segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

2026.5 Notas semanais/ 2026.6 Helena/ 2026.7 Tecnodiversidade

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 Seguindo nos livros de Machado de Assis, tínhamos em casa "Notas semanais", que republica coluna do autor no jornal O Cruzeiro em 1978. Era o momento da transição do Romantismo para o Realismo, com as crônicas externando o estilo que se tornaria marcante nas publicações seguintes.

Porém, ainda que avisado, as crônicas carregam muitas notas explicativas, o que me cansou bastante porque ainda eram no final do capítulo, algo que não gosto. Além disso, a introdução é longa, demarcando um texto com um formato mais acadêmico.

Referência 

ASSIS, M. de. Notas semanais. Campinas: Editora da Unicamp, 2008.

 

A fase romântica de Machado é vista como bastante inferior à realista. Helena representa a última publicação no primeiro estilo literário, carregando suas marcas descritivas e um enredo que se encaminha dentro de certa previsibilidade. Porém, traz marcas aqui e ali do que virá a seguir.

Trata-se da história de uma filha descoberta apenas na leitura do testamento de alguém com propriedades no Rio de Janeiro. A vinda de Helena gera mudanças pontuais na família, carregando um segredo que se constrói com maior força da metade para o final, quando o irmão está prestes a se casar.

Referência 

ASSIS, M. de. Helena. Jandira: Principis, 2021. 

 

Tecnodiversidade, de Yuk Hui, é mais um que chegou até a mim pela indicação na seleção de mestrado em Comunicação da Ufal, etapa da minha preparação para lecionar a disciplina de Fundamentos e Teorias da Comunicação.

Aqui, há uma defesa de um modelo sociotécnico que precisa ser alterado, revertendo as formas de observar socialmente a tecnologia e que deve considerar a relação direta com o ecossistema. Como ponto positivo, detalhe e bate bem nos neorreacionários, apresentando como ganharam força e os seus problemas. Porém, a proposta vai no limite do tecnodeterminismo, além de se basear muito nas referências hegemônicas mesmo quando apresenta contrapontos.

Referência

HUI, Y. Tecnodiversidade. São Paulo: Ubu, 2020.

 

 

 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

2026.1 50 contos de Machado de Assis/ 2026.2 Pode o subalterno falar?/ 2026.3 Esaú e Jacó/ 2026.4 Memorial de Aires

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Seguindo na (re)leitura do Machado de Assis, um caminho importante era passar pelo compêndio de John Gledson com 50 contos do autor.

Machado tem um estilo próprio (também) para esse tipo de texto, sendo mais longo e dividido em partes - algo semelhante ocorre nos livros, com a divisão de capítulos. Conhecia alguns em leituras ou produções separadas anteriores, casos de "A cartomante" e a pancada que sempre é ler "Pai contra mãe".

Não sei o porquê, mas não havia lido "O alienista" ainda, temos até o livro à parte aqui em casa, e é excepcional! As idas e vindas sobre quem é ou não normal segue muito atual.

Referência 

ASSIS, M. de. 50 contos de Machado de Assis selecionados por John Gledson. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

Ainda que em menor ritmo, por causa das férias, como darei aula de "Teorias e Fundamentos de Comunicação" no mestrado, optei por ler os livros indicados na seleção, separando os mais gerais para início para, mais à frente, chegar nos de teorias propriamente ditos.

"Pode o subalterno falar?", da indiana Gayatri Chakravorty Spivak, faz uma crítica a Foucault e Deleuze partindo de uma perspectiva divergente mais geral quanto ao olhar sobre aquilo que não é do Ocidente consituído como hegemônico. Discussão extremamente relevante, que perpassa ainda pela crítica a algumas visões sobre o gênero, delimitado pela autora como aquilo que representa algo mais subjulgado desse Outro.

A pergunta que demarca o livro indica ainda algo que perspassa alguns momentos do meu trabalho na América Latina enquanto pesquisador quando se abre a participação de pessoas do Centro que estudam a invisibilidade da periferia global. Esta aparece, mas a partir da voz e da interpretação de quem ocupa espeaços hegemônicos. 

Referência 

SPIVAK, G. C. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010. 

Depois de compêndios, cheguei nos livros de Machado de Assis. "Esaú e Jacó" me veio bem recomendado, trata da história de dois irmãos que antes de nascerem estiveram sob duas condições: de terem brigado muito ainda na barriga da mãe e de terem previso um grande futuro. Ambos crescem em meio a divergências em tudo, mesmo parecidos fisicamente, com a marca de um amor em comum que gera acordos e desacordos.

Se o ciúme é marca de muita coisa machadiana, aqui essa relação não aparece tanto. Ao mesmo tempo, há outras histórias e personagens que se desenrolam neste caminho e ganham seus capítulos de atenção.

Referência 

ASSIS, M. de. Esaú e JacóSão Paulo: Globo, 1997. 

Um dos personagens que aparece em "Esaú e Jacó" é o conselheiro Aires, o que me fez buscar na internet o "Memorial de Aires". Trata-se do diário que ele utilizava para registrar o cotidiano, citado no livro anterior. Imaginava que houvesse ali mais referências sobre os gêmeos do livro, mas não, acaba sendo focado em outras relações pessoais, incluindo uma paixão que acaba não se confirmando, virando um amor entre "quase" irmãos.

Referência 

ASSSIS, M. de. Memorial de Aires




 

 


 

 

 

 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

2025.14 Bons Dias

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Seguindo nos livros de Machado de Assis, "Bons Dias" é um compêndio de crônicas do autor de 1888 e 1889, anos importantes para o Brasil, com a promulgação da abolição da escravatura e a formalização da República - ainda que não chegue nas datas desta. É interessante para observar como o autor considerou os processos de liberdade das pessoas que foram escravizadas, um tema que aparece aqui e ali, considerando o processo histórico de enbranquecimento que a imagem de Machado passou por mais de um século no Brasil.

Referência

ASSIS, M. de. Bons Dias. Jandira: Principis, 2021.