domingo, 3 de março de 2013

[Alagoano 2013] Título ou morte!

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56 jogos disputados e 14 rodadas depois, o Campeonato Alagoano 2013 chega ao seu momento decisivo. Dos 8 clubes que participaram da primeira fase, que teve jogos em turno e returno, Corinthians, Murici, CSA e CEO receberão a companhia de ASA e CRB, representantes alagoanos na Copa do Nordeste, num hexagonal. Os outros quatro, Sport, Comercial, CSE e União, disputam o Torneio da Morte, para não caírem para a Segunda Divisão.

Como falamos mais de questões extra-campo, como público e confusões com polícia e torcidas organizadas, é hora de tratar do melhor e do pior desta primeira fase, que já indicou o Corinthians Alagoano, de volta à Maceió em 2013, como primeiro representante do Estado na Copa do Brasil de 2013 - se a CBF não mudar o regulamento da competição novamente.

GANGORRA AZULINA
Apontamos em janeiro 5 favoritos às 4 vagas para o hexagonal, que seriam: o CEO, pela boa pré-temporada; o Corinthians Alagoano e o Murici pela estrutura dos últimos anos; e o CSE, por ter chegado forte na temporada passada, mas que este ano foi uma das surpresas negativas desta primeira fase, ao vencer apenas 4 partidas.

Como não poderia deixar de ser, o CSA, maior campeão estadual e 3º colocado no ano passado, era o grande favorito não só para conquistar uma das 4 vagas para o hexagonal, como também para vencer esta fase preliminar sem os rivais ASA e CRB. Além disso, pesa ao clube que em 2013 completará 100 anos de existência. Mas o que se viu dentro de campo não confirmou o favoritismo prévio de quem manteve uma base da temporada passada.

O time marujo até chegou à última rodada com chances reais de vencer a 1ª fase, empatado em pontos com Corinthians e Murici, mas perdendo por um gol de saldo. Porém, tropeçou muitas vezes ao longo do torneio, chegando a demitir Lorival Santos, remanescente do ano passado, e contratando o técnico gaúcho Beto Campos - demitido por conta da má campanha do Pelotas na Taça Piratini do Gauchão.

Tudo bem que os problemas com a marcação de partidas, que fez com que a 9ª rodada ocorresse depois da 10ª e com o jogo entre CSA e União ocorresse depois da 12ª, pode ter prejudicado o clube. Especialmente porque o time jogou a cada dois dias justamente quando recebia um novo treinador.

Porém, nada justifica que o CSA tenha perdido 3 dos 7 jogos realizados no Estádio Rei Pelé, sendo dois deles de virada (Corinthians 4 a 2 e CEO 3 a 1), e o último na 13ª rodada, quando, para mim, perdeu a chance de ganhar a fase ao sair derrotado em casa para o Comercial, com poucas chances de classificação, por 2 a 1, com direito a pênalti perdido no final do primeiro tempo.

O time não caiu nas graças da torcida, com uma das organizadas protestando ao não comparecer à partida contra o CSE (vitória por 3 a 1), com jogadores reclamando da falta de apoio do torcedor azulino e um deles pedindo para sair por conta disso - o ídolo do ano passado, Washington. Faltou uma maior organização em campo. Nas derrotas em casa, especialmente, o desespero em recuperar o placar pesou bastante, mesmo quando o gol sofrido era de empate. Por exemplo, contra o Corinthians, o clube levou 3 gols em 10 minutos, num apagão geral no início do segundo tempo.

Mesmo com tantos tropeços, o CSA teve chance de ficar mais tranquilo. Além da citada partida contra o Comercial, o time azulino perdeu uma grande chance na 8ª rodada. Líder com 14 pontos, entrou em campo contra o CEO sabendo que os adversários mais próximos não pontuaram, podendo colocar 4 pontos para o 2º colocado, mas perdeu em casa por 3 a 1.

O meia articulador não apareceu no início do torneio. Rodriguinho, ex-ASA, teve uma ou outra boa atuação. Washington estava parado há algum tempo quando voltou e não tinha chegado à plena forma física. Mithyuê, ex "novo Falcão" no futsal que veio na parceria com o Grêmio, deu o ar da graça em poucas partidas, sendo decisivo, inclusive, em duas delas, mas também não foi o articulador que o time precisava.

Passada a fase, a diretoria já anunciou ontem o desligamento de 3 atletas e promete a contratação de um pacote de reforços que virão "para vestir a camisa de titular".

EQUILÍBRIO POR FALTA DE QUALIDADE
Mas não foi só o CSA que apareceu com chances de ficar mais tranquilo nesta 1ª fase. O torneio foi marcado por um grande equilíbrio, com times dado como mortos ressurgindo com uma sequência de 2 ou 3 resultados positivos, enquanto que outrora líderes, saíram do G4 num mesmo período.

O CEO foi o primeiro a se destacar na liderança. Apesar da derrota na estreia para o União, fora de casa, vieram depois quatro vitórias seguidas. Duas rodadas depois, duas derrotas, e o técnico Jaelson pediu demissão - assumindo o Sport rodadas depois.

O Murici, campeão em 2010, também esboçou um sprint na reta final da fase, indicando um confronto direto com o CSA na última partida. Porém, perdeu o jogo contra o Corinthians na 13ª rodada e empatou a partida em casa contra o time azulino na última rodada. Nos confrontos diretos, foram 2 derrotas, 1 empate e uma derrota.

Por fim, o Corinthians Alagoano, que começou praticamente sem técnico, mas cresceu com a chegada do experiente Ênio Oliveira (9ª rodada). Antes disso, porém, o time chegou a vencer o CSA por 4 a 2 no Rei Pelé, na 4ª rodada, mesmo vindo de duas derrotas e apenas uma vitória. A sequência final com 5 jogos sem perder, sendo 3 vitórias, foi fundamental para o Tricolor da Via Expressa levar a vaga para a Copa do Brasil. Destaque para o confronto de volta com o CSA, cujo empate saiu numa cobrança de pênalti aos 47 minutos do segundo tempo. Ponto fundamental - e dois a menos para o Azulão do Mutange - para definir a classificação final da fase.
FAVORITOS
Não teria como deixar de apontar o ASA como favorito para o campeonato. O time arapiraquense vem fazendo uma excelente campanha no Nordestão - escrevo antes da partida contra o Ceará pelo jogo de volta da semifinal -. Após 3 derrotas na primeira fase, alcançou a vaga com 3 vitórias seguidas. Depois, eliminou o ABC com vitória em Natal no segundo jogo. Além disso, como único representante alagoano na Série B, a tendência é que o time só melhore, já pensando nas disputas nacionais vindouras (também a Copa do Brasil).

O ponto negativo é a praga que acometeu o Estádio Municipal Coaracy da Mata Fonseca. O estádio chegou a ser interditado pelo clube e pela prefeitura, que tiveram que voltar atrás por conta das partidas decisivas da Copa do Nordeste. Por mais que haja a parada no meio do ano para a disputa da Copa das Confederações, imagina-se que o estádio possa ser fechado já durante o Alagoano. Algo a aguardar.

Há quem também aponte o CRB como outro favorito. Eu tendo a discordar. O atual campeão alagoano foi eliminado ainda na primeira fase do torneio da região, demitiu o treinador Heriberto da Cunha, mandou embora outros jogadores e está num processo de reformulação, sob o comando de Ademir Fonseca. O clube regatiano teve 40 dias para se preparar para o Estadual, mas resta ver como será o condicionamento do time dentro de campo. Para mim, ainda uma incógnita.

Dos outros quatro clubes do hexagonal, espera-se um rendimento melhor. 
REGULAMENTO
Nesta fase, os seis clubes jogam entre si em turno e returno, classificando os quatro melhores para as semifinais. O campeão e o vice-campeão do Alagoano 2013 representarão o Estado na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste de 2013. Ou seja, temos muita coisa em jogo.

Na outra ponta, Sport, Comercial, CSE e União também recomeçam do zero, mas para fugir do rebaixamento. Nos casos de Sport e Comercial, que disputaram até a última rodada a classificação para o hexagonal, fica o prejuízo. Os dois últimos do "Torneio da Morte" são rebaixados, desde que CRB ou ASA não fiquem em 6º no hexagonal. Caso isso ocorra, o penúltimo do Torneio da Morte enfrenta um deles em dois jogos para definir o último rebaixado.

Por fim, as partidas do hexagonal já estão definidas (ver tabela abaixo). Porém, como o ASA passou à final do Nordestão, o jogo contra o Murici pula para a quarta-feira. A FAF confirmará nesta segunda-feira como será modificada a tabela, levando em consideração, também, a partida da 3ª rodada. Além disso, prometemos tentar retornar com a Liga da Justiça Alagoana, nos confrontos de 2013, a partir das semifinais.


sábado, 2 de março de 2013

Prefeito não tem pai

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Prefeitura de Palmeira dos Índios, 1929.

Fiscal entra esbaforido na sala do prefeito:

- Prefeito, prefeito... Seu Sebastião...

- Quem?

- Seu Sebastião. Ele...

- Que Sebastião, Paulo?

- O seu pai, Seu Sebastião.

- Hômi, fala logo. O que tem ele? - o tempo inteiro o prefeito não havia desgrudado os olhos dos papeis com vários números que rabiscava. Pegara a prefeitura com poucos recursos.

- Ele não quer deixar que os fiscais apreendam os bicho que tão na rua. Disse que era um absurdo, por ser pai do prefeito.

O prefeito levanta a cabeça, olha rapidamente para o chefe da fiscalização e fala:

- Apreenda os bichos e o multe por descumprir a norma.

- Mas.

- Apreenda!

Horas depois, o prefeito Graciliano Ramos encontra o pai, ainda furioso com a multa a ser paga e com os porcos e cães que haviam sido apreendidos na rua. A resposta veio curta e grossa:

- Prefeito não tem pai. Eu posso pagar sua multa. Mas terei que apreender seus animais toda vez que o senhor os deixar na rua.

(O desacato à ordem de não manter os animais nas ruas de Palmeira dos Índios por parte de Sebastião Ramos de Oliveira, pai do escritor Graciliano Ramos, está relatado na biografia O velho Graça: Uma Biografia de Graciliano Ramos, de autoria de Dênis de Moraes. A frase está descrita no livro, a situação que a antecede é pura suposição deste que vos escreve).

sexta-feira, 1 de março de 2013

Um monstro, mas muito gentil - Amour

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Ela pede para que ele junte os joelhos com os dela, para mantê-la segura. Depois, que passe o braço direito por trás do seu copo. Os braços dela seguem para cima dos ombros dele. Passos sincronizados para frente. O movimento segue.

A polícia invade o apartamento após a preocupação dos vizinhos, sem notícias há muitos dias de quem vivia ali. Um fedor ocupa todo o espaço. Abre-se cômodo a cômodo, janela a janela, até encontrarem um quarto fechado e lacrado com fita adesiva. Arromba-se a porta e lá encontram o corpo de uma senhora usando preto e segurando flores e com algumas pétalas em volta. Aparece o letreiro com o nome do filme: AMOUR.

Imagens contraditórias? Amour, dirigido pelo alemão Michael Haneke (A Fita Branca, La pianiste, Caché) numa co-produção entre França, Alemanha e Áustria, apresenta o final da história de um casal de senhores franceses, na casa dos 80 anos, após o avançar da doença de uma ex-professora de piano. O que eu vi foi uma dança. Como ocorre nesta, guiada pelo homem, Georges (Jean-Louis Trintigant), mas com a beleza e glamour da mulher, Anne (Emmanuelle Riva), chamando todas as atenções.
Escolha
Era para eu ter assistido ao filme há mais de um mês, mas a vontade de ficar mais recluso e, principalmente, o título do filme me afastaram. Alguém tão diferente como eu fica receoso com títulos melosos, por mais que seja um filme bem longe do padrão estadunidense, até mesmo pelos locais de produção e direção, e ainda que tenha ganho a Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2012.

No domingo passado, confirmou o favoritismo ao vencer o Oscar de melhor filme estrangeiro. Nesta categoria, confesso que o que fiquei curioso em ver foi No, que trata da campanha do plebiscito de 1988 para evitar que o general Pinochet seguisse na presidência do Chile, após forte pressão internacional contra a ditadura. Não vi e nem sei se poderei vê-lo, por não ter ido aos cinemas que costumo frequentar.

Depois da defesa da dissertação, resolvi dar uma olhada nos filmes dos espaços que costumo frequentar em Porto Alegre, após um bom tempo sem consultar as programações. Amour estava na programação da Cinemateca Paulo Amorim, da Casa de Cultura Mário Quintana. Assim como, O Mestre e Argo, o último o vencedor de melhor filme de 2012 em vários prêmios anunciados nos últimos meses.

Acabei escolhendo ver Amour e Argo, filmes com grandes diferenças entre si. Se eu nem tive tanta vontade de assisti-los por conta do prêmio mais recente, não posso dizer o mesmo dos que me acompanharam. A sessão do filme de Haneke tinha mais de 30 pessoas, creio que o maior público para sessões em que eu já tinha ido na CCMQ - que seria superado pela lotação completa de Argo numa sessão com início às 17h10!

Com a minha mania de estatísticas - justificando a escolha do meu nome por parte dos meus pais -, achei curioso que haviam cerca de 8 homens entre trinta e tantas pessoas na sala. Creio que de forma solitária apenas eu. Pelo jeito, problemas em ver filmes com nomes assim, digamos, sentimentais, podem ser algo comum ao padrão machista da nossa sociedade...
Problemas na sala, mas não do filme
Li aqui ou acolá críticas a problemas apresentados na exibição de filmes na Cinemateca Paulo Amorim. A mais recente havia sido na página oficial de O Som Ao Redor, que alguém reclamou que o filme apareceu desfocado em alguns momentos de exibição. Vá lá que tem alguns problemas de áudio que eu notei algumas vezes, mas nunca havia passado por lá com deficiência mais grave. Eis a primeira vez.

Passados 20 minutos de filme e a cena aparece dividida ao meio. A máquina da projeção deve ter levado alguma pancada ou o filme estava mal colocado. Reclamações, palmas, algumas pessoas saindo para reclamar. Corrigiram o posicionamento. As pessoas seguiram reclamando que perderam parte do filme. Mais reclamações e pessoas saindo para reclamar que deveria começar do início. O filme volta algumas cenas depois de onde deu problema. Mais reclamação - por isso que não gosto de sessões cheias... Volta-se à cena anterior.

Café normal na vida do casal. Anne para o olhar em direção ao infinito. Georges a chama várias vezes e nada, pergunta o que estava acontecendo e nada, pega um pano, liga a torneira, molha-o e depois passa na cabeça e na nuca da esposa, nada. Ele sai atarantado para se vestir. Para de escutar o barulho da torneira e retorna à cozinha. Anne estava como se nada tivesse acontecido e se chateia com os questionamentos do marido do porquê de estar fazendo aquelas brincadeiras. O casal discute e ele tenta explicar que algo ocorreu e o médio deveria ser chamado. Anne erra a mira do chá na xícara.

As cenas que não vimos inicialmente eram escuras, mostrando a casa vazia, tudo do mesmo jeito que estava no momento anterior, com a toalha molhada em cima da mesa. Uma tomada bastante silenciosa. Dali, um pulo para a conversa de Georges com a filha, Eva, que fala mais de outras preocupações, empurrada pelo pai, que não queria falar dos problemas de saúde da esposa.

Ainda houve gente a teimar que pularam a cena. Não entenderam a simplicidade da passagem que indicou a saída para o hospital e o retorno. Eva aparece em mais alguns momentos, para irritação de Anne, que não a queria ver. Alexandre, a quem somos apresentados no início da "vida comum" do casal por ter sido aluno de piano de Anne, aparece para fazer uma surpresa e é surpreendido porque a sua ex-professora aparece de cadeira de rodas.

O filme segue com momentos do cotidiano, agora modificados. Georges parece ser alguém "carrancudo", bastante preocupado com a situação da esposa, apaixonado. Chega ao ponto de contar histórias da sua infância - a última delas numa construção cênica e de roteiro genial, marcante para o filme -, mesmo que isso prejudique a imagem que construiu.

Na primeira, ele fala sobre a lembrança do sentimento que teve ao ver um filme. Criança, encontrou um dos valentões típicos da idade, que perguntou porque ele estava chorando. O filme, foi a resposta. Georges não lembrava sequer o nome do filme ou como ele era feito, mas nunca esquecera da sensação que teve após ele, sensação esta repetida, com as lágrimas caindo novamente, ao falar com a outra criança. Anne ri muito na mesa de café, mesmo com o lado direito paralisado, e diz que ele não contava mais histórias assim para não mudar a imagem dele: "Você às vezes é um monstro. Mas, muito gentil".

Anne parece ser mais doce, mas sente muito as mudanças promovidas pela doença, fazendo o máximo para se afastar das pessoas, sejam as enfermeiras ou, até mesmo, a filha. Antes do ápice da doença, demarcado por ter acordado toda molhada, chega a exigir que, para o bem dos dois, que acabasse logo com aquilo. Ele diz que caso ela estivesse no lugar dele manteria os mesmos cuidados. E ela responde, seca, que imaginação e realidade são coisas bem diferentes. Quebrando com qualquer argumento possível.

Amour segue e o amor também, mas não para mostrar um casal no final de sua relação por conta da morte, já apresentada nas cenas que servem de prólogo, e sim para saber que, apesar de qualquer atitude que possa parecer reprovável - a ponta de gerar a reação de subir a camisa até o rosto, como fez a minha vizinha de cadeira -, a companhia (ou lembrança dela) segue.
Atuação
Emmanuelle Riva ganhou o BAFTA (principal prêmio cinematográfico britânico) e tornou-se a atriz mais velha (aos 85 anos) a concorrer ao Oscar nessa categoria, "perdendo" o prêmio para Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida). Li vários elogios ao longo dos últimos meses e acabei optando por prestar mais atenção ao companheiro dela de filme.

Jean-Louis Trintignant, de 82 anos, tem uma atuação impecável, mostrando todas as fragilidades da idade, alçadas a um posto ainda maior quando a parceira de toda uma vida acaba por exigir muito mais do que um dia ele sequer imaginara. Uma enorme pressão que acaba por mostrar que aquele "monstro" pode ser realmente muito gentil, como Anne falara numa das cenas.

Além da cena principal, outras duas me marcaram. Na primeira, ele escuta a campainha ou uma batida na porta durante a noite - o filme inicia com o apartamento com sinais de arrombamento - e resolve checar. Só assim conhecemos alguns outros locais para além daqueles cômodos. Pergunta quem era e não tem resposta. Abre a porta e ninguém ali. Segue andando até chegar num corredor alagado, o tempo todo sendo chamado pela esposa. Uma mão, aparentemente dela, aparece por trás e tapa a sua boca. Acorda desesperado do pesadelo que gerou um grande susto nos espectadores.

O segundo barulho é oriundo de uma batalha especial. Um pombo resolve aproveitar a janela aberta para entrar na casa. Na primeira vez ele consegue afastá-lo facilmente, na segunda, já perto do final do filme, ele sai caçando o pombo com um pano por toda a casa. Servindo, inclusive, para diminuir a carga negativa que possa ter ficado com o personagem, que se, por um lado, consegue pegar o pombo, por outro, solta-o em seguida.

É claro que, por mais que eu tentasse focar na atuação de Trintignant, a evolução da doença em Anne, com reações tão verossímeis, não deixavam me escapar o quão difícil deve ter sido para Riva. Uma atuação impecável e memorável.

Independente do nome do filme, Amour vale muito mais a pena para se ver, mesmo para aqueles que duvidem desse sentimento ou pensem que uma história com um casal de idosos e restrita, basicamente, aos cômodos de um apartamento pudesse ser tão interessante.