quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

2019.7 Verão no Aquário

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O único livro que havia lido de Lygia Fagundes Telles era "As Meninas", escrito no início da década de 1970 e com um potencial grande de crítica ao regime militar no Brasil. Para além da conjuntura atual, até porque li antes das coisas se agravarem, já era um livro essencial para leitura. Foi por gostar muito de "As Meninas" que logo comprei "Verão no Aquário", mas deixei na fila de leitura por algum tempo.

Escrito mais de 10 anos antes, com publicação em 1963, representa um momento de transição no Brasil e também de uma família ex-pequeno burguesa, numa situação social de necessária venda da antiga casa, mas com a filha participando de todas as festas de alta classe e se apaixonando por um jovem que queria ser padre e de condições financeiras muito ruins.

O texto é contado a partir do ponto de vista de Raíza, em meio a um suposto triângulo amoroso com André e a mãe Patrícia, escritora. Com texto marcante da autora - vejam que li este depois do que seria publicado na década seguinte -, somos encaminhados a terminar a história rapidamente. Destaco ainda que os capítulos do livro trazem pequenos pulos temporais, então não são algo contínuo, dia após dia.

TELLES, Lygia Fagundes. Verão no Aquário. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

2019.6 Grão

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Tenho dificuldade em iniciar livros que se propõem a inovar na escrita, seja com parágrafos diferentes, muito curtos ou muito longos, com pontuação deslocada ou qualquer outro jeito de escrever de forma diferente. Não à toa que sou muito mais para a prosa. O livro de Ana Maria Vasconcelos gerou em mim, inicialmente, um incômodo no formato, por justamente trazer estes tipos de elementos. Precisei parar e ler outras coisas para depois voltar a ele. Só aí conseguir me adaptar ao texto e seguir.

É um livro que traz textos com grande profundidade emocional, o que também exige um bom momento de quem estiver lendo, pois carrega certa carga dramática ligada ao introspectivo. Por isso até que neste caso a forma de escrita se encaixa muito bem.

VASCONCELOS, Ana Maria. Grão. Maceió: Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2014.

sábado, 19 de janeiro de 2019

2019.5 Fechado por motivo de futebol

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Como disse na leitura passada, precisei ir à livraria para comprar livros novos de ficção, ainda de férias dos estudos. Passando pela "literatura internacional", vi "Futebol ao sol e à sombra" e já fui procurar o "Fechado por motivo de futebol", que um amigo de Baião de Dois tinha comprado meses atrás. 

Já li o livro de contos clássico sobre futebol de Galeano, mas só o título desta edição já me chama a atenção, porque poderia ser muito bem o lema da minha vida e colocar uma placa com isso na porta, como o autor uruguaio fazia em épocas de Copa do Mundo. 

Como a ideia aqui não é descrever, então destaco especialmente a última parte, "Futebol, a única religião sem ateus", com entrevistas, prólogos e textos quando ganhou prêmios. Enquanto pesquisador de esquerda sobre o futebol, marca bastante a relação que ele faz das críticas à direita e à esquerda em relação a este esporte. Galeano diz que à direita porque os trabalhadores pensam com os pés; e à esquerda porque o futebol faria com que os trabalhadores não pensassem.

Seguem alguns trechos que posso usar como epígrafes em trabalhos futuros:

"Por que o futebol é o espelho do mundo e em meus livros eu me ocupo da realidade. [...] E o futebol é uma parte fundamental da realidade, sempre achei muito indignante que a história oficial ignorasse essa parte da memória coletiva que é o futebol como em países como os nossos" (191). 

"A opulência e a pobreza, o norte e o sul, jamais se enfrentam em igualdade de condições, nem no futebol nem nada, por mais democrático que o mundo diga que é" (213-214). 

GALEANO, Eduardo. Fechado por motivo de futebol. Porto Alegre: L&PM Editores, 2018.