quarta-feira, 3 de julho de 2013

Las radios comunitarias en el contexto de la elección de la norma digital en Brasil

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Há algum tempo que pensava em deixar por aqui ao menos os resumos dos artigos publicados em revistas, como eu faço com os textos publicados no Observatório da Imprensa, inclusive para facilitar caso eu precise de algum link. Mas até mesmo para tentar facilitar a vida de quem não está tão por dentro do esquema de publicação científica, resolvi comentar como os artigos foram produzidos.

Este caso, em especial, é um grande exemplo do quanto isto dá trabalho. Tudo bem que neste caso, o meu parceiro de artigo foi convidado a enviar um artigo para uma revista que só em 2012, se não me engano, passou a ser avaliada dentre os periódicos da área também aqui no Brasil, de acordo com o Qualis CAPES. Entretanto, é uma publicação em espanhol - publicada na Venezuela - e só isso geraria idas e vindas com tradução e revisões.

O artigo é de antes do convite para a revista. Inicialmente denominado "As rádios comunitárias no contexto de escolha de padrões digitais no Brasil", eu o inscrevi e o apresentei em Brasília no Circuito de Debates Acadêmicos das Ciências Humanas na II Conferência do Desenvolvimento realizada pelo IPEA em novembro de 2011. Quem tivesse os trabalhos aprovados pela sua respectiva associação acadêmica viajaria com voos e diárias pagas.

Os anais do evento não estão disponíveis na internet, mas aqui está a apresentação. O texto havia sido produzido a partir de trechos de textos mais opinativos do meu companheiro de trabalho e tinha uma carga minha ainda maior de militância em prol de meios livres e alternativos, o que para a Academia geralmente é um grande problema.

Por mais que tenha trabalhado mais em rádio, as minhas pesquisas quase sempre foram sobre TV - com um artigo sobre rádio em 2008 e alguns sobre jornal impresso em 2008 e 2009. Eu tinha que correr atrás de muito material específico.

Lembro de termos tentado publicar numa revista brasileira e vieram o texto não foi aprovado. Porém, como ao menos os pareceres que eu costumo receber, enquanto o primeiro avaliador relatou com detalhes o porquê do artigo não ser aprovado, dando inclusive sugestões, o segundo o fez através de quatro simples frases. Algo a se acostumar.

Quando veio o convite para a revista venezuelana até tinha a liberdade de apenas colocar na formatação da revista - lembrando que as normas latino-americanas são diferentes das que usamos aqui, da ABNT -, porém, até mesmo por conta do tempo que o envio para eles foi levando, com a necessidade de atualização de algumas informações sobre o processo de digitalização do rádio no Brasil, acabei aprimorando também em termos de referencial teórico, seguindo algumas das sugestões de avaliação. Claro que não poderia deixar de destacar a minha mania, dentre várias, de fazer as coisas direito.

Mudaram trechos do texto, inclusive título e resumo. Na época que eu enviei, além de estar bastante atarefado, ainda não tinha tanta segurança para a tradução em espanhol, que foi meio mambembe. Os editores pediram para verificar a versão em português, revisaram algumas coisas e devolveram para que eu verificasse. Como já tinha aprendido uma boa quantidade de coisas de Espanhol, consegui fazer mais correções.

Neste caminho de idas e vindas, correções, mudanças, colocação de padrões, foi um bom tempo gasto e algumas versões pelo caminho. Depois de quase dois anos, finalmente o texto foi publicado pela revista. Tem uma importância grande por ser o meu primeiro em outra língua; numa edição com uma das últimas entrevistas de Juan Díaz Bordenave, um dos pioneiros dos estudos da comunicação para o desenvolvimento na América Latina; além de ser o primeiro publicado este ano, que é bem complicado por eu não ter vínculo acadêmico enquanto estudante ou pesquisador depois da defesa da dissertação.

Segue abaixo o resumo do artigo que pode ser lido/baixado no site da revista: http://revistas.luz.edu.ve/index.php/quac/article/view/14039

Las radios comunitarias en el contexto de la elección de la norma digital en Brasil.
Bruno Lima Rocha Beaklini, Anderson David Gomes dos Santos

Resumen

Brasil vive un momento importante en la difusión de las tecnologías de la información, con el proceso de digitalización. En este nuevo contexto, este artículo pretende discutir, desde el punto de vista de la economía política de la comunicación, la situación de las radios comunitarias en Brasil hoy y los posibles problemas relacionados con el proceso de elección de un modelo de radio digital. El artículo refiere que los medios comunitarios son esenciales y presenta también la definición del proceso de televisión digital terrestre en Brasil.

terça-feira, 2 de julho de 2013

[Circo a motor] "Estamos falando da vida dos pilotos”

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Imagina num grande circo, um de Soleil da vida, o trapezista está fazendo suas acrobacias e uma das cordas acaba estourando. Susto do público, mas uma rede lá embaixo para proteger. Imagina isso ocorrendo quatro vezes e noutra oportunidade, a corda quase estourar. Imagina agora você dirigindo um monoposto a quase 300 km/h e um dos pneus simplesmente estourar...

Só por esta introdução dá para imaginar o porquê de apesar de ter 3 líderes diferentes, com muita disputa nas 7 voltas finais e ao menos 3 pilotos (Webber, 2º; Hamilton, 4º; e Massa, 6º) com excelentes recuperações, o que ficou do tradicional GP de Silverstone foi o perigo que a fornecedora de pneus, a Pirelli, causou aos pilotos.

Independentemente de Ferrari, Force India e Lotus não terem aceitado as mudanças nos pneus para o GP britânico - até então era obrigatório o consenso entre as equipes -, não dá para imaginar que um pneu com 6 voltas vá estourar. Que outro estoure duas voltas depois, mais outro algumas voltas adiante, outro na metade final da corrida e mais um murche do nada.

A RBR, especialmente, já havia se pronunciado contra o desgaste excessivo dos pneus como uma forma de gerar competitividade à Fórmula 1. Vettel já havia até discutido com seu engenheiro após levar bronca por tentar fazer a volta mais rápida de uma corrida, quer dizer, andar ao máximo apenas por uma volta. No final de semana passada chegamos ao limite, pois colocou em risco a segurança dos pilotos, como comprova a frase que dá título a este post, de Pérez, que teve de abandonar a corrida após o pneu estourar, e o tuíte de Fernando Alonso, que estava atrás dele, que legenda a foto que também ilustra este post:

"Hoje na corrida nos puseram à prova os reflexos..! 288 km/h, 3,6g lateral, curva em reta".

#GodSaveOurTyres
Há perfis no Twitter, de forma geral, que apesar de serem oficiais são hilários. Na Fórmula 1, o melhor deles é o da Lotus. Tudo bem que o carro é reconhecido como o que mais poupa pneus nesta temporada, mas eles foram proféticos na hashtag para este GP: "Deus Salve nossos pneus".

A classificação da equipe não foi lá essas coisas, com Gosjean largando em 8º e Raikkonen em 9º. Ainda assim, bem melhor que os carros da Ferrari, com Alonso largando em 10º e Massa em 12º - ganhariam uma posição após punição a Sutil. O brasileiro, por sinal, começava a sofrer pressão dos jornais italianos por ter batido no treino livre. Seria a 3ª batida em 4 por culpa dele nas últimas 3 corridas.

Lá na frente, Hamilton colocou mais de 4 décimos no companheiro de Mercedes Rosberg e largava na pole. Ambos seguidos pelas RBRs de Vettel e Webber.

Na largada, Vettel pulou para segundo, enquanto Webber, que anunciara a aposentadoria dos carros de F1, abrindo uma importante vaga para 2014, caía para 15º. Alonso também não largou bem, chegando a ir a 11º, recuperando as posições perdidas ainda na 1ª volta. Bem mesmo foi Felipe Massa, que pulou do 11º para o 6º lugar antes da primeira curva e alcançaria o 5º lugar antes da primeira volta. Espetacular e providencial!

As coisas pareciam caminhar bem quando Hamilton teve um pneu estourado, para frustração de seus compatriotas, logo após passar pela linha de chegada. Uma volta inteira com o pneu dechapado e ida ao último lugar. Vettel assumia a primeira posição e Massa já pressionava Di Resta pelo 3º lugar quando o pneu dele também dechapou.

Depois disso, mais outro pneu dechapado, só que o pneu duro de Vergne, e a necessidade do Safety Car entrar para saber se aquilo ali poderia continuar. Lembrei na hora do GP de Indianápolis de 2005, em que os carros da Michelin não correram por falta de segurança. Foi a melhor prova das Minardi na história da categoria que, depois disso, ficaria alguns anos sem pisar nos Estados Unidos.

Na 42ª volta a tal falta de sorte a Vettel, que Alonso pede desde o início da temporada, chegou. O carro foi parando na linha de chegada por quebra no câmbio. Rosberg assumiria a liderança para não mais soltar, enquanto Fernando Alonso tirava Raikkonen - e sua nova "aerodinâmica pessoal", leia-se cabelo moicano - do pódio.

Enquanto isso, Webber já estava em segundo e torcia por mais algumas voltas para ganhar a corrida de forma excepcional e ainda "dedicá-la" à equipe que tanto o ama. Para alegria dos ingleses, Hamilton chegaria em 4º. Massa conseguiu fazer uma excelente corrida e chegar em 6º. Não só ele, mas a Ferrari esteve com um ritmo de corrida bom, lembrando o ano passado, quando não conseguia largar bem, mas recuperava na pista no domingo.

Ah, Raikkonen chegou em 5º, por erro da equipe que não trocou seus pneus com o Safety Car que surgiu por conta da quebra de Vettel, mas ainda assim quebrou um recorde e de M. Shumacher, que já durava 10 anos: ele é o piloto com mais corridas seguidas na zona de pontuação, 25.

Para o campeonato, a diferença entre os líderes caiu 15 pontos, agora estacionada nos 21. Nos construtores, a Mercedes ultrapassou a Ferrari por 3 pontos e está em segundo.

No meio da confusão dos pneus, para piorar para os lados da fornecedora, já tem corrida no próximo final de semana, na Alemanha. Reuniões e mais reuniões, muita pressão da FIA e sabe-se lá até se os pneus de 2012 não retornarão. De fato, não dá para esperar que a trapezista caia e muito menos que algo bem pior ocorra num desses carros.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

[Por Trás do Gol] Manifestação de futebol

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"MANIFESTAÇÃO DE FUTEBOL: Brasil se luziu contra a Espanha, deu aula em sua casa e ganhou por 3 a 0 com dois gols de Fred e um de Neymar. Assim, ficou com a Copa das Confederações, que foi marcada pelos protestos das pessoas. Agora sim, festeja o país inteiro". Dentre tantas as imagens que vi de ontem para hoje, o colocado no site do argentino (e irreverente) Olé foi o que mais marcou. A "Manifestação de futebol" marca tanto o que ocorreu em campo ontem, quanto o que ocorre fora dos estádios - e às vezes até dentro, como na festa de encerramento.

Tudo bem, a capa do Olé desta segunda foi com um "Maracanaço", afirmando o respeito - que eles têm mais conosco que nós com o futebol deles - para 2014, em que o time brasileiro deixou claro que não queria ver um novo Maracanazzo. Mas nem eu, nem qualquer outro especialista, com exceção daquele que adora ser o "Do Contra" para acertar o quase impossível, apostaria num domínio total da seleção comandada por Luiz Felipe Scolari.

Como palmeirense, até sei que ele é capaz de operar quase que milagres, como o nosso título da Copa do Brasil do ano passado. Quer dizer, antes mesmo disso, já admitia a sua genialidade (retranqueira). Mas o que vimos ontem no Novo Maracanã foi algo ainda maior. Afinal, ao contrário da partida contra o Grêmio, o Brasil não se reteve na defesa até achar um contra-ataque, DOMINOU inclusive a posse de bola, este quase monopólio espanhol dos últimos seis anos, no início da partida. Só depois dos 20 minutos é que a Espanha começou a tentar fazer algo parecido com o tal do tik-taka.


O(S) GOL(S) DEITADO
"Eu conheci Uma espanhola/ Natural da Catalunha/ Queria que eu tocasse castanhola/ E pegasse o touro/ À unha// Caramba, caracoles/ sou do samba/ Não me amoles/ Pro Brasil/ Eu vou fugir/ Que é isso é conversa mole/ Para boi dormir".

Brasil mordendo a saída de bola da Espanha desde o início, assim como o fez contra a Itália. Se no último jogo da primeira fase, os italianos mal sabiam o que fazer, imagina os espanhóis, tão acostumados a terem esta postura.

Logo depois de um minuto, Hulk tenta uma jogada de letra, a bola toca na zaga e vai ao Oscar, que devolve ao Hulk e manda para o segundo pau. Fred na primeira bola e Neymar na sobra, marcados por dois jogadores. A bola passa, bate em Neymar, Fred cai, arregala os olhos, puxa o braço para não tocar na Cafusa e chuta com o peito do pé sobre Casillas. Gol nunca visto. É o Don Freddon confirmando a(s) fama(s).

Ele corre para abraçar os amigos nas arquibancadas, Neymar vai junto e Oscar sobe no palanque. Gol do Brasil logo cedo, como foi comum nesta Copa das Confederações. Comum para nós, mas não para a Espanha, que chegou ao ponto de ver Iniesta arriscar um chute de (bem) fora da área!

Oscar perdeu um gol ainda antes dos 10 minutos, chutando sem marcação de dentro da área e tirando Casillas da bola. Depois, foi a vez de Neymar tocar para Fred sozinho, com Casillas saindo do gol desesperado. Chute por baixo e defesa do capitão espanhol.


Como disse acima, após os 20 minutos a Espanha retomou a posse de bola, mas sem qualquer objetivo. Não à toa que a chance que conquistou foi em contra-ataque, com Pedro chutando na saída de Júlio César. De novo. Todo mundo - mesmo os "Do Contra" - imaginavam que a bola entraria. Galvão já tinha gritado que "agora só você, Júlio César" e Júlio César já tinha ido.

David Luiz acerta um carrinho no limite e a bola sobe no limite. 97% das vezes quando o defensor chega na bola, acaba empurrando ao gol. Não desta vez. Não no 30 de junho de 2013. Por que não dizermos que tivemos outro gol deitado?

David teve o nome gritado pela torcida logo em seguida e em outro momento no segundo tempo, após um corte providencial. É bom que se diga, assim como no jogo contra o México, quando quebrou o nariz, o jogador do Chelsea fez uma partida exemplar. E não foram poucas as vezes que li tuítes ou cheguei a ver um ou outro comentando que "o cabeludo não era para ser titular".

3 minutos depois deste lance, contra-ataque brasileiro. Neymar toca para Fred e passa para receber o toque de volta. A bola vai para Oscar. Neymar sai da posição de impedimento e Oscar toca. Também no limite dos centímetros da possível irregularidade. O jogador barcelonista santista brasileiro enche o pé esquerdo. 110 Km/h no gol de Casillas. 2 a 0 na saída para o intervalo e gritos de "Olê, olê, olá, Neymar, Neymar!".

Algo simples perante o grito de "O Campeão voltou!" aos DOIS minutos de jogo e os gritos de OLÉ logo em seguida.


O DIA
Modificação na lateral direita da Espanha. Poucos minutos de segundo tempo. Hulk recebe no meio e toca para Neymar no centro. Ele deixa a bola passar no melhor estilo Rivaldo, há exatos 11 anos, e o tal de Frederico bate no canto. Casillas chega até a tocar os dedos na bola, mas já era. Brasil 3 a 0. 

Pensar que teve gente a pedir JÔ (!!!!!!) no lugar de Fred no time titular após os dois primeiros jogos de seca. Cinco gols foram marcados depois e "só" contra Itália, Uruguai e Espanha.

A torcida que já gritava, grita ainda mais, com direito até a hino nacional e o tradicionalíssimo "Domingo, em eu vou ao Maracanã", ainda que não se possa mais "levar foguetes e bandeiras" e deixar a "cadeira numerada" para "ficar na arquibancada pra sentir mais emoção".

Aos 11 minutos, Navas dá um migué ao receber um toque, vá lá que desnecessário, de Marcelo na perna. Cavou o pênalti mesmo. Sabe-se lá o porquê o zagueiro, ex-lateral, Sérgio Ramos foi para a cobrança - quer dizer, Torres perdeu contra o TAITI, mas e Xavi ou Iniesta ou Mata? "Ah, é Júlio César!" gritava a torcida. Ramos, o mais marrento e falador, foi para a bola e mandou para fora!

Outra comemoração de gol no estádio e uma provável comemoração ultra dos trabalhadores do hotel em Recife e dos seguranças e demais trabalhadores do hotel em Fortaleza.

Ainda assim, Felipão não parava um segundo na beira do campo, gesticulando o 4-1 para o setor ofensivo, pedindo calma, mas sem colocar volante no lugar de atacante como sua história de cautela mandaria. A Espanha ainda teria outras duas chances, com duas excelentes defesas de Júlio César, realmente o melhor goleiro desta competição. Quem diria, do rebaixado Queens Park Rangers para um título desse - e provavelmente para a Roma...

Jadson, Jô e Hernanes até entraram depois, mas só para seguir segurando a bola, cuja posse terminou só 52% a 48% para a Espanha. Só para lembrar, que posse não é critério de desempate. Se nem mais finalizações podem significar tanto para um placar, dependendo do jogo, imagina isto.


IMAGINAR A COPA
3 a 0 indiscutíveis e a maior derrota desta geração espanhola. Assim como o Bayern de Munique trucidou o Barcelona na Liga dos Campeões, tática e tecnicamente, o Brasil fez o mesmo neste domingo com a Espanha. Deve ter sido a melhor partida da seleção brasileira que eu devo ter visto nestes 25 anos de vida.

Em meio a tantas manifestações nas ruas, que fizeram com que o ministro dos Esportes e não a presidenta da República entregasse a Copa, e com um time tão pronto, ficou o desejo que 2014 chegasse ainda mais rápido. Dentro de campo e fora dele para manter o "clima" destes últimos 30 dias. Que a Copa do Mundo FIFA e o período eleitoral transformem o tão disputado sentido de "Imagina na Copa" para algo positivo, mas não da maneira publicitária de se pensar.