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segunda-feira, 1 de julho de 2013

[Por Trás do Gol] Manifestação de futebol

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"MANIFESTAÇÃO DE FUTEBOL: Brasil se luziu contra a Espanha, deu aula em sua casa e ganhou por 3 a 0 com dois gols de Fred e um de Neymar. Assim, ficou com a Copa das Confederações, que foi marcada pelos protestos das pessoas. Agora sim, festeja o país inteiro". Dentre tantas as imagens que vi de ontem para hoje, o colocado no site do argentino (e irreverente) Olé foi o que mais marcou. A "Manifestação de futebol" marca tanto o que ocorreu em campo ontem, quanto o que ocorre fora dos estádios - e às vezes até dentro, como na festa de encerramento.

Tudo bem, a capa do Olé desta segunda foi com um "Maracanaço", afirmando o respeito - que eles têm mais conosco que nós com o futebol deles - para 2014, em que o time brasileiro deixou claro que não queria ver um novo Maracanazzo. Mas nem eu, nem qualquer outro especialista, com exceção daquele que adora ser o "Do Contra" para acertar o quase impossível, apostaria num domínio total da seleção comandada por Luiz Felipe Scolari.

Como palmeirense, até sei que ele é capaz de operar quase que milagres, como o nosso título da Copa do Brasil do ano passado. Quer dizer, antes mesmo disso, já admitia a sua genialidade (retranqueira). Mas o que vimos ontem no Novo Maracanã foi algo ainda maior. Afinal, ao contrário da partida contra o Grêmio, o Brasil não se reteve na defesa até achar um contra-ataque, DOMINOU inclusive a posse de bola, este quase monopólio espanhol dos últimos seis anos, no início da partida. Só depois dos 20 minutos é que a Espanha começou a tentar fazer algo parecido com o tal do tik-taka.


O(S) GOL(S) DEITADO
"Eu conheci Uma espanhola/ Natural da Catalunha/ Queria que eu tocasse castanhola/ E pegasse o touro/ À unha// Caramba, caracoles/ sou do samba/ Não me amoles/ Pro Brasil/ Eu vou fugir/ Que é isso é conversa mole/ Para boi dormir".

Brasil mordendo a saída de bola da Espanha desde o início, assim como o fez contra a Itália. Se no último jogo da primeira fase, os italianos mal sabiam o que fazer, imagina os espanhóis, tão acostumados a terem esta postura.

Logo depois de um minuto, Hulk tenta uma jogada de letra, a bola toca na zaga e vai ao Oscar, que devolve ao Hulk e manda para o segundo pau. Fred na primeira bola e Neymar na sobra, marcados por dois jogadores. A bola passa, bate em Neymar, Fred cai, arregala os olhos, puxa o braço para não tocar na Cafusa e chuta com o peito do pé sobre Casillas. Gol nunca visto. É o Don Freddon confirmando a(s) fama(s).

Ele corre para abraçar os amigos nas arquibancadas, Neymar vai junto e Oscar sobe no palanque. Gol do Brasil logo cedo, como foi comum nesta Copa das Confederações. Comum para nós, mas não para a Espanha, que chegou ao ponto de ver Iniesta arriscar um chute de (bem) fora da área!

Oscar perdeu um gol ainda antes dos 10 minutos, chutando sem marcação de dentro da área e tirando Casillas da bola. Depois, foi a vez de Neymar tocar para Fred sozinho, com Casillas saindo do gol desesperado. Chute por baixo e defesa do capitão espanhol.


Como disse acima, após os 20 minutos a Espanha retomou a posse de bola, mas sem qualquer objetivo. Não à toa que a chance que conquistou foi em contra-ataque, com Pedro chutando na saída de Júlio César. De novo. Todo mundo - mesmo os "Do Contra" - imaginavam que a bola entraria. Galvão já tinha gritado que "agora só você, Júlio César" e Júlio César já tinha ido.

David Luiz acerta um carrinho no limite e a bola sobe no limite. 97% das vezes quando o defensor chega na bola, acaba empurrando ao gol. Não desta vez. Não no 30 de junho de 2013. Por que não dizermos que tivemos outro gol deitado?

David teve o nome gritado pela torcida logo em seguida e em outro momento no segundo tempo, após um corte providencial. É bom que se diga, assim como no jogo contra o México, quando quebrou o nariz, o jogador do Chelsea fez uma partida exemplar. E não foram poucas as vezes que li tuítes ou cheguei a ver um ou outro comentando que "o cabeludo não era para ser titular".

3 minutos depois deste lance, contra-ataque brasileiro. Neymar toca para Fred e passa para receber o toque de volta. A bola vai para Oscar. Neymar sai da posição de impedimento e Oscar toca. Também no limite dos centímetros da possível irregularidade. O jogador barcelonista santista brasileiro enche o pé esquerdo. 110 Km/h no gol de Casillas. 2 a 0 na saída para o intervalo e gritos de "Olê, olê, olá, Neymar, Neymar!".

Algo simples perante o grito de "O Campeão voltou!" aos DOIS minutos de jogo e os gritos de OLÉ logo em seguida.


O DIA
Modificação na lateral direita da Espanha. Poucos minutos de segundo tempo. Hulk recebe no meio e toca para Neymar no centro. Ele deixa a bola passar no melhor estilo Rivaldo, há exatos 11 anos, e o tal de Frederico bate no canto. Casillas chega até a tocar os dedos na bola, mas já era. Brasil 3 a 0. 

Pensar que teve gente a pedir JÔ (!!!!!!) no lugar de Fred no time titular após os dois primeiros jogos de seca. Cinco gols foram marcados depois e "só" contra Itália, Uruguai e Espanha.

A torcida que já gritava, grita ainda mais, com direito até a hino nacional e o tradicionalíssimo "Domingo, em eu vou ao Maracanã", ainda que não se possa mais "levar foguetes e bandeiras" e deixar a "cadeira numerada" para "ficar na arquibancada pra sentir mais emoção".

Aos 11 minutos, Navas dá um migué ao receber um toque, vá lá que desnecessário, de Marcelo na perna. Cavou o pênalti mesmo. Sabe-se lá o porquê o zagueiro, ex-lateral, Sérgio Ramos foi para a cobrança - quer dizer, Torres perdeu contra o TAITI, mas e Xavi ou Iniesta ou Mata? "Ah, é Júlio César!" gritava a torcida. Ramos, o mais marrento e falador, foi para a bola e mandou para fora!

Outra comemoração de gol no estádio e uma provável comemoração ultra dos trabalhadores do hotel em Recife e dos seguranças e demais trabalhadores do hotel em Fortaleza.

Ainda assim, Felipão não parava um segundo na beira do campo, gesticulando o 4-1 para o setor ofensivo, pedindo calma, mas sem colocar volante no lugar de atacante como sua história de cautela mandaria. A Espanha ainda teria outras duas chances, com duas excelentes defesas de Júlio César, realmente o melhor goleiro desta competição. Quem diria, do rebaixado Queens Park Rangers para um título desse - e provavelmente para a Roma...

Jadson, Jô e Hernanes até entraram depois, mas só para seguir segurando a bola, cuja posse terminou só 52% a 48% para a Espanha. Só para lembrar, que posse não é critério de desempate. Se nem mais finalizações podem significar tanto para um placar, dependendo do jogo, imagina isto.


IMAGINAR A COPA
3 a 0 indiscutíveis e a maior derrota desta geração espanhola. Assim como o Bayern de Munique trucidou o Barcelona na Liga dos Campeões, tática e tecnicamente, o Brasil fez o mesmo neste domingo com a Espanha. Deve ter sido a melhor partida da seleção brasileira que eu devo ter visto nestes 25 anos de vida.

Em meio a tantas manifestações nas ruas, que fizeram com que o ministro dos Esportes e não a presidenta da República entregasse a Copa, e com um time tão pronto, ficou o desejo que 2014 chegasse ainda mais rápido. Dentro de campo e fora dele para manter o "clima" destes últimos 30 dias. Que a Copa do Mundo FIFA e o período eleitoral transformem o tão disputado sentido de "Imagina na Copa" para algo positivo, mas não da maneira publicitária de se pensar.

domingo, 30 de junho de 2013

[Por Trás do Gol] "Eles são os favoritos"

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Creio que depois de 1958 é a primeira vez que o Brasil não chega para uma partida como favorito. Ainda mais quando esta é numa final de torneio oficial, quando até aqui o otimismo em torno do time cresce bastante, e em território brasileiro. Provavelmente até mesmo na Copa do Mundo de 2010, um enfrentamento brasileiro contra a Espanha traria como favorita a seleção canarinha.

Do último confronto com a Espanha, em 1999, muita coisa mudou. Enquanto o Brasil seguiu a trajetória de finais seguidas com o título em 2002, e, mesmo com altos e baixos, ganhou duas Copas das Confederações seguidas (2005 e 2009) chegando aos mundiais como um dos maiores favoritos; a Espanha finalmente se consolidou como uma das forças do futebol mundial. Mais que isso, hegemonizou, com dois títulos europeus seguidos e uma Copa do Mundo no meio, com o tiki-taka tornando-se referência de como jogar futebol, técnica e taticamente.

Ao Brasil, restou a reconstrução de um time envelhecido de 2010 para duas gerações depois, já que Kaká, Robinho e Ronaldinho não vingaram. Sob os ombros de Neymar e Oscar, na casa dos 21 anos, ficou a responsabilidade de chamar a partida. Enquanto o primeiro quase que sempre gerou esta expectativa, e só a vem cumprindo na Copa das Confederações deste ano - ainda que mais objetivo que o normal -, o segundo conquistou o seu lugar dentro de campo no ano passado, mas com o cansaço se refletindo neste torneio FIFA.

Uma das maiores comparações que podem explicar o porquê do favoritismo espanhol para este domingo está no comando técnico. Vicente Del Bosque assumiu a seleção espanhola após a conquista da Euro de 2008, mantendo-se no cargo desde então, e também aprimorando o tiki-taka, que tem em campo o comando de jogadores do nível de Xavi e Iniesta.

O Brasil tinha Dunga até 2010, passou para Mano Menezes, após supostas desistências de Felipão e de Muricy Ramalho. Mano ficou até o ano passado e caiu quando ninguém imaginava, já que o time, com Oscar como o meia articulador, dava cara de um jeito de jogar. Felipão assumiu com a proteção de Parreira no comando técnico, muito pelo peso simbólico de ambos terem sido os últimos treinadores campeões do mundo do Brasil.

Verdade seja dita, a não ser que ocorra uma tragédia amanhã - uma goleada primorosa espanhola -, Felipão se mantém tranquilamente como técnico brasileiro até a Copa do Mundo, sem maiores cobranças. Na Copa das Confederações, reclamações à parte sobre o Hulk como titular, conseguiu montar uma seleção e uma visível forma de jogar. Ainda que haja falhas em determinados momentos, até mesmo porque o conjunto que os espanhóis têm, com tempo junto na cancha, nós ainda não temos - nem temos um Barcelona para juntar a maioria dos nossos titulares durante todo o ano.

Dos quatro jogos da Espanha, vi dois por completo (Uruguai e Nigéria) e a semifinal a partir do final do primeiro tempo. Contra o Uruguai, o time teve o melhor tempo até aqui, dominou completamente os nossos vizinhos, mas só marcou um gol. Na segunda etapa, tiraram o pé, marcaram outro gol e ainda sofreram um de bola parada no final, que gerou certa pressão para os minutos derradeiros. As duas outras partidas foram bem diferente. 

Por mais que a manutenção da posse de bola fosse superior, está aí o Bayern de Munique para ensinar-nos que isso só não é o suficiente. Contra a Nigéria, um golaço com o selo Barcelona de qualidade no início da partida e o time passou a se poupar "para evitar a fadiga". A Nigéria só não fez gols porque deve ter alguma mandinga para equipes que vestem verde e branco ainda em vigor no território brasileiro. Foram os 3 a 0 mais enganosos deste torneio. 

Contra a Itália, então... Se no ano passado todo mundo esperava uma final disputada, quando mais o tiki-taka foi criticado, por atuações burocráticas, e veio um 4 a 0, este ano foi o contrário. A Itália aproveitou-se do ponto fraco da marcação espanhola, a cobertura das laterais, e chegou a dominar a primeira etapa. Depois, o jogo se igualou e foi até à prorrogação com as duas seleções tendo chances de marcar.

Portanto, se o Brasil ainda tem muito o que jogar junto - e é vergonhoso imaginar que só terá duas ou três partidas após a Copa das Confederações -, a Espanha não é o time imbatível que tanto propagaram. Ô mania de esquecer que a imprevisibilidade é a marca e a graça do futebol!

Por fim, Maracanã por Maracanã, que as lembranças de amanhã sejam das "Touradas em Madri" do dia 13 de julho e não do Maracanazzo do dia 16.

*A frase que dá título ao post é de Neymar, e o desenho de Dálcio Machado.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

‘Cabeça no jogo’ e as novas formas de mostrar o futebol

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Em meio a tanta inovação tecnológica, como o “futebol de botão do 3º milênio”, do “Central da Copa” na Rede Globo, o que mais me chamou a atenção na cobertura da estreia do Brasil na Copa das Confederações Fifa Brasil 2013 foi um programa que passou no horário do jogo, comentou o jogo, mas não mostrou nenhuma imagem da partida. Eu só soube da existência do “Cabeça no jogo” da ESPN Brasil por conta do acompanhamento que fazia pelo Twitter. Achei estranho o nome e só depois da metade do primeiro tempo é que acessei pela internet o streaming da transmissão.

Marcelo Duarte, Celson Unzelte, Alexandre Oliveira, Leonardo Bertozzi e José Roberto Malia eram as cabeças que víamos em cinco quadros diferentes, com tempo e placar no lugar tradicional, o canto esquerdo superior, e um espaço na metade inferior para tuítes e vinhetas, como imagem de Felipão e Murtosa, cornetas e gols. Segundo a ESPN Brasil, a proposta era garantir “comentários bem humorados e análises fundamentadas” para mostrar o “torneio como você nunca viu”, nas partidas do Brasil, semis e final da Copa das Confederações. Dentro do processo de convergências dos meios, a atração foi transmitida pelo canal de TV fechada, no site na internet, na rádio online do grupo, via tablet e por smartphone.

Não estou entre os apaixonados pelo modelo brincalhão de tratar o futebol. Acabei por acompanhar o programa pela curiosidade do formato, que me lembrou do que fez o grupo Record, ainda sob comando de Silvio Santos e da família Carvalho, na Copa do Mundo Fifa de 1982. Com a exclusividade adquirida pela Globo, Silvio Luiz transmitiu as partidas no rádio e criou uma campanha publicitária cujo título era: “Copa do Mundo: olhos na TV, coração na Record”, que incentivava o público a baixar o volume da TV e ouvir a locução da emissora. Além disso, assim que acabava a transmissão da concorrente, a Rede Record exibia uma mesa-redonda sobre a partida.

Momentos de silêncio e pedidos de palmas

Em tempos de maior participação do público, ainda que não a ideal, alguns tuítes eram lidos e o programa permitia que outras pessoas ligassem para participar e comentar a partida. Porém, ao menos neste programa inicial, foram poucas pessoas “desconhecidas” a participar.

Pelo que acompanhei, houve a participação dos cantores Reginaldo Rossi e Nasi, do humorista Ary Toledo e de outros profissionais da ESPN, caso do ex-tenista Fernando Meligeni, de Mauro Cezar Pereira e Antero Greco. Quase todos eles destacando as vaias recebidas pela presidenta Dilma Rousseff e pelo presidente da Fifa Joseph Blatter, que aumentaram com o seu pedido por mais educação. Vale lembrar que a ESPN é um dos grupos comunicacionais que mais mostram denúncias contra a estrutura de poder que envolve o futebol nacional e internacional. Assim, era até óbvio ouvir mais coisas sobre o fato de antes da partida lá que na transmissão da Rede Globo.

Sem os direitos de exibição do campeonato, víamos a reação dos jornalistas, ainda sem o tempo ideal para garantir um entrosamento melhor e maior participação de todos os cinco. Alguns momentos de silêncio eram percebidos, até mesmo por conta das atenções voltadas à partida, que também gerava a chamada de atenção para uma possível jogada mais perigosa do Brasil ou do Japão. Além disso, alguns pedidos de palmas para jogadores que recebiam closes da transmissão oficial também foram vistos, casos da saída de Neymar após o final da primeira etapa e de Hulk, jogador mais questionado da Seleção, substituído no segundo tempo – e que não recebeu nenhum comentário sobre as pernas, como fez Galvão Bueno na transmissão global.

Novidade no Fantástico

Houve direito até à participação “invisível” do estagiário Arthur, que era chamado para confirmar determinado dado sobre a partida, além de ser o responsável pela pipoca, mastigada sem nenhum pudor ao longo do segundo tempo.

O intervalo do jogo também trouxe os melhores momentos, mas do “Cabeça no jogo”, com as frases mais engraçadas selecionadas pelos responsáveis pelo programa, que terminou assim que acabou a partida, um bom tempo antes das transmissões da Globo e da Band. Para quem acompanha os canais ESPN no Brasil, o “Cabeça no jogo” fica como uma alternativa para fugir das narrações “tradicionais” para a TV local.

Para finalizar, já que o “Central da Copa” foi citado, em meio a tanta tecnologia, além do já citado campo de botão virtual, havia projeção de jogadores da Seleção e comentários de Caio dentro do campo, pareceu muita coisa para pouco tempo. Afinal, além da parte comandada por Tiago Leifert e Alex Escobar, havia o tradicional papo de Galvão Bueno com seus comentaristas, direto de Brasília. Em meio a tanta coisa, o auditório, que caracterizou o programa na Copa do Mundo Fifa 2010, pouco participou. Até mesmo uma convidada global, a atriz Daniele Suzuki, pouco falou ao longo da atração.

A boa novidade do final de semana na Globo foi a participação de Marcelo Adnet durante o Fantástico, especialmente o primeiro esquete, em que ele interpretou o torcedor que se acha estranho em meio ao “futebol moderno”, tendo que pagar caro por lanches dentro de um estádio, em que mal se pode torcer como sempre se fez.
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[Texto originalmente publicado no Observatório da Imprensa]

terça-feira, 18 de junho de 2013

[Por Trás do Gol] Futebol e política se entrelaçam

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Pressão política  nos bastidores para demitir o técnico tal. Movimentações politicas para formar a chapa das eleições da diretoria. Forte campanha entre os associados ou conselheiros. Briga com o presidente do Conselho, de outro grupo político. Pressão por mais democracia, para que a participação na política do clube seja maior,... Política interna dos clubes. Política numa associação formada por eles. Acordos entre clubes, grupos empresariais/midiáticos. 

Pressão por mais poder na CBF. Pressão para ser escutado na Conmebol. Pressão da presidenta, ao não querer aparecer do lado do presidente da CBF. Disputas políticas, com direito a várias rasteiras, dentro da FIFA. Promessa desta para o fim da corrupção - de seus inimigos.

Dizer que futebol e política não se misturam é desconsiderar que em torno desta manifestação cultural há instituições sociais, culturais e econômicas que, como tais, sofrem as pressões por conta das disputas de poder dentro delas, independente de esferas e recursos em jogo.

É desconsiderar o caderno de encargos de uma entidade privada para que um Estado, cujo presidente e congressistas são escolhidos por eleições diretas, cumpra, mesmo que para isso seja necessário abrir exceções às próprias leis nacionais. Realizar a política de remoções, está entre as propostas, para melhor o visual e não atrapalhar a visão do estrangeiro sobre o Brasil.

É desconsiderar que não foi nenhum jogador do Náutico ou um torcedor histórico do clube a dar o pontapé inicial na Arena Pernambuco, mas a presidenta, que assim o fez também nos cinco demais. Muito menos foi um grande empresário, afinal, sem empréstimos de bancos estatais ou mistos, isenções fiscais e demais benesses do Executivo os estádios não sairiam.

O erro crasso, e histórico, de crer que "futebol, política e religião não se discutem" é repetir o mantra ditatorial de imposição sobre o que se pode pensar, falar e debater. Não há comunicação quando só um fala e aos demais só resta escutar o que o outro quiser falar, e quando.

Crer nisso é assinar embaixo que é "mais fácil realizar eventos assim em lugares com menos democracia", como já fez a tal entidade privada em outros momentos (1978, na Argentina) e como imaginaria que pudesse fazer por aqui, vendo agora o futuro com maior tranquilidade graças ao centralismo político na Rússia e o domínio dos sheiks do Catar. Afinal, para que iam escolher o Reino Unido, e suas comissões de fiscalização e investigação, se o extremo calor catariano de 2022 vem acompanhado de muitos bilhões de dólares e segurança para o evento?

Proibir protestos na "área delimitada pela FIFA" demonstra que por 30 ou mais dias, em 2013 e em 2014, viveremos numa situação com várias exceções para atender ao que delimita a entidade, que nada gasta com o evento, vide os últimos, com lucros anuais na casa do bilhão de dólares. Dá ordem, exige pressa, ameaça dar um chute no traseiro e ainda pede por respeito e fair play após uma simples vaia de uma parte bem pequena dos "amigos brasileiros".

Futebol e política se misturam sim. Diversos fatos históricos comprovam o entrelaçamento de ambos. Para não ficar apenas em exemplos ditatoriais e/ou autoritários, a presença das torcidas no Egito nos protestos de lá, com direito à clara perseguição

O problema é que a política não deve ser só para alguns representarem muitos. O futebol atinge muitos e com a visibilidade das manifestações num momento de um grande evento do "futebol espetáculo" por aqui, parece que há o medo de a política aparecer ainda mais forte, só que nas ruas, com a população evitando os representantes e a fazendo por conta própria.

sábado, 15 de junho de 2013

[Por Trás do Gol] A vaia de milhões por milhares

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A cara do Gustavo Feijó (pres. da FAF) vale por mil palavras
O locutor anuncia o presidente da FIFA Joseph Blatter e a vaia começa. Em seguida, vem a presidenta Dilma Rousseff. Blatter fala em português, mas a vaia era tão grande que Galvão Bueno diz que não conseguiu traduzir porque não conseguia ouvir direito. Blatter reclama, pergunta: "Amigos brasileiros, onde está o respeito e o Fair Play, por favor?". As vaias aumentam. Dilma falaria muito mais, mas só dá como aberta a Copa das Confederações FIFA Brasil 2013.

Vaia para só para ele, vaia só para ela ou para os dois? Teve quem se perguntasse isso; teve quem (Veja, Época e cia.) que afirmasse que todas as vaias foram para Dilma e Blatter se "irritou" com isso; teve gente que não entendeu porque as vaias para a presidenta; e até quem colocasse a culpa na "elite" que ocupava o estádio... Não me importava naquele momento procurar agulha no palheiro.


A FIFA mandou, manda, mandará e fará praticamente o que quiser - como mandar as vendedoras de acarajé para 1 Km da região da Fonte Nova e do Dique Tororó. As obras teriam removido cerca de 250 mil pessoas - ver aqui. Em meio a tantos protestos nas ruas, num momento historicamente ímpar para este país, sinaliza para aprovar via Congresso uma lei que identifica manifestações sociais como terrorismo!

Brasília teve protestos ontem, com os sem-teto - que não têm onde morar, enquanto se gastou R$ 1,5 bilhão com um estádio -, e mais ainda hoje. Momentos antes da partida, a polícia criava um cercado entre os manifestantes após terem mandado bala, gás de pimenta e até atropelado pessoas. Se o estopim veio das manifestações contra o aumento da passagem - de Porto Alegre a São Paulo -, parece que a maioria acordou que as PMs da vida defendem os interesses de uma minoria, mesmo batendo em "instrumentos" desta, caso dos jornalistas.

Independentemente da discussão política, fiquei muito satisfeito pelas vaias - por mais que o Lula também as tenha recebido nos Jogos Pan-Americanos de 2007. Quantas vezes vemos na TV a felicidade de ir às ruas para o futebol e lemos e ouvimos aqueles que acham que o "futebol é o ópio do povo" copiarem a fórmula de refrigerantes da vida, dizendo que o povo vai esquecer de tudo. Se era ou não o "povo" dentro do MANÉ GARRINCHA, a resposta "mal educada" à bronca do Blatter mostrou que os políticos locais podem até se rebaixar, mas há quem não o fará. As manifestações fora do estádio e em outros Estados também o provam.

Para finalizar, o que comentei ainda no início da tarde: "Torcendo ao ver as manifestações em Brasília que o "imagina na Copa" se efetive. Ainda mais em ano de eleição".

sexta-feira, 14 de junho de 2013

[Por Trás do Gol] O Taiti nos representa

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Você e seus amigos resolvem participar daquele torneio da comunidade ou da escola mesmo sabendo que as chances de ganhar são ínfimas. Afinal, enquanto o futebol para vocês é apenas o "racha" de um dia por semana, e olhe la, já que é bem difícil encontrar uma data em que todos possam; tem A equipe, aquela que ganha o campeonato todo ano e que treina duas vezes por semana, são quase profissionais.

Enquanto o Nosso Time vai passando de fase no sufoco, A equipe resolveu mandar uns quatro titulares. Afinal, pensavam eles, se ganham todo ano e são bem mais fortes que os concorrentes, por que iriam mandar força total para um torneiozinho? Mas futebol é futebol, mesmo nos rachas da várzea. O time fica no meio do caminho enquanto o Nosso chega, pela quarta vez, na final.

Desta vez, o adversário não é A equipe, com preparação melhor, jogadores profissionais e tudo o mais. Não. É alguém do mesmo nível. A bola rola e o jogo é pegado até que ela sobra para o cara do nosso time  que é office boy de uma empresa de telefonia. ele bate rasteiro, mas bem no canto. GOL. Título com direito à dança típica da comunidade.

Imagina isso tudo tendo como garantia uma vaga para jogar com a campeã mundial de futebol profissional num dos estádios mais emblemáticos do mundo! - apesar de vários textos sobre, o meu desagrado ao "novo" Maracanã pode vir depois, por enquanto, sigamos...

Quem gosta tanto de futebol. Quem odeia essa coisa que inventaram chamada de "futebol moderno", em que torcida não pode levar instrumento musical porque ele pode sair batendo em alguém ou se jogar para o campo. Ah, claro, não pode levantar para nada no estádio - até mesmo porque as coisas ficaram tão caras que é melhor ficar sentado mesmo, poupando energia. Quem vê o futebol como o futebol, não o espetáculo FIFA, tem como deixar de torcer para o Taiti?

Dos 23 convocados, apenas um é profissional, joga num desconhecido time grego, e isso porque o pai, que foi jogador, levou-o para morar na Europa desde novo. O resto da seleção é formada por carregadores de malas, office boys, e no time titular que jogará na segunda-feira há 3 desempregados. Não, não estão sem times de futebol, estão sem quaisquer empregos e conseguiram viagem ao Brasil com tudo pago - se bem que o Taiti é tão feio né?...


Para aumentar a simpatia, eles chegam ao Brasil com uma camisa florida, como se viessem curtir as praias - por mais que as deles sejam melhores que as nossas (a maioria vai). Nos treinos, espanto com a grande estrutura disponível, com direito a hotel e tudo, fora que na "apropriação" pelo Atlético-MG, a surpresa ao ver a Arena do Jacaré com 5 mil pessoas! O que para nós é pouco, para eles é muito, afinal, "cerca de 100 pessoas nos veem jogar", disse o técnico.


Se o tal "futebol moderno" gerou milhares de barreiras para os repórteres chegarem nos jogadores, com o Haiti é só chamar - e saber falar francês. Entrevistas a todo momento, afinal, eles não estão acostumados.

Favorito a saco de pancadas, a surpresa no rosto de Varihua, o único profissional, quando a repórter diz que os jogadores da Nigéria estão em greve é indescritível. "Eu não, não sabia". Era a possível chance de fazer ainda mais história. Por mais que a FIFA o Ministério dos Esportes da Nigéria tenha debelado a greve, os africanos terão apenas um dia para treinar antes da partida. Vai que...

Já tivemos zebra amadora no futebol feminino, com as jogadoras do Japão vencendo as estadunidenses no Mundial passado, mas aqui é bem mais difícil. Estamos falando de Espanha, Uruguai, Itália, Brasil, México... Mas se ao menos eles conseguirem fazer um gol, este poderá representar o sonho do mais grosso peladeiro das várzeas por aqui. Afinal, mesmo usando o visto do lado direito, o Taiti nos representa!