de Merhtens (NZE) e de um drop goal de cada jogador - jogar a bola coma as mãos e chutar entre as traves.

Na prorrogação, Joel Stransky fez o gol que deu o título e a imensa festa em toda a África do Sul. Como disse Pienaar, não só para os mais de 60 mil presentes no estádio, mas para os mais de 40 milhões de sul-africanos.

Nelson Mandela, vestido com a camisa e o boné do time entregou a taça ao capitão. Como está no pôster do filme: "As pessoas precisavam de um líder. Ele deu a elas um campeão".

+ MAIS
O filme teve algumas falhas, como não mostrar tanto a relação de preconceito "interracial" diferente nasduas famílias, mas não dava tempo para isso. Fora que a intenção, muito bem interpretada por Morgan Freeman, era mostrar o lado "humano", terreno, de Mandela, que tinha seus problemas, mas fazia muito pelo seu "povo".

Outra ponto negativo foi o exagero de ter uma ameaça terrorista no dia da final. Ficou bem desnecessário para o que foi o filme o resultado da suposta ação - algo até bizarro de tão improvável e irreal.

Mas no geral, repito que é um filme sensacional, que valeu a minha tarde de sábado para assisti-lo mesmo que na fileira de trás tivesse um rapaz que ria alto para caramba ou que uma mulher tenha atendido por duas vezes o celular dois cadeiras à direita de mim. Prova de quão bom foi o filme é que as pessoas esperaram até o final dos créditos, já que os mesmos foram acompanhados com fotos tiradas naquele momento histórico.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Go Canada!

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O nosso último post foi sobre as primeiras medalhas douradas do Canadá em Olimpíadas promovidas no país. Hoje acabaram os Jogos Olímpicos de Inverno 2010, realizados em Vancouver, e o resultado foi totalmente diferente do que os canadenses haviam se acostumado.

No meio de tanta festa da torcida, eles venceram os Jogos com 14 medalhas de ouro, um recorde. Foram quatro a mais que o país segundo colocado, a Alemanha, e cinco à frente dos Estados Unidos - que tiveram mais medalhas no total e devem se achar campeões, como fizeram após Pequim 2008.

Com uma pequena presença brasileira, e sem chances de medalhas, confesso que torci pelos canadenses. O primeiro motivo pelo fato de eles nunca terem conseguido medalhas de ouro em casa. Imagina fazer uma super festa e não conseguir se divertir - para quem gosta de festas .

Porém, o principal motivo veio dos Estados Unidos. São apenas três países na América do Norte e um deles, o México, foi colocado na América Latina. Só sobram o Canadá e os estadunidenses, destes últimos ouvimos falar muito e do primeiro quase nada.

Segundo um colega de trabalho viciado em séries, uma delas, How I meet your mother, trata de uma jornalista canadense que passa a trabalhar no país abaixo. Tudo bem que séries cômicas exageram, mas um episódio que ele me contou me irritou bastante.

A repórter chega num bar com um colega e ele começa a gritar "USA, USA, USA", acompanhado por todos do recinto. Depois, grita qualquer porcaria e todo mundo repete. A canadense diz que todo mundo ali repete qualquer coisa que disserem e arrisca um "Canada, Canada, Canada", que ficou num silêncio sepulcral.

Além disso, supostamente os estadunidenses tratam o Canadá como uma cidade deles. Dentre outras coisas, as ligas de basquete e de hóquei dos EUA possuem times canadenses. Como já dissemos antes, ainda há o fato da completa diferença de mentalidade de moradores dos países. Enquanto uns geralmente estão satisfeitos com o que fazem, os outros se acham melhores do que qualquer outro.

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Vale destacar também a super transmissão da Record. Uma grande equipe liderada por Álvaro José, o maior especialista em esportes do Brasil, toda transmissão com ele é uma aula sobre a história da modalidade em questão. Além da presença de Paulo Henrique Amorim, muito melhor fazendo reportagens sobre o país do que sobre esportes, Milena Ceribely e Ana Paula Padrão, dentre outros.

Se nem os executivos da empresa acreditavam no sucesso da competição, que para eles seria um simples teste para mostrar o "potencial olímpico" de transmissão, todos se enganaram. As transmissões da tarde, por exemplo, mais que dobraram a audiência do horário, até então o fracasso na grade da emissora. Prova de que brasileiro gosta de competição, de espetáculo, mesmo que nenhum dos "nossos" esteja na disputa.

Mas quem viu a exibição de gala da patinação no gelo, mostrada "ao vivo" no sábado à noite, deve ter percebido o quão espetacular podem ser os jogos de inverno. Beleza, sensualidade, precisão técnica,... Um verdadeiro show que pode ser descrito pela atuação da sul-coreana vencedora na patinação artística individual. Liu Chen conseguiu a maior pontuação da história numa apresentação que, segundo a própria, não teve um errinho sequer!

Vale destacar também as partidas de hóquei, vencidas pelos canadenses nos dois gêneros. Um esporte que tem goleiro e tem gols igual ao futebol, só que com um "pouco" mais de contato físico. Pena que o pick, o disco que serve como a "nossa" bola, às vezes ficasse tão escondido que não dava para ver, tamanha a rapidez das jogadas.

E pena também que a Record não quis transmitir as finais ao vivo. A do masculino foi sensacional, pelo que soube. Uma revanche para o Canadá contra os Estados Unidos, que calaram a torcida ainda na primeira fase ao vencerem por 5 a 3. O time da casa abriu dois a zero, mas cedeu o empate faltando 24 segundos para acabar o jogo. Na prorrogação saiu o gol de ouro que deve ter levado o ginásio a uma explosão impressionante.

Enfim, fica a satisfação de ter acompanhado um show, com vários esportes desconhecidos ou pouco conhecidos. Se havia alguma dúvida sobre a capacidade de transmissão da emissora - ainda com poucos narradores e um time específico de esporte muito pequeno -, Vancouver 2010 mostra que eles podem fazer algo que preste. Esperemos...