domingo, 16 de fevereiro de 2014

Desvelando a farsa com o nome de crise

0 comentários
Depois de tudo praticamente pronto, faltava o título. E veio na primeira ideia: "Desvelando a farsa com o nome de crise: Uma análise do capital financeiro pela Economia Política". Não podia especificar para a EPC porque a ideia em estudar isso era mais ampla. Eu é que puxava para a Comunicação. Além disso, o conceito de "farsa com o nome de crise" é fundamental para o nosso entendimento.

Olhando bem para o título, bem que pode marcar esta (terrível) fase atual de vida. Só resta saber se a farsa era o que veio antes e, na verdade, a crise é que mostrou o que de fato a minha vida é... Enfim, deixemos isso para o texto de um ano da volta por aqui. Fato é que a revisão final dos artigos deste livro marcaram o meu último suspiro de vida acadêmica. Como sou chato pragmático o suficiente para terminar (quase) tudo o que eu começo, era o último fio a ser preso.

O processo desse livro é parecido com o do próprio núcleo de estudos responsável por sua criação. O NIEG, cuja descrição da sigla não colocarei aqui, foi pensado pelo companheiro que assina comigo a organização alguns anos antes de se tornar realidade. Com doutorado em Ciências Políticas, a análise dele é mais voltada para o geral que para o específico comunicacional.

O núcleo se tornou realidade em 2011, ano em que estava no Rio Grande do Sul por conta do Mestrado. Por conta do vínculo com o CEPOS, poderia participar dele, ainda que não fosse "obrigado" a isso. Abro um parêntese para a não obrigação. Em nenhum momento fomos obrigados ou obrigamos ninguém a fazer nada. Em tempos e condições burocráticas e hierárquicas fortes, mesmo num espaço acadêmico que privilegie o debate de ideias, sempre é importante frisar.

Acabei participando de todo o processo e sendo vice-coordenador do núcleo. Acho que a pessoa que puxava o assunto para a imaterialidade do capital simbólico e trazia os temas para a comunicação, equilibrando a relação de análises.

Nossas reuniões eram abertas e os bolsistas de iniciação científica participavam se quisessem. E até quando deu, tínhamos uma boa quantidade deles presentes ou em discussão conosco em momentos variados. O livro surgiu destas discussões, da necessidade de materializar um pouco do que era estudado, analisado, publicado (no site do IHU) e debatido (também em cine debates).

Porém, aquilo que era para ter ficado pronto em meados de 2012 foi adiado mais alguns meses, depois mais alguns. Até que veio o furacão a partir de maio que demorou para passar. Não tinha mais como realizar reuniões do NIEG por falta de vínculo e até espaço físico. 

Até meus últimos instantes no Rio Grande, mesmo nos papos informais, o livro sempre surgia como necessidade de término. Até que em setembro fui ao Rio de Janeiro, reencontrei este amigo e o tema voltou. "Fazemos isso, isso e isso e terminamos".

O tempo passou, o presente veio com alguns problemas inesperados e as minhas expectativas de futuro foram completamente frustradas. Por questões de sobrevivência (ou de tentativa de acabar com a vivência) resolvi que tinha de abandonar tudo de supérfluo e focar no necessário. Abandonei os sites em que era voluntário - ainda que tenham me "abandonado" num deles um mês antes, mesmo "estando" lá - e clamei para terminar logo o tal livro.

Corri para revisar tudo a tempo de terminar outubro com ele pronto. Faltaram algumas coisas que não cabiam no meu casebre de material reciclado. Estes devem ter ficado no caminho. "Quem sabe para um próximo". Ainda que eu não veja nada além no meu horizonte.

De qualquer forma, estão lá oito capítulo, com direito a contribuição de pesquisadores irlandeses sobre a "farsa com o nome de crise". Por mais suspeito que eu seja, o livro é interdisciplinar e pode gerar vários debates, contribuições e críticas. Vale a pena dar uma olhada, mesmo aqueles que não entendem nada de capital financeiro. Para estes, creio que pode ser o pontapé para entender o que não querem que seja entendido. Ao menos parte disso.

O livro está disponível para ser baixado. É só acessar o site da EPTIC.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Possibilidades de estudos da EPC para o jornalismo (esportivo)

0 comentários
Numa temporada de respostas negativas, aos 45 minutos da última rodada - e sem direito a recorrer ao tapetão - apareceu a última publicação: um capítulo de livro. Tipo de tento isolado nas marcas finais do ano, o capítulo trata de um estímulo a mais estudos sobre o jornalismo esportivo tendo em vista a utilização da base teórico-metodológica da Economia Política da Comunicação.

A proposta para escrevê-lo surgiu numa conversa com uma colega de grupo de pesquisa CEPOS que é professora na Universidade Federal do Piauí, Jacqueline Lima Dourado, quando eu fui para Teresina (re)apresentar os resultados da minha dissertação - esta que foi a grande coisa do ano, que me possibilitou a viagem e o capítulo de livro. Teria algumas semanas para produzir algo a tempo de entrar no livro que já estava prestes a ser fechado para ir à editora. A sugestão foi de tratar de algo sobre o jornalismo esportivo.

Como não era exatamente a minha área de trabalho acadêmico, apesar do convívio cotidiano de toda uma vida com o tema, optei por pesquisar artigos que se autodenominassem a partir da Economia Política do Jornalismo, que trata o livro como um todo, para embasar as minhas análises. Depois disso, juntei reli trechos da dissertação/fichamento mais históricos sobre o jornalismo esportivo no país; além de buscar um ou outro texto que me recordava ter escrito para o Observatório da Imprensa sobre o assunto. Fora isso, usar a memória do acompanhamento do fascinado por esportes.

Na base, a surpresa de perceber a necessidade de constituir um texto mais prolongado sobre a Economia Política do Jornalismo, por ter encontrado mais aplicações em objetos (caso de telejornais) que uma proposta metodológica de estudo de uma maneira mais geral. Quer dizer, encontrei um texto publicado/apresentado no encontro da Compós de 2006 que propunha bases para uma EPJ, ainda que não se assumindo enquanto tal (escrito por Sonia Serra, mas que não encontro mais o link). Além dele, há um artigo escrito por duas referências da EPC, César Bolaño e Valério Brittos sobre os reordenamentos jornalísticos, publicados na E-Compós, coincidentemente também em 2006. Mas muita coisa mudou de lá para cá.

A partir disso, na primeira parte tento demonstrar o local da EPJ nos estudos sobre as indústrias culturais, percebendo a necessidade de uma espécie de "guia" de estudos para o tema - assim como temos para TV livros como "Mercado Brasileiro de Televisão" e um trecho de "Indústria Cultural, Informação e Capitalismo", ambos de César Bolaño, que demonstra a estruturação dos mercados de TV e as divisões por meio de comunicação, respectivamente. Enfim, algo que em meio às incertezas do presente podem voltar depois.

Afinal, a minha intenção pós-dissertação era me voltar mais ao jornalismo, ainda que contextualizado nas mudanças do mercado de comunicação, inclusa aí a participação das mídias sociais e as novas possibilidades de difusão de informação. Negativas à parte, pode ser um tema que posso voltar a tratar - se eu tiver a oportunidade de fazê-lo.

Depois disso, há um rápido histórico sobre o jornalismo esportivo, e até mais futebolístico, no país, com sua importância para o próprio jogo, num processo de importância que demonstrei em outros artigos e na dissertação. 

Por fim, estabeleço na última parte, a partir de casos em diferentes indústrias culturais, possibilidades de estudo que estão claros e postos a quem se interessar em estudar o jornalismo esportivo, especialmente se tomar por base a Economia Política da Comunicação e esta nova vertente constituída/a constituir que é a Economia Política do Jornalismo.

O livro foi publicado pela Editora da Universidade Federal do Piauí e provavelmente estará à venda no próximo congresso do Capítulo Brasil da ULEPICC, que deverá ser realizado em 2014 naquela universidade. Quem tiver interesse nele antes disso, sugiro mandar um e-mail para a organizadora (que posso passar a quem me pedir) ou à editora livrariadaufpi@hotmail.com. E para quem se interessar pelo artigo em si, posso mandar a versão em pdf do arquivo que foi enviado para publicação. Abaixo a introdução, que foi relativamente curta.

Introdução

Estamos num excelente momento para pensar academicamente os esportes no Brasil, com os principais eventos esportivos a serem realizados por aqui. Pensar como o jornalismo trata este assunto, tanto através de meios criados especialmente para isso quanto nos programas de mídias generalistas é uma tarefa importantíssima para este assunto que cresce aos poucos nas Ciências Sociais e Humanas.

Este artigo tem a ousada proposta de articular novas possibilidades para o estudo do eixo teórico-metodológico da Economia Política da Comunicação, tendo como partida a especialidade da Economia Política do Jornalismo e como foco a atuação dos grupos midiáticos nacionais, especializados ou não, sobre os esportes no país, inicialmente enquanto (re)transmissores de informações sobre estas atividades.

Para isso, apresentar-se-á inicialmente a importância de se estudar o Jornalismo a partir da Economia Política da Comunicação, através de sua vertente recente, a Economia Política do Jornalismo. Neste passo inicial, a preocupação é localizar a EPJ em meio aos estudos da comunicação e as preocupações das pesquisas através dela.

Em seguida, o artigo se movimenta para o jornalismo esportivo, apontando a relação intrínseca entre meios de comunicação de massa com os esportes desde os primórdios de ambos, descrevendo marcos desta especialidade jornalística no país.

Por fim, debate-se algumas das propostas imaginadas para a análise de uma Economia Política do Jornalismo Esportivo, caso das discussões atuais que acabam por contrapor jornalismo e entretenimento nos programas esportivos da Rede Globo de Televisão.

domingo, 22 de dezembro de 2013

A consolidação de um monopólio de decisões: a Rede Globo e o Campeonato Brasileiro de Futebol

0 comentários
Após meses de espera, finalmente a minha dissertação está disponível na biblioteca virtual da Unisinos. Ainda que durante este longo tempo, eu a tenha repassado para quem me pediu, finalmente as pessoas podem achá-la na internet. Deve ter sido postada em outubro ou novembro, mas na correria destes dias só agora pude postar por aqui.

O link segue abaixo:

Relembrando que a trajetória do (saudoso) período está relatada neste espaço na coluna "Em Busca do El Dorado", com direito à apresentação feita no Prezi, que repito aqui o link: http://terrainteressados.blogspot.com.br/2013/02/a-consolidacao-de-um-monopolio-de.html